{"id":487514,"date":"2026-08-15T06:58:11","date_gmt":"2026-08-15T06:58:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487514\/"},"modified":"2026-08-15T06:58:11","modified_gmt":"2026-08-15T06:58:11","slug":"virus-intestinais-desenvolvem-novas-armas-contra-superbacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487514\/","title":{"rendered":"V\u00edrus intestinais desenvolvem novas armas contra superbact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p>V\u00edrus que atacam e matam seletivamente bact\u00e9rias, tamb\u00e9m conhecidos como bacteri\u00f3fagos, ou simplesmente fagos, infetam bact\u00e9rias mas deixam as c\u00e9lulas humanas intactas. Depois de se fixarem a uma c\u00e9lula bacteriana, injetam o seu material gen\u00e9tico, apropriam\u2011se da maquinaria da c\u00e9lula e obrigam\u2011na a produzir novos fagos at\u00e9 a bact\u00e9ria rebentar.<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Problema: as bact\u00e9rias conseguem desenvolver defesas contra os fagos, tal como desenvolvem resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Os novos resultados sugerem que os pr\u00f3prios fagos disp\u00f5em de uma contra\u2011medida evolutiva.<\/p>\n<p>Alguns dos v\u00edrus que vivem no intestino humano conseguem gerar rapidamente varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas entre a descend\u00eancia, aumentando a probabilidade de que pelo menos alguns sobrevivam quando as bact\u00e9rias contra\u2011atacam, indica o <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41564-026-02445-w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">estudo (fonte em ingl\u00eas)<\/a>, publicado na quinta\u2011feira na revista Nature Microbiology. <\/p>\n<p>A descoberta pode abrir uma nova via na procura de alternativas aos antibi\u00f3ticos, numa altura em que as infe\u00e7\u00f5es resistentes aos medicamentos se tornam cada vez mais dif\u00edceis de tratar.<\/p>\n<p>Investigadores da Michigan State University identificaram regi\u00f5es at\u00e9 agora pouco valorizadas nos genomas de bacteri\u00f3fagos que funcionam como \u201cpontos quentes\u201d gen\u00e9ticos, permitindo aos v\u00edrus alterar repetidamente genes essenciais \u00e0 medida que se replicam.<\/p>\n<p>Isso sugere que estas regi\u00f5es ajudam os fagos a diversificar as apostas evolutivas face \u00e0s defesas bacterianas. Em vez de produzirem uma popula\u00e7\u00e3o de v\u00edrus geneticamente id\u00eanticos, geram uma cole\u00e7\u00e3o diversa de descendentes com caracter\u00edsticas diferentes, aumentando a probabilidade de que alguns consigam continuar a infetar e matar os hospedeiros bacterianos.<\/p>\n<p>\u201cIsto altera a nossa compreens\u00e3o sobre a forma como os fagos evoluem\u201d, <a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1140065\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">disse (fonte em ingl\u00eas)<\/a>o coautor Chris Waters, docente no programa de Ecologia, Evolu\u00e7\u00e3o e Comportamento da Michigan State University. \u201cEm vez de sequestrarem os hospedeiros para produzirem em massa c\u00f3pias exatas de si pr\u00f3prios, est\u00e3o na realidade a usar estes pontos quentes de muta\u00e7\u00e3o para criar um aut\u00eantico \u2018zoo\u2019\u201d, acrescentou, sublinhando que os fagos \u201cest\u00e3o, no essencial, a diversificar as apostas\u201d.<\/p>\n<p>Uma via gen\u00e9tica de fuga<\/p>\n<p>Os investigadores estudaram o bacteri\u00f3fago T2, que infeta E. coli, depois de analisarem um sistema de defesa bacteriano capaz de reconhecer e destruir ADN de fagos invasores.<\/p>\n<p>A equipa transferiu o sistema de defesa para E. coli em laborat\u00f3rio e exp\u00f4s as bact\u00e9rias aos fagos.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o durou muito.<\/p>\n<p>Em poucas horas, os fagos come\u00e7aram a ultrapassar as defesas bacterianas. <\/p>\n<p>\u201cAo fim de poucas horas, os fagos come\u00e7avam sempre a ganhar\u201d, contou Waters. \u201cN\u00e3o consegu\u00edamos perceber porqu\u00ea\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quando os investigadores sequenciaram os v\u00edrus resistentes, encontraram muta\u00e7\u00f5es repetidas num gene chamado agt, sobretudo numa faixa de ADN repetitivo. \u201cQuando vi os dados, pensei: \u2018meu Deus\u2019\u201d, relatou Waters. <\/p>\n<p>Essa sequ\u00eancia revelou\u2011se aquilo a que os cientistas chamam um locus de conting\u00eancia, uma regi\u00e3o altamente mut\u00e1vel onde a maquinaria que copia o ADN pode deslizar ao replicar sequ\u00eancias repetidas.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma muta\u00e7\u00e3o revers\u00edvel que altera o enquadramento da leitura e pode mudar a forma como as instru\u00e7\u00f5es do gene s\u00e3o interpretadas.<\/p>\n<p>Alguns fagos ganham uma repeti\u00e7\u00e3o extra, outros perdem uma. O resultado \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o com diferentes vers\u00f5es do v\u00edrus, potencialmente com distintas capacidades de escapar \u00e0s defesas bacterianas.<\/p>\n<p>Os investigadores verificaram que estas regi\u00f5es repetitivas acumulavam muta\u00e7\u00f5es milhares de vezes mais depressa do que o restante genoma do fago.<\/p>\n<p>E o mecanismo n\u00e3o se limita a um \u00fanico v\u00edrus.<\/p>\n<p>Recorrendo a evolu\u00e7\u00e3o experimental e sequencia\u00e7\u00e3o de genomas, a equipa identificou loci de conting\u00eancia semelhantes no fago T4 de E. coli. Constatou ainda que repeti\u00e7\u00f5es simples de sequ\u00eancia estavam amplamente distribu\u00eddas por diferentes fagos de E. coli, embora a sua abund\u00e2ncia variasse entre genes com fun\u00e7\u00f5es distintas.<\/p>\n<p>Terapia com fagos pode ajudar a tratar superbact\u00e9rias<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o surge numa altura em que cientistas e respons\u00e1veis pol\u00edticos procuram alternativas aos antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>A terap\u00eautica com fagos n\u00e3o \u00e9 nova. Os fagos come\u00e7aram a ser usados de forma terap\u00eautica j\u00e1 na d\u00e9cada de 1920 para tratar infe\u00e7\u00f5es bacterianas, mas o interesse na abordagem diminuiu quando antibi\u00f3ticos como a penicilina se tornaram amplamente dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Hoje, o aumento da resist\u00eancia aos antimicrobianos voltou a despertar interesse.<\/p>\n<p>O apelo deve\u2011se em parte \u00e0 especificidade. Enquanto muitos antibi\u00f3ticos podem matar bact\u00e9rias ben\u00e9ficas juntamente com os agentes patog\u00e9nicos que pretendem eliminar, fagos individuais podem ser altamente seletivos para determinadas esp\u00e9cies ou estirpes bacterianas.<\/p>\n<p>Mas essa mesma especificidade tamb\u00e9m \u00e9 uma fragilidade: as bact\u00e9rias podem desenvolver resist\u00eancia a um fago, tornando potencialmente ineficaz um tratamento.<\/p>\n<p>Os resultados obtidos na Michigan State University abrem a possibilidade de, no futuro, os cientistas poderem tirar partido das pr\u00f3prias estrat\u00e9gias evolutivas dos v\u00edrus para tornar os tratamentos com fagos mais robustos.<\/p>\n<p>\u201cSe conseguirmos aproveitar este tipo de truques evolutivos, poderemos desenvolver terapias com fagos mais eficazes em resposta \u00e0 crise da resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos\u201d, defendeu Waters.<\/p>\n<p>\u201cNunca vamos conseguir eliminar totalmente a resist\u00eancia\u201d, acrescentou. \u201cMas, se compreendermos melhor como \u00e9 que as bact\u00e9rias se protegem da infe\u00e7\u00e3o por fagos e como \u00e9 que os fagos contra\u2011atacam, poderemos reduzi\u2011la ao m\u00ednimo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"V\u00edrus que atacam e matam seletivamente bact\u00e9rias, tamb\u00e9m conhecidos como bacteri\u00f3fagos, ou simplesmente fagos, infetam bact\u00e9rias mas deixam&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":487515,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[1895,109,107,108,23845,32,33,117,105,103,104,106,110],"class_list":["post-487514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-bacteria","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-cuidados-de-saude","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117098231992171391","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=487514"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487514\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/487515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=487514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=487514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=487514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}