{"id":483198,"date":"2026-08-11T23:17:11","date_gmt":"2026-08-11T23:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483198\/"},"modified":"2026-08-11T23:17:11","modified_gmt":"2026-08-11T23:17:11","slug":"studio-museum-reune-arte-negra-do-mundo-todo-em-nova-york-10-08-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483198\/","title":{"rendered":"Studio Museum re\u00fane arte negra do mundo todo em Nova York &#8211; 10\/08\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>A rua 125, no norte da ilha de Manhattan, em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/nova-york\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nova York<\/a>, \u00e9 a principal art\u00e9ria do Harlem, bairro dividido entre o lado leste, de heran\u00e7a latina, e o lado oeste, de heran\u00e7a negra. A via, parcialmente ocupadas por camel\u00f4s, re\u00fane filas de lojas de departamento, outlets, restaurantes de fast-food e pr\u00e9dios de servi\u00e7o social. Mas, desde novembro do ano passado, um novo pr\u00e9dio salta aos olhos.<\/p>\n<p>Incrustado entre um centro de assist\u00eancia social e um McDonald&#8217;s, h\u00e1 um edif\u00edcio moderno, todo cinza-chumbo com janel\u00f5es espelhados. Sobre a porta pesada de madeira, flamula uma bandeira dos Estados Unidos, na qual o branco das listras e estrelas \u00e9 preto, o azul do fundo do c\u00e9u \u00e9 verde e as demais listras, vermelhas. S\u00e3o as cores do pan-africanismo.<\/p>\n<p>O edif\u00edcio abriga, em meio ao caos cotidiano, o Studio Museum, uma esp\u00e9cie de meca da arte negra. O museu, inaugurado em 1968 na sua primeira itera\u00e7\u00e3o, voltou \u00e0 atividade na nova sede em novembro do ano passado, depois de uma reforma milion\u00e1ria que se estendeu por sete anos.<\/p>\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o para a inaugura\u00e7\u00e3o em 1968, numa sobreloja a dois quartei\u00f5es do imponente pr\u00e9dio atual, era a mesma que embala a reabertura, segundo a diretora da institui\u00e7\u00e3o Thelma Golden. &#8220;Tanto os fundadores quanto os artistas envolvidos com o museu na \u00e9poca estavam profundamente interessados em se entender e entender o trabalho deles nos <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 di\u00e1spora africana&#8221;, diz a curadora, que j\u00e1 passou pelo Whitney Museum.<\/p>\n<p>Na funda\u00e7\u00e3o do museu, os Estados Unidos viviam a efervesc\u00eancia dos movimentos por direitos civis da popula\u00e7\u00e3o negra. O fim da segrega\u00e7\u00e3o racial em rela\u00e7\u00e3o ao direito ao voto, em 1965, n\u00e3o significou o fim das tens\u00f5es raciais no pa\u00eds. No mesmo ano, o ativista Malcolm X foi assassinado a 40 quarteir\u00f5es ao norte do pr\u00e9dio que hoje abriga a institui\u00e7\u00e3o. Pouco tempo depois, em 1968, o pastor Martin Luther King Jr. tamb\u00e9m seria assassinado.<\/p>\n<p>A luta contra o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/racismo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">racismo<\/a> naquele momento era fortemente associada \u00e0 luta contra a coloniza\u00e7\u00e3o travada em pa\u00edses da \u00c1frica e da \u00c1sia, algo que, segundo Golden, tamb\u00e9m regia a arte negra da segunda metade do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Para a diretora, \u00e9 um momento que se amarra ao presente. A reelei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, em 2024, foi um baque no mundo das artes. Poucos meses depois de assumir a presid\u00eancia, Trump assinou a ordem executiva &#8220;Restoring Truth and Sanity to American History&#8221;, uma ca\u00e7a \u00e0s bruxas para eliminar o que ele considera ideologia &#8220;impr\u00f3pria, divisiva ou antiamericana&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Studio Museum foi fundado em meio a turbul\u00eancia pol\u00edtica. Era um momento que parecia dif\u00edcil se mover em dire\u00e7\u00e3o ao futuro. Me sinto da mesma forma agora&#8221;, diz Golden.<\/p>\n<p>Mas ela v\u00ea na arte uma luz no fim do t\u00fanel e acredita que os artistas t\u00eam o poder de construir novos mundos, de imaginar possibilidades que ainda n\u00e3o se concretizaram.<\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o do museu vem com um lastro hist\u00f3rico nesse sentido. N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Harlem funciona como centro de refer\u00eancia da cultura negra nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo 20, o bairro se tornou um dos principais destino de negros que sa\u00edam do Sul, ainda dependente do plantio de algod\u00e3o e dominado pela segrega\u00e7\u00e3o racial e pelos supremacistas brancos da Ku Klux Klan.<\/p>\n<p>Borbulhou dessa migra\u00e7\u00e3o uma renova\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica que colocava a produ\u00e7\u00e3o negra no centro do debate. O jazz explode, ancorado em uma rota de clubes no bairro e em nomes como Duke Ellington. A experi\u00eancia negra se torna central na literatura a partir de autores como Langston Hughes e Zora Neale Hurston. Artistas como Aaron Douglas criavam uma nova est\u00e9tica, uma mistura de elementos cubistas com arte africana.<\/p>\n<p>Para Golden, os fundadores estavam comprometidos com a ideia do Harlem, al\u00e9m da geografia. Na \u00e9poca, o bairro era castigado por pobreza e viol\u00eancia. Os fundadores viam o museu como um elemento de infraestrutura que poderia ajudar o Harlem a se reinventar. O museu n\u00e3o est\u00e1 mais em seu local original, uma sobreloja, na Quinta Avenida, a dois quartei\u00f5es do pr\u00e9dio atual. Mas nunca saiu do Harlem.<\/p>\n<p>Tampouco se restringiu a ele. &#8220;A miss\u00e3o do Studio Museum \u00e9 reunir artistas de ascend\u00eancia africana, seja a n\u00edvel local, nacional ou internacional&#8221;, diz a diretora. O resultado \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o que une crias de Nova York, como Jean-Michel Basquiat e Faith Ringgold, a nomes internacionais, caso da brasileira Rosana Paulino e do fot\u00f3grafo malin\u00eas Seydou Keita.<\/p>\n<p>\u00c9 um esfor\u00e7o para desafiar a vis\u00e3o estreita que impera nos Estados Unidos sobre a presen\u00e7a negra no resto do mundo, diz Golden.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com o Brasil \u00e9 central para ela, que esteve no pa\u00eds na Bienal de S\u00e3o Paulo de 2023 e levou a artista T\u00e1d\u00e1skia ao MoMA em 2024.<\/p>\n<p>Foi nessa visita a S\u00e3o Paulo que Golden viu, em pessoa, as obras de Paulino pela primeira vez. Aquela Bienal contava com dois trabalhos da artista, &#8220;Parede da Mem\u00f3ria&#8221;, de 1994, uma cole\u00e7\u00e3o de patu\u00e1s feitos com fotos da fam\u00edlia da artista coladas sobre tecido, e &#8220;Mangue&#8221;, de 2023, uma s\u00e9rie de pinturas que une corpos femininos a ra\u00edzes altas e espalhadas, t\u00edpicas de manguezais. Para o museu, a curadora adquiriu a pintura &#8220;G\u00eameas&#8221;, da s\u00e9rie &#8220;Jatob\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Paulino v\u00ea na aquisi\u00e7\u00e3o de sua obra pelo Studio Museum uma forma de dar visibilidade \u00e0 produ\u00e7\u00e3o brasileira como um todo. \u00c9 no Brasil, afinal, que reside a maior popula\u00e7\u00e3o negra fora da \u00c1frica.<\/p>\n<p>&#8220;Essa presen\u00e7a significa que quest\u00f5es que atravessam a minha produ\u00e7\u00e3o encontram um espa\u00e7o de di\u00e1logo com outras experi\u00eancias da di\u00e1spora africana&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A rua 125, no norte da ilha de Manhattan, em Nova York, \u00e9 a principal art\u00e9ria do Harlem,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":483199,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[144],"tags":[207,205,206,982,203,201,202,204,114,115,235,236,1821,32,33,11099,30897,77332],"class_list":["post-483198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-arte-e-design","tag-arte","tag-arte-e-design","tag-artedesign","tag-artes-visuais","tag-arts","tag-arts-and-design","tag-artsanddesign","tag-design","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-estados-unidos","tag-folha","tag-nova-york","tag-portugal","tag-pt","tag-racismo","tag-rosana-paulino","tag-studio-museum"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117079435112257353","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=483198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483198\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/483199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=483198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=483198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=483198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}