{"id":487868,"date":"2026-08-15T14:20:17","date_gmt":"2026-08-15T14:20:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487868\/"},"modified":"2026-08-15T14:20:17","modified_gmt":"2026-08-15T14:20:17","slug":"o-que-acontece-no-cerebro-quando-o-gelado-da-uma-dor-subita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487868\/","title":{"rendered":"O que acontece no c\u00e9rebro quando o gelado d\u00e1 uma dor s\u00fabita"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/little-girl-cornet-ice-cream-isolated-blue-background-headache-544262076.html\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">luismolinero  \/ Depositphotos <\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-759886\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1679091c5a880faf6fb5e6087eb1b2dc-9-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>A \u201ccongela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro\u201d dura geralmente poucos segundos, mas continua sem uma explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica definitiva. Comer gelados ou beber l\u00edquidos muito frios mais devagar parece ser a forma mais eficaz de a evitar.<\/strong><\/p>\n<p>Com temperaturas que podem chegar aos 37 \u00b0C em alguns locais, comer um gelado ou beber algo bem fresco pode parecer uma excelente ideia.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, um pequeno risco em atacar a sobremesa gelada com entusiasmo a mais: a chamada \u201c<strong>congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Essa dor s\u00fabita e aguda \u00e9 oficialmente classificada como uma <strong>cefaleia<\/strong> provocada pelo frio. A International Headache Society descreve-a como uma dor de cabe\u00e7a causada por comer, beber ou inalar algo muito frio.<\/p>\n<p>\u201cDor de cabe\u00e7a do gelado e congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro s\u00e3o, convenhamos, express\u00f5es mais f\u00e1ceis de usar enquanto se leva a m\u00e3o \u00e0 testa, diz <strong>Adam Taylor<\/strong>, professor de anatomia na Lancaster University, num artigo no <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/got-ice-cream-brain-freeze-heres-what-is-happening-289634\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a>.<\/p>\n<p>E \u00e9 surpreendentemente comum. Num <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/31645112\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> de 2020 com 618 pessoas entre os 17 e os 63 anos, pouco mais de metade disse j\u00e1 ter sentido este tipo de dor.<\/p>\n<p>Os cientistas ainda n\u00e3o sabem ao certo o que a provoca. Em parte, porque \u00e9 dif\u00edcil estudar uma dor de cabe\u00e7a que desaparece quase t\u00e3o depressa como surge.<\/p>\n<p>O contacto de alimentos ou bebidas muito frios com o c\u00e9u da boca ou a parte de tr\u00e1s da garganta pode desencadear a dor.<\/p>\n<p>Um dos principais intervenientes parece ser o <strong>nervo trig\u00e9mio<\/strong>, um nervo de grande dimens\u00e3o que leva ao c\u00e9rebro informa\u00e7\u00e3o sobre sensa\u00e7\u00f5es, incluindo dor e temperatura, proveniente da face e de algumas zonas da boca.<\/p>\n<p>Quando o c\u00e9u da boca arrefece de repente, os investigadores pensam que o frio ativa vias nervosas que envolvem este nervo. Isso pode ajudar a explicar um dos aspetos mais estranhos da congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>O frio est\u00e1 na boca, mas a dor costuma ser sentida na testa ou nas t\u00eamporas e, por vezes, \u00e0 volta dos olhos.<\/p>\n<p>\u00c9 aquilo a que se chama <strong>dor referida<\/strong>: a dor \u00e9 sentida num local diferente daquele onde teve origem o est\u00edmulo. Pode ser por isso que o frio na boca acaba por fazer doer a testa.<\/p>\n<p>O fluxo sangu\u00edneo tamb\u00e9m pode ter um papel, embora a explica\u00e7\u00e3o seja mais complexa do que se pensava.<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC6611440\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> em que os investigadores provocaram deliberadamente congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro com \u00e1gua gelada, registaram altera\u00e7\u00f5es na velocidade do fluxo sangu\u00edneo numa art\u00e9ria que irriga o c\u00e9rebro. Outras experi\u00eancias tamb\u00e9m encontraram ind\u00edcios de mudan\u00e7as na circula\u00e7\u00e3o cerebral durante estes epis\u00f3dios.<\/p>\n<p>Por isso, a explica\u00e7\u00e3o habitual de que o frio faz os vasos sangu\u00edneos contrair e depois dilatar rapidamente \u00e9 provavelmente demasiado simples.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o atual aponta para uma intera\u00e7\u00e3o entre os sinais nervosos e altera\u00e7\u00f5es no fluxo sangu\u00edneo, mas o mecanismo exato continua por esclarecer.<\/p>\n<p>E as enxaquecas?<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro e a enxaqueca tamb\u00e9m \u00e9 menos simples do que parece.<\/p>\n<p>Alguns estudos sugerem uma liga\u00e7\u00e3o. Num <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/11442559\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> de 2001 com 669 mulheres, aquelas que tinham sofrido de enxaqueca no ano anterior apresentaram cerca do dobro da probabilidade de desenvolver uma dor de cabe\u00e7a depois de beber \u00e1gua gelada, em compara\u00e7\u00e3o com mulheres que nunca tinham tido enxaquecas.<\/p>\n<p>Outros trabalhos chegaram a resultados diferentes.<\/p>\n<p>Numa <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/1555929\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">experi\u00eancia<\/a> de 1992, as dores de cabe\u00e7a provocadas por gelados surgiram com menos frequ\u00eancia em pessoas com enxaqueca do que no grupo de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E um <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/31645112\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> maior, publicado em 2020, concluiu que quem sofre de enxaquecas n\u00e3o tem maior probabilidade de sentir congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, embora, quando isso acontece, tenda a relatar dores mais intensas.<\/p>\n<p>Em algumas pessoas com enxaqueca, a congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro pode ocasionalmente desencadear uma crise.<\/p>\n<p>O estudo de 1992 identificou um pequeno n\u00famero de casos em que isso parecia acontecer, mas os investigadores conclu\u00edram que a dor de cabe\u00e7a causada pelo gelado n\u00e3o era um desencadeador comum de enxaqueca.<\/p>\n<p>Os dois tipos de dor de cabe\u00e7a podem partilhar algumas vias da dor. Ainda assim, a rela\u00e7\u00e3o entre ambos continua longe de estar totalmente esclarecida.<\/p>\n<p>Porque parece acontecer tantas vezes \u00e0s crian\u00e7as?<\/p>\n<p>A congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro \u00e9 <strong>comum entre crian\u00e7as e adolescente<\/strong>s, embora a investiga\u00e7\u00e3o em pessoas mais jovens ainda seja relativamente limitada.<\/p>\n<p>Em 2003, um grande <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/14984231\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">inqu\u00e9rito<\/a> a 8.359 adolescentes concluiu que 41% j\u00e1 tinham sentido uma dor de cabe\u00e7a causada por gelado.<\/p>\n<p>A velocidade a que comem pode ajudar a explicar o fen\u00f3meno. Numa experi\u00eancia canadiana particularmente simples, que envolveu 145 crian\u00e7as em idade escolar, cada participante recebeu 100 ml de gelado. Um grupo teve de o comer em menos de cinco segundos, enquanto o outro demorou mais de 30 segundos<\/p>\n<p>. Cerca de 27% das crian\u00e7as que comeram mais depressa tiveram congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, contra aproximadamente 13% das que comeram com calma.<\/p>\n<p>H\u00e1, portanto, alguma base cient\u00edfica para aquela ordem t\u00e3o comum dos pais ao verem uma crian\u00e7a devorar um gelado: mais devagar.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel evitar?<\/p>\n<p>Prevenir parece ser mais f\u00e1cil do que tratar. Na experi\u00eancia canadiana, comer gelado depressa mais do que duplicou a probabilidade de surgir congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Em 2019, num outro <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/0333102419884938\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, 73% das pessoas que sofriam deste problema disseram que comer ou beber alimentos frios mais devagar reduzia a frequ\u00eancia dos epis\u00f3dios ou a intensidade da dor.<\/p>\n<p>A maioria passa muito depressa. No estudo com 618 participantes, 93% das dores de cabe\u00e7a duraram menos de 30 segundos. Mas algumas prolongam-se.<\/p>\n<p>Um estudo experimental identificou uma forma menos comum, com uma dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de quase quatro minutos.<\/p>\n<p>J\u00e1 os crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico da International Headache Society admitem que a dor possa demorar at\u00e9 dez minutos a desaparecer depois de retirado o est\u00edmulo frio.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouca investiga\u00e7\u00e3o de qualidade que mostre que truques populares, como pressionar a l\u00edngua contra o c\u00e9u da boca, fa\u00e7am a dor desaparecer mais depressa. Felizmente, a congela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro costuma resolver-se por si.<\/p>\n<p>Por isso, durante a vaga de calor, n\u00e3o h\u00e1 motivo para temer a carrinha dos gelados. Basta resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de devorar a compra como se algu\u00e9m estivesse prestes a tir\u00e1-la das m\u00e3os.<strong> Comer devagar<\/strong> pode ajudar a desfrutar do gelado sem pagar o pre\u00e7o de uma dor de cabe\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"luismolinero \/ Depositphotos A \u201ccongela\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro\u201d dura geralmente poucos segundos, mas continua sem uma explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica definitiva.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":487869,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[15585,838,116,6780,7654,32,33,117],"class_list":["post-487868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-anatomia","tag-criancas","tag-health","tag-neurociencia","tag-neurologia","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117099969430753734","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=487868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/487868\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/487869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=487868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=487868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=487868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}