{"id":487876,"date":"2026-08-15T14:25:22","date_gmt":"2026-08-15T14:25:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487876\/"},"modified":"2026-08-15T14:25:22","modified_gmt":"2026-08-15T14:25:22","slug":"ucraniano-ficou-preso-numa-gruta-da-costa-de-sintra-o-panico-da-vitima-transformou-o-resgate-numa-luta-contra-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/487876\/","title":{"rendered":"Ucraniano ficou preso numa gruta da costa de Sintra. O p\u00e2nico da v\u00edtima transformou o resgate numa luta contra o tempo"},"content":{"rendered":"<p>                \u00c9 um dos resgates mais impressionantes deste ver\u00e3o. Aconteceu na Praia da Adraga, em Sintra, onde o mar tem fama de trai\u00e7oeiro. A for\u00e7a das ondas e o p\u00e2nico do banhista obrigaram a uma opera\u00e7\u00e3o complexa. O nadador-salvador e um surfista, que o foram ajudar, acabaram tamb\u00e9m por ficar retidos. Os tr\u00eas, durante tr\u00eas horas, numa gruta<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Paredes de rocha erguem-se, recortadas pelo vento e pelo mar. Praia da Adraga, Sintra. Quem conhece as correntes desta costa, sabe como elas podem ser trai\u00e7oeiras. \u201cAviso. Perigo de afogamento. Agueiro pode matar. Na d\u00favida, n\u00e3o v\u00e1\u201d, l\u00ea-se na placa na extremidade esquerda do areal.<\/p>\n<p>26 de julho de 2026. Bandeira amarela. \u201cPor volta do meio-dia, temos um alerta de um banhista que tinha desaparecido na Praia da Adraga, numa zona rochosa, com muitas grutas\u201d, recorda Jo\u00e3o Pinheiro, nadador-salvador e presidente da Brave Heart, a associa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria respons\u00e1vel pela vigil\u00e2ncia nesta \u00e1rea. \u00c9 ele quem coordena o resgate.<\/p>\n<p>A praia transforma-se com o alerta. \u00c9 dado pela m\u00e3e do homem desaparecido, um ucraniano de 36 anos. Depois de um mergulho, o filho desaparece, precisamente, para o lado esquerdo da praia.<\/p>\n<p>\u201cUm nadador-salvador entrou logo na \u00e1gua para fazer buscas, para perceber se ainda estava dentro de \u00e1gua ou se j\u00e1 tinha sa\u00eddo pelos pr\u00f3prios meios. Verific\u00e1mos que o banhista se encontrava dentro de uma gruta\u201d, junta Jo\u00e3o Pinheiro.<\/p>\n<p>Confirma-se o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel. O mar costuma ter a sua for\u00e7a naquela dire\u00e7\u00e3o. Nem a bra\u00e7ada mais firme pode ser suficiente para contrariar as \u00e1guas.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd59ed34e511da0b332fb.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Se olhar para esta imagem, a gruta onde tudo aconteceu \u00e9 logo a primeira \u00e0 direita do areal <\/p>\n<p>\u201cEle s\u00f3 dizia que n\u00e3o conseguia sair\u201d <\/p>\n<p>O banhista acaba por encontrar um local seguro dentro da gruta. H\u00e1 areia suficiente para que a \u00e1gua nunca lhe fique acima dos joelhos. O problema \u00e9 outro: a \u00fanica sa\u00edda, tal como a \u00fanica entrada, \u00e9 pelo mar. As ondas rebentam aqui com intensidade. Com o fund\u00e3o, perde-se o p\u00e9. O perigo tem de ser enfrentado de frente. Voltar a terra obriga a mergulhar num mar que agora se teme.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma zona bastante rochosa. Qualquer movimento errado, qualquer onda um pouco maior, pode empurrar-nos contra as rochas\u201d, aponta Thomas Capucho, nadador-salvador da Brave Heart. Apesar de socorrer banhistas h\u00e1 quatro anos na costa de Cascais e Sintra, n\u00e3o tem d\u00favidas: este \u00e9 um dos resgates mais complexos em que se viu envolvido.<\/p>\n<p>Thomas \u00e9 mobilizado para a Praia da Adraga ap\u00f3s o alerta desta tarde. Acaba por ser o ponto de liga\u00e7\u00e3o entre o interior e o exterior da gruta. Entra e sai v\u00e1rias vezes. Mas n\u00e3o h\u00e1 nada como o primeiro impacto. \u201cA v\u00edtima estava em p\u00e2nico. Tent\u00e1mos tudo. Diz\u00edamos-lhe \u2018vamos sair\u2019. Ele s\u00f3 respondia que n\u00e3o queria, que n\u00e3o conseguia\u201d.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd5a7d34ed0733ba7fb8e.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Thomas Capucho \u00e9 um dos nadadores-salvadores envolvidos no resgate <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Quando Thomas entra em a\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muito que o primeiro nadador-salvador a chegar \u00e0 gruta tenta acalmar o banhista. \u00c9 um homem que conhece o mar de Sintra como poucos. Pede que n\u00e3o o identifiquemos nesta reportagem, mas conta que a sua prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica, que os mergulhos sem fato t\u00e9rmico durante o inverno, mostraram ser uma ajuda importante neste cen\u00e1rio de crise.<\/p>\n<p>Foram tr\u00eas horas dentro da gruta. E tr\u00eas homens. Porque, \u00e0 v\u00edtima e ao nadador-salvador, se junta um surfista. Por aqui, os surfistas est\u00e3o sempre prontos a ajudar quando h\u00e1 um salvamento em curso. A prancha costuma ser um apoio importante. \u00c9 o surfista quem d\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o ao drone dos Bombeiros de Almo\u00e7ageme, entretanto chamados para o local, de que est\u00e3o tr\u00eas pessoas retidas na cavidade. As imagens de drone do resgate que mostramos nesta reportagem foram gentilmente cedidas \u00e0 CNN Portugal pelo comandante desta corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTr\u00eas horas numa gruta pode ser considerada uma situa\u00e7\u00e3o extrema\u201d, classifica a psic\u00f3loga Catarina Lucas.<\/p>\n<p>Perante o susto, todos os meios empenhados <\/p>\n<p>\u201cRecebi o alerta de que estava um banhista encurralado nas pedras, com a mar\u00e9 a subir. Perante esta incerteza, e o facto de o nadador-salvador n\u00e3o estar a conseguir resolver a situa\u00e7\u00e3o sozinho, obrigou-me a ativar todos os meios que tenho dispon\u00edveis\u201d, descreve Jos\u00e9 Coelho, comandante-local da Pol\u00edcia Mar\u00edtima de\u00a0Cascais.<\/p>\n<p>A lista \u00e9 extensa: al\u00e9m de mais nadadores-salvadores da Brave Heart, a Pol\u00edcia Mar\u00edtima, os Bombeiros de Almo\u00e7ageme, a lancha salva-vidas da Esta\u00e7\u00e3o Salva-Vidas de Cascais, uma carrinha Amarok da Autoridade Mar\u00edtima Nacional e elementos da Marinha que fazem o refor\u00e7o da vigil\u00e2ncia das praias.<\/p>\n<p>E \u00e9 colocado de sobreaviso um helic\u00f3ptero da For\u00e7a A\u00e9rea \u2013 que acaba por n\u00e3o entrar em cena.<\/p>\n<p>E estar\u00e1 a perguntar-se: se o primeiro nadador-salvador a chegar \u00e0 gruta \u00e9 t\u00e3o experiente, porque \u00e9 que n\u00e3o consegue fazer o trabalho sozinho? \u201cCom a for\u00e7a das ondas, o meu colega acaba por perder os dois p\u00e9s de pato [barbatanas]. Ficou com dificuldades. Como era uma zona de rebenta\u00e7\u00e3o muito forte, n\u00e3o conseguia remover a v\u00edtima facilmente. \u00c9 um equipamento que nos permite nadar mais r\u00e1pido, cansarmo-nos menos, termos uma for\u00e7a maior na pernada\u201d, explica Thomas Capucho.<\/p>\n<p>Com o dispositivo de resgate montado, o dia de praia fica em suspenso. Est\u00e3o todos os olhos postos na gruta. Todos \u00e0 espera de um desfecho feliz. Multiplicam-se as tentativas. Nenhuma parece funcionar.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd59ed34e511da0b332fc.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Zona \u00e9 de forte rebenta\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>A mesma escarpa, outro resgate <\/p>\n<p>Este resgate complexo est\u00e1 longe de ser caso \u00fanico. O mar de Sintra \u00e9 conhecido por ser trai\u00e7oeiro \u2013 e nem todos sabem desta fama. Ter\u00e1 sido o caso de um casal russo que, em agosto de 2025, ficou preso nesta mesma escarpa, entre a Praia da Adraga e a Praia do Cavalo. Com a mar\u00e9 baixa, foram passear pelo areal e explorar as grutas. Quando deram por si, com a subida da mar\u00e9, j\u00e1 n\u00e3o era poss\u00edvel voltar. Acabaram por abrigar-se nas rochas. Foram 12 horas, durante a noite, \u00e0 espera de ajuda.<\/p>\n<p>Foram resgatados na manh\u00e3 seguinte, j\u00e1 em hipotermia. Curiosamente, quem os socorre \u00e9 o mesmo nadador-salvador que chega primeiro ao resgate da gruta.<\/p>\n<p>\u201cA costa entre Cascais e Torres Vedras tem muitas fal\u00e9sias, escarpas, praias isoladas e, em alguns s\u00edtios, areal estendido. Este tipo de costa origina muitos acidentes deste g\u00e9nero. As pessoas v\u00e3o explorar para fora da praia, descobrir grutas e cavernas, e, em algumas circunst\u00e2ncias, acabam por ficar encurraladas pela ondula\u00e7\u00e3o ou pela subida da mar\u00e9\u201d, confirma o capit\u00e3o Jos\u00e9 Coelho.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd5a6d34ed0733ba7fb8d.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Registo do salvamento que teve lugar em agosto de 2025 <\/p>\n<p>Pior do que a hipotermia, o p\u00e2nico <\/p>\n<p>De volta \u00e0 tarde de 26 de julho de 2026. Thomas entra e sai da gruta, enfrentando as grandes ondas. \u201cOs bombeiros perguntaram se quer\u00edamos levar uma manta t\u00e9rmica ou comida para a v\u00edtima, para esperarmos at\u00e9 \u00e0 mar\u00e9 vazar. S\u00f3 que decidimos que n\u00e3o era a melhor op\u00e7\u00e3o. Eles j\u00e1 estavam ali h\u00e1 duas horas e meia, com sinais de que a temperatura corporal estava a baixar. T\u00ednhamos de esperar mais quatro horas at\u00e9 \u00e0 mar\u00e9 vazar\u201d, conta.<\/p>\n<p>O sol n\u00e3o bate dentro da gruta, est\u00e1 frio. O drone dos bombeiros, equipado com uma c\u00e2mara de infravermelhos, consegue avaliar a evolu\u00e7\u00e3o da temperatura na cavidade. Mas n\u00e3o \u00e9 pelo risco de hipotermia que tudo se precipita. Se fosse essa a principal preocupa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a Pol\u00edcia Mar\u00edtima admitia esperar pela descida da mar\u00e9. Para isso, havia solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 antes o p\u00e2nico que o ucraniano vivencia dentro da gruta aquilo que se torna mais premente. \u201cA primeira coisa que a v\u00edtima me disse foi que n\u00e3o conseguia sair. Disse-lhe que tinha de ter calma, que havia muita gente c\u00e1 fora a controlar o mar, todos prontos para o ajudar\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pinheiro, habituado a coordenar resgates, segue no mesmo sentido: \u201cFicaram os tr\u00eas l\u00e1 durante tr\u00eas horas porque t\u00ednhamos uma v\u00edtima em p\u00e2nico. Tent\u00e1mos retir\u00e1-la in\u00fameras vezes, mas n\u00e3o colaborava. Al\u00e9m disso, estamos a falar de uma zona muito rochosa, muito perigosa\u201d.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd59cd34e511da0b332f8.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   C\u00e2mara de infravermelhas fazia a avalia\u00e7\u00e3o da temperatura (Cortesia: Bombeiros de Almo\u00e7ageme) <\/p>\n<p>Janela de oportunidade <\/p>\n<p>Pode parecer estranho que, quando algu\u00e9m nos oferece a ajuda que nos permite sair de uma emerg\u00eancia, n\u00e3o colaboremos. \u00c9 apenas o p\u00e2nico a falar mais alto. Os nadadores-salvadores est\u00e3o habituados, os psic\u00f3logos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cO p\u00e2nico \u00e9 um bloqueador. Estamos a falar de uma ansiedade extrema, que nos bloqueia a a\u00e7\u00e3o e tolda a capacidade de pensar. Muitas vezes, n\u00e3o nos deixa tomar as decis\u00f5es que seriam as mais ajustadas\u201d, confirma a psic\u00f3loga Catarina Lucas.<\/p>\n<p>Neste caso concreto, o c\u00e9rebro interpreta a \u00e1gua como uma amea\u00e7a. \u201cE depois h\u00e1 a imprevisibilidade. N\u00e3o sei quando \u00e9 que a onda vem e vai. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que vou em dire\u00e7\u00e3o ao perigo, mesmo que esteja ali algu\u00e9m para me ajudar\u201d, concretiza.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como podemos manter a calma numa situa\u00e7\u00e3o como esta? \u201cParar, respirar, ouvir a pessoa que est\u00e1 \u00e0 nossa frente, para depois agir em conformidade. E h\u00e1 outra coisa muito importante nestas situa\u00e7\u00f5es: confiar. Porque, por norma, a pessoa que nos est\u00e1 a ajudar sabe o que est\u00e1 a fazer\u201d, aconselha a especialista.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd59dd34e511da0b332fa.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Surfista d\u00e1 indica\u00e7\u00e3o ao drone dos bombeiros de que est\u00e3o tr\u00eas pessoas na gruta (Cortesia: Bombeiros de Almo\u00e7ageme) <\/p>\n<p>Como o mar tem o seu pr\u00f3prio ritmo, neste resgate, acaba por ser um enorme obst\u00e1culo. \u201cA rebenta\u00e7\u00e3o era constante. T\u00ednhamos um per\u00edodo de acalmia, de 15, 20 segundos. \u00c9 extremamente curto\u201d, diz Jo\u00e3o Pinheiro.<\/p>\n<p>\u201cT\u00ednhamos cerca de 30 segundos, mais ou menos, entre cada \u2018set\u2019 de ondula\u00e7\u00e3o\u201d, confirma Thomas Capucho. Menos de meio minuto. \u00c9 esta a janela de oportunidade, o tempo para conseguir escapar.<\/p>\n<p>Mais gente a arriscar <\/p>\n<p>Sabia que, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/mortes-por-afogamento\/praias\/morreram-17-pessoas-nas-praias-portuguesas-em-apenas-tres-meses\/20260803\/6a70f034d34ed0733ba7dfa2\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">todos os ver\u00f5es, h\u00e1 em m\u00e9dia sete a 10 salvamentos por dia nas praias portuguesas<\/a>. E a culpa n\u00e3o pode ser atribu\u00edda apenas a um mar mais agitado. Quem trabalha nos areais, garante que os banhistas tamb\u00e9m est\u00e3o a arriscar mais.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma falta de conhecimento daquilo que \u00e9 o mar, a praia. H\u00e1 banhistas que n\u00e3o seguem as indica\u00e7\u00f5es dos nadadores-salvadores, muitas vezes at\u00e9 reclamam, mas \u00e9 apenas para a seguran\u00e7a delas\u201d, lamenta Jo\u00e3o Pinheiro.<\/p>\n<p>Thomas Capucho concretiza: \u201cAs pessoas est\u00e3o menos conscientes. Temos v\u00e1rios casos de crian\u00e7as pequenas que os pais as deixam ir para a \u00e1gua sozinhas. H\u00e1 pessoas que v\u00eam de outros pa\u00edses, n\u00e3o conhecem o mar e arriscam. E h\u00e1 tamb\u00e9m muitos casos que nos respondem \u2018eu sei, venho aqui h\u00e1 30 anos e nunca me aconteceu nada\u2019. E acaba por acontecer\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00e3o conhecem bem as praias, perguntem aos nadadores-salvadores. S\u00e3o as pessoas indicadas para informar dos riscos que as pessoas podem correr se terminar sa\u00edrem daquela zona de conforto\u201d, recomenda Jos\u00e9 Coelho.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd5a7d34ed0733ba7fb8f.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Jo\u00e3o Pinheiro, presidente da Brave Heart, lamenta que banhistas ignorem recomenda\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p>Como acaba esta hist\u00f3ria <\/p>\n<p>\u00c9 quando o mar come\u00e7a a virar, com a ondula\u00e7\u00e3o a acalmar um bocadinho, que se abre uma oportunidade para concretizar o resgate. Est\u00e1 na hora. O banhista apresenta-se mais calmo. Tem dois cintos de salvamento \u00e0 sua volta. No horizonte, a embarca\u00e7\u00e3o salva-vidas d\u00e1-lhe um conforto adicional, mesmo que n\u00e3o se consiga aproximar, para n\u00e3o bater nas rochas.<\/p>\n<p>S\u00e3o cerca de tr\u00eas minutos e meio a separar a sa\u00edda da gruta e o areal da Adraga. Uma eternidade, porque o tempo numa emerg\u00eancia n\u00e3o segue as regras do rel\u00f3gio. O ucraniano segue rodeado por Thomas, pelo primeiro nadador-salvador que o ajudou e pelo elemento da esta\u00e7\u00e3o salva-vidas. O surfista, de prancha debaixo do bra\u00e7o, observa-os a afastarem-se no mar.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd5a5d34ed0733ba7fb8b.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Imagens do resgate mostra como foram enfrentadas as ondas (Cortesia: Bombeiros de Almo\u00e7ageme) <\/p>\n<p>As ondas v\u00e3o batendo com for\u00e7a. T\u00eam de mergulhar ao mesmo tempo para conseguir avan\u00e7ar. A coreografia repete-se. O ucraniano, sempre de m\u00e3os dadas aos homens que o acompanham. No drone dos bombeiros de Almo\u00e7ageme, v\u00eam-se outros surfistas a aproximar-se, como quem d\u00e1 indica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O banhista passa a ter p\u00e9. Cambaleia, deixa-se cair nos bra\u00e7os de quem o aguarda \u00e0 beira da \u00e1gua. Sai em bra\u00e7os, recuperando a verticalidade a cada passo. Aproxima-se uma manta t\u00e9rmica. Terra firme. O pesadelo acabou. Est\u00e1 livre da armadilha.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7dd59bd34e511da0b332f6.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Tr\u00eas horas depois, o pesadelo acaba para este ucraniano (Cortesia: Bombeiros de Almo\u00e7ageme) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 um dos resgates mais impressionantes deste ver\u00e3o. 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