{"id":488314,"date":"2026-08-15T22:13:12","date_gmt":"2026-08-15T22:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488314\/"},"modified":"2026-08-15T22:13:12","modified_gmt":"2026-08-15T22:13:12","slug":"james-webb-detecta-agua-junto-a-estrela-moribunda-perto-do-buraco-negro-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488314\/","title":{"rendered":"James Webb detecta \u00e1gua junto a estrela moribunda perto do buraco negro da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<p>O telesc\u00f3pio James Webb detetou \u00e1gua e poeira de silicato em torno de IRS 3, uma estrela moribunda a apenas 0,55 anos-luz de Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/irs3_00.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/irs3_00-720x405.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1135575\"  \/><\/a><\/p>\n<p>O telesc\u00f3pio espacial James Webb <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/esawebb.org\/news\/weic2617\/\" rel=\"nofollow noopener\">detetou \u00e1gua e poeira de silicato<\/a> em torno de IRS 3, uma estrela nos \u00faltimos est\u00e1gios de vida, l<strong>ocalizada a meros 0,55 anos-luz<\/strong> de <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/ciencia\/finalmente-foi-desvendada-a-primeira-imagem-do-buraco-negro-supermassivo-da-via-lactea\/\" rel=\"nofollow noopener\">Sagittarius A*<\/a>, o buraco negro supermassivo que ocupa o centro da nossa gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>A descoberta desafia a ideia de que a radia\u00e7\u00e3o intensa emitida pelo n\u00facleo gal\u00e1ctico impediria a forma\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia destas mol\u00e9culas.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da escala envolvida, o <strong>Sol n\u00e3o tem nenhuma vizinha estelar a menos de 4,3 anos-luz<\/strong>, a dist\u00e2ncia que nos separa de Pr\u00f3xima Centauri.<\/p>\n<p>J\u00e1 <strong>no centro da Via L\u00e1ctea<\/strong>, as estrelas chegam a estar separadas por apenas 0,4 ou at\u00e9 0,04 anos-luz entre si. Foi nesta regi\u00e3o extremamente populosa que o <strong>Webb identificou a IRS 3<\/strong>, uma estrela com seis vezes a massa do Sol e cerca de 72 milh\u00f5es de anos, atualmente a ejetar as suas camadas exteriores nas imedia\u00e7\u00f5es do buraco negro supermassivo.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/irs3_01-scaled.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/irs3_01-720x405.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1135574\"  \/><\/a><\/p>\n<p>MIRI capta o primeiro espectro cont\u00ednuo da estrela<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da IRS 3 n\u00e3o era bem conhecida. Um estudo de 2008, baseado em interferometria, tinha classificado a estrela como rica em carbono. Mas o instrumento <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/esawebb.org\/about\/instruments\/miri\/\" rel=\"nofollow noopener\">MIRI<\/a>, a bordo do Webb, obteve a 21 de abril um espectro infravermelho cont\u00ednuo in\u00e9dito da estrela, com apenas 1500 segundos de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados revelaram duas assinaturas de absor\u00e7\u00e3o reveladoras: um estiramento das liga\u00e7\u00f5es sil\u00edcio-oxig\u00e9nio aos 9,7 m\u00edcrones e uma flex\u00e3o das liga\u00e7\u00f5es oxig\u00e9nio-sil\u00edcio-oxig\u00e9nio aos 18,5 m\u00edcrones.<\/p>\n<p>Segundo os investigadores, esta rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica entre as duas profundidades \u00f3ticas, na ordem dos 3,5, s\u00f3 \u00e9 observada em estrelas ricas em oxig\u00e9nio, j\u00e1 que as estrelas ricas em carbono n\u00e3o conseguem produzir a segunda assinatura por n\u00e3o possu\u00edrem liga\u00e7\u00f5es sil\u00edcio-oxig\u00e9nio.<\/p>\n<p>Isto significa que a IRS 3 \u00e9, afinal, uma estrela rica em oxig\u00e9nio, contrariando a classifica\u00e7\u00e3o anterior de 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p>O paradoxo das gigantes vermelhas em falta<\/p>\n<p>Em teoria, a <strong>radia\u00e7\u00e3o ultravioleta intensa emitida por Sagittarius A*<\/strong> e pelo enxame estelar que o rodeia deveria dissociar as mol\u00e9culas antes que estas se conseguissem acumular. A dete\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nesta regi\u00e3o vem, assim, contrariar essa previs\u00e3o.<\/p>\n<p>O <strong>parsec central da Via L\u00e1ctea alberga milh\u00f5es de estrelas<\/strong>, e seria expect\u00e1vel que uma parte significativa delas j\u00e1 tivesse atingido a fase de gigante vermelha evolu\u00edda, dada a sua idade. No entanto, a IRS 3 \u00e9 a \u00fanica a apresentar um inv\u00f3lucro de poeira vis\u00edvel t\u00e3o pr\u00f3ximo do buraco negro, um desequil\u00edbrio que os astr\u00f3nomos apelidam de &#8220;paradoxo das gigantes vermelhas em falta&#8221;.<\/p>\n<p>A <strong>explica\u00e7\u00e3o pode estar na taxa de perda de massa da estrela<\/strong>: cerca de 6 \u00d7 10\u207b\u2075 massas solares por ano, um valor superior ao limiar necess\u00e1rio para resistir ao arrastamento provocado pela radia\u00e7\u00e3o e pelas for\u00e7as de mar\u00e9.<\/p>\n<p>Isto permite \u00e0 IRS 3 manter uma coquilha de poeira detet\u00e1vel, algo que outras estrelas semelhantes na regi\u00e3o provavelmente j\u00e1 perderam.<\/p>\n<p>Parte de um programa mais amplo<\/p>\n<p>A IRS 3 \u00e9 apenas um dos alvos do programa de observa\u00e7\u00e3o MICONIC (Mid-Infrared Characterisation of Nearby Iconic galaxy Centres), que pretende caracterizar de forma sistem\u00e1tica as propriedades infravermelhas dos n\u00facleos de gal\u00e1xias pr\u00f3ximas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Os centros gal\u00e1ticos est\u00e3o entre os ambientes mais extremos que existem; por isso, perceber se as estrelas conseguem continuar a enriquecer o seu ambiente \u00e9 uma quest\u00e3o importante.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Explicou Florian Pei\u00dfker, investigador da Universidade de Col\u00f3nia e autor principal do estudo.<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00f5es anteriores feitas com a rede ALMA <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/astrobiology.nasa.gov\/missions\/alma\/\" rel=\"nofollow noopener\">j\u00e1 tinham identificado<\/a>, a 1,6 milh\u00f5es de unidades astron\u00f3micas da estrela, uma coquilha de poeira mais fria, vest\u00edgio de material ejetado h\u00e1 milhares de anos.<\/p>\n<p>O <strong>espectro captado pelo MIRI revelou ainda outras assinaturas<\/strong> que aguardam an\u00e1lise mais aprofundada: poss\u00edveis tra\u00e7os de di\u00f3xido de carbono perto dos 15 m\u00edcrones e bandas de hidroxilo entre os 14 e os 17 m\u00edcrones.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O telesc\u00f3pio James Webb detetou \u00e1gua e poeira de silicato em torno de IRS 3, uma estrela moribunda&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":488315,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[109,107,108,78037,4363,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":["post-488314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-irs-3","tag-james-webb","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117101829625618327","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=488314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488314\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/488315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=488314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=488314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=488314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}