{"id":485203,"date":"2026-08-13T13:43:11","date_gmt":"2026-08-13T13:43:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/485203\/"},"modified":"2026-08-13T13:43:11","modified_gmt":"2026-08-13T13:43:11","slug":"uso-de-testosterona-sem-indicacao-pode-estar-associado-a-maior-risco-cardiovascular-aponta-estudo-com-mais-de-350-mil-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/485203\/","title":{"rendered":"Uso de testosterona sem indica\u00e7\u00e3o pode estar associado a maior risco cardiovascular, aponta estudo com mais de 350 mil homens"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/testosterona.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-179795\" style=\"width:800px;height:auto\"  \/>Uso de testosterona sem indica\u00e7\u00e3o pode estar associado a maior risco cardiovascular, aponta estudo com mais de 350 mil homens (Foto: DepositPhotos)<\/p>\n<p>O uso de testosterona tem crescido nos \u00faltimos anos, inclusive entre homens que n\u00e3o apresentam diagn\u00f3stico confirmado de defici\u00eancia hormonal. Um novo estudo internacional, publicado na revista eBioMedicine, do grupo The Lancet, traz um alerta importante: homens que iniciaram terapia com testosterona sem evid\u00eancias documentadas de hipogonadismo apresentaram maior risco cardiovascular a longo prazo quando comparados a homens que receberam o tratamento no contexto de defici\u00eancia de testosterona.<\/p>\n<p>A pesquisa analisou dados de 358.957 homens entre 30 e 75 anos, provenientes de 123 organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade de diferentes regi\u00f5es do mundo. Cerca de um ter\u00e7o dos participantes que iniciaram testosterona, 127.152 homens (35,4%) n\u00e3o apresentava evid\u00eancias registradas de defici\u00eancia de testosterona.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um processo de pareamento estat\u00edstico que buscou tornar os grupos compar\u00e1veis, foram acompanhados 113.554 pares de homens, com seguimento de at\u00e9 dez anos.<\/p>\n<p><strong>Maior risco cardiovascular entre os homens sem hipogonadismo documentado<\/strong><\/p>\n<p>O principal desfecho analisado foi a ocorr\u00eancia de eventos cardiovasculares maiores, conhecidos pela sigla MACE, que inclui morte por qualquer causa, infarto, acidente vascular cerebral isqu\u00eamico e parada card\u00edaca.<\/p>\n<p>Em dez anos, esses eventos ocorreram em 16,53% dos homens que receberam testosterona sem evid\u00eancia de defici\u00eancia de testosterona, contra 11,83% daqueles tratados no contexto de hipogonadismo.<\/p>\n<p>Isso correspondeu a um risco relativo maior de aproximadamente 51% no grupo sem evid\u00eancia de defici\u00eancia hormonal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram observadas associa\u00e7\u00f5es com um risco aumentado para mortalidade por qualquer causa, acidente vascular isqu\u00eamico, parada card\u00edaca e insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p><strong>O estudo n\u00e3o significa que testosterona seja \u201cperigosa\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Esse trabalho n\u00e3o permite afirmar que a testosterona causa doen\u00e7as cardiovasculares. O desenho do estudo \u00e9 observacional e compara dois grupos de homens que receberam testosterona. O que ele mostra \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o entre o uso sem evid\u00eancia documentada de defici\u00eancia de testosterona e, portanto, sem indica\u00e7\u00e3o para usar testosterona e maior risco cardiovascular no longo prazo.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente importante porque estudos anteriores chegaram a resultados diferentes. O pr\u00f3prio artigo destaca que pesquisas randomizadas, incluindo o estudo TRAVERSE, n\u00e3o demonstraram aumento de eventos cardiovasculares maiores em homens com real defici\u00eancia de testosterona tratados de maneira adequada e acompanhados de perto.<\/p>\n<p>Ou seja, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel colocar no mesmo grupo o tratamento de reposi\u00e7\u00e3o hormonal de um homem com defici\u00eancia de testosterona comprovada e o uso da testosterona por homens que apresentam n\u00edveis hormonais normais.<\/p>\n<p><strong>Por que o diagn\u00f3stico \u00e9 t\u00e3o importante?<\/strong><\/p>\n<p>A testosterona n\u00e3o deve ser encarada simplesmente como um tratamento para melhorar disposi\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o corporal, desempenho f\u00edsico ou envelhecimento.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de defici\u00eancia de testosterona (hipogonadismo) exige avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica associada \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o laboratorial da defici\u00eancia hormonal. O estudo refor\u00e7a que as diretrizes atuais recomendam a terapia principalmente para homens com n\u00edveis de testosterona consistentemente baixos e desencorajam seu uso em homens com n\u00edveis de testosterona normais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a testosterona pode provocar aumento do hemat\u00f3crito\u00a0 (aumento da concentra\u00e7\u00e3o de gl\u00f3bulos vermelhos no sangue), pode influenciar press\u00e3o arterial e outros par\u00e2metros cardiovasculares. No estudo, entre os homens que receberam testosterona sem evid\u00eancia de hipogonadismo, aqueles que j\u00e1 apresentavam hemat\u00f3crito acima de 50% tiveram risco discretamente maior de eventos cardiovasculares.<\/p>\n<p><strong>Um alerta para o uso da testosterona como \u201canti-aging\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa \u00e9 o n\u00famero de homens que estavam utilizando testosterona sem evid\u00eancia documentada de defici\u00eancia hormonal: aproximadamente <strong>um em cada tr\u00eas<\/strong> usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esse dado chama aten\u00e7\u00e3o para uma pr\u00e1tica cada vez mais discutida: a utiliza\u00e7\u00e3o de testosterona com o objetivo de combater o envelhecimento, melhorar energia, aumentar massa muscular ou otimizar desempenho em homens que n\u00e3o apresentam hipogonadismo comprovado.<\/p>\n<p>Testosterona \u00e9 um tratamento m\u00e9dico, e n\u00e3o simplesmente um suplemento hormonal. Antes de prescrever, \u00e9 necess\u00e1rio entender por que o paciente apresenta sintomas, confirmar se existe defici\u00eancia hormonal e avaliar riscos e benef\u00edcios individualmente.<\/p>\n<p><strong>Ainda h\u00e1 perguntas sem resposta<\/strong><\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios autores reconhecem limita\u00e7\u00f5es importantes. Como se trata de um estudo retrospectivo baseado em registros eletr\u00f4nicos, n\u00e3o foi poss\u00edvel determinar com precis\u00e3o a dose utilizada, a formula\u00e7\u00e3o da testosterona, a dura\u00e7\u00e3o efetiva do tratamento, a ades\u00e3o ou eventuais interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a aus\u00eancia de um diagn\u00f3stico de hipogonadismo no banco de dados n\u00e3o significa necessariamente que o paciente n\u00e3o tivesse defici\u00eancia hormonal. Alguns homens podem ter apresentado exames ou sintomas que n\u00e3o foram registrados na base analisada.<\/p>\n<p>Por isso, os pesquisadores ressaltam que os resultados devem ser interpretados como associa\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o como prova de que a testosterona tenha causado os eventos cardiovasculares.<\/p>\n<p><strong>A principal mensagem para os pacientes<\/strong><\/p>\n<p>O estudo acrescenta uma informa\u00e7\u00e3o importante ao debate sobre seguran\u00e7a cardiovascular da testosterona: o contexto em que o tratamento \u00e9 iniciado parece ser fundamental.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de demonizar a testosterona. Quando h\u00e1 a defici\u00eancia de testosterona, \u00e9 importante investigar a causa. Por tr\u00e1s desta defici\u00eancia pode haver outras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade que exigem tratamento espec\u00edfico. Ainda assim, a testosterona pode ser um tratamento importante e trazer benef\u00edcios. A quest\u00e3o \u00e9 n\u00e3o transformar a testosterona em uma terapia indiscriminada para o envelhecimento.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Kerniss H, Curman P, Olbrich H, Kridin K, Francis R, Leistner DM, Alam U, Ludwig RJ. Off-label testosterone therapy is associated with higher long-term cardiovascular risk in men. EBioMedicine. 2026 Jul 9;130:106373.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uso de testosterona sem indica\u00e7\u00e3o pode estar associado a maior risco cardiovascular, aponta estudo com mais de 350&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":485204,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[77636,116,32,33,4431,117,2650],"class_list":["post-485203","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-giuliano-aita","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-risco-cardiovascular","tag-saude","tag-testosterona"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117088499699211926","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=485203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485203\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/485204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=485203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=485203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=485203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}