{"id":487576,"date":"2026-08-15T09:05:13","date_gmt":"2026-08-15T09:05:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487576\/"},"modified":"2026-08-15T09:05:13","modified_gmt":"2026-08-15T09:05:13","slug":"congelamento-de-tecido-ovariano-ajuda-pacientes-com-cancer-15-08-2026-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487576\/","title":{"rendered":"Congelamento de tecido ovariano ajuda pacientes com c\u00e2ncer &#8211; 15\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Existe hoje um procedimento que ambiciona conseguir atrasar a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/menopausa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">menopausa<\/a> em um futuro n\u00e3o t\u00e3o long\u00ednquo. Por enquanto, ele d\u00e1 uma chance de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/02\/o-que-esta-em-jogo-ao-adiar-a-gravidez-para-depois-dos-35-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">fertilidade<\/a> antes inexistente para crian\u00e7as que descobrem o c\u00e2ncer antes da puberdade e para pacientes oncol\u00f3gicas que n\u00e3o t\u00eam tempo suficiente para congelar os \u00f3vulos antes de iniciar a quimioterapia.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica, chamada de congelamento de tecido ovariano, retira, congela e devolve ao corpo peda\u00e7os do pr\u00f3prio ov\u00e1rio \u2014que se revasculariza para produzir \u00f3vulos. \u00c9 diferente do<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/05\/congelamento-de-ovulos-cresce-entre-jovens-mas-ainda-e-inacessivel-para-maioria-das-mulheres.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> congelamento de \u00f3vulos<\/a>, em que o material extra\u00eddo j\u00e1 \u00e9 o \u00f3vulo maduro, pronto para fertiliza\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n<p>A base da t\u00e9cnica foi estabelecida nos anos 1990, com experimentos em ovelhas no Reino Unido. O primeiro nascimento humano a partir dele ocorreu em 2004, na B\u00e9lgica, ap\u00f3s reimplante do tecido, preservado antes de tratar um linfoma de Hodgkin.<\/p>\n<p>Mais conhecido na Europa, o procedimento come\u00e7a a se popularizar aos poucos no Brasil. Em 2019, a Sociedade Americana de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicina\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Medicina<\/a> Reprodutiva deixou de consider\u00e1-lo uma modalidade experimental.<\/p>\n<p>Ainda assim, o m\u00e9todo segue menos difundido que o congelamento de \u00f3vulos, padr\u00e3o ouro para preservar a fertilidade, segundo o ginecologista Carlos Alberto Petta, integrante da Comiss\u00e3o Nacional Especializada em Endometriose da Febrasgo (Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia).<\/p>\n<p>Em par\u00e2metros gerais, fora de situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, especialistas ainda recomendam o congelamento de \u00f3vulos a quem quer preservar a fertilidade, diz Petta.<\/p>\n<p>O congelamento de \u00f3vulos exige est\u00edmulo hormonal e leva pelo menos 20 dias at\u00e9 a coleta. Muitas pacientes com c\u00e2ncer n\u00e3o t\u00eam esse tempo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes chegam mulheres e a gente ouve que a quimioterapia come\u00e7a em tr\u00eas dias&#8221;, diz Petta. Nesses casos, a alternativa \u00e9 retirar fragmentos do ov\u00e1rio durante uma cirurgia r\u00e1pida e congel\u00e1-los antes do tratamento.<\/p>\n<p>J\u00e1 as crian\u00e7as com c\u00e2ncer que ainda n\u00e3o menstruaram n\u00e3o t\u00eam outra sa\u00edda, pois n\u00e3o produzem \u00f3vulos maduros. Para essas pacientes, afirma o ginecologista Edvaldo Cavalcante, da Cl\u00ednica Genics, de reprodu\u00e7\u00e3o assistida, a criopreserva\u00e7\u00e3o de tecido ovariano \u00e9 a \u00fanica alternativa para preservar a fertilidade.<\/p>\n<p>Mulheres com endometriose que j\u00e1 v\u00e3o passar por cirurgia no ov\u00e1rio tamb\u00e9m costumam aproveitar para congelar fragmentos com fol\u00edculos, segundo Petta.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica tamb\u00e9m \u00e9 indicada para hist\u00f3rico familiar de menopausa precoce, para quem far\u00e1 transplante de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas e para quem trata doen\u00e7as autoimunes, como l\u00fapus, com rem\u00e9dios que comprometem os ov\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como o procedimento \u00e9 feito<\/p>\n<p>A retirada acontece durante cirurgia, geralmente por videolaparoscopia, mas tamb\u00e9m pode ser feita por laparotomia ou ces\u00e1rea. Os m\u00e9dicos removem cerca de um ter\u00e7o do ov\u00e1rio e preservam o restante.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio, o tecido \u00e9 separado em fragmentos pequenos, de cerca de um cent\u00edmetro por um cent\u00edmetro, e congelado por vitrifica\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnica r\u00e1pida que reduz danos \u00e0s c\u00e9lulas, diz o especialista em reprodu\u00e7\u00e3o assistida Philip Wolff, da Cl\u00ednica Genics. J\u00e1 no congelamento de \u00f3vulos, a coleta \u00e9 feita por pun\u00e7\u00e3o guiada por ultrassom, sob seda\u00e7\u00e3o leve, sem necessidade de cirurgia.<\/p>\n<p>Quando a paciente decide usar o tecido ovariano, os fragmentos s\u00e3o reimplantados perto do ov\u00e1rio remanescente ou em outra regi\u00e3o do corpo. Depois de revascularizado, ele volta a produzir horm\u00f4nios e a liberar \u00f3vulos. Isso costuma ocorrer cerca de 19 semanas ap\u00f3s o transplante, segundo diferentes estudos.<\/p>\n<p>O que os m\u00e9dicos esperam em breve, diz Cavalcante, \u00e9 que ap\u00f3s essa etapa a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/mulher\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mulher<\/a> consiga engravidar de forma espont\u00e2nea, sem necessidade de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/05\/ia-pode-reduzir-tempo-e-tentativas-frustradas-em-tratamentos-de-fertilizacao-in-vitro.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro<\/a>. Atualmente, em parte, os m\u00e9dicos estimulam a ovula\u00e7\u00e3o e coletam os \u00f3vulos para fertiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que mostram as pesquisas<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o cient\u00edfica de 2022, publicada na revista Human Reproduction Update, reuniu dados de 568 mulheres e mostrou que a taxa de gravidez foi de aproximadamente 37%, e a taxa de nascimento com vida, de 28%. Cerca de 69% das gesta\u00e7\u00f5es ocorreram sem fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro.<\/p>\n<p>O tempo de funcionamento do tecido varia. A mediana foi de cerca de dois anos e meio, e tende a ser maior quanto mais jovem for a paciente na coleta.<\/p>\n<p>Um pequeno grupo de cinco mulheres que tiveram o material retirado antes dos 22 anos manteve atividade ovariana por seis a sete anos ap\u00f3s o reimplante.<\/p>\n<p>O sonho de adiar a menopausa<\/p>\n<p>Al\u00e9m da fertilidade, os m\u00e9dicos apostam que a t\u00e9cnica tamb\u00e9m poder\u00e1, no futuro, adiar a menopausa. A ideia \u00e9 congelar tecido ovariano de mulheres jovens e reimplant\u00e1-lo d\u00e9cadas depois, pr\u00f3ximo \u00e0 idade em que a menopausa costuma ocorrer.<\/p>\n<p>Parte da motiva\u00e7\u00e3o vem do aumento da expectativa de vida das mulheres. No passado, diz Cavalcante, a menopausa chegava perto dos 50 anos e a mulher vivia relativamente pouco tempo depois disso. Hoje, segundo ele, ela pode passar d\u00e9cadas nessa fase. &#8220;Eu preciso ter uma mulher ativa, funcional, tanto na cabe\u00e7a quanto no f\u00edsico&#8221;, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>&#8220;A gente sonha com esse futuro. Se eu atraso essa menstrua\u00e7\u00e3o de cinco a dez anos, imagina o ganho dela&#8221;, diz Cavalcante. A vantagem, segundo ele, seria produzir horm\u00f4nios de forma natural, sem reposi\u00e7\u00e3o hormonal sint\u00e9tica.<\/p>\n<p>Um estudo de modelagem matem\u00e1tica de 2024 projetou atraso significativo da menopausa para mulheres com menos de 40 anos. Mas os autores tratam de simula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de ensaio cl\u00ednico em mulheres saud\u00e1veis. Ou seja, essa \u00e9 uma hip\u00f3tese promissora, mas n\u00e3o comprovada clinicamente.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 dados robustos sobre efeitos de longo prazo na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> \u00f3ssea, no risco cardiovascular ou na cogni\u00e7\u00e3o, afirma Cavalcante.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 o Brasil<\/p>\n<p>No Brasil, a t\u00e9cnica ainda est\u00e1 em fase inicial e concentrada em poucos centros. O procedimento \u00e9 regulado pela Anvisa por normas sobre congelamento de tecidos germinativos, as mesmas que valem para \u00f3vulos, embri\u00f5es e espermatozoides, explica Petta.<\/p>\n<p>J\u00e1 o uso da t\u00e9cnica para adiar a menopausa em mulheres saud\u00e1veis segue restrito \u00e0 pesquisa cl\u00ednica. Segundo parecer do CFM (Conselho Federal de Medicina) de 2021, isso s\u00f3 pode ocorrer dentro de protocolos aprovados pela rede brasileira de \u00e9tica em pesquisa com seres humanos.<\/p>\n<p>Por enquanto, afirmam os especialistas, a criopreserva\u00e7\u00e3o de tecido ovariano ainda n\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo mais recomendado para quem quer preservar a fertilidade sem urg\u00eancia.<\/p>\n<p>    Todas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Discuss\u00f5es, not\u00edcias e reflex\u00f5es pensadas para mulheres<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Existe hoje um procedimento que ambiciona conseguir atrasar a menopausa em um futuro n\u00e3o t\u00e3o long\u00ednquo. 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