{"id":484390,"date":"2026-08-12T21:01:41","date_gmt":"2026-08-12T21:01:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/484390\/"},"modified":"2026-08-12T21:01:41","modified_gmt":"2026-08-12T21:01:41","slug":"os-caes-percebem-mais-das-nossas-emocoes-do-que-pensavamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/484390\/","title":{"rendered":"Os c\u00e3es percebem mais das nossas emo\u00e7\u00f5es do que pens\u00e1vamos"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Laura V. Cuaya<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-759354\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/29d582d67caf34ee26bdc757692ed4c4-1-1500x844.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"844\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Quatro dos c\u00e3es que participaram no estudo: Morante, Kunkun, Odin e Molly<\/p>\n<p><strong>Os cientistas observaram o interior dos c\u00e9rebros de c\u00e3es enquanto estes viam imagens de pessoas com diferentes express\u00f5es faciais.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>As imagens cerebrais revelaram que os rostos humanos felizes ativam uma regi\u00e3o espec\u00edfica do c\u00e9rebro canino e, pela primeira vez, forneceram evid\u00eancias de que os c\u00e3es conseguem distinguir entre algumas express\u00f5es faciais negativas humanas, nomeadamente medo, raiva e tristeza.<\/p>\n<p>Num novo <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/iscience\/fulltext\/S2589-0042(26)02278-9?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS2589004226022789%3Fshowall%3Dtrue\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, publicado esta segunda-feira na iScience, os investigadores come\u00e7aram por se concentrar na felicidade, uma express\u00e3o que estudos anteriores sugerem ter um significado particular para os c\u00e3es. Para isso, submeteram oito c\u00e3es a exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional enquanto lhes mostravam imagens de pessoas desconhecidas com express\u00f5es felizes ou neutras.<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2026-08-mri-dogs-distinguish-human-sadness.html\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Phys.org<\/a>, os rostos felizes provocaram uma maior atividade numa regi\u00e3o do c\u00f3rtex temporal que se estende ao n\u00facleo caudado. O c\u00f3rtex temporal est\u00e1 envolvido, entre outras fun\u00e7\u00f5es, no processamento de informa\u00e7\u00e3o visual e social, enquanto o n\u00facleo caudado tem sido associado ao processamento de recompensa no c\u00e9rebro dos c\u00e3es.<\/p>\n<p>\u201cOs seres humanos s\u00e3o muito bons a perceber pequenos detalhes no rosto, e os c\u00e3es tamb\u00e9m. Isto torna os c\u00e3es muito interessantes. Ao estudar os seus c\u00e9rebros, podemos compreender que adapta\u00e7\u00f5es se desenvolveram para sustentar a sua compreens\u00e3o social e emocional dos seres humanos\u201d, explicou o primeiro autor do estudo, <strong>Ra\u00fal Hern\u00e1ndez-P\u00e9rez<\/strong>.<\/p>\n<p>A equipa quis ent\u00e3o saber se as mesmas regi\u00f5es cerebrais respondiam de forma semelhante a outras emo\u00e7\u00f5es. Numa segunda experi\u00eancia, mostrou a 12 c\u00e3es imagens de pessoas com express\u00f5es de felicidade, raiva, medo e tristeza e analisou a atividade cerebral atrav\u00e9s de m\u00e9todos de aprendizagem autom\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os investigadores verificaram que a regi\u00e3o identificada na primeira experi\u00eancia respondia de forma particularmente distinta aos rostos felizes. A atividade nessa regi\u00e3o permitiu distinguir a felicidade de cada uma das tr\u00eas express\u00f5es negativas. No entanto, a mesma an\u00e1lise n\u00e3o permitiu distinguir entre os diferentes tipos de express\u00e3o negativa.<\/p>\n<p>Quando os investigadores analisaram padr\u00f5es de atividade em todo o c\u00e9rebro, encontraram diferen\u00e7as mais espec\u00edficas. Conseguiram distinguir entre rostos que expressavam medo e rostos que expressavam raiva, bem como entre medo e tristeza. N\u00e3o conseguiram, contudo, distinguir entre raiva e tristeza.<\/p>\n<p>Estes resultados constituem a primeira evid\u00eancia de que o c\u00e9rebro dos c\u00e3es pode representar de forma diferente algumas express\u00f5es faciais humanas negativas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Neste estudo, todos os participantes caninos eram c\u00e3es de companhia. Os c\u00e3es de vida livre, por exemplo, vivem num ambiente social diferente e podem ter experi\u00eancias distintas com os seres humanos, pelo que podem processar os sinais humanos de outra forma. Al\u00e9m disso, o n\u00famero reduzido de animais e a composi\u00e7\u00e3o da amostra limitam a possibilidade de generalizar os resultados a todos os c\u00e3es.<\/p>\n<p>Os investigadores pretendem agora adotar uma perspetiva mais centrada nos c\u00e3es para compreender melhor como estes integram diferentes sinais sociais e emocionais quando interagem com os seres humanos. Trabalhos futuros dever\u00e3o tamb\u00e9m comparar diretamente a forma como os c\u00e9rebros humanos e caninos processam os mesmos sinais emocionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Laura V. 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