{"id":482182,"date":"2026-08-11T03:42:12","date_gmt":"2026-08-11T03:42:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/482182\/"},"modified":"2026-08-11T03:42:12","modified_gmt":"2026-08-11T03:42:12","slug":"diabetes-tipo-2-avanca-entre-jovens-mais-em-mulheres-10-08-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/482182\/","title":{"rendered":"Diabetes tipo 2 avan\u00e7a entre jovens, mais em mulheres &#8211; 10\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Antigamente, havia uma forma bastante clara de distinguir o<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/diabetes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> diabetes<\/a> tipo 1 do tipo 2. De forma simplificada, o diabetes tipo 1 era considerado uma doen\u00e7a autoimune de origem gen\u00e9tica, que se manifestava principalmente em pessoas jovens. O diabetes tipo 2 era visto como uma doen\u00e7a que surgia em pessoas mais velhas, geralmente na faixa dos 50 ou 60 anos, associada a h\u00e1bitos de vida pouco saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mas essa distin\u00e7\u00e3o baseada na idade j\u00e1 n\u00e3o funciona. Cada vez mais <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/07\/diabetes-tipo-2-avanca-entre-criancas-e-adolescentes-e-preocupa-medicos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">jovens est\u00e3o sendo diagnosticados com diabetes tipo 2.<\/a> Na Inglaterra, por exemplo, o maior aumento de novos diagn\u00f3sticos ocorre entre mulheres jovens.<\/p>\n<p>Uma equipe de pesquisadores do Imperial College London analisou dados da Auditoria Nacional de Diabetes da Inglaterra entre 2011 e 2024 e constatou que, enquanto a preval\u00eancia de diabetes tipo 2 est\u00e1 diminuindo entre adultos de 60 a 79 anos, est\u00e1 aumentando entre pessoas com menos de 40 anos.<\/p>\n<p>Os resultados, publicados na revista The Lancet Regional Health Europe, mostraram que o aumento mais acentuado ocorreu entre mulheres brancas, asi\u00e1ticas e negras na faixa dos 20 anos, e entre mulheres brancas na faixa dos 30 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Muito da discuss\u00e3o sobre o aumento do diabetes tipo 2 entre jovens tem se concentrado em grupos \u00e9tnicos minorit\u00e1rios&#8221;, afirma Shivani Misra, autora principal do estudo e professora associada de diabetes no Imperial College London.<\/p>\n<p>&#8220;Embora esses grupos sejam desproporcionalmente afetados pelo diabetes tipo 2 de in\u00edcio precoce, agora vemos que a incid\u00eancia tamb\u00e9m est\u00e1 aumentando entre a popula\u00e7\u00e3o branca, o que mostra que esse desafio de sa\u00fade p\u00fablica est\u00e1 se ampliando para toda a gera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Misra.<\/p>\n<p>Estilo de vida prejudica os jovens<\/p>\n<p>Na Alemanha, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante, segundo Baptist Gallwitz, endocrinologista e porta-voz da Sociedade Alem\u00e3 de Diabetes (DDG).<\/p>\n<p>&#8220;O diabetes tipo 2 est\u00e1 aumentando em muitos pa\u00edses. Trata-se basicamente de uma pandemia&#8221;, afirma Gallwitz \u00e0 DW. &#8220;Na Alemanha, tamb\u00e9m estamos observando um aumento entre crian\u00e7as e adolescentes&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio sobre diabetes publicado pela DDG em 2026, entre 2014 e 2023 os casos de diabetes tipo 2 cresceram, em m\u00e9dia, 5,8% ao ano entre jovens de 11 a 17 anos.<\/p>\n<p>Embora a predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica possa desempenhar algum papel, o principal fator \u00e9 o estilo de vida.<\/p>\n<p>&#8220;Vivemos em um mundo em que nos movimentamos pouco e consumimos alimentos com a\u00e7\u00facar e calorias em excesso&#8221;, diz Gallwitz. &#8220;Isso leva ao aumento da obesidade entre os jovens, o que, por sua vez, eleva significativamente o risco de diabetes tipo 2.&#8221;<\/p>\n<p>No diabetes tipo 2, a secre\u00e7\u00e3o de insulina \u00e9 reduzida ou o organismo responde menos \u00e0 a\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio, provocando aumento dos n\u00edveis de glicose no sangue. J\u00e1 o diabetes tipo 1 \u00e9 caracterizado pela destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas produtoras de insulina, causando defici\u00eancia grave desse horm\u00f4nio.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00f5es precoces<\/p>\n<p>O crescimento dos casos preocupa especialmente porque a doen\u00e7a tende a ser mais agressiva quando surge em pessoas jovens.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer diagn\u00f3stico de diabetes tipo 2 \u00e9 grave, mas a doen\u00e7a pode ser mais agressiva em pessoas jovens, aumentando o risco de complica\u00e7\u00f5es devastadoras e reduzindo a expectativa de vida&#8221;, destaca Helen Kirrane, da organiza\u00e7\u00e3o Diabetes UK, do Reino Unido.<\/p>\n<p>Por isso, especialistas defendem interven\u00e7\u00f5es precoces. Gallwitz disse que a DDG recebeu positivamente a introdu\u00e7\u00e3o de um<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2025\/12\/estudo-defende-imposto-seletivo-de-8-para-refrigerantes-e-critica-teto-de-2.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> imposto sobre refrigerantes a\u00e7ucarados <\/a>na Alemanha, mas considera a medida insuficiente.<\/p>\n<p>A entidade prop\u00f5e um sistema escalonado de impostos, com frutas e verduras isentas e taxas mais elevadas para produtos ricos em gorduras saturadas e a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m defende refei\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis em creches e escolas e a inclus\u00e3o de uma hora di\u00e1ria obrigat\u00f3ria de atividade f\u00edsica nos curr\u00edculos escolares.<\/p>\n<p>Ambiente mais seguro para as mulheres<\/p>\n<p>Para Alexandra Kautzky-Willer, chefe da divis\u00e3o de endocrinologia e metabolismo da Universidade M\u00e9dica de Viena e especialista em medicina de g\u00eanero, n\u00e3o basta incentivar a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios.<\/p>\n<p>&#8220;Mais <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/atividade-fisica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">atividade f\u00edsica <\/a>\u00e9 importante, mas precisamos garantir condi\u00e7\u00f5es para que as mulheres possam se movimentar com seguran\u00e7a&#8221;, afirma \u00e0 DW.<\/p>\n<p>Segundo ela, mulheres que temem ass\u00e9dio nas ruas, humilha\u00e7\u00f5es relacionadas ao peso ou at\u00e9 agress\u00f5es f\u00edsicas t\u00eam menos probabilidade de correr ao ar livre ap\u00f3s o trabalho ou frequentar academias.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>N\u00famero de casos pode ser muito maior<\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 preocupante, o n\u00famero real de mulheres com diabetes tipo 2 pode ser ainda maior do que indicam os dados atuais.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado em 2025 na revista m\u00e9dica alem\u00e3 Deutsches \u00c4rzteblatt, Kautzky-Willer e uma colega argumentaram que a doen\u00e7a \u00e9 frequentemente subdiagnosticada em mulheres.<\/p>\n<p>Segundo as pesquisadoras, al\u00e9m das mulheres receberem o diagn\u00f3stico normalmente mais tarde, elas tamb\u00e9m j\u00e1 apresentam taxas maiores de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/obesidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">obesidade<\/a>, hipertens\u00e3o e ganho de peso, fatores que tamb\u00e9m aumentam o risco de infartos e AVCs.<\/p>\n<p>E o m\u00e9todo de diagn\u00f3stico pode contribuir para o problema. Uma das explica\u00e7\u00f5es \u00e9 que o exame mais usado para detectar diabetes \u00e9 a medi\u00e7\u00e3o da glicemia em jejum.<\/p>\n<p>Esse teste avalia o n\u00edvel de a\u00e7\u00facar no sangue ap\u00f3s oito horas sem alimenta\u00e7\u00e3o. No entanto, oferece apenas uma fotografia moment\u00e2nea e pode deixar de identificar picos de glicose ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A glicemia em jejum costuma ser mais baixa nas mulheres do que nos homens&#8221;, explicou Kautzky-Willer. &#8220;Faria mais sentido realizar um teste de toler\u00e2ncia \u00e0 glicose, mas ele exige mais trabalho&#8221;.<\/p>\n<p>O teste de toler\u00e2ncia \u00e0 glicose requer v\u00e1rias coletas de sangue ao longo de aproximadamente duas horas, per\u00edodo em que o paciente permanece no laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Kautzky-Willer tamb\u00e9m considera importante medir os n\u00edveis de HbA1c, indicador que mostra a m\u00e9dia da glicose sangu\u00ednea nos \u00faltimos dois ou tr\u00eas meses. O exame mede a quantidade de hemoglobina glicada, formada quando a glicose se liga aos gl\u00f3bulos vermelhos. N\u00edveis elevados de HbA1c indicam excesso de a\u00e7\u00facar no sangue e maior risco de complica\u00e7\u00f5es relacionadas ao diabetes.<\/p>\n<p>No entanto, tanto o teste de toler\u00e2ncia \u00e0 glicose quanto o HbA1c exigem mais recursos laboratoriais e t\u00eam custos mais elevados. Na Alemanha e na \u00c1ustria, por exemplo, esses exames n\u00e3o s\u00e3o cobertos pelos seguros de sa\u00fade de forma rotineira para rastreamento, ao contr\u00e1rio da glicemia em jejum.<\/p>\n<p>No Brasil, ambos fazem parte das diretrizes nacionais para diagn\u00f3stico do diabetes e s\u00e3o amplamente utilizados na rede p\u00fablica e privada, embora sua disponibilidade possa variar conforme o servi\u00e7o de sa\u00fade e a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os especialistas consultados pela DW concordam que identificar precocemente pessoas em estado de pr\u00e9-diabetes \u00e9 essencial para frear o avan\u00e7o da doen\u00e7a entre os jovens.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que, quando o problema \u00e9 detectado na fase inicial, mudan\u00e7as na alimenta\u00e7\u00e3o e no estilo de vida podem interromper a progress\u00e3o do diabetes em alguns casos, reduzindo a necessidade futura de medicamentos e diminuindo o risco de complica\u00e7\u00f5es graves.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Antigamente, havia uma forma bastante clara de distinguir o diabetes tipo 1 do tipo 2. 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