{"id":488626,"date":"2026-08-16T06:44:29","date_gmt":"2026-08-16T06:44:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488626\/"},"modified":"2026-08-16T06:44:29","modified_gmt":"2026-08-16T06:44:29","slug":"a-cola-do-protao-pode-explicar-o-que-da-identidade-a-materia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488626\/","title":{"rendered":"A \u201ccola\u201d do prot\u00e3o pode explicar o que d\u00e1 identidade \u00e0 mat\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/www.rawpixel.com\/image\/3576763\/premium-illustration-psd-atom-structure-atomic\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Rawpixel<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-461696\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/dcff60d541a4756cdd2c8afb5333df5d-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Ao fim de 50 anos, f\u00edsicos encontram fortes ind\u00edcios sobre o que realmente mant\u00e9m a mat\u00e9ria unida.<\/strong><\/p>\n<p>O Universo \u00e9 como \u00e1gua a correr encosta abaixo. E isto n\u00e3o \u00e9 um mantra espiritual ao estilo New Age.<\/p>\n<p>As part\u00edculas e os sistemas tendem espontaneamente a passar para estados de menor energia. \u00c9 o que acontece, por exemplo, quando part\u00edculas pesadas decaem em part\u00edculas mais leves.<\/p>\n<p>Os <strong>prot\u00f5es<\/strong> est\u00e3o no fundo dessa encosta. S\u00e3o os <strong>bari\u00f5es<\/strong> mais leves, part\u00edculas subat\u00f3micas constitu\u00eddas por <strong>quarks<\/strong>, e nunca se observou o decaimento de um prot\u00e3o, explica o <a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/after-50-years-physicists-find-strong-evidence-for-what-really-holds-matter-together\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Science Alert<\/a>.<\/p>\n<p>Agora, investigadores encontraram ind\u00edcios de que uma das propriedades fundamentais do prot\u00e3o pode funcionar de forma diferente daquilo que se pensava.<\/p>\n<p>A descoberta poder\u00e1 ajudar a resolver um velho mist\u00e9rio: o que mant\u00e9m, afinal, a <strong>mat\u00e9ria unida no Universo<\/strong>?<\/p>\n<p>A aparente estabilidade do prot\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do <strong>n\u00famero bari\u00f3nico<\/strong>, uma propriedade que ajuda a distinguir mat\u00e9ria de antimat\u00e9ria.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o convencional assume que o n\u00famero bari\u00f3nico \u00e9 transportado pelos <strong>tr\u00eas quarks de val\u00eancia<\/strong> que constituem bari\u00f5es como os prot\u00f5es e os neutr\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas um novo estudo, baseado em colis\u00f5es de part\u00edculas a altas energias, apresenta agora alguns dos ind\u00edcios experimentais mais fortes at\u00e9 hoje contra esta imagem simples assente nos quarks de val\u00eancia.<\/p>\n<p>Publicado esta quinta-feira na Science, o <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.ads5962\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> apoia a hip\u00f3tese de que o n\u00famero bari\u00f3nico \u00e9, na realidade, transportado por uma <strong>\u201cjun\u00e7\u00e3o bari\u00f3nica\u201d em forma de Y<\/strong>, formada por glu\u00f5es sem massa que funcionam como a \u201ccola\u201d que mant\u00e9m os bari\u00f5es unidos.<\/p>\n<p>A ideia foi proposta na d\u00e9cada de 1970. Mas, durante d\u00e9cadas, os f\u00edsicos n\u00e3o conseguiram testar de forma adequada estas duas explica\u00e7\u00f5es concorrentes.<\/p>\n<p>\u201cOs tr\u00eas extremos da jun\u00e7\u00e3o bari\u00f3nica est\u00e3o ligados aos quarks de val\u00eancia, o que torna indistingu\u00edvel, na maioria dos processos f\u00edsicos, se \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o ou se s\u00e3o os quarks de val\u00eancia que transportam o n\u00famero bari\u00f3nico\u201d, escrevem os investigadores.<\/p>\n<p>\u201cPor esse motivo, nenhum dos cen\u00e1rios foi at\u00e9 agora confirmado experimentalmente de forma inequ\u00edvoca.\u201d<\/p>\n<p>Como tantas vezes acontece quando a f\u00edsica de part\u00edculas apresenta um problema dif\u00edcil, uma boa forma de o estudar \u00e9 fazer part\u00edculas colidirem umas com as outras a velocidades pr\u00f3ximas da velocidade da luz.<\/p>\n<p>Foi isso que fez a <strong>STAR Collaboration<\/strong>, uma vasta equipa internacional de investigadores.<\/p>\n<p>O grupo analisou os resultados de diferentes tipos de colis\u00f5es produzidas no Relativistic Heavy Ion Collider (RHIC), o acelerador e colisor de part\u00edculas do Brookhaven National Laboratory, em Nova Iorque, entretanto desativado.<\/p>\n<p>A equipa estudou <strong>colis\u00f5es fotonucleares e colis\u00f5es entre n\u00facleos isob\u00e1ricos<\/strong>. Depois, comparou os resultados com v\u00e1rios modelos computacionais que simulam colis\u00f5es de part\u00edculas a altas energias.<\/p>\n<p>As colis\u00f5es entre n\u00facleos isob\u00e1ricos envolvem n\u00facleos com o mesmo n\u00famero de massa. Os investigadores medem depois a quantidade l\u00edquida de bari\u00f5es transportada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga el\u00e9trica l\u00edquida, comparando diferentes esp\u00e9cies de n\u00facleos.<\/p>\n<p>Neste caso, foram usados n\u00facleos de \u00e1tomos de <strong>rut\u00e9nio e de zirc\u00f3nio<\/strong>.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia deveria deixar uma assinatura espec\u00edfica. Sabe-se que os quarks de val\u00eancia transportam carga el\u00e9trica, ao passo que a jun\u00e7\u00e3o bari\u00f3nica tem carga el\u00e9trica nula.<\/p>\n<p>Os investigadores descobriram que os bari\u00f5es percorrem uma dist\u00e2ncia maior atrav\u00e9s da zona de colis\u00e3o, densa e altamente energ\u00e9tica, do que a carga el\u00e9trica.<\/p>\n<p>O resultado sugere que o n\u00famero bari\u00f3nico \u00e9 transportado pela jun\u00e7\u00e3o, que perde menos velocidade do que os quarks de val\u00eancia eletricamente carregados.<\/p>\n<p>As colis\u00f5es fotonucleares permitem testar o problema de outra forma.<\/p>\n<p>Neste caso, estudam-se as intera\u00e7\u00f5es entre fot\u00f5es, as part\u00edculas da luz, e os n\u00facleos de \u00e1tomos de ouro quando passam muito perto uns dos outros a velocidades relativ\u00edsticas.<\/p>\n<p>A estas velocidades extremas, os n\u00facleos de ouro, com carga positiva, geram um campo eletromagn\u00e9tico que pode ser descrito, na pr\u00e1tica, como um fot\u00e3o virtual \u201cquase real\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando os i\u00f5es se deslocam a velocidades pr\u00f3ximas da velocidade da luz, h\u00e1 muitos fot\u00f5es em redor do n\u00facleo de ouro, que viajam com ele como uma nuvem\u201d, <a href=\"https:\/\/www.bnl.gov\/newsroom\/news.php?a=119023\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">explicou<\/a> <strong>Zhangbu Xu<\/strong>, f\u00edsico da Kent State University e membro da STAR Collaboration, num artigo anterior.<\/p>\n<p>Estes fot\u00f5es colidem depois com os n\u00facleos de ouro. Isso permite obter uma vis\u00e3o mais \u201climpa\u201d do transporte do n\u00famero bari\u00f3nico, porque todos os bari\u00f5es detetados nos \u201cdestro\u00e7os\u201d da colis\u00e3o t\u00eam necessariamente de estar associados aos n\u00facleos de ouro.<\/p>\n<p>Por outras palavras, como o fot\u00e3o incidente tem n\u00famero bari\u00f3nico zero, qualquer n\u00famero bari\u00f3nico l\u00edquido medido depois da intera\u00e7\u00e3o ter\u00e1, em \u00faltima an\u00e1lise, de vir do n\u00facleo de ouro.<\/p>\n<p>Tal como nas experi\u00eancias com is\u00f3baros, os resultados parecem estar de acordo com as previs\u00f5es da<strong> teoria de Regge<\/strong>, que incorpora uma jun\u00e7\u00e3o bari\u00f3nica de forma mais consistente do que as simula\u00e7\u00f5es baseadas nos quarks de val\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEstes resultados, apoiados por dados anteriormente divulgados pela STAR sobre <strong>colis\u00f5es Au+Au<\/strong> a v\u00e1rias energias de feixe, desfavorecem o modelo baseado nos quarks de val\u00eancia\u201d, escrevem os investigadores.<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aek0574\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">artigo<\/a> de acompanhamento publicado na mesma edi\u00e7\u00e3o da Science, <strong>Wenliang Li<\/strong>, f\u00edsico da Mississippi State University, sublinha que, embora as novas medi\u00e7\u00f5es indiquem que os glu\u00f5es podem contribuir para o transporte do n\u00famero bari\u00f3nico, n\u00e3o constituem uma medi\u00e7\u00e3o direta e rigorosamente controlada do mecanismo que est\u00e1 por tr\u00e1s desse transporte.<\/p>\n<p>Com mais investiga\u00e7\u00e3o, esta descoberta poder\u00e1 ajudar os f\u00edsicos a compreender o desequil\u00edbrio entre mat\u00e9ria e antimat\u00e9ria que tornou poss\u00edvel a exist\u00eancia do Universo tal como o vemos hoje. \u00c9 <strong>um dos maiores mist\u00e9rios da cosmologia<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rawpixel Ao fim de 50 anos, f\u00edsicos encontram fortes ind\u00edcios sobre o que realmente mant\u00e9m a mat\u00e9ria unida.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":488627,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[109,107,108,121,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":["post-488626","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-fisica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117103838913995421","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488626","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=488626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488626\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/488627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=488626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=488626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=488626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}