{"id":483738,"date":"2026-08-12T09:30:11","date_gmt":"2026-08-12T09:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483738\/"},"modified":"2026-08-12T09:30:11","modified_gmt":"2026-08-12T09:30:11","slug":"astronomos-acompanham-morte-de-estrela-gigantesca-12-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/483738\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos acompanham morte de estrela gigantesca &#8211; 12\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Astr\u00f4nomos aproveitaram uma rara oportunidade para observar, do in\u00edcio ao fim, a morte de uma estrela gigantesca, obtendo uma nova compreens\u00e3o de como esse tipo de evento pode ocorrer.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es come\u00e7aram em mar\u00e7o deste ano, quando o telesc\u00f3pio espacial chin\u00eas Einstein Probe detectou um clar\u00e3o moment\u00e2neo de raios X, decorrentes de uma poderosa onda de choque \u2014desencadeada pela explos\u00e3o no n\u00facleo estelar em colapso\u2014 que rompeu a superf\u00edcie da estrela condenada.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno \u00e9 chamado de emerg\u00eancia da onda de choque. Acredita-se que ocorra em todas as supernovas, mas \u00e9 notoriamente dif\u00edcil de detectar em raz\u00e3o de sua brevidade. De fato, essa foi a primeira vez desde 2008 que o fen\u00f4meno foi observado.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso contar com um acaso feliz para capt\u00e1-la em tempo real&#8221;, disse o astr\u00f4nomo Brendan O&#8217;Connor, pesquisador de p\u00f3s-doutorado da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> Carnegie Mellon, em Pittsburgh (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a>). Ele \u00e9 o <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae84ba\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">autor principal de um dos dois artigos cient\u00edficos<\/a> que descrevem a supernova e foram publicados no peri\u00f3dico Astrophysical Journal Letters. O dele saiu no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos pensar na onda de choque como um radar: \u00e0 medida que ela atravessa as camadas externas da estrela e qualquer material nas proximidades, deixa uma marca no sinal que detectamos em raios X. Podemos usar esses raios X para obter uma vis\u00e3o aproximada e sem precedentes da estrela \u00e0 beira do colapso&#8221;, disse a astr\u00f4noma Jillian Rastinejad, bolsista Einstein da Nasa na Universidade de Maryland (EUA). Ela \u00e9 a autora principal do outro <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae8a4b\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">artigo<\/a>, publicado no come\u00e7o deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores mobilizaram uma verdadeira bateria de telesc\u00f3pios, entre os quais o Observat\u00f3rio de Raios X Chandra, em \u00f3rbita, e diversas instala\u00e7\u00f5es em terra, para dar continuidade \u00e0s observa\u00e7\u00f5es por quase tr\u00eas meses, at\u00e9 que, da perspectiva da Terra, a localiza\u00e7\u00e3o da supernova passou para tr\u00e1s do Sol.<\/p>\n<p>A estrela estava localizada a cerca de 500 milh\u00f5es de anos-luz da Terra, em uma gal\u00e1xia relativamente pr\u00f3xima. Um ano-luz \u00e9 a dist\u00e2ncia que a luz percorre em um ano: 9,5 trilh\u00f5es de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Estimava-se que a estrela tivesse cerca de 30 vezes a massa do Sol antes da supernova.<\/p>\n<p>&#8220;Ela estaria entre as estrelas de maior massa, provavelmente maior que Betelgeuse&#8221;, comparou Rastinejad, referindo-se a uma das estrelas mais brilhantes do c\u00e9u noturno e que estaria se aproximando de sua morte &#8211;ela fica na Via L\u00e1ctea, a aproximadamente de 500 anos-luz a 600 anos-luz da Terra.<\/p>\n<p>Acredita-se que a explos\u00e3o tenha deixado para tr\u00e1s um buraco negro, um objeto excepcionalmente denso, com gravidade t\u00e3o intensa que nem mesmo a luz consegue escapar dele. Antes da supernova, era uma estrela Wolf-Rayet, um tipo raro e gigantesco que havia perdido suas camadas externas de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio por meio de poderosos ventos estelares.<\/p>\n<p>SEM EXPLOS\u00c3O DE RAIOS GAMA<\/p>\n<p>A supernova apresentou muitas caracter\u00edsticas de poderosas explos\u00f5es estelares frequentemente associadas a um fen\u00f4meno chamado explos\u00e3o de raios gama \u2014um intenso clar\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o gama, a forma de luz de maior energia\u2014, mas, nesse caso, n\u00e3o houve evid\u00eancias de que isso tenha ocorrido.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das principais quest\u00f5es ainda sem resposta nessa \u00e1rea \u00e9 por que algumas estrelas massivas em colapso lan\u00e7am jatos de mat\u00e9ria a velocidades pr\u00f3ximas \u00e0 da luz, que escapam da estrela e produzem explos\u00f5es de raios gama, enquanto estrelas aparentemente semelhantes n\u00e3o fazem isso&#8221;, disse O&#8217;Connor.<\/p>\n<p>&#8220;A mat\u00e9ria em alta velocidade no jato colide consigo mesma em ondas de choque distintas, produzindo os raios gama que observamos nas explos\u00f5es de raios gama&#8221;, disse O&#8217;Connor.<\/p>\n<p>Uma possibilidade \u00e9 que esse jato tenha sido &#8220;sufocado&#8221; \u2014impedido de irromper no espa\u00e7o\u2014 pela superf\u00edcie da estrela ou pelo material denso que a cercava nos est\u00e1gios finais de sua vida.<\/p>\n<p>&#8220;A exist\u00eancia de jatos sufocados foi teorizada d\u00e9cadas atr\u00e1s, mas eles ainda n\u00e3o foram identificados de forma conclusiva. A diferen\u00e7a entre um jato bem-sucedido e um jato sufocado est\u00e1 em ele se mover r\u00e1pido o bastante, ou ser potente o suficiente, para romper o material estelar ao redor&#8221;, disse O&#8217;Connor.<\/p>\n<p>Essa foi a primeira supernova desse tipo observada sem uma explos\u00e3o de raios gama e um jato de mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>&#8220;A descoberta mostra que as estrelas de maior massa morrem de mais maneiras do que os astr\u00f4nomos imaginavam anteriormente&#8221;, afirmou Rastinejad.<\/p>\n<p>&#8220;Essas supernovas extremas funcionam como laborat\u00f3rios para os astrof\u00edsicos estudarem como as leis da f\u00edsica se comportam em ambientes extremos \u2014com altas densidades, temperaturas elevadas e mat\u00e9ria com massa v\u00e1rias vezes superior \u00e0 do nosso Sol\u2014, condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o conseguimos reproduzir aqui na Terra. Ao estud\u00e1-las, aprendemos mais sobre as leis do nosso Universo&#8221;, explicou a astr\u00f4noma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Astr\u00f4nomos aproveitaram uma rara oportunidade para observar, do in\u00edcio ao fim, a morte de uma estrela gigantesca, obtendo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":483739,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,3560,236,3536,32,33,105,103,104,2560,38519,106,110,3062],"class_list":["post-483738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-astronomia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-estrelas","tag-folha","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-sistema-solar","tag-supernova","tag-technology","tag-tecnologia","tag-universidade"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=483738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/483738\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/483739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=483738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=483738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=483738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}