{"id":483608,"date":"2026-08-12T06:06:38","date_gmt":"2026-08-12T06:06:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483608\/"},"modified":"2026-08-12T06:06:38","modified_gmt":"2026-08-12T06:06:38","slug":"cientistas-confirmam-darwin-tinha-razao-sobre-esta-planta-ha-150-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483608\/","title":{"rendered":"Cientistas confirmam: Darwin tinha raz\u00e3o sobre esta planta h\u00e1 150 anos"},"content":{"rendered":"<p>Uma equipa de investigadores chineses e norte-americanos conseguiu provar aquilo que Charles Darwin apenas suspeitava desde 1875: existe, afinal, uma planta do g\u00e9nero Saxifraga que \u00e9 carn\u00edvora. A descoberta fecha um mist\u00e9rio bot\u00e2nico com um s\u00e9culo e meio de exist\u00eancia.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum6.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum6-720x405.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1134651\"  \/><\/a>\n<\/p>\n<p>A suspeita de Darwin<\/p>\n<p>Ainda no s\u00e9culo XIX, Darwin reparou que duas esp\u00e9cies de Saxifraga tinham <strong>pelos glandulares pegajosos<\/strong>, muito parecidos com os que existem noutras plantas carn\u00edvoras conhecidas.<\/p>\n<p>O naturalista brit\u00e2nico chegou a propor que estas plantas <strong>poderiam alimentar-se de insetos<\/strong>, mas as experi\u00eancias da altura n\u00e3o foram suficientes para o comprovar.<\/p>\n<p>Para uma planta ser considerada carn\u00edvora, n\u00e3o basta prender insetos, <strong>\u00e9 preciso que tamb\u00e9m os atraia ativamente e os consiga digerir<\/strong>, absorvendo os nutrientes.<\/p>\n<p>Sem tecnologia para confirmar esse \u00faltimo passo, a teoria de Darwin ficou <strong>em suspenso durante mais de 150 anos<\/strong>.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum2.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1134643\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum2-520x720.jpg\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"720\" class=\"wp-image-1134643 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1134643\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Saxifraga umbrosa. D&#8217;apr\u00e8s les aquarelles de J. Eudes dans: A. Guillaumin, Les Fleurs de Jardins, tome I: Les Fleurs de Printemps, Paul Lechevalier, 1929. Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.pt\/meio-ambiente\/darwin-tinha-razao-esta-planta-flores-era-carnivora-embora-na-altura-nao-tenha-conseguido-prova-lo_7385\" rel=\"nofollow noopener\">National Geographic Portugal<\/a><\/p>\n<p>O que os cientistas descobriram agora<\/p>\n<p>A equipa, liderada por Hang Sun, do Instituto de Bot\u00e2nica de Kunming, na Academia Chinesa de Ci\u00eancias, estudou a <strong>Saxifraga candelabrum, uma planta que cresce a grande altitude<\/strong> no planalto do Tibete e nas montanhas de Hengduan, na China.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de an\u00e1lises qu\u00edmicas, os investigadores confirmaram que a planta <strong>liberta odores capazes de atrair pequenos mosquitos<\/strong>. Depois de capturados nos pelos pegajosos, os insetos s\u00e3o <strong>decompostos por uma enzima digestiva<\/strong> chamada fosfatase.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum5.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1134650\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum5-720x518.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"518\" class=\"wp-image-1134650 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1134650\" class=\"wp-caption-text\">Fotografias mostram os pelos glandulares vermelhos e pegajosos e os insetos capturados em diferentes partes da planta. a. Plantas com flores que prosperam nas fendas das rochas. b. Plantas cobertas por insetos capturados. c. Haste ereta; grande plano do r\u00e1quis. d. Folha com um insecto capturado. e. C\u00e1lice e pedicelo. Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-75288-y\" rel=\"nofollow noopener\">Revista Nature Communications<\/a><\/p>\n<p>A prova mais definitiva veio de uma <strong>t\u00e9cnica de marca\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica<\/strong>, que permitiu seguir o percurso do azoto (nitrog\u00e9nio) presente nos insetos at\u00e9 aos tecidos da pr\u00f3pria planta, demonstrando que a Saxifraga <strong>n\u00e3o s\u00f3 captura como tamb\u00e9m absorve nutrientes<\/strong> das suas presas.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise gen\u00e9tica refor\u00e7ou a descoberta, ao revelar que esta planta partilha genes ligados \u00e0 <strong>atra\u00e7\u00e3o, digest\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o de nutrientes<\/strong> com outras esp\u00e9cies carn\u00edvoras j\u00e1 conhecidas.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum1.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1134642\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum1-720x720.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"720\" class=\"wp-image-1134642 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1134642\" class=\"wp-caption-text\">Converg\u00eancia filogen\u00e9tica e processos-chave de atra\u00e7\u00e3o, captura, digest\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o de presas, comprovados por experi\u00eancias de campo, ensaios enzim\u00e1ticos e marca\u00e7\u00e3o com is\u00f3topos est\u00e1veis. 15N designa um is\u00f3topo est\u00e1vel de azoto. Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-75288-y\" rel=\"nofollow noopener\">Revista Nature Communications<\/a><\/p>\n<p>Um habitat in\u00e9dito para plantas carn\u00edvoras<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da maioria das plantas carn\u00edvoras, que crescem tipicamente em p\u00e2ntanos, a Saxifraga candelabrum desenvolve-se entre os 2500 e os 3300 metros de altitude, <strong>em solo rochoso, seco e pobre em nutrientes<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo os investigadores, esta adapta\u00e7\u00e3o faz todo o sentido, pois, em solos pobres em nitratos, <strong>capturar e digerir insetos torna-se uma forma eficaz de obter os nutrientes<\/strong> que faltam ao solo. \u00c9 a primeira vez que este comportamento \u00e9 confirmado num ambiente alpino.<\/p>\n<p>Entretanto, sabe-se que <strong>a esp\u00e9cie n\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada<\/strong>, crescendo de forma saud\u00e1vel na sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o atual, e n\u00e3o \u00e9 afetada, para j\u00e1, pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ou pela atividade humana.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum4.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1134648\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/saxifraga-candelabrum4-720x405.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"wp-image-1134648 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1134648\" class=\"wp-caption-text\">A planta Saxifraga candelabrum, em flor, captura insetos com os seus pelos glandulares pegajosos. Cr\u00e9dito: Xin-Jian Zhang, via <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2026\/08\/04\/science\/carnivorous-plant-charles-darwin-prediction\" rel=\"nofollow noopener\">CNN<\/a><\/p>\n<p>Pode haver mais plantas carn\u00edvoras &#8220;escondidas&#8221;<\/p>\n<p>Ao expandirem a an\u00e1lise gen\u00e9tica a outros grupos de plantas com estruturas semelhantes, os cientistas encontraram dezenas de genes ligados \u00e0 digest\u00e3o de insetos espalhados por v\u00e1rias fam\u00edlias bot\u00e2nicas. Isto sugere que o <strong>comportamento carn\u00edvoro pode ser muito mais comum<\/strong> entre as plantas com flor do que se pensava.<\/p>\n<p>Atualmente, das mais de <strong>350 mil esp\u00e9cies<\/strong> de plantas com flor conhecidas, <strong>apenas cerca de 750 s\u00e3o reconhecidas como carn\u00edvoras<\/strong>.<\/p>\n<p>Com esta descoberta, publicada h\u00e1 poucos dias na <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-75288-y\" rel=\"nofollow noopener\">revista Nature Communications<\/a>, os investigadores acreditam que muitas outras esp\u00e9cies, hoje vistas apenas como plantas com pelos pegajosos por acaso, <strong>possam na verdade ter capacidades digestivas ainda por identificar<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma equipa de investigadores chineses e norte-americanos conseguiu provar aquilo que Charles Darwin apenas suspeitava desde 1875: existe,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":483609,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[109,107,108,8127,9767,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":["post-483608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-darwin","tag-planta","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117081040251369856","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=483608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483608\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/483609"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=483608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=483608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=483608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}