{"id":488444,"date":"2026-08-16T00:48:09","date_gmt":"2026-08-16T00:48:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488444\/"},"modified":"2026-08-16T00:48:09","modified_gmt":"2026-08-16T00:48:09","slug":"os-abacates-tem-uma-habilidade-bastante-surpreendente-que-ninguem-ate-agora-conseguiu-explicar-agora-os-pesquisadores-acreditam-que-resolveram-o-misterio-de-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488444\/","title":{"rendered":"Os abacates t\u00eam uma habilidade bastante surpreendente, que ningu\u00e9m at\u00e9 agora conseguiu explicar. Agora, os pesquisadores acreditam que resolveram o mist\u00e9rio de 100 anos"},"content":{"rendered":"<p>O <strong>abacateiro<\/strong> esconde um comportamento que intrigou bot\u00e2nicos por quase um s\u00e9culo: suas flores alternam entre fun\u00e7\u00f5es feminina e masculina duas vezes ao dia, em um ritmo t\u00e3o preciso que parece programado. Agora, uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis identificou o gene respons\u00e1vel por esse mecanismo, publicando os resultados no peri\u00f3dico cient\u00edfico <a href=\"https:\/\/pnas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Proceedings of the National Academy of Sciences<\/a>. A descoberta resolve um enigma com mais de cem anos e abre caminho para acelerar significativamente o melhoramento gen\u00e9tico da fruta mais consumida no mundo como gordura saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Gene antigo explica como o abacateiro alterna o sexo das flores<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o do SDMYB resolve um mist\u00e9rio bot\u00e2nico centen\u00e1rio e mostra como a flora\u00e7\u00e3o alternada do abacateiro favorece a poliniza\u00e7\u00e3o cruzada e pode acelerar novas variedades.<\/p>\n<p>\ud83e\udd51<\/p>\n<p>Flor alternada<\/p>\n<p>A flor abre em fase feminina e masculina em hor\u00e1rios diferentes para evitar autofecunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\ud83e\uddec<\/p>\n<p>Gene SDMYB<\/p>\n<p>O gene regula abertura floral, libera\u00e7\u00e3o de p\u00f3len e receptividade ao longo do dia.<\/p>\n<p>\u23f3<\/p>\n<p>Equil\u00edbrio antigo<\/p>\n<p>Duas variantes gen\u00e9ticas se mantiveram por milh\u00f5es de anos por favorecerem a reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\ud83c\udf31<\/p>\n<p>Cultivo mais r\u00e1pido<\/p>\n<p>A an\u00e1lise gen\u00e9tica pode indicar o tipo floral da muda antes da primeira flora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Resumo \u00fatil:<\/strong> a descoberta conecta evolu\u00e7\u00e3o e agricultura: entender o gene da flora\u00e7\u00e3o ajuda a planejar pomares mais eficientes e acelerar o melhoramento do abacateiro.<\/p>\n<p>O que exatamente o abacateiro faz com suas flores todos os dias?<\/p>\n<p>As flores do <strong>abacateiro<\/strong> s\u00e3o hermafroditas, mas nunca exercem as duas fun\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo. Pela manh\u00e3, a flor abre em fase feminina, pronta para receber p\u00f3len. \u00c0 tarde, fecha e reabre em fase masculina, liberando seu pr\u00f3prio p\u00f3len. No dia seguinte, o ciclo recome\u00e7a. Esse comportamento se chama <strong>dichogamia sincronizada<\/strong> e existe para evitar que a planta fecunde a si mesma, favorecendo a poliniza\u00e7\u00e3o cruzada entre \u00e1rvores diferentes.<\/p>\n<p>O que torna o sistema ainda mais sofisticado \u00e9 que os abacateiros se dividem em dois grupos, o tipo A e o tipo B, com hor\u00e1rios opostos. Quando a \u00e1rvore do tipo A est\u00e1 em fase feminina pela manh\u00e3, a do tipo B est\u00e1 em fase masculina, e vice-versa. Essa complementaridade foi descrita pela primeira vez no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, mas o mecanismo gen\u00e9tico por tr\u00e1s dela permaneceu desconhecido at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Qual foi a descoberta que resolveu o mist\u00e9rio?<\/p>\n<p>A equipe de pesquisadores analisou o genoma de 374 mudas de abacateiro, descendentes de um cruzamento entre a variedade tipo A chamada Gem e a variedade tipo B chamada Luna UCR, ambas cultivadas na Universidade da Calif\u00f3rnia em Riverside. Ao comparar o material gen\u00e9tico com o comportamento de flora\u00e7\u00e3o de cada planta, um \u00fanico ponto do cromossomo 10 se destacou com clareza acima de todos os outros. Dentro dessa regi\u00e3o, apenas um gene fazia sentido biol\u00f3gico como respons\u00e1vel pelo fen\u00f4meno: o <strong>gene SDMYB<\/strong>.<\/p>\n<p>O SDMYB pertence a uma fam\u00edlia de prote\u00ednas que atuam como reguladores mestres nas flores, controlando quando as p\u00e9talas abrem, quando o p\u00f3len \u00e9 liberado e quando a flor est\u00e1 pronta para receber p\u00f3len externo. Sua express\u00e3o oscila ao longo do dia, o que explica diretamente o ritmo de altern\u00e2ncia entre as fases feminina e masculina das flores do abacateiro.<\/p>\n<p>Por que esse gene existe em duas vers\u00f5es t\u00e3o antigas?<\/p>\n<p>O <strong>gene SDMYB<\/strong> apresenta duas variantes, chamadas alelos, que se comportam de forma an\u00e1loga aos cromossomos sexuais de outros organismos. As \u00e1rvores do tipo A carregam uma c\u00f3pia de cada variante. As do tipo B carregam duas c\u00f3pias da variante recessiva. O que surpreendeu os pesquisadores foi a antiguidade desse arranjo: ao comparar o genoma do abacateiro com o de esp\u00e9cies parentes, a equipe mostrou que as duas vers\u00f5es do SDMYB est\u00e3o presentes em pelo menos 26 esp\u00e9cies selvagens relacionadas, e que essa varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica se mant\u00e9m est\u00e1vel h\u00e1 cerca de <strong>42 milh\u00f5es de anos<\/strong>, o que a torna um dos equil\u00edbrios gen\u00e9ticos mais antigos j\u00e1 documentados em plantas com flor.<\/p>\n<p>Como esse gene se manteve est\u00e1vel por tanto tempo?<\/p>\n<p>A persist\u00eancia das duas variantes ao longo de dezenas de milh\u00f5es de anos n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. Trata-se de um fen\u00f4meno chamado polimorfismo balanceado, em que a sele\u00e7\u00e3o natural favorece a manuten\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas variantes de um gene porque cada uma oferece vantagem em determinado contexto. No caso do abacateiro, nenhuma das duas variantes do <strong>SDMYB<\/strong> sobrep\u00f5e a outra porque o sistema de poliniza\u00e7\u00e3o cruzada entre tipo A e tipo B depende justamente da coexist\u00eancia das duas. Uma floresta com apenas \u00e1rvores do tipo A teria baix\u00edssima taxa de poliniza\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.tupi.fm\/entretenimento\/essa-fruta-exotica-e-rustica-cresce-em-vagens-grossas-de-madeira-por-dentro-abriga-uma-massa-marrom-deliciosa-com-sabor-agridoce-inconfundivel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">A natureza<\/a> manteve o equil\u00edbrio porque ele \u00e9 funcionalmente necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Os abacates t\u00eam uma habilidade bastante surpreendente, que ningu\u00e9m at\u00e9 agora conseguiu explicar. Agora, os pesquisadores acreditam que resolveram o mist\u00e9rio de 100 anos\" class=\"wp-image-2460666\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Avocado_flowers_showing_reproduc\u2026_202608151408-1024x572.jpeg\"\/>Pesquisadores identificam o gene por tr\u00e1s de um mist\u00e9rio centen\u00e1rio do abacateiro<\/p>\n<p>O que essa descoberta muda para o cultivo do abacate?<\/p>\n<p>O impacto pr\u00e1tico \u00e9 consider\u00e1vel. At\u00e9 agora, os programas de melhoramento gen\u00e9tico do abacateiro precisavam esperar anos at\u00e9 que as mudas florescissem para saber se eram do tipo A ou tipo B, informa\u00e7\u00e3o essencial para montar pomares produtivos com a propor\u00e7\u00e3o correta de polinizadores. Com a identifica\u00e7\u00e3o do <strong>gene SDMYB<\/strong>, \u00e9 poss\u00edvel fazer essa classifica\u00e7\u00e3o por an\u00e1lise gen\u00e9tica simples em mudas jovens, antes mesmo da primeira flora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Os pesquisadores estimam que esse avan\u00e7o pode reduzir em anos o tempo necess\u00e1rio para desenvolver novas variedades e selecionar cruzamentos mais produtivos, especialmente para a cultivar Hass, a mais plantada e consumida no mundo.<\/p>\n<p>Uma descoberta que conecta evolu\u00e7\u00e3o antiga e agricultura moderna<\/p>\n<p>O estudo liderado por Jeffrey Groh e Graham Coop, da UC Davis, com colabora\u00e7\u00e3o das universidades da Calif\u00f3rnia em Riverside e Irvine, fecha um ciclo iniciado por bot\u00e2nicos que descreveram o comportamento incomum do <strong>abacateiro<\/strong> no in\u00edcio do s\u00e9culo XX sem conseguir explic\u00e1-lo. A frase de um pesquisador da \u00e9poca, citada no pr\u00f3prio artigo publicado na PNAS, j\u00e1 descrevia a dichogamia sincronizada do abacateiro como uma perfei\u00e7\u00e3o de regula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica sem paralelo no reino vegetal.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o do SDMYB mostra que essa perfei\u00e7\u00e3o tem uma base molecular elegante e muit\u00edssimo antiga. Um \u00fanico gene com duas variantes, mantidas em equil\u00edbrio por dezenas de milh\u00f5es de anos de sele\u00e7\u00e3o natural, coordena o comportamento reprodutivo de uma das frutas mais cultivadas e consumidas do planeta. A biologia raramente oferece respostas t\u00e3o limpas para mist\u00e9rios t\u00e3o duradouros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O abacateiro esconde um comportamento que intrigou bot\u00e2nicos por quase um s\u00e9culo: suas flores alternam entre fun\u00e7\u00f5es feminina&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":488445,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[1484,78065,55539,8462,10534,31078,78067,27,28,78069,78070,15,16,78066,14,25,26,21,22,73332,62,12,78068,13,19,20,6115,23,24,2145,78071,3970,41329,44688,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-488444","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-m","tag-abacates","tag-acreditam","tag-agora","tag-anos","tag-at","tag-bastante","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-conseguiu","tag-explicar","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-habilidade","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mist","tag-mundo","tag-news","tag-ningu","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-pesquisadores","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-que","tag-resolveram","tag-rio","tag-surpreendente","tag-t","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=488444"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488444\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/488445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=488444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=488444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=488444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}