{"id":483108,"date":"2026-08-11T18:58:12","date_gmt":"2026-08-11T18:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483108\/"},"modified":"2026-08-11T18:58:12","modified_gmt":"2026-08-11T18:58:12","slug":"fungo-mortal-usa-metodo-engenhoso-para-se-acomodar-na-pele-meio-bit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483108\/","title":{"rendered":"Fungo mortal usa m\u00e9todo engenhoso para se acomodar na pele \u2013 Meio Bit"},"content":{"rendered":"<p><strong>Superbugs<\/strong> \u00e9 o termo em ingl\u00eas <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Antimicrobial_resistance\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">reservado a pat\u00f3genos<\/a> que possuem resist\u00eancia a um ou m\u00faltiplos agentes antimicrobianos, resultando em doen\u00e7as dific\u00edlimas de tratar e, n\u00e3o raro, mortais. Um dos mais temidos \u00e9 o fungo <strong>Candida auris<\/strong>, por sua capacidade de viver na pele de hospedeiros sadios de modo completamente impune.<\/p>\n<p>Uma nova pesquisa conseguiu desvendar o intrincado e sofisticado m\u00e9todo que o C. auris usa para n\u00e3o ser incomodado pelo sistema imunol\u00f3gico e se estabelecer em col\u00f4nias nos fol\u00edculos pilosos, o que o permite se alastrar em hospitais e infectar indiv\u00edduos enfraquecidos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/files.meiobit.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/candida-auris-culture.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-468011\" class=\"size-large wp-image-468011\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Cultura do fungo Candida auris (Cr\u00e9dito: TopMicrobialStock\/Shutterstock)\" width=\"680\" height=\"382\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/candida-auris-culture-1060x596.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-468011\" class=\"wp-caption-text\">Este carinha pode estragar bem mais do que o seu dia (Cr\u00e9dito: TopMicrobialStock\/Shutterstock)<\/p>\n<p>A descoberta pode permitir novos m\u00e9todos de resposta a infec\u00e7\u00f5es e, com sorte, aumentar as chances de sobreviv\u00eancia dos afligidos pelo fungo.<\/p>\n<p>Fungo mortal e esperto<\/p>\n<p>Descrito pela primeira vez em 2009, o C. auris \u00e9 um fungo do mesmo g\u00eanero de leveduras causadoras da candid\u00edase, mas muito mais perigoso. Detectado inicialmente na Coreia do Sul e Jap\u00e3o, ele rapidamente se espalhou para o resto do mundo (o primeiro caso no Brasil foi diagnosticado em 2020) por ser altamente resiliente e transmiss\u00edvel, especialmente em ambientes como hospitais e institui\u00e7\u00f5es como asilos, onde costuma fazer estragos severos ao infectar indiv\u00edduos debilitados.<\/p>\n<p>O C. auris \u00e9 perigoso por ter a capacidade de evoluir rapidamente, desenvolvendo resist\u00eancia \u00e0 maioria dos medicamentos dispon\u00edveis atualmente, mesmo os mais poderosos e de uso extremamente restrito, principalmente para n\u00e3o serem abusados pelos pacientes, que t\u00eam o p\u00e9ssimo costume de virar um comprimido de qualquer coisa, de antibi\u00f3ticos a antivirais e antif\u00fangicos no primeiro espirro.<\/p>\n<p>Algumas linhagens do C. auris j\u00e1 demonstram resist\u00eancia m\u00faltipla a diversos antif\u00fangicos, dificultando imensamente o tratamento de infectados; uma vez que o fungo entra na corrente sangu\u00ednea por meio de arranh\u00f5es ou cortes, ele causa fungemia (candid\u00edase invasiva) severa, atacando \u00f3rg\u00e3os, fluxo sangu\u00edneo e sistema nervoso central; a taxa de mortalidade \u00e9 de 30% a 60%, considerada alt\u00edssima.<\/p>\n<p>Vale lembrar que o C. auris \u00e9 um de v\u00e1rios superbugs perigosos em circula\u00e7\u00e3o; outro exemplo \u00e9 a fam\u00edlia de bact\u00e9rias Staphylococcus aureus resistentes \u00e0 meticilina, ou SARM\/MRSA, que pode causar desde abcessos cut\u00e2neos a infec\u00e7\u00f5es graves nos pulm\u00f5es e no sangue, e que <a href=\"https:\/\/www.healthdata.org\/news-events\/insights-blog\/acting-data\/among-superbugs-mrsa-forefront-antimicrobial-resistance\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">matou mais de 100 mil pessoas<\/a> s\u00f3 em 2019.<\/p>\n<p>Em comum, ambos pat\u00f3genos se acomodam confortavelmente na pele de indiv\u00edduos com o sistema imunol\u00f3gico em dia, que acabam agindo como hospedeiros e os espalhando em ambientes como hospitais sem nem mesmo saber que os carregam, mas o C. aureus, por ser um fungo e, logo, mais complexo, devia ser facilmente detect\u00e1vel pelo nosso sistema de defesa, mas isso n\u00e3o acontece. De fato, ele consegue estabelecer col\u00f4nias com mais facilidade que seus &#8220;primos&#8221; do g\u00eanero Candida.<\/p>\n<p>Agora, pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia em S\u00e3o Francisco (UCSF) descobriram por qu\u00ea.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/files.meiobit.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cells-at-work-neutrophil-squad-vs-s-aureus.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-468009\" class=\"size-large wp-image-468009\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Cena do anime Cells at Work!, em que o esquadr\u00e3o de neutr\u00f3filos enfrenta a superbact\u00e9ria Staphylococcus aureus (Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/David Production\/Aniplex\/Crunchyroll\/Sony)\" width=\"680\" height=\"382\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cells-at-work-neutrophil-squad-vs-s-aureus-1060x596.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-468009\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Superbugs&#8221; como C. auris e SARM s\u00e3o problemas gigantes para pacientes com sistemas imunol\u00f3gicos enfraquecidos (Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/David Production\/Aniplex\/Crunchyroll\/Sony)<\/p>\n<p>No artigo publicado na Science, os pesquisadores descrevem terem usado ratos para testar a resposta imunol\u00f3gica a diferentes tipos de Candida, especialmente o C. albicans, um dos mais comuns causadores da candid\u00edase (\u00e9 o que geralmente se manifesta em soropositivos), mas que n\u00e3o consegue se estabelecer na pele humana de forma persistente.<\/p>\n<p>O C. auris tem prefer\u00eancia a se estabelecer nos fol\u00edculos pilosos, os que ancoram nossos cabelos e pelos, mas a surpresa veio na resposta imunol\u00f3gica: enquanto o C. albicans disparava alarmes para a produ\u00e7\u00e3o de interleucina-17 (IL-17), prote\u00edna ligada \u00e0 resposta do organismo para combater especificamente fungos e bact\u00e9rias, sua &#8220;prima&#8221; mais virulenta estimulava a manifesta\u00e7\u00e3o de interferon-gama (IFN-\u03b3).<\/p>\n<p>Essa prote\u00edna \u00e9 produzida especialmente por linf\u00f3citos T e c\u00e9lulas NK, que atacam pat\u00f3genos que infectam outras c\u00e9lulas, como v\u00edrus e seus hospedeiros, e at\u00e9 mesmo tumores em est\u00e1gios iniciais. Como resultado do &#8220;alarme falso&#8221;, a produ\u00e7\u00e3o de IL-17 \u00e9 inibida e a reposi\u00e7\u00e3o de fol\u00edculos\u00a0 pilosos mortos pelo fungo tamb\u00e9m \u00e9 atrasada; assim, a regi\u00e3o infectada se converte em uma \u00e1rea confort\u00e1vel para que o C. auris se estabele\u00e7a de forma prolongada.<\/p>\n<p>Os cientistas identificaram como o fungo faz isso: ao detectar uma \u00e1rea favor\u00e1vel, o C. auris altera a composi\u00e7\u00e3o externa de sua parede celular e exp\u00f5e uma maior quantidade de quitina, um resistente polissacar\u00eddeo estrutural que comp\u00f5e a carapa\u00e7a de quase todos os artr\u00f3podes (insetos, aracn\u00eddeos, crust\u00e1ceos, etc.) do planeta.<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/www.ucsfhealth.org\/providers\/eric-merrill\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Dr. Dean Merrill<\/a>, dermatologista da UCSF e l\u00edder do estudo, explica que esse m\u00e9todo complexo e at\u00e9 elegante explica por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil eliminar o superbug f\u00fangico, pois ele se adapta de modo a adequar-se ao ambiente e, no processo, desencadeia uma rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica direcionada que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 ineficiente para elimin\u00e1-lo, como cria condi\u00e7\u00f5es que favorecem sua sobreviv\u00eancia e perman\u00eancia na pele humana, at\u00e9 o momento em que infecta o hospedeiro ou se espalha para outros ambientes.<\/p>\n<p>O Dr. Merrill aponta que, assim que mais testes (inclusive em humanos) forem conduzidos e demonstrarem de forma s\u00f3lida como o C. auris opera, novos tratamentos poder\u00e3o ser desenvolvidos para direcionar uma resposta imunol\u00f3gica mais eficiente, aliados a pesquisas de <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40550788\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">novos antif\u00fangicos<\/a> e <a href=\"https:\/\/news.uga.edu\/vaccine-protects-against-another-fungal-infection\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vacinas<\/a>, pois toda ajuda \u00e9 mais do que bem-vinda.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>MERRILL, E. D., PRUDENT, V., BASSO, P. et al. The fungal pathogen Candida auris exposes chitin to trigger IFN\u03b3 and persist in hair follicles. <strong>Science<\/strong>, Volume 393, Edi\u00e7\u00e3o 6.811, 6 de agosto de 2026.<\/p>\n<p>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.adu6688\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">10.1126\/science.adu6688<\/a><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/this-deadly-drug-resistant-fungus-can-lurk-in-your-skin-scientists-just-discovered-how-2000796649\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Gizmodo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Superbugs \u00e9 o termo em ingl\u00eas reservado a pat\u00f3genos que possuem resist\u00eancia a um ou m\u00faltiplos agentes antimicrobianos,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":483109,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4614,116,1208,32,33,117,15786,77324,77325],"class_list":["post-483108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-biologia","tag-health","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-superbacterias","tag-superbugs","tag-superfungos"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117078412709183116","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=483108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483108\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/483109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=483108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=483108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=483108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}