{"id":487168,"date":"2026-08-14T22:49:28","date_gmt":"2026-08-14T22:49:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487168\/"},"modified":"2026-08-14T22:49:28","modified_gmt":"2026-08-14T22:49:28","slug":"factos-primeiro-psd-celebra-subida-dos-salarios-acima-dos-3-000-euros-mesmo-so-abrangendo-27-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487168\/","title":{"rendered":"Factos Primeiro: PSD celebra subida dos sal\u00e1rios acima dos 3.000 euros, mesmo s\u00f3 abrangendo 2,7% dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p>                N\u00famero tem vindo a crescer, mas continua a representar menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o empregada. Por cada um que ganha 3 mil ou mais euros h\u00e1 outros 13 com sal\u00e1rios entre os entre 900 e os 1.200 euros<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">O n\u00famero de trabalhadores por conta de outrem que declaram receber pelo menos tr\u00eas mil euros l\u00edquidos por m\u00eas mais do que quadruplicou numa d\u00e9cada e aumentou 27% no \u00faltimo ano. Os dados confirmam duas das principais alega\u00e7\u00f5es divulgadas pelo PSD, mas mostram tamb\u00e9m que este escal\u00e3o de rendimento representa apenas 2,7% dos assalariados. J\u00e1 a afirma\u00e7\u00e3o de que estes trabalhadores s\u00e3o agora \u201cquase o dobro\u201d dos registados h\u00e1 dois anos, assenta, de facto, num crescimento expressivo, mas de 75,8%, e n\u00e3o numa duplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/Db25vWBDoru\/?img_index=1&amp;igsh=dWEwdnI4bndsbWF2\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Numa publica\u00e7\u00e3o nas redes sociais<\/a> intitulada &#8220;O impressionante crescimento dos sal\u00e1rios de 3 mil euros ou mais!\u201d, o PSD destaca que \u201choje h\u00e1 quatro vezes mais pessoas a ganhar 3 mil euros l\u00edquidos ou mais do que h\u00e1 dez anos\u201d. O partido acrescenta que, em dois anos, estes trabalhadores s\u00e3o \u201cquase o dobro\u201d e que houve um aumento de 27% relativamente a 2025, antes de concluir: \u201cN\u00e3o deixemos que nos distraiam com fait-divers. Viemos para resolver e estamos a resolver&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">A publica\u00e7\u00e3o ter\u00e1 por base <a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/08\/10\/salarios-acima-dos-3-mil-euros-quadruplicam-maioria-esta-na-grande-lisboa-e-no-porto\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">uma not\u00edcia do ECO<\/a> que cita u<a href=\"https:\/\/www.randstad.pt\/randstad-research\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ma nota trimestral da Randstad<\/a>, elaborada a partir do Inqu\u00e9rito ao Emprego do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE). Para verificar as afirma\u00e7\u00f5es, a CNN Portugal consultou diretamente o indicador do INE sobre o rendimento l\u00edquido mensal e comparou os segundos trimestres de 2016, 2024, 2025 e 2026.<\/p>\n<p>O veredicto preliminar aponta que sim. Isto \u00e9, segundo os dados do Inqu\u00e9rito ao Emprego feito trimestralmente pelo INE &#8211; aqueles em que se baseia o estudo citado pelo PSD &#8211; \u00e9 certo que tendo por base a \u00faltima an\u00e1lise h\u00e1 quatro vezes mais pessoas a ganhar \u20ac3.000 l\u00edquidos ou mais comparativamente com 2016. O n\u00famero passou de 28,7 mil no segundo trimestre de 2016 para 124,8 mil no segundo trimestre de 2026: ou seja, multiplicou-se por 4,35, existindo hoje mais 96,1 mil trabalhadores neste escal\u00e3o do que h\u00e1 10 anos.\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, a alega\u00e7\u00e3o relativa ao facto de, num espa\u00e7o de dois anos, ter quase dobrado o n\u00famero de trabalhadores que ganham um sal\u00e1rio l\u00edquido de ou superior a 3 mil euros \u00e9 mais discut\u00edvel. No segundo trimestre de 2024 existiam 71 mil trabalhadores neste escal\u00e3o, contra 124,8 mil no mesmo per\u00edodo de 2026. S\u00e3o mais 53,8 mil pessoas, correspondentes a um crescimento de 75,8%. O n\u00famero multiplicou-se por 1,76, ficando ainda 17,2 mil trabalhadores abaixo dos 142 mil necess\u00e1rios para uma duplica\u00e7\u00e3o. Assim, a express\u00e3o \u201cquase o dobro\u201d exagera a dimens\u00e3o do crescimento.<\/p>\n<p>J\u00e1 o aumento de 27% relativamente a 2025 est\u00e1 correto. O n\u00famero de trabalhadores com pelo menos tr\u00eas mil euros l\u00edquidos passou de 98,3 mil no segundo trimestre de 2025 para 124,8 mil no segundo trimestre deste ano. A subida foi de 26,5 mil pessoas, ou 26,96%, valor que arredonda para os 27% apresentados pelo PSD.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 aqui, desde logo, um dado que salta \u00e0 vista e que estava sublinhado no estudo da Randstad. \u00c9 que a dimens\u00e3o deste grupo \u00e9 mesmo muito reduzida no conjunto do mercado de trabalho. Estes 124,8 mil trabalhadores que recebem pelo menos 3.000 euros l\u00edquidos representam 2,73% dos 4,57 milh\u00f5es de trabalhadores por conta de outrem contabilizados pelo INE. Mesmo excluindo as 709,5 mil pessoas que n\u00e3o indicaram o rendimento, o escal\u00e3o dos tr\u00eas mil euros ou mais corresponde a 3,23% dos trabalhadores com rendimento conhecido.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como destaca o estudo da Randstad, a caracteriza\u00e7\u00e3o do segmento de rendimento mais elevado traduz \u201cv\u00e1rias assimetrias estruturais\u201d. Por um lado, os homens representam 69,2% deste grupo contra 30,8% de mulheres, enquanto o setor dos servi\u00e7os absorve 78,7% destes profissionais. Na mesma linha, as regi\u00f5es da Grande Lisboa e do Norte concentram 65,9% dos trabalhadores que mais ganham, reunindo 49 mil e 33,2 mil pessoas, respetivamente.<\/p>\n<p>De resto, o escal\u00e3o que concentra mais trabalhadores continua a ser o dos rendimentos l\u00edquidos entre 900 e 1.200 euros. No segundo trimestre de 2026 abrangia 1,56 milh\u00f5es de pessoas, ou 34,1% dos trabalhadores por conta de outrem. Eram 444,4 mil em 2016, 962,4 mil em 2024 e 1,11 milh\u00f5es em 2025. Este grupo cresceu 251,2% em dez anos, 62,2% em dois anos e 40,9% apenas no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>L\u00ea-se no estudo da Randstad que, no pa\u00eds segundo os dados do INE, \u201ca estrutura salarial continua predominantemente concentrada nos escal\u00f5es interm\u00e9dios-baixos\u201d. Na realidade, o escal\u00e3o ganhou 453,3 mil trabalhadores num s\u00f3 ano. Para compara\u00e7\u00e3o, por cada trabalhador com sal\u00e1rios acima ou igual a 3 mil euros, h\u00e1 outros 13 a auferir entre 900 e 1.200 euros<\/p>\n<p>A segunda maior faixa salarial \u00e9 a dos rendimentos entre \u20ac1.200 e \u20ac1.800 l\u00edquidos. Abrangia 1,05 milh\u00f5es de trabalhadores no segundo trimestre de 2026, equivalentes a 23% do total. Este escal\u00e3o passou de 467,7 mil pessoas em 2016 para 852,9 mil em 2024 e 946,1 mil em 2025. O crescimento foi de 124,9% em dez anos, 23,3% em dois anos e 11,2% no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Assim, se somarmos os dois maiores escal\u00f5es &#8211; entre \u20ac900 e \u20ac1.800 l\u00edquidos -, o que verificamos \u00e9 que esse grupo abrange 2,61 milh\u00f5es de pessoas, correspondentes a 57,1% de todos os trabalhadores por conta de outrem. H\u00e1, portanto, quase 21 trabalhadores nestas duas faixas salariais por cada trabalhador que recebe pelo menos tr\u00eas mil euros l\u00edquidos.<\/p>\n<p>Por isso, a afirma\u00e7\u00e3o do PSD de que o n\u00famero de trabalhadores com rendimentos l\u00edquidos de tr\u00eas mil euros ou mais quadruplicou numa d\u00e9cada \u00e9 verdadeira, assim como o aumento hom\u00f3logo de 27%.\u00a0 J\u00e1 a alega\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o \u201cquase o dobro\u201d dos registados h\u00e1 dois anos \u00e9 numericamente imprecisa, uma vez que o crescimento foi de 75,8%. O enquadramento omite tamb\u00e9m que este grupo representa apenas 2,7% dos assalariados.<\/p>\n<p>                <script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00famero tem vindo a crescer, mas continua a representar menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o empregada. 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