{"id":484590,"date":"2026-08-13T00:26:17","date_gmt":"2026-08-13T00:26:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/484590\/"},"modified":"2026-08-13T00:26:17","modified_gmt":"2026-08-13T00:26:17","slug":"corpo-feminino-ainda-e-pouco-estudado-pela-medicina-12-08-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/484590\/","title":{"rendered":"Corpo feminino ainda \u00e9 pouco estudado pela medicina &#8211; 12\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicina\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">medicina<\/a> ainda conhece menos o corpo feminino do que deveria, segundo a ginecologista e pesquisadora Stephani Caser. Para ela, a sub-representa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das mulheres em pesquisas cl\u00ednicas criou lacunas no diagn\u00f3stico e no tratamento que persistem at\u00e9 hoje, apesar de alguns avan\u00e7os.<\/p>\n<p>Mestranda em ginecologia na Unifesp (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> Federal de S\u00e3o Paulo) e cofundadora da See Me, empresa brasileira voltada \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> \u00edntima feminina, Caser afirma que a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria da pesquisa cient\u00edfica ajuda a explicar por que problemas que afetam mulheres ainda s\u00e3o menos compreendidos.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, homens foram usados como refer\u00eancia em pesquisas porque o ciclo menstrual, as oscila\u00e7\u00f5es hormonais e a possibilidade de gravidez eram vistos como fatores capazes de aumentar a variabilidade dos resultados e os custos dos estudos.<\/p>\n<p>Para Caser, por\u00e9m, essas diferen\u00e7as deveriam ser justamente objeto de investiga\u00e7\u00e3o. O corpo feminino n\u00e3o \u00e9 apenas um corpo masculino com diferen\u00e7as anat\u00f4micas: sintomas podem se manifestar de forma distinta, assim como a resposta a medicamentos e tratamentos.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o infarto. Em mulheres, o quadro pode e apresentar sintomas diferentes da dor no peito mais conhecida, o que pode dificultar o reconhecimento.<\/p>\n<p>Um posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia publicado em 2025 afirma que<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/03\/infarto-em-mulheres-e-pouco-diagnosticado-e-mal-tratado-dizem-especialistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> mulheres continuam sub-representadas em ensaios cl\u00ednicos de doen\u00e7as cardiovasculares e cardiometab\u00f3licas<\/a>, e parte das recomenda\u00e7\u00f5es \u00e9 baseada em evid\u00eancias indiretas ou extrapoladas de estudos com maioria masculina.<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Folha<\/strong>, Caser cita como um marco nessa hist\u00f3ria uma orienta\u00e7\u00e3o adotada nos Estados Unidos. Em 1977, o FDA (Food and Drug Administration) recomendou excluir mulheres em idade f\u00e9rtil das fases iniciais de estudos cl\u00ednicos de medicamentos, em uma tentativa de proteger poss\u00edveis fetos de efeitos ainda desconhecidos.<\/p>\n<p>A medida contribuiu para manter mulheres fora das primeiras etapas do desenvolvimento de medicamentos. Em 1993, o \u00f3rg\u00e3o revogou a orienta\u00e7\u00e3o e publicou uma diretriz para avaliar diferen\u00e7as entre homens e mulheres na resposta aos medicamentos.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a, por\u00e9m, n\u00e3o eliminou as lacunas. O problema tamb\u00e9m estava na pesquisa pr\u00e9-cl\u00ednica, etapa que antecede os testes em humanos e envolve estudos com c\u00e9lulas e animais. Nessa fase, o sexo dos modelos biol\u00f3gicos nem sempre era considerado uma vari\u00e1vel relevante, o que podia deixar de revelar diferen\u00e7as na resposta a doen\u00e7as e tratamentos.<\/p>\n<p>Em 2015, o NIH (National Institutes of Health), principal ag\u00eancia federal de pesquisa biom\u00e9dica dos Estados Unidos, passou a exigir que os pesquisadores considerassem o sexo como vari\u00e1vel biol\u00f3gica nos estudos com humanos e animais vertebrados que financia. A pol\u00edtica entrou em vigor para novas solicita\u00e7\u00f5es de financiamento em janeiro de 2016.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as tamb\u00e9m aparecem no atendimento. Um estudo dinamarqu\u00eas <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-019-08475-9\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publicado <\/a>na revista Nature Communications em 2019 analisou 6,9 milh\u00f5es de pessoas, toda a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds durante 21 anos, e mostrou que mulheres s\u00e3o diagnosticadas em m\u00e9dia 4 anos mais tarde que homens em centenas de condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, incluindo atraso de 4,5 anos em doen\u00e7as metab\u00f3licas e 2,5 anos em c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>No Brasil, a dificuldade de registrar as queixas tamb\u00e9m pode esconder problemas de sa\u00fade. Um estudo da Vital Strategies Brasil analisou prontu\u00e1rios de mais de 469 mil meninas e mulheres de 10 a 49 anos atendidas na rede p\u00fablica do Recife. A pesquisa mostrou que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/05\/dor-menstrual-e-subnotificada-no-sus-estudo-aponta-21-vezes-mais-casos-ocultos-em-prontuarios.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">registros de dor menstrual ou p\u00e9lvica apareciam em apenas 0,5% dos casos <\/a>quando considerados os c\u00f3digos oficiais de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Outra pesquisa, <a href=\"https:\/\/www.cmaj.ca\/content\/198\/23\/E885\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publicada <\/a>em junho deste ano na revista cient\u00edfica Canadian Medical Association Journal, analisou casos de traumatismo cranioencef\u00e1lico. O estudo mostrou que mulheres t\u00eam <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/06\/mulheres-com-lesao-cerebral-tem-tres-vezes-menos-chances-de-receber-encaminhamento-diz-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">26% menos chances de serem encaminhadas a centros m\u00e9dicos especializados do que homens<\/a>, mesmo quando t\u00eam o mesmo grau de les\u00e3o, idade e comorbidades. O estudo analisou mais de 50 mil canadenses entre 2009 e 2020.<\/p>\n<p>Na ginecologia, Caser cita a endometriose como exemplo de uma doen\u00e7a cuja compreens\u00e3o mudou ao longo do tempo. Durante d\u00e9cadas, uma das principais hip\u00f3teses sobre sua origem era a menstrua\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada, quando parte do sangue menstrual retorna pelas trompas para a cavidade p\u00e9lvica. Hoje, sabe-se que a doen\u00e7a \u00e9 complexa e envolve fatores gen\u00e9ticos, imunol\u00f3gicos e hormonais.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o rastreamento do c\u00e2ncer do colo do \u00fatero. O exame citopatol\u00f3gico, conhecido como Papanicolau, \u00e9 usado h\u00e1 d\u00e9cadas para identificar altera\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas do colo do \u00fatero. Em 2024, por\u00e9m, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade incorporou ao SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) testes moleculares para detectar o HPV oncog\u00eanico.<\/p>\n<p>A nova estrat\u00e9gia \u00e9 mais sens\u00edvel para identificar infec\u00e7\u00f5es associadas ao c\u00e2ncer e dever\u00e1 substituir o Papanicolau como principal m\u00e9todo de rastreamento, que ficar\u00e1 voltado \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o de casos positivos.<\/p>\n<p>A ginecologista tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para \u00e1reas que passaram a receber maior investimento, como menopausa, s\u00edndrome dos ov\u00e1rios polic\u00edsticos e microbioma vaginal.<\/p>\n<p>Para ela, a amplia\u00e7\u00e3o da pesquisa nesses campos faz parte de uma mudan\u00e7a mais ampla na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ciencia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ci\u00eancia<\/a>, que come\u00e7a a tratar a sa\u00fade feminina n\u00e3o apenas como um conjunto de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, mas como um campo de investiga\u00e7\u00e3o pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente come\u00e7ar a olhar para os estudos j\u00e1 nos corpos femininos, entender quais s\u00e3o as diferen\u00e7as e inserir isso dentro da educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, dentro dos protocolos, dentro do fluxo, a gente vai ter uma antecipa\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Stephani Caser participa nesta quinta-feira (13) de uma <a href=\"https:\/\/sp2b.com.br\/programacao?search=femt\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">mesa <\/a>sobre sa\u00fade feminina e tecnologia no festival <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sp2b\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">SP2B<\/a> (S\u00e3o Paulo Beyond Business), no Parque Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo. Estar\u00e3o tamb\u00e9m presentes Sofia Reinach, gerente de sa\u00fade do Instituto Alana, Ana Bonassa e Laura Marise, cientistas e comunicadoras, e Cristina Naumovs, consultora de criatividade.<\/p>\n<p><strong>Femtechs, dados e cuidado: Quando a tecnologia vai al\u00e9m da medicina feita para eles <\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nQuinta (13), das 11h30 \u00e0s 12h30<br \/>&#13;<br \/>\nPalco: Beyond &#8211; Decoding Life<br \/>&#13;<br \/>\nA ci\u00eancia e a medicina por d\u00e9cadas usaram o corpo masculino como padr\u00e3o, gerando lacunas no diagn\u00f3stico, no tratamento e no desenho de solu\u00e7\u00f5es para mulheres. O painel discute como corrigir esses vieses, ampliar quem pesquisa e decide, e fortalecer inova\u00e7\u00f5es em sa\u00fade feminina \u2014como femtechs e modelos de cuidado mais integrados, acess\u00edveis e humanizados\u2014 para tornar a sa\u00fade mais justa e efetiva.<\/p>\n<p><strong>Tipos de ingresso para o evento<\/strong><\/p>\n<ul>&#13;<\/p>\n<li>Z Pass: acesso \u00e0 sexta (14) por R$ 320<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Day Pass: acesso a um dia de seg. a qui., por R$ 590<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Explorer: acesso a 7 dias, por R$ 1.180<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Enterprise: acesso a 7 dias + business area + pista premium nos shows + encontros \u2018one to one\u2019, por R$ 2.360<\/li>\n<p>&#13;<\/p>\n<li>Platinum: acesso aos 8 dias com \u00e1rea VIP + fast pass para palestras + shuttle de deslocamento + encontros com executivos por R$ 4.720<\/li>\n<p>&#13;\n<\/ul>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sp2b\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">SP2B<\/a> &#8211; S\u00e3o Paulo Beyond Business<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\nParque Ibirapuera &#8211; av. Pedro \u00c1lvares Cabral, s\/n.\u00ba, Vila Mariana, regi\u00e3o sul. Entrada pelos port\u00f5es 2, 3, 7 e 10. De 9 a 16\/8. Ingr.: a partir de R$ 320 (Z Pass) em Ticketmaster. Programa\u00e7\u00e3o completa em<a href=\"https:\/\/sp2b.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> sp2b.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A medicina ainda conhece menos o corpo feminino do que deveria, segundo a ginecologista e pesquisadora Stephani Caser.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":484591,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[109,2643,236,116,1208,3968,3536,32,1494,33,117,76381,3062],"class_list":["post-484590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-ciencia","tag-estudos","tag-folha","tag-health","tag-medicina","tag-mulher","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-producao-todas","tag-pt","tag-saude","tag-sp2b","tag-universidade"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117085365046921282","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=484590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484590\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/484591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=484590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=484590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=484590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}