{"id":486357,"date":"2026-08-14T10:36:18","date_gmt":"2026-08-14T10:36:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/486357\/"},"modified":"2026-08-14T10:36:18","modified_gmt":"2026-08-14T10:36:18","slug":"ha-30-anos-congelado-na-zona-da-morte-do-evereste-o-botas-verdes-vai-voltar-para-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/486357\/","title":{"rendered":"H\u00e1 30 anos congelado na zona da morte do Evereste, o &#8220;Botas Verdes&#8221; vai voltar para casa"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Green_Boots.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Maxwelljo40\/Wikimedia Commons<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-759669 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/f80554a75bbacd81c4eaf2f7fc6a9dcd-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">O \u201cBotas Verdes\u201d do Evereste ser\u00e1 Dorje Morup, montanhista desaparecido desde 1996.<\/p>\n<p><strong>A miss\u00e3o indiana \u00e9 retirar o corpo do famoso \u201cBotas Verdes\u201d da montanha, realizar testes de ADN e, caso a identidade seja confirmada, entreg\u00e1-lo \u00e0 fam\u00edlia. \u201cQuando ele voltar para casa, vou perguntar: \u2018Onde \u00e9 que estiveste todos estes anos?&#8217;\u201d.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Durante quase 30 anos, um corpo que mais tarde ficou conhecido como \u201cGreen Boots\u201d (\u201cBotas Verdes\u201d) ficou congelado a cerca de 8500 metros de altitude no <strong>Monte Evereste<\/strong>, abrigado sob uma sali\u00eancia rochosa e transformado num dos mais sombrios pontos de refer\u00eancia para os alpinistas.<\/p>\n<p>Agora, finalmente, as autoridades indianas manifestaram a sua inten\u00e7\u00e3o e t\u00eam um plano para recuperar os restos mortais do sujeito, que acreditam ser <strong>Dorje Morup<\/strong>, um montanhista indiano desaparecido em 1996.<\/p>\n<p>A Indo Tibetan Border Police (ITBP), for\u00e7a respons\u00e1vel pela vigil\u00e2ncia de grande parte da fronteira entre a \u00cdndia e a China, procura uma equipa especializada em resgates de alta montanha para realizar uma opera\u00e7\u00e3o considerada extremamente complexa e perigosa, segundo a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/articles\/cz05xn35xj7o\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">BBC<\/a>.<\/p>\n<p>Durante muitos anos, acreditou-se que o corpo de \u201cGreen Boots\u201d pertencia a Tsewang Paljor, outro dos elementos da expedi\u00e7\u00e3o indiana de 1996, mas testemunhos dos sobreviventes, a localiza\u00e7\u00e3o do \u00faltimo contacto por r\u00e1dio e a an\u00e1lise do vestu\u00e1rio e do equipamento levaram recentemente as autoridades a concluir que os restos mortais poder\u00e3o ser de Morup.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o \u00e9 retirar o corpo da montanha, realizar testes de ADN e, caso a identidade seja confirmada, entreg\u00e1-lo \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A tempestade que enterrou \u201cBotas Verdes\u201d<\/p>\n<p>Morup tinha 48 anos quando integrou uma expedi\u00e7\u00e3o de seis membros da ITBP ao Everest. Na v\u00e9spera da partida, prometeu \u00e0 mulher,<strong> Konchak Yangskit<\/strong>, que regressaria como um her\u00f3i e que deixaria o seu pa\u00eds orgulhoso.<\/p>\n<p>Experiente em montanhismo nos Himalaias, Morup era lance naik, o equivalente a cabo na for\u00e7a de seguran\u00e7a indiana. A equipa pretendia tornar-se a primeira expedi\u00e7\u00e3o indiana a atingir o cume do Evereste atrav\u00e9s da vertente chinesa, no Tibete, considerada mais dif\u00edcil e perigosa do que a rota habitual pelo Nepal.<\/p>\n<p>Uma tempestade de neve levou tr\u00eas dos seis elementos a desistir. Morup, Tsewang Smanla e Tsewang Paljor continuaram a subir e conseguiram alcan\u00e7ar o cume, a 8849 metros. Um certificado emitido pelas autoridades chinesas regista que Morup chegou ao topo \u00e0s 17h30 de 10 de maio de 1996.<\/p>\n<p>O desastre ocorreu durante a descida. Os tr\u00eas alpinistas foram surpreendidos por uma violenta tempestade de neve e morreram. Dois dos corpos nunca foram encontrados. O terceiro permaneceu na montanha e acabaria conhecido simplesmente como \u201cGreen Boots\u201d, devido \u00e0s botas de montanhismo verde-lima que ainda hoje s\u00e3o vis\u00edveis.<\/p>\n<p>Como acontece com muitos dos mais de 300 alpinistas que morreram na regi\u00e3o do Everest desde que existem registos, o corpo nunca foi retirado.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o muito, muito arriscada\u201d<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 particularmente complicada. Os restos mortais encontram-se na chamada \u201czona da morte\u201d, acima dos 8000 metros, onde as temperaturas podem descer aos 40 graus negativos e a quantidade de oxig\u00e9nio dispon\u00edvel \u00e9 apenas cerca de um ter\u00e7o da existente ao n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>A vertente norte do Evereste, do lado chin\u00eas, apresenta ainda problemas adicionais. Embora tenha menos fendas no gelo, \u00e9 mais \u00edngreme e n\u00e3o disp\u00f5e da mesma infraestrutura de apoio existente no lado nepal\u00eas. Em caso de acidente, uma evacua\u00e7\u00e3o r\u00e1pida por helic\u00f3ptero \u00e9 tamb\u00e9m muito mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pela BBC estimam que seriam necess\u00e1rios entre 10 e 12 alpinistas com capacidade para chegar ao cume apenas para instalar as cordas de apoio necess\u00e1rias para alcan\u00e7ar o corpo.<\/p>\n<p>A parte inicial da descida dever\u00e1 ser a mais perigosa. Durante cerca de mil metros, a equipa ter\u00e1 de transportar os restos mortais atrav\u00e9s de terreno extremamente inclinado e rochoso. S\u00f3 a uma altitude inferior o corpo poder\u00e1 eventualmente ser recolhido por helic\u00f3ptero ou transportado por iaques at\u00e9 um local acess\u00edvel.<\/p>\n<p>O peso ser\u00e1 outro problema. Corpos que permanecem durante d\u00e9cadas cobertos de gelo, juntamente com roupa e equipamento de montanhismo, podem pesar v\u00e1rias vezes mais do que o peso normal de uma pessoa. Al\u00e9m disso, ficam muitas vezes congelados em posi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de transportar.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que descem para zonas mais quentes, os restos mortais podem tamb\u00e9m come\u00e7ar a descongelar e a decompor-se.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o muito, muito arriscada\u201d, afirmou \u00e0 BBC o alpinista indiano Kuntal Joisher, alertando que nenhuma tentativa de recupera\u00e7\u00e3o dever\u00e1 colocar vidas de sherpas em perigo.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es deste tipo s\u00e3o tamb\u00e9m bastante dispendiosas. Mesmo as recupera\u00e7\u00f5es menos complexas podem custar entre 40 mil e 80 mil d\u00f3lares, valores que ficam fora do alcance da maioria das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, \u00e9 mais comum que os corpos sejam simplesmente afastados das rotas mais frequentadas e deixados na montanha. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a alpinista norte-americana Francys Arsentiev, conhecida como a \u201cBela Adormecida do Evereste\u201d, cujo corpo foi deslocado em 2007 para um local mais reservado, quase uma d\u00e9cada depois da sua morte.<\/p>\n<p>Neste caso, a ITBP est\u00e1 disposta a financiar a opera\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a indiana pretende que os restos mortais sejam recuperados at\u00e9 setembro e procura grupos de resgate sherpa com experi\u00eancia suficiente para executar a miss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando ele voltar para casa, vou perguntar: \u2018Onde \u00e9 que estiveste todos estes anos?&#8217;\u201d<\/p>\n<p>Para a fam\u00edlia de Morup, em Ladakh, a poss\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o encerra uma espera de tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Yangskit, hoje com cerca de 75 anos, conta que durante muito tempo se recusou a acreditar na morte do marido. A fam\u00edlia realizou cerim\u00f3nias religiosas ap\u00f3s o desaparecimento, mas a aus\u00eancia de um corpo manteve viva a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAntes de dormir, \u00e0s vezes pensava que algu\u00e9m bateria \u00e0 porta naquela noite e que, quando a abrisse, ele estaria l\u00e1\u201d, recordou \u00e0 BBC: \u201cQuando ele voltar para casa, vou perguntar: \u2018Onde \u00e9 que estiveste todos estes anos?&#8217;\u201d<\/p>\n<p>O filho, Punchok Dorjai, espera que, se os testes de ADN confirmarem a identidade, a fam\u00edlia possa finalmente realizar um funeral em Leh, capital de Ladakh. Defende tamb\u00e9m que o pai e os restantes companheiros de expedi\u00e7\u00e3o sejam recordados como m\u00e1rtires.<\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda um objeto que a fam\u00edlia quer guardar como s\u00edmbolo da hist\u00f3ria de Morup. Se a miss\u00e3o tiver sucesso, pretende conservar as pr\u00f3prias \u201cGreen Boots\u201d que, durante d\u00e9cadas, marcaram a passagem de centenas de alpinistas a caminho do topo do mundo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 25px; margin-bottom: 10; font-family: Roboto, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 15px\">&#13;<br \/>\n        Tom\u00e1s Guimar\u00e3es, ZAP \/\/ <a href=\"\" data-wpel-link=\"internal\"\/>&#13;\n    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Maxwelljo40\/Wikimedia Commons O \u201cBotas Verdes\u201d do Evereste ser\u00e1 Dorje Morup, montanhista desaparecido desde 1996. 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