{"id":487750,"date":"2026-08-15T12:17:39","date_gmt":"2026-08-15T12:17:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487750\/"},"modified":"2026-08-15T12:17:39","modified_gmt":"2026-08-15T12:17:39","slug":"eles-exploravam-a-geleira-e-acharam-uma-cachoeira-de-sangue-no-caminho-a-curiosidade-levou-os-cientistas-a-revelarem-um-ecossistema-vivo-e-isolado-ha-mais-de-2-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487750\/","title":{"rendered":"Eles exploravam a geleira e acharam uma \u201cCachoeira de Sangue\u201d no caminho; a curiosidade levou os cientistas a revelarem um ecossistema vivo e isolado h\u00e1 mais de 2 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p>  <img class=\"content-first-image wp-image-2980061 size-full\" loading=\"eager\" decoding=\"sync\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cachoeira-de-sangue.jpg\" alt=\"cachoeira de sangue\" width=\"1200\" height=\"630\"  \/>A chamada \u201cCachoeira de Sangue\u201d se destaca na paisagem da Ant\u00e1rtida pela \u00e1gua vermelho-alaranjada que escorre da Geleira Taylor.Foto: National Science Fundation\/USA\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em meio aos Vales Secos de McMurdo, uma das regi\u00f5es mais \u00e1ridas da Ant\u00e1rtida Oriental, a \u201cCachoeira de Sangue\u201d chama aten\u00e7\u00e3o pela apar\u00eancia incomum. De tempos em tempos, uma \u00e1gua salgada de tom vermelho-alaranjado escorre da Geleira Taylor em dire\u00e7\u00e3o ao Lago Bonney, criando uma paisagem que parece sa\u00edda de um filme.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para a cor \u00e9 natural: a salmoura \u00e9 rica em ferro e, quando entra em contato com o ar, o elemento sofre oxida\u00e7\u00e3o e adquire uma tonalidade semelhante \u00e0 da ferrugem. O fen\u00f4meno \u00e9 t\u00e3o marcante que pode ser observado at\u00e9 mesmo em imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Micr\u00f3bios marinhos sobrevivem em meio \u00e0 \u201ccachoeira de sangue\u201d<\/p>\n<p>Apesar da apar\u00eancia incomum, a regi\u00e3o abriga um complexo ecossistema microsc\u00f3pico.\u00a0Um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41561-026-02054-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">estudo publicado em 3 de agosto na revista Nature Geoscience<\/a> identificou uma comunidade de microrganismos no gelo, na lama e nos sedimentos avermelhados pr\u00f3ximos \u00e0 extremidade da Geleira Taylor.<\/p>\n<p><a class=\"cta-discover d-flex justify-content-between align-items-center w-100\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopner noopener\" href=\"https:\/\/profile.google.com\/cp\/Cg0vZy8xMXZ5cjY4NHho\">   Fa\u00e7a como milh\u00f5es de leitores informados: siga o ND Mais no Google.  Seguir<\/a> <\/p>\n<p>As an\u00e1lises gen\u00e9ticas revelaram uma descoberta surpreendente: as amostras pr\u00f3ximas \u00e0s \u201cCataratas de Sangue\u201d \u2014 como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida a cachoeira \u2014 continham diversos eucariotos, microrganismos cujas c\u00e9lulas possuem n\u00facleo e outras estruturas delimitadas por membranas. Entre eles, estavam diatom\u00e1ceas, dinoflagelados, hapt\u00f3fitas e ciliados.<\/p>\n<p><img class=\"wp-image-2980066 size-full\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cachoeira-de-sangue-1.jpg\" alt=\"cachoeira de sangue \" width=\"1200\" height=\"630\"  \/>A \u00e1gua rica em ferro ganha a colora\u00e7\u00e3o avermelhada ao entrar em contato com o ar e escorrer pela Geleira Taylor, formando a chamada \u201cCachoeira de Sangue\u201d.Foto: Smithsonian Magazine\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mais de 60% das diatom\u00e1ceas encontradas na lama vermelha e nos sedimentos apresentavam liga\u00e7\u00f5es ancestrais com organismos marinhos. Para Andrew Allen, bi\u00f3logo marinho do Instituto Scripps de Oceanografia da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego e coautor do estudo, a descoberta foi extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cEncontrar o que \u00e9 efetivamente um pr\u00f3spero o\u00e1sis marinho em um deserto polar, a mais de 32 quil\u00f4metros do oceano, foi extraordin\u00e1rio\u201d, <a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/science\/blood-falls-marine-life-antarctica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">afirmou o bi\u00f3logo \u00e0 jornalista Laura Baisas, da Popular Science<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c1gua pode ter ficado presa sob a geleira h\u00e1 milh\u00f5es de anos<\/p>\n<p>A presen\u00e7a desses organismos tamb\u00e9m pode ajudar a responder a uma pergunta que intriga os cientistas h\u00e1 d\u00e9cadas: de onde veio a \u00e1gua salgada das \u201cCataratas de Sangue\u201d? Assista abaixo um v\u00eddeo publicado por um internauta sobrevoando o local.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2018JG004411\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Pesquisas anteriores, como as publicadas na Advancing Earth and Space Sciences<\/a>, indicam que, milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, quando a Ant\u00e1rtida era mais quente do que atualmente, o oceano pode ter avan\u00e7ado sobre parte da regi\u00e3o leste do continente. Quando as \u00e1guas recuaram, uma quantidade de \u00e1gua marinha teria ficado presa sob a Geleira Taylor.<\/p>\n<p>A geleira avan\u00e7ou sobre a regi\u00e3o h\u00e1 cerca de 2,5 milh\u00f5es de anos e, desde ent\u00e3o, a \u00e1gua teria permanecido isolada sob o gelo, criando um ambiente extremamente salino onde comunidades microbianas conseguiram persistir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A chamada \u201cCachoeira de Sangue\u201d se destaca na paisagem da Ant\u00e1rtida pela \u00e1gua vermelho-alaranjada que escorre da Geleira&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":487751,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[1966,109,107,108,82,1968,32,33,105,103,104,77933,106,110],"class_list":["post-487750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-cincia-e-espao","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-internacional","tag-notcia","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-soft-news","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117099486074890554","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=487750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487750\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/487751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=487750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=487750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=487750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}