{"id":488934,"date":"2026-08-16T13:58:31","date_gmt":"2026-08-16T13:58:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488934\/"},"modified":"2026-08-16T13:58:31","modified_gmt":"2026-08-16T13:58:31","slug":"aeroporto-corre-risco-de-ser-inundado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/488934\/","title":{"rendered":"Aeroporto corre risco de ser inundado"},"content":{"rendered":"<p>O futuro Aeroporto Lu\u00eds de Cam\u00f5es vai ser constru\u00eddo numa zona sujeita a um risco significativo de cheia em caso de tempestades com chuva extrema. \u00ab<strong>Devido \u00e0 complexidade e extens\u00e3o da rede de canais artificiais necess\u00e1rios para desviar as linhas de \u00e1gua existentes, \u00e9 altamente vulner\u00e1vel ao efeito de precipita\u00e7\u00e3o extrema e ao remanso da rede hidrogr\u00e1fica superficial, aumentando o risco de inunda\u00e7\u00e3o interna nas pistas<\/strong>\u00bb, alerta o relat\u00f3rio da IdroAM, empresa italiana de engenharia especializada em recursos h\u00eddricos, hidr\u00e1ulica e hidrologia, com mais de 25 anos de experi\u00eancia em It\u00e1lia. \u00ab<strong>No que respeita \u00e0 \u00e1rea potencialmente inund\u00e1vel, o modelo aponta para cerca de 80 hectares afetados. Para termos uma ideia da dimens\u00e3o, estamos a falar de aproximadamente 112 campos de futebol<\/strong>\u00bb, resume Adriano Murachelli, um dos autores do estudo. Durante nove anos, foi presidente da AIAT, Associa\u00e7\u00e3o Italiana de Engenheiros do Ambiente e do Territ\u00f3rio. Agora \u00e9 o diretor t\u00e9cnico da IdroAM, que conta com a ANAS, empresa p\u00fablica italiana de estradas, a Autoridade Portu\u00e1ria de Veneza e muitas outras entidades p\u00fablicas como clientes.<\/p>\n<p>O risco de inunda\u00e7\u00e3o \u00ab<strong>ganha especial import\u00e2ncia \u00e0 luz das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/strong>\u00bb, argumenta Adriano Murachelli. Os eventos de precipita\u00e7\u00e3o extrema mais intensos e mais concentrados, no tempo e no espa\u00e7o, representam uma amea\u00e7a para o funcionamento do aeroporto. \u00ab<strong>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas saber se conseguimos resolver um problema atrav\u00e9s de obras de engenharia. A quest\u00e3o \u00e9 perceber se podemos evitar criar esse problema \u00e0 partida, atrav\u00e9s de uma melhor escolha da implanta\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00bb, considera o perito italiano.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o aeroporto vai ser constru\u00eddo sobre uma ribeira e afetar \u00ab<strong>de forma direta<\/strong>\u00bb o sistema h\u00eddrico e de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do Vale do Cobr\u00e3o, onde existe uma barragem com capacidade superior a seis milh\u00f5es de metros c\u00fabicos. \u00ab<strong>O pol\u00edgono impermeabilizado atua como um obst\u00e1culo transversal, for\u00e7ando a interrup\u00e7\u00e3o direta da Ribeira do Vale do Cobr\u00e3o. A \u00e1rea de represa a sul \u00e9 parcialmente aterrada para acomodar a infraestrutura, anulando a sua fun\u00e7\u00e3o natural de reten\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00bb, especifica o relat\u00f3rio. Esta circunst\u00e2ncia vai obrigar ao desvio da ribeira e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de quatro canais artificiais de drenagem, com uma extens\u00e3o total de aproximadamente 21 km. Como termo de compara\u00e7\u00e3o, Veneza tem 42 km de canais, de acordo com a ATVO, empresa metropolitana de transportes. O Aeroporto Lu\u00eds de Cam\u00f5es ter\u00e1 no ventre meia cidade lacustre &#8211; o que n\u00e3o deixa de ser po\u00e9tico.<\/p>\n<p>AQU\u00cdFERO AMEA\u00c7ADO <\/p>\n<p>A obra representa uma s\u00e9ria amea\u00e7a para o sistema aqu\u00edfero Tejo-Sado. \u00c9 \u00ab<strong>o mais extenso da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica<\/strong>\u00bb, nos c\u00e1lculos e na express\u00e3o da Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente. \u00ab<strong>Esta implanta\u00e7\u00e3o sobrep\u00f5e-se a manchas arenosas de elevada permeabilidade superficial, que funcionam como zonas cr\u00edticas de infiltra\u00e7\u00e3o e recarga do aqu\u00edfero. A impermeabiliza\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea compromete diretamente a renova\u00e7\u00e3o desta reserva estrat\u00e9gica de \u00e1gua<\/strong>\u00bb, descreve o relat\u00f3rio da IdroAM. \u00ab<strong>Obviamente, tudo aquilo que permitia \u00e0 \u00e1gua encontrar o pr\u00f3prio caminho e chegar \u00e0s reservas naturais vai, em parte, ficar comprometido<\/strong>\u00bb, traduz In\u00eas Antunes, coautora do estudo. Na opini\u00e3o desta engenheira civil, formada no Instituto Superior T\u00e9cnico (IST) e doutorada pela Universidade de Parma, s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para se perceber o impacto ambiental do aeroporto. Em qualquer caso, ressalva que \u00ab<strong>\u00e9 importante ter respeito pelo sistema h\u00eddrico natural<\/strong>\u00bb.<\/p>\n<p>O GEOTA &#8211; Grupo de Estudos de Ordenamento do Territ\u00f3rio e Ambiente publicou esta semana um parecer com uma lista extensa de problemas ambientais de uma empreitada \u00ab<strong>megal\u00f3mana<\/strong>\u00bb. Sobre o aqu\u00edfero, \u00ab<strong>o crescimento urbano imposs\u00edvel de controlar \u00e9 um risco para a reserva estrat\u00e9gica de \u00e1gua da regi\u00e3o de Lisboa e do pa\u00eds, equivalente a 13 Alquevas<\/strong>\u00bb. Esta organiza\u00e7\u00e3o ambientalista lamenta a \u00ab<strong>destrui\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00bb de 7 mil hectares de \u00e1rea agroflorestal e o abate de perto de 250 mil sobreiros. Por isso, \u00e9 contra o encerramento do aeroporto da Portela e a transfer\u00eancia dos avi\u00f5es para o extremo oriental do Campo de Tiro de Alcochete, a mais de 50 quil\u00f3metros de Lisboa &#8211; \u00ab<strong>o principal motor s\u00e3o os neg\u00f3cios da constru\u00e7\u00e3o e do imobili\u00e1rio<\/strong>\u00bb.<\/p>\n<p>O estudo foi encomendado pela Associa\u00e7\u00e3o de Moradores da Mata do Duque II, que apresentou ao Governo uma proposta de implanta\u00e7\u00e3o cinco quil\u00f3metros a ocidente da prevista. Na modela\u00e7\u00e3o da IdroAM, essa alternativa reduz o volume potencial de inunda\u00e7\u00e3o de 720 mil para 140 mil metros c\u00fabicos &#8211; cerca de 80%. A \u00e1rea inund\u00e1vel cai de 80 para 18 hectares e os canais artificiais necess\u00e1rios baixam de 21 para 5,7 quil\u00f3metros. O relat\u00f3rio conclui que oferece uma capacidade de resposta muito superior a uma cheia extrema. \u00ab<strong>Pequenas diferen\u00e7as \u00e0 escala do mapa podem ser muito significativas \u00e0 escala da \u00e1gua<\/strong>\u00bb, sentencia In\u00eas Antunes. <\/p>\n<p>MINISTRO METE \u00c1GUA <\/p>\n<p>Em fevereiro, a seguir aos dias de maior tempestade na Grande Lisboa, a TVI foi a primeira televis\u00e3o a filmar a bacia hidrogr\u00e1fica que ficar\u00e1 parcialmente aterrada. \u00ab<strong>Temos um problema grave. \u00c9 que h\u00e1 aqui v\u00e1rias zonas que s\u00e3o alagadi\u00e7as. O local \u00e9 o mais propenso a ser invadido em leito de cheia<\/strong>\u00bb, declarou nessa reportagem Paulino Pereira, professor do Instituto Superior T\u00e9cnico. \u00ab<strong>Azar dos T\u00e1voras, puseram a pista e as infraestruturas aeron\u00e1uticas na ponta oriental do campo de tiro. Quanto mais pr\u00f3ximas de Lisboa fossem implantadas, melhor seria<\/strong>\u00bb, concluiu aquele perito em Hidr\u00e1ulica, dando raz\u00e3o \u00e0 proposta alternativa dos moradores.<\/p>\n<p>O ministro das Infraestruturas e Habita\u00e7\u00e3o resolveu desmentir a reportagem, numa declara\u00e7\u00e3o filmada no seu gabinete, para as redes sociais. \u00ab<strong>As imagens que viste foram filmadas cerca de cinco quil\u00f3metros fora do per\u00edmetro do projeto<\/strong>\u00bb, acusou Miguel Pinto Luz. Por escrito, posteriormente, admitiu que \u00ab<strong>existe, de facto, uma linha de \u00e1gua, a Ribeira de Vale do Cobr\u00e3o, na proximidade do novo aeroporto de Lisboa (NAL)<\/strong>\u00bb.<\/p>\n<p>Ora, a ribeira n\u00e3o fica \u00ab<strong>a cinco quil\u00f3metros<\/strong>\u00bb, nem \u00ab<strong>na proximidade<\/strong>\u00bb. Ambas as afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o falsas. A ribeira fica l\u00e1 dentro, como patente na reportagem. \u00ab<strong>A implementa\u00e7\u00e3o do aeroporto obriga ao desvio da ribeira do Vale do Cobr\u00e3o, que atravessa a \u00e1rea de implanta\u00e7\u00e3o do NAL<\/strong>\u00bb, est\u00e1 escrito no relat\u00f3rio t\u00e9cnico da concession\u00e1ria, entregue ao ministro no dia 16 de julho.<\/p>\n<p>Feito este acerto geogr\u00e1fico, falta enfrentar a quest\u00e3o de fundo. \u00ab<strong>Refor\u00e7amos, no entanto, que apesar da exist\u00eancia desta ribeira, a zona n\u00e3o \u00e9 considerada \u201cleito de cheia\u201d<\/strong>\u00bb, garantia o ministro na resposta \u00e0 TVI. Para negar a inunda\u00e7\u00e3o patente nas imagens televisivas, Miguel Pinto Luz exibiu gr\u00e1ficos da ferramenta europeia Copernicus. O relat\u00f3rio da IdroAM tamb\u00e9m j\u00e1 lhe foi enviado, pela comiss\u00e3o de moradores.<\/p>\n<p>A engenharia moderna consegue aeroportos no mar. Disparam os custos e aumentam os riscos. \u00ab<strong>Costuma dizer-se que um bom marinheiro consegue sair de situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, mas um excelente marinheiro evita entrar nelas. Em engenharia acontece exatamente o mesmo<\/strong>\u00bb, adverte In\u00eas Antunes. Miguel Pinto Luz \u00e9 engenheiro em Eletrot\u00e9cnica e Computadores, igualmente formado no IST. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O futuro Aeroporto Lu\u00eds de Cam\u00f5es vai ser constru\u00eddo numa zona sujeita a um risco significativo de cheia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":488935,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[50628,836,27,28,315,78146,476,1859,15,16,301,14,82,45642,25,26,186,21,22,831,3001,62,4104,12,13,19,20,45643,52,32,23,24,33,78145,58,2836,17,18,29,30,31,3192],"class_list":["post-488934","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-aeroporto-luis-de-camoes","tag-analise","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cultura","tag-desvio-da-ribeira","tag-economia","tag-entrevistas","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-headlines","tag-internacional","tag-jornal-sol","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-lifestyle","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-multimedia","tag-mundo","tag-nascer-do-sol","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao-ultimas","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-risco-de-inundacao","tag-sociedade","tag-sol","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-vida"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=488934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488934\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/488935"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=488934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=488934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=488934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}