{"id":481073,"date":"2026-08-10T02:56:41","date_gmt":"2026-08-10T02:56:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/481073\/"},"modified":"2026-08-10T02:56:41","modified_gmt":"2026-08-10T02:56:41","slug":"grupos-de-telegram-e-whatsapp-trocam-livros-online-e-rasgam-mais-de-75-milhoes-as-editoras-eco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/481073\/","title":{"rendered":"Grupos de Telegram e WhatsApp trocam livros online e \u2018rasgam\u2019 mais de 75 milh\u00f5es \u00e0s editoras \u2013 ECO"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 um manancial de livros (dif\u00edcil de quantificar) espalhado pelas redes sociais e cujas receitas n\u00e3o chegam aos seus autores ou editoras nem passam pelas caixas registadoras de livrarias, quiosques e hipermercados. <strong>Por entre as caixas de mensagens pessoais, h\u00e1 quem tenha grupos destinados \u00e0 partilha de pirataria liter\u00e1ria, que a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) estima custar mais de 75 milh\u00f5es de euros<\/strong>.<\/p>\n<p>\n\t\t\tEscolha o ECO como fonte preferida no Google\n\t\t<\/p>\n<p>\t<a class=\"preferred-source__button\" href=\"https:\/\/google.com\/preferences\/source?q=https%3A%2F%2Feco.sapo.pt%2F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\"><br \/>\n\t\tEscolher<br \/>\n\t\t\u203a<br \/>\n\t<\/a><\/p>\n<p>Ana (nome fict\u00edcio) teve conhecimento dos grupos de Telegram de partilha de livros pirateados atrav\u00e9s de um v\u00eddeo no Instagram publicado por uma micro-influenciadora digital. \u201c<strong>Depois de entrar no grupo percebi que era altamente desaconselhado falar do mesmo por fazer com que fosse descoberto e, por isso, eliminado<\/strong> \u2013 acredito que pelo pr\u00f3prio Telegram, por ser uma atividade il\u00edcita, mas n\u00e3o tenho a certeza. Acho que se v\u00e3o disseminando em modo passa-a-palavra\u201d, conta ao ECO, acrescentando que aderiu a outros grupos que acabaram por ser eliminados.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/07\/10\/venda-de-livros-cai-2-no-segundo-trimestre-e-regista-primeira-quebra-desde-a-pandemia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Venda de livros cai 2% no segundo trimestre<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p>O grupo em causa tem <strong>livros em portugu\u00eas e noutras l\u00ednguas, manuais escolares e audiobooks <\/strong>(narrados em \u00e1udio). <strong>Permite que qualquer pessoa partilhe ficheiros, mas encontra-se atualmente fechado a novos membros \u201ccom receio de ficar muito conhecido\u201d.<\/strong> \u201cH\u00e1 programas na Internet que d\u00e3o para retirar a barreira de seguran\u00e7a do ficheiro. Pode haver dias em que s\u00e3o partilhados dez livros e semanas sem nenhum\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os <strong>livreiros admitem ao ECO que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que os \u201cpreocupa bastante\u201d<\/strong>. <strong>\u201cA APEL tem conhecimento da exist\u00eancia de canais informais \u2013 diria at\u00e9 ilegais<\/strong>, porque n\u00e3o temos de ter medo de dizer as coisas como s\u00e3o \u2013 de partilha de livros em formato digital. A desmaterializa\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados aumenta o risco destes fen\u00f3menos que s\u00e3o, fundamentalmente, pirataria\u201d, explica o presidente da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O l\u00edder da APEL, Miguel Pauseiro, reconhece que \u201ca vida fica facilitada quando existe disponibiliza\u00e7\u00e3o dos ficheiros descarreg\u00e1veis\u201d. \u201c<strong>Por um lado, temos de repudiar esta situa\u00e7\u00e3o e, por outro, alertar as pessoas, porque existe maior incid\u00eancia nos jovens<\/strong>. \u00c9 necess\u00e1rio respeitarmos o valor do livro, os direitos de autor e os direitos conexos\u201d, refere.<\/p>\n<p>A leitora \u2018Ana\u2019 chamou a aten\u00e7\u00e3o para a tecnicidade da seguran\u00e7a dos ebooks e deu como exemplo <strong>as lojas online da Bertrand e Wook, cujos ebooks s\u00f3 podem ser lidos nas suas plataformas digitais internas em vez de Kindle ou Kobo<\/strong>. Isto porque a Bertrand alterou a sua pol\u00edtica de ficheiros digitais durante a pandemia e, recentemente, p\u00f4s de uma vez fim ao formato compat\u00edvel com Adobe Digital Editions, fazendo que os livros digitais comprados no seu website ficassem apenas dispon\u00edveis na sua biblioteca interna. Contactada, a empresa portuguesa n\u00e3o quis prestar coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o conseguir quantificar a \u201cparte substancial da popula\u00e7\u00e3o nacional que l\u00ea de forma ilegal\u201d, o l\u00edder da <strong>APEL lembra que o \u00faltimo estudo sobre a pirataria, elaborado em 2011-2012, concluiu que o impacto econ\u00f3mico era de 60 milh\u00f5es de euros. \u201cSe fizermos s\u00f3 uma atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria deste valor, admitindo que nada se alterou, passamos para 75 milh\u00f5es.<\/strong> Mas a minha perce\u00e7\u00e3o \u00e9 de que [a situa\u00e7\u00e3o] piorou, porque h\u00e1 muito mais grupos de Telegram e WhatsApp e a tend\u00eancia para a digitaliza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados \u00e9 cada vez maior. Temo que o impacto possa ser bem superior\u201d, disse Miguel Pauseiro. <strong>At\u00e9 ao final deste ano vai ser realizado um novo estudo<\/strong> com dados atualizados.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1943696\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cropped-livro-e-ebook.jpg\" alt=\"\" width=\"958\" height=\"539\"\/><\/p>\n<p>A <strong>Porto Editora est\u00e1 a acompanhar este fen\u00f3meno \u201ccom aten\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o\u201d e caracteriza-o como \u201cum dos maiores desafios que a ind\u00fastria de conte\u00fados culturais enfrenta atualmente\u201d.<\/strong> \u201cTemos consci\u00eancia de que existem pr\u00e1ticas de distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada de ebooks em canais digitais e redes sociais, embora a sua dimens\u00e3o real seja dif\u00edcil de quantificar com rigor\u201d, assinala fonte oficial da editora liderada por Vasco Teixeira.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos d\u00favida de que qualquer forma de utiliza\u00e7\u00e3o ou distribui\u00e7\u00e3o il\u00edcita de obras prejudica autores, tradutores, editores e todos os profissionais envolvidos na cria\u00e7\u00e3o e disponibiliza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, comprometendo a sustentabilidade do ecossistema do livro e da leitura. <strong>Mais do que uma quest\u00e3o econ\u00f3mica, trata-se tamb\u00e9m de uma quest\u00e3o de valoriza\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o intelectual e do respeito pelos direitos de autor<\/strong>\u201d, adverte a Porto Editora.<\/p>\n<p>Ainda assim, a APEL reconhece que a ind\u00fastria e o mercado se devem adaptar \u00e0s novas formas de consumo, porque s\u00e3o \u201cincontorn\u00e1veis\u201d e \u201cn\u00e3o vale tentar parar o vento com as m\u00e3os\u201d. Nomeadamente, modificar a curadoria das bibliotecas e modernizar os seus cat\u00e1logos para abrangerem \u201cos Dan Browns e as Freidas\u201d [McFadden].<\/p>\n<p>Mercado cresce menos de 1% at\u00e9 junho<\/p>\n<p>No primeiro semestre, o mercado do livro cresceu menos de 1%. Segundo os dados apurados pela GfK, <strong>venderam-se cerca de 6,5 milh\u00f5es de unidades, o que se materializou num volume de neg\u00f3cios de 94 milh\u00f5es de euros<\/strong>. Trata-se de um aumento modesto de 0,8% em fatura\u00e7\u00e3o e de 0,3% em livros vendidos.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Estamos a olhar para 2026 com alguma prud\u00eancia. Posso dizer que entre janeiro e junho foram vendidos em Portugal cerca de seis mil novos t\u00edtulos<\/strong> \u2013 que entraram no mercado com a venda de, pelo menos, uma unidade \u2013 al\u00e9m dos outros todos, mas o segundo semestre tende a ser melhor\u201d, salienta o presidente da APEL, remetendo para os per\u00edodos de ver\u00e3o (f\u00e9rias), regresso \u00e0s aulas (\u201clivros obrigat\u00f3rios\u201d) e Natal (presentes).<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\t\t\t&#13;<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Se me v\u00eam dizer que os jovens n\u00e3o t\u00eam possibilidade de comprar muitos livros, respondo que a partilha de livros f\u00edsicos sempre existiu. Empresta a uma amiga, que lhe empresta a si. Isso n\u00e3o \u00e9 legal nem crime, como o \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o abusiva, a partilha em grupos de WhatsApp ou Telegram, onde est\u00e3o dezenas de milhares de pessoas. N\u00e3o faltam bibliotecas no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tMiguel Pauseiro<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da APEL<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p>A <strong>desacelera\u00e7\u00e3o ocorre ap\u00f3s um<\/strong> <strong>2025 em que o setor livreiro portugu\u00eas registou um crescimento de 7,6% em valor e de 6,9% em unidades vendidas<\/strong>, totalizando cerca de 217,5 milh\u00f5es de euros e 14,8 milh\u00f5es de livros vendidos.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\t\t\t &#13;<br \/>\n\t\t&#13;<\/p>\n<p>E quem se destacou nas prateleiras nos primeiros seis meses de 2026? Os livros com desafios em cenas de crime. O Murdoku est\u00e1 a ter um peso \u201cmuito significativo\u201d nas vendas do primeiro semestre, al\u00e9m de continuar a performance positiva de v\u00e1rios t\u00edtulos da Freida McFadden \u2013 autora de \u201cA Criada\u201d \u2013 ou o \u201cHospital de Alfaces\u201d, de Pedro Chagas Freitas, e o<strong> \u201cH\u00e1bitos At\u00f3micos\u201d, de James Clear. As obras de Jos\u00e9 Rodrigues dos Santos tamb\u00e9m continuam a sobressair nos rankings, bem como Dan Brown, com \u201cO Segredo dos Segredos\u201d<\/strong>, que foi lan\u00e7ado no final do ano passado.<\/p>\n<p>Governo emite mais de 45 mil cheques-livro<\/p>\n<p>A tr\u00eas semanas do final da <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2025\/12\/24\/cheque-livro-aumenta-10-euros-e-pode-ser-utilizado-ate-ao-fim-de-junho\" rel=\"noopener nofollow\">segunda edi\u00e7\u00e3o do programa de descontos em livros, criado pelo Governo para incentivar os h\u00e1bitos de leitura entre os jovens<\/a>, cerca de 35 mil pessoas entre os 18 e os 19 anos utilizaram os mais de 45 mil cheques-livros emitidos. No total, <strong>desde o dia 2 de janeiro at\u00e9 30 de julho, foram emitidos 45.038 cheques-livro, dos quais 35.110 foram utilizados<\/strong>, segundo a informa\u00e7\u00e3o transmitida ao ECO pelo Minist\u00e9rio da Cultura, Juventude e Desporto.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2025\/11\/26\/oe2026-parlamento-aprova-extensao-do-cheque-livro-aos-e-books-para-jovens-de-18-anos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Parlamento aprova extens\u00e3o do cheque-livro aos e-books<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p>Estes <strong>vouchers digitais, da responsabilidade da DGLAB \u2013 Dire\u00e7\u00e3o-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, terminam oficialmente a 31 de agosto<\/strong>, ap\u00f3s terem tido uma extens\u00e3o de dois meses no prazo. Questionado sobre se haver\u00e1 uma terceira edi\u00e7\u00e3o e em que moldes, o gabinete de Margarida Balseiro Lopes disse que \u201cneste contexto, considera-se prematuro proceder, nesta fase, a um balan\u00e7o definitivo da iniciativa\u201d. \u201cUma avalia\u00e7\u00e3o mais completa dever\u00e1 ser realizada ap\u00f3s o encerramento do prazo, quando estiverem dispon\u00edveis os dados finais de execu\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m <strong>a eventual renova\u00e7\u00e3o do programa e a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o de livros em formato digital dever\u00e3o ser analisadas nesse \u00e2mbito<\/strong>\u201d, explicou o minist\u00e9rio com a pasta da Cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 um manancial de livros (dif\u00edcil de quantificar) espalhado pelas redes sociais e cujas receitas n\u00e3o chegam aos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":481074,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[1753,88,315,476,89,90,32,33],"class_list":["post-481073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-artes","tag-business","tag-cultura","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117068968315937932","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/481073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=481073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/481073\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/481074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=481073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=481073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=481073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}