{"id":482640,"date":"2026-08-11T11:44:42","date_gmt":"2026-08-11T11:44:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/482640\/"},"modified":"2026-08-11T11:44:42","modified_gmt":"2026-08-11T11:44:42","slug":"apenas-a-ponta-do-icebergue-portugal-vai-escapando-mas-a-europa-esta-a-viver-um-verao-sem-precedentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/482640\/","title":{"rendered":"&#8220;Apenas a ponta do icebergue&#8221;. Portugal vai escapando mas a Europa est\u00e1 a viver um ver\u00e3o sem precedentes"},"content":{"rendered":"<p>                Temperaturas escaldantes dos \u00faltimos dois meses tiveram influ\u00eancia do &#8220;Super&#8221; El Ni\u00f1o<\/p>\n<p>Os dois primeiros meses do ver\u00e3o na Europa Ocidental foram os mais quentes de que h\u00e1 registo, informou esta segunda-feira o Observat\u00f3rio Clim\u00e1tico da Uni\u00e3o Europeia, enquanto o continente enfrenta inc\u00eandios florestais devastadores e se prepara para mais uma onda de calor.<\/p>\n<p>A temperatura m\u00e9dia em junho e julho foi de 21,62 graus Celsius, cerca de 2,79 graus acima da m\u00e9dia, superando o anterior recorde de calor estabelecido em 2022, segundo o servi\u00e7o de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas Copernicus.<\/p>\n<p>Julho foi tamb\u00e9m o m\u00eas mais quente alguma vez registado nos oceanos n\u00e3o polares do mundo, informou o Copernicus, com temperaturas recorde ao longo do Atl\u00e2ntico e do Mediterr\u00e2neo Ocidental, pondo em risco a vida marinha e as comunidades costeiras. As condi\u00e7\u00f5es foram parcialmente impulsionadas pelo chamado &#8220;Super&#8221; El Ni\u00f1o, um fen\u00f3meno clim\u00e1tico que se desenvolveu no Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>O continente tem sido atingido por uma s\u00e9rie de ondas de calor mort\u00edferas, prevendo-se mais temperaturas elevadas para esta semana. O calor matou mais de 25 mil pessoas em toda a Europa este ano, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Pessoas caminham junto a um ventilador com \u00e1gua durante uma onda de calor no Coliseu, em Roma, a 6 de agosto de 2026 (Tiziana Fabi\/AFP\/Getty Images)\" height=\"708\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1786448680_766_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Pessoas caminham junto a um ventilador com \u00e1gua durante uma onda de calor no Coliseu, em Roma, a 6 de agosto de 2026 (Tiziana Fabi\/AFP\/Getty Images) <\/p>\n<p>A Europa \u00e9 o continente que aquece mais rapidamente no mundo, mas est\u00e1 particularmente mal preparada para suportar o calor, devido \u00e0s infraestruturas antigas e \u00e0 falta de ar condicionado.<\/p>\n<p>As temperaturas escaldantes e as secas persistentes em junho e julho refor\u00e7aram-se mutuamente, criando uma espiral de calor intenso, de acordo com Samantha Burgess, l\u00edder estrat\u00e9gica para o clima no Centro Europeu de Previs\u00f5es Meteorol\u00f3gicas de M\u00e9dio Prazo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que os solos secam, perdem a capacidade de proporcionar arrefecimento natural, permitindo que o calor se acumule mais facilmente&#8221;, diz Burgess, acrescentando que este \u00e9 &#8220;um exemplo claro de como as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o a intensificar os extremos de calor&#8221;.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis de humidade do solo superficial em toda a Europa Ocidental em julho de 2026 tamb\u00e9m foram &#8220;significativamente mais baixos&#8221; do que em julho de 2022, o \u00faltimo ver\u00e3o em que a regi\u00e3o sofreu com seca extrema, com &#8220;d\u00e9fices excecionais a recordes&#8221; de chuva e humidade do solo em Fran\u00e7a, Espanha e partes da Alemanha e do Reino Unido, constataram os cientistas.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Um caminhante atravessa uma \u00e1rea afetada por um inc\u00eandio florestal que queimou v\u00e1rios hectares na comuna de Mizerieux, Fran\u00e7a, a 7 de agosto de 2026 (Romain Doucelin\/NurPhoto\/Getty Images)\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1786448681_355_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Um caminhante atravessa uma \u00e1rea afetada por um inc\u00eandio florestal que queimou v\u00e1rios hectares na comuna de Mizerieux, Fran\u00e7a, a 7 de agosto de 2026 (Romain Doucelin\/NurPhoto\/Getty Images) <\/p>\n<p>O calor recorde do ver\u00e3o criou as condi\u00e7\u00f5es ideais para os inc\u00eandios florestais sem precedentes na Europa, que deslocaram centenas de milhares de pessoas e queimaram mais de 500 mil hectares de terra, principalmente em Espanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia, segundo um relat\u00f3rio da UE de 6 de agosto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da terra devastada, os inc\u00eandios tamb\u00e9m tiveram um impacto mais amplo em todo o continente, aumentando as emiss\u00f5es e prejudicando a qualidade do ar, afirma Laurence Rouil, diretora do Servi\u00e7o de Monitoriza\u00e7\u00e3o da Atmosfera Copernicus.<\/p>\n<p>\u201cOs inc\u00eandios maiores produzem mais fumo e lan\u00e7am-no a altitudes mais elevadas na atmosfera, o que significa que pode viajar mais longe e afetar a qualidade do ar n\u00e3o s\u00f3 localmente, mas em toda a regi\u00e3o\u201d, explica Rouil.<\/p>\n<p>As secas severas reduziram tamb\u00e9m o n\u00edvel da \u00e1gua dos principais rios da Europa, em particular o Sena, o Reno e o Dan\u00fabio, amea\u00e7ando o abastecimento energ\u00e9tico do continente.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Pessoas caminham num banco de areia sob a Ponte Margarida, no centro de Budapeste, Hungria, na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, enquanto o rio recua para n\u00edveis de \u00e1gua historicamente baixos (Bela Szandelszky\/AP)\" height=\"686\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1786448681_118_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Pessoas caminham num banco de areia sob a Ponte Margarida, no centro de Budapeste, Hungria, na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, enquanto o rio recua para n\u00edveis de \u00e1gua historicamente baixos (Bela Szandelszky\/AP) <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Um cami\u00e3o atravessa a ponte sobre o Reno na autoestrada A48, perto de Bendorf, a 9 de agosto de 2026 (Thomas Frey\/dpa\/AP)\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1786448682_183_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Um cami\u00e3o atravessa a ponte sobre o Reno na autoestrada A48, perto de Bendorf, a 9 de agosto de 2026 (Thomas Frey\/dpa\/AP) <\/p>\n<p>A Hungria e a Rom\u00e9nia foram obrigadas a desligar temporariamente os reactores nucleares refrigerados pelo Dan\u00fabio, o segundo maior rio da Europa, que atingiu n\u00edveis de \u00e1gua t\u00e3o baixos que a crise pode ser observada a partir do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Richard Allan, professor de climatologia na Universidade de Reading, em Inglaterra, disse anteriormente \u00e0 CNN que estes n\u00edveis recorde de baixa do rio ser\u00e3o provavelmente novamente ultrapassados \u200b\u200bno futuro e que esta \u201cser\u00e1 apenas a ponta do icebergue\u201d.<\/p>\n<p>\u201cGerir os recursos h\u00eddricos tornar-se-\u00e1 progressivamente mais desafiante.\u201d<\/p>\n<p>Laura Paddison e Oliver Sherwood contribu\u00edram para esta reportagem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Temperaturas escaldantes dos \u00faltimos dois meses tiveram influ\u00eancia do &#8220;Super&#8221; 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