{"id":487352,"date":"2026-08-15T02:26:12","date_gmt":"2026-08-15T02:26:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487352\/"},"modified":"2026-08-15T02:26:12","modified_gmt":"2026-08-15T02:26:12","slug":"alzheimer-biomarcador-no-sangue-traz-medo-e-incerteza-14-08-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487352\/","title":{"rendered":"Alzheimer: biomarcador no sangue traz medo e incerteza &#8211; 14\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Em 2018, a m\u00e3e de Beth morreu de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/alzheimer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alzheimer<\/a> aos 75 anos. &#8220;Foi terr\u00edvel&#8221;, disse ela. E, ap\u00f3s passar por isso, acrescentou, &#8220;voc\u00ea come\u00e7a a se preocupar com o pr\u00f3prio futuro&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano, Beth, hoje com 58 anos, soube da exist\u00eancia de um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/06\/exame-de-sangue-promete-prever-alzheimer-anos-antes-entenda-por-que-medicos-pedem-cautela.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">novo exame de sangue para detectar Alzheimer<\/a>. Dado seu hist\u00f3rico familiar, seu m\u00e9dico de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria concordou em solicitar o exame em junho. O resultado mostrou n\u00edveis elevados de uma prote\u00edna chamada p-tau217, o que sugeria que ela apresentava sinais iniciais de Alzheimer no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>&#8220;Eu adoraria dizer que foi um choque completo, mas n\u00e3o foi&#8221;, diz Beth. &#8220;N\u00e3o quero parecer totalmente pessimista. \u00c9 s\u00f3 que&#8230; sinto que a doen\u00e7a est\u00e1 vindo atr\u00e1s de mim.&#8221; (Para proteger a privacidade das pessoas ao tratar de informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis sobre <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a>, o jornal The New York Times as identifica apenas pelo primeiro nome.)<\/p>\n<p>Um neurologista realizou v\u00e1rios exames complementares e constatou que a cogni\u00e7\u00e3o de Beth estava normal. O m\u00e9dico tamb\u00e9m lhe disse que os exames de sangue n\u00e3o s\u00e3o 100% conclusivos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso faz voc\u00ea se sentir melhor&#8221;, disse Beth. &#8220;Mas tamb\u00e9m deixa toda a situa\u00e7\u00e3o com muito mais pontos de interroga\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio que surgiram perguntas como: o que o futuro reserva? Ela ser\u00e1 um fardo para a fam\u00edlia? Por quanto tempo conseguir\u00e1 continuar trabalhando? Se n\u00e3o viajar para Paris no pr\u00f3ximo ano, ser\u00e1 que algum dia ainda poder\u00e1 ir?<\/p>\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio que, no ano passado, dois exames de biomarcadores sangu\u00edneos para Alzheimer foram aprovados pela Food and Drug Administration, a ag\u00eancia reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, para ajudar no diagn\u00f3stico de pessoas com comprometimento cognitivo.<\/p>\n<p>Cada vez mais, pessoas sem problemas de mem\u00f3ria tamb\u00e9m est\u00e3o fazendo esses exames para tentar determinar se desenvolver\u00e3o Alzheimer no futuro. Algumas os compram em sites de exames laboratoriais vendidos diretamente ao consumidor; outras s\u00e3o encaminhadas por um m\u00e9dico. No entanto, especialistas em dem\u00eancia s\u00e3o quase un\u00e2nimes em afirmar que os exames ainda n\u00e3o est\u00e3o prontos para ser usados dessa forma e desaconselham essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para alguns pacientes, os resultados s\u00e3o devastadores e os deixam assustados e desamparados. Outros os encaram como uma oportunidade de assumir o controle e logo partem para a a\u00e7\u00e3o, tentando melhorar a sa\u00fade de modo geral e organizar a pr\u00f3pria vida. E muitos, como Beth, ficam confusos sobre o que seus resultados realmente significam.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es em aberto<\/p>\n<p>Os exames medem os n\u00edveis sangu\u00edneos de duas prote\u00ednas, amiloide e tau, que passam a funcionar de maneira anormal no c\u00e9rebro de pessoas com Alzheimer.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nUm exame em particular, chamado p-tau217 devido \u00e0 forma da prote\u00edna que mede, apresenta correla\u00e7\u00e3o especialmente forte com a amiloide, que pode se acumular d\u00e9cadas antes de a pessoa come\u00e7ar a apresentar comprometimento cognitivo.<\/p>\n<p>A p-tau217 est\u00e1 rapidamente se tornando o exame preditivo preferencial: um estudo publicado no m\u00eas passado na revista JAMA constatou que pessoas cognitivamente normais com n\u00edveis muito elevados de p-tau217 tinham 38% de probabilidade de desenvolver problemas de mem\u00f3ria e racioc\u00ednio em at\u00e9 cinco anos e 78% em dez anos.<\/p>\n<p>O Dr. Jeff Williamson, chefe de gerontologia e medicina geri\u00e1trica da Faculdade de Medicina da Wake Forest, disse ter atendido, nos \u00faltimos 18 meses, entre duas e tr\u00eas dezenas de pacientes cognitivamente normais \u2014a maioria na faixa dos 50 e 60 anos \u2014que fizeram o exame. Muitos t\u00eam pais ou outros familiares com Alzheimer, e os resultados os deixaram muito preocupados com o que pode estar por vir.<\/p>\n<p>&#8220;Toda vez que esquecem alguma coisa, perdem as chaves ou n\u00e3o se lembram do nome de um colega de escola, come\u00e7am de fato a desenvolver uma ansiedade do tipo: \u2018Ah, talvez seja o Alzheimer que est\u00e1 no meu sangue\u2019&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico, isso ocorre mesmo quando o teste de mem\u00f3ria deu resultado normal no m\u00eas anterior ou quatro meses antes.<\/p>\n<p>Embora seja maior a probabilidade de que algu\u00e9m com n\u00edvel elevado de p-tau217 venha um dia a desenvolver dem\u00eancia, o diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 garantido. Dois especialistas disseram que a rela\u00e7\u00e3o entre a p-tau217 e o Alzheimer \u00e9 semelhante \u00e0 forma como o colesterol alto aumenta o risco de infarto.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode haver problemas de precis\u00e3o nos exames, especialmente quando as pessoas apresentam n\u00edveis moderados de p-tau217. Nesses casos, o exame n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o confi\u00e1vel quanto quando os n\u00edveis s\u00e3o muito baixos ou muito altos, afirmou Rachel F. Buckley, professora associada de neurologia no Mass General Brigham e na Faculdade de Medicina de Harvard, que liderou o recente estudo publicado na JAMA.<\/p>\n<p>&#8220;Eu teria muito menos confian\u00e7a&#8221; nos resultados nessa situa\u00e7\u00e3o, disse ela.<\/p>\n<p>Outros fatores tamb\u00e9m podem afetar a precis\u00e3o. Os m\u00e9dicos costumam confirmar os resultados com exames complementares e, ao fazer isso, \u00e0s vezes identificam falsos positivos.<\/p>\n<p>O Dr. Richard Isaacson, neurologista especializado em preven\u00e7\u00e3o no Atria Health Institute, na Fl\u00f3rida, e no atendimento a pessoas com risco de dem\u00eancia, disse que v\u00ea falsos positivos &#8220;toda semana&#8221;.<\/p>\n<p>Ele citou o exemplo de uma mulher cuja amostra foi coletada antes do fim de semana do feriado de 4 de julho e analisada depois. Ele acredita que o gelo seco no qual a amostra estava acondicionada tenha derretido nesse intervalo, alterando-a e produzindo um resultado incorreto.<\/p>\n<p>Em outro caso, um paciente teve um falso positivo porque apresentava rabdomi\u00f3lise, condi\u00e7\u00e3o em que o tecido muscular se degrada e libera prote\u00ednas na corrente sangu\u00ednea. Doen\u00e7as renais tamb\u00e9m podem distorcer os resultados dos exames de sangue.<\/p>\n<p>(Isaacson tamb\u00e9m desenvolve exames de biomarcadores cerebrais na AlzLabs, na Fl\u00f3rida.)<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas a considerar. Os exames de biomarcadores n\u00e3o contam com prote\u00e7\u00e3o de privacidade, afirmou Jalayne Arias, professora associada de pol\u00edticas de sa\u00fade e ci\u00eancias comportamentais da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade Estadual da Ge\u00f3rgia.<\/p>\n<p>Isso deixa as pessoas vulner\u00e1veis \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o por parte de seguradoras de vida, seguradoras de cuidados de longa dura\u00e7\u00e3o, comunidades de aposentados ou residenciais com assist\u00eancia, e at\u00e9 mesmo empregadores.<\/p>\n<p>&#8220;Existe essa tens\u00e3o porque, sem d\u00favida, essa informa\u00e7\u00e3o poderia dar a algu\u00e9m um conhecimento que a ajudaria a fazer planos e tomar decis\u00f5es sobre onde quer morar e como quer passar o tempo&#8221;, disse Arias, que escreveu recentemente sobre essas preocupa\u00e7\u00f5es na revista Neurology.<\/p>\n<p>&#8220;Por outro lado, o registro disso no prontu\u00e1rio m\u00e9dico ou a divulga\u00e7\u00e3o a terceiros pode, inadvertidamente, restringir as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para essa pessoa.&#8221;<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a para o futuro<\/p>\n<p>Os especialistas esperam que esses exames se tornem mais confi\u00e1veis para prever quem pode desenvolver Alzheimer e, mais importante, que passe a existir um medicamento capaz de retardar ou prevenir o surgimento dos sintomas. Se isso acontecer, a maioria dos especialistas disse que come\u00e7aria a recomendar que pessoas cognitivamente saud\u00e1veis fizessem o exame.<\/p>\n<p>Mas, por enquanto, n\u00e3o existe uma terapia preventiva eficaz.<\/p>\n<p>Dois medicamentos usados no tratamento do Alzheimer est\u00e3o sendo avaliados em ensaios cl\u00ednicos quanto ao seu potencial de prote\u00e7\u00e3o, e os resultados s\u00e3o esperados em um ou dois anos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Williamson e Isaacson aconselham os pacientes com resultados positivos a adotar um estilo de vida saud\u00e1vel e a se concentrar em melhorar outros aspectos da sa\u00fade, como manter a press\u00e3o arterial sob controle.<\/p>\n<p>Um estudo publicado no ano passado constatou que, independentemente dos n\u00edveis de p-tau217, os participantes mais saud\u00e1veis apresentavam risco menor de desenvolver comprometimento cognitivo nos oito anos seguintes do que aqueles com sa\u00fade menos favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o tinham muitas doen\u00e7as cr\u00f4nicas graves, se exercitavam regularmente, mantinham uma alimenta\u00e7\u00e3o nutritiva e n\u00e3o fumavam.<\/p>\n<p>Esses comportamentos n\u00e3o parecem afetar o ac\u00famulo de amiloide ou tau no c\u00e9rebro, mas oferecem uma esp\u00e9cie de prote\u00e7\u00e3o contra os danos que essas prote\u00ednas podem causar, afirmou Sterling Johnson, professor de geriatria e dem\u00eancia da Faculdade de Medicina e Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de Wisconsin-Madison, que liderou o estudo.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a estrat\u00e9gia adotada por Susan, de 70 anos. Quando fez um exame de p-tau217 em junho e descobriu que seus n\u00edveis estavam elevados, ficou &#8220;meio pasma&#8221;, contou. Embora seu pai tenha morrido com Alzheimer em est\u00e1gio avan\u00e7ado, ela n\u00e3o apresentava nenhum problema de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nas semanas desde que recebeu os resultados, Susan tem se empenhado em se exercitar mais, adotar uma alimenta\u00e7\u00e3o no estilo mediterr\u00e2neo e fazer jogos de racioc\u00ednio em vez de ficar rolando as redes sociais. Ela tamb\u00e9m confirmou que seu testamento e sua procura\u00e7\u00e3o para decis\u00f5es m\u00e9dicas estavam atualizados.<\/p>\n<p>Susan sabe que o exame de sangue n\u00e3o garante que desenvolver\u00e1 Alzheimer, mas &#8220;\u00e9 o empurr\u00e3o de que voc\u00ea precisa para come\u00e7ar a fazer coisas que j\u00e1 deveria estar fazendo de qualquer maneira&#8221;, disse ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 2018, a m\u00e3e de Beth morreu de Alzheimer aos 75 anos. &#8220;Foi terr\u00edvel&#8221;, disse ela. 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