{"id":485745,"date":"2026-08-13T21:22:21","date_gmt":"2026-08-13T21:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/485745\/"},"modified":"2026-08-13T21:22:21","modified_gmt":"2026-08-13T21:22:21","slug":"imagens-ineditas-revelam-redemoinhos-na-superficie-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/485745\/","title":{"rendered":"Imagens in\u00e9ditas revelam &#8216;redemoinhos&#8217; na superf\u00edcie do Sol"},"content":{"rendered":"<p>Astr\u00f4nomos obtiveram a vis\u00e3o mais detalhada j\u00e1 registrada de pequenos redemoinhos girat\u00f3rios localizados na fotosfera solar, a superf\u00edcie vis\u00edvel do Sol. As estruturas, que possuem dimens\u00e3o equivalente ao tamanho de uma cidade inteira, foram observadas diretamente pela primeira vez por meio de registros de alta resolu\u00e7\u00e3o capturados a 150 milh\u00f5es de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>As descobertas, publicadas no dia 5 de agosto na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10871-3\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nature<\/a>, fornecem a confirma\u00e7\u00e3o direta de um tipo de instabilidade de fluido na superf\u00edcie do Sol que pode ajudar a explicar o surgimento de erup\u00e7\u00f5es solares e o aquecimento extremo da atmosfera externa da estrela.<\/p>\n<p>Os v\u00f3rtices identificados s\u00e3o formados por um fen\u00f4meno conhecido como instabilidades de Kelvin-Helmholtz (IKH ou KHIs), que ocorre quando dois fluidos se movem a velocidades diferentes e deslizam um pelo outro, gerando perturba\u00e7\u00f5es em formato de espiral.<\/p>\n<p>Embora esse processo j\u00e1 tivesse sido observado em forma\u00e7\u00f5es de nuvens e em corpos d\u2019\u00e1gua na Terra, al\u00e9m das atmosferas de planetas como J\u00fapiter e <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/nasa-divulga-novas-imagens-de-saturno-com-detalhes-ineditos.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Saturno<\/a>, sua exist\u00eancia na fotosfera do Sol permanecia restrita ao campo te\u00f3rico devido \u00e0 limita\u00e7\u00e3o espacial dos telesc\u00f3pios anteriores.<\/p>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/enorme-letra-s-e-avistada-na-superficie-do-sol-pouco-antes-de-erupcao.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">superf\u00edcie solar<\/a>, a din\u00e2mica assemelha-se a uma panela de \u00e1gua fervendo: o plasma quente sobe em manchas brilhantes chamadas gr\u00e2nulos e desce ap\u00f3s esfriar, enquanto campos magn\u00e9ticos se concentram ao longo das bordas. A diferen\u00e7a de velocidade do fluido nas margens dessas concentra\u00e7\u00f5es magn\u00e9ticas cria as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para disparar a instabilidade.<\/p>\n<p>Para conseguir <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/imagens-da-superficie-do-sol-sao-registradas-por-sonda.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">registrar o fen\u00f4meno<\/a>, a equipe de pesquisadores utilizou o Telesc\u00f3pio Solar Daniel K. Inouye, localizado a 3.048 metros de altitude no vulc\u00e3o Haleakal\u0101, na ilha de Maui, no Hava\u00ed. Equipado com um espelho de 4 metros de di\u00e2metro \u2014 o maior do mundo para observa\u00e7\u00e3o solar \u2014, o instrumento foi apontado para uma regi\u00e3o ativa do Sol pr\u00f3xima a uma mancha solar, conseguindo distinguir detalhes na escala de at\u00e9 19 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>\u201cMinha primeira rea\u00e7\u00e3o foi: \u2018Uau, como podemos ver estruturas t\u00e3o min\u00fasculas e em escala t\u00e3o fina no Sol?\u2019\u201d, disse <strong>David Kuridze<\/strong>, astr\u00f4nomo do Observat\u00f3rio Solar Nacional e coautor do estudo, ao <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/science\/2026\/aug\/05\/unprecedented-images-may-explain-one-of-greatest-mysteries-of-the-sun\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Guardian<\/a>. \u201cIsso \u00e9 algo que nunca vimos antes em nenhuma observa\u00e7\u00e3o solar.\u201d<\/p>\n<p>O f\u00edsico solar <strong>Friedrich W\u00f6ger<\/strong>, tamb\u00e9m coautor do estudo e integrante do Observat\u00f3rio Solar Nacional, declarou \u00e0 Scientific American, que a precis\u00e3o alcan\u00e7ada pelo equipamento equivale a observar formigas rastejando na superf\u00edcie da Terra a partir de uma altitude de 160 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica das estruturas foi realizada por meio do exame de 47 v\u00f3rtices com larguras que variaram entre 26 e 170 quil\u00f4metros. Ao comparar os dados com simula\u00e7\u00f5es computacionais da superf\u00edcie do Sol, os cientistas constataram que as formas, o espa\u00e7amento, as velocidades aparentes e as taxas de crescimento dos redemoinhos observados coincidiam com as previs\u00f5es da teoria das KHIs.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um grande avan\u00e7o na f\u00edsica solar\u201d, disse <strong>Mihalis Mathioudakis<\/strong>, astrof\u00edsico da Queen\u2019s University Belfast, na Irlanda do Norte, que n\u00e3o participou da pesquisa, \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/spectacular-images-reveal-never-before-seen-whirlpools-on-the-sun\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Scientific American<\/a>. E como os resultados v\u00eam de imagens diretas do Sol, acrescenta ele, \u201celes resistir\u00e3o ao teste do tempo e ser\u00e3o incontest\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de confirmar a presen\u00e7a das instabilidades, os dados indicam que o movimento girat\u00f3rio dos v\u00f3rtices pode entrela\u00e7ar os campos magn\u00e9ticos solares, processo apontado como o respons\u00e1vel pelo ac\u00famulo de energia que culmina em explos\u00f5es e <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/nasa-compartilha-video-de-poderosa-erupcao-solar-que-chamou-atencao-no-mundo.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">erup\u00e7\u00f5es solares<\/a>. Esses eventos de atividade solar podem provocar interfer\u00eancias em redes el\u00e9tricas, sinais de GPS e sat\u00e9lites na Terra, repercute a Smithsonian Magazine.<\/p>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m traz pistas para resolver o mist\u00e9rio da temperatura da coroa solar. Enquanto a fotosfera permanece em torno de 10.000 graus Fahrenheit, a atmosfera externa do Sol atinge at\u00e9 3,5 milh\u00f5es de graus Fahrenheit. A dissipa\u00e7\u00e3o da energia gerada pela instabilidade dos fluidos em escalas menores pode ser uma das fontes desse aquecimento.<\/p>\n<p>\u201cAgora estamos come\u00e7ando a entender que precisamos estudar esse processo para compreender todas as etapas da transfer\u00eancia de energia do interior [do Sol] para a superf\u00edcie\u2026 e como ela nos afeta na Terra e al\u00e9m\u201d, disse <strong>Leon Ofman<\/strong>, astrof\u00edsico da Universidade Cat\u00f3lica da Am\u00e9rica que n\u00e3o participou da pesquisa, ao <a href=\"https:\/\/www.sciencenews.org\/article\/tiny-swirls-sun-trigger-solar-flares\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Science News<\/a>.<\/p>\n<p>        <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/author\/eric-moreira\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n          <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\u00c9ric Moreira\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1786656141_349_WhatsApp-Image-2021-09-24-at-18.30.11-150x150.jpeg\" class=\"avatar avatar-115 photo rounded-circle\" height=\"115\" width=\"115\"\/>        <\/a><\/p>\n<p>\u00c9ric Moreira \u00e9 jornalista, formado pelo Centro Universit\u00e1rio Belas Artes de S\u00e3o Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e s\u00e9ries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e Hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Astr\u00f4nomos obtiveram a vis\u00e3o mais detalhada j\u00e1 registrada de pequenos redemoinhos girat\u00f3rios localizados na fotosfera solar, a superf\u00edcie&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":485746,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,3471,77703,21994,13,32,33,77704,4911,105,103,104,2836,106,110,77705],"class_list":["post-485745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-astronomia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-curiosidades","tag-fluidos","tag-imagens","tag-noticias","tag-portugal","tag-pt","tag-redemoinhos","tag-registros","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-sol","tag-technology","tag-tecnologia","tag-vortices"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117090303835095600","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=485745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485745\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/485746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=485745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=485745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=485745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}