{"id":489130,"date":"2026-08-16T17:45:33","date_gmt":"2026-08-16T17:45:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/489130\/"},"modified":"2026-08-16T17:45:33","modified_gmt":"2026-08-16T17:45:33","slug":"de-martelo-na-mandibula-a-anabolizantes-machosfera-alimenta-obsessao-por-aparencia-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/489130\/","title":{"rendered":"De martelo na mand\u00edbula a anabolizantes: machosfera alimenta obsess\u00e3o por apar\u00eancia, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/>Foto: Harvard Catalyst\/Harvard University<\/p>\n<p>Roberto Olivardia Professor na Faculdade de Medicina de Harvard e coautor do livro &#8216;O Complexo de Ad\u00f4nis&#8217;<\/p>\n<p>Professor na Faculdade de Medicina de Harvard, Roberto Olivardia \u00e9 coautor do c\u00e9lebre livro O Complexo de Ad\u00f4nis: a Obsess\u00e3o Masculina pelo Corpo, que descreveu de forma in\u00e9dita os dist\u00farbios de imagem corporal, a obsess\u00e3o pela musculatura e os transtornos alimentares em homens. Mais de duas d\u00e9cadas ap\u00f3s o lan\u00e7amento da obra, a tem\u00e1tica ganha contornos mais preocupantes com o surgimento da subcultura digital do looksmaxxing, como ficou conhecida a busca pela maximiza\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia. <\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o est\u00e1 definitivamente pior com as <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/rede-social\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/rede-social\">redes sociais<\/a>, n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida\u201d, relata Olivardia ao <strong>Pulsa<\/strong>. \u201cComecei a receber no consult\u00f3rio pacientes mais jovens do que jamais atendi antes.\u201d<\/p>\n<p>O termo Complexo de Ad\u00f4nis foi usado no livro para analisar a dismorfia muscular, ou vigorexia, transtorno psicol\u00f3gico caracterizado por uma insatisfa\u00e7\u00e3o doentia com o pr\u00f3prio corpo. Olivardia alerta que agora o risco escalou de forma a amea\u00e7ar a integridade f\u00edsica dos pacientes. \u201cCom o looksmaxxing, em particular, a situa\u00e7\u00e3o foi muito al\u00e9m, partindo para pr\u00e1ticas muito perigosas e puramente prejudiciais\u201d, acredita o autor. \u201cDesde usar um pequeno martelo na mand\u00edbula at\u00e9 <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/cirurgia-plastica\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/cirurgia-plastica\">cirurgias pl\u00e1sticas<\/a> extremamente radicais e o uso de esteroides anabolizantes.\u201d<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Para o especialista, a quest\u00e3o \u00e9 indissoci\u00e1vel do fen\u00f4meno da machosfera, subcultura que preza pela superioridade masculina e se popularizou na internet com o crescimento das redes sociais. \u201cO maior problema com isso e com os pacientes que atendo \u00e9 essa ilus\u00e3o de que, se algu\u00e9m tiver uma determinada apar\u00eancia, todas as coisas lhe ser\u00e3o concedidas: que ter\u00e3o mulheres ou homens atra\u00eddos por eles, ser\u00e3o totalmente respeitados e estar\u00e3o livres de qualquer tipo de rejei\u00e7\u00e3o ou cr\u00edtica.\u201d <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Leia abaixo os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a origem desse fen\u00f4meno conhecido como looksmaxxing?<\/p>\n<p>O looksmaxxing \u00e9, de certa forma, um n\u00edvel exacerbado do que temos visto ao longo de duas d\u00e9cadas, que \u00e9 essa press\u00e3o crescente sobre como as pessoas devem parecer. Eu me especializei em trabalhar com meninos e homens nos \u00faltimos 30 anos. Come\u00e7amos a ver essa press\u00e3o em revistas fitness, estrelas de cinema e publicidade. O surgimento das redes sociais, por outro lado, jogou gasolina nessa fogueira. Hoje, vemos pessoas com acesso, 24 horas por dia, a indiv\u00edduos que est\u00e3o engajados em modifica\u00e7\u00f5es extremas da imagem corporal, enviando muitas mensagens prejudiciais sobre essa esp\u00e9cie de responsabilidade ou obriga\u00e7\u00e3o de estar na sua melhor forma. <\/p>\n<p>As mulheres tamb\u00e9m enfrentam press\u00e3o est\u00e9tica, mas por que o looksmaxxing \u00e9 direcionado ao g\u00eanero masculino? <\/p>\n<p>Isso come\u00e7ou a mudar entre o fim dos anos 1970 e in\u00edcio dos 1980, quando houve mais igualdade de g\u00eanero. E tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o entre os homens para, de alguma forma, maximizar suas pr\u00f3prias formas de masculinidade. Como a masculinidade sempre esteve atrelada aos m\u00fasculos e ao corpo, n\u00e3o foi coincid\u00eancia que tenhamos visto uma escalada no uso de esteroides e o aumento dos transtornos alimentares nesse grupo, algo que realmente n\u00e3o v\u00edamos em homens antes da d\u00e9cada de 1980 ou que estava come\u00e7ando a aumentar. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Existe um elemento pol\u00edtico no looksmaxxing que \u00e9 um pouco diferente do que v\u00edamos antes porque muitos dos influenciadores que promovem isso trazem um forte tom mis\u00f3gino. S\u00e3o ideias como: \u2018Voc\u00ea precisa ser homem e, se tiver o tipo de corpo que deseja, n\u00e3o ser\u00e1 rejeitado pelas mulheres\u2019 ou \u2018Deus me livre uma mulher tomar a decis\u00e3o de n\u00e3o ficar com voc\u00ea, voc\u00ea n\u00e3o pode deixar isso acontecer. Voc\u00ea precisa assumir o controle\u2019. A mensagem agora, que \u00e9 muito diferente da que v\u00edamos 20 anos atr\u00e1s, \u00e9 algo na linha: \u2018N\u00e3o d\u00ea \u00e0s mulheres nem sequer a capacidade de tomar uma decis\u00e3o. Se voc\u00ea for perfeito, se for o esp\u00e9cime perfeito, elas simplesmente ficar\u00e3o hipnotizadas e seguir\u00e3o cada passo seu\u2019. <\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>Professor de Harvard alerta sobre o aumento de dist\u00farbios de imagem corporal em homens devido \u00e0 press\u00e3o das redes sociais e subculturas digitais\u00a0Foto:  Elena\/Adobe Stock <\/p>\n<p>Podemos associar o movimento aos influenciadores digitais que defendem ideais radicais de masculinidade, como Clavicular e os irm\u00e3os Andrew e Tristan Tate?<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Com certeza, esses s\u00e3o os pesos-pesados. O nome do Clavicular \u00e9 muito citado no meu consult\u00f3rio. Uma das perguntas que fa\u00e7o agora para os novos pacientes \u00e9 quem eles seguem nas redes sociais. E costumam ser os mesmos nomes. O Clavicular \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico por se tratar de um jovem que passou por cirurgias est\u00e9ticas significativas, \u00e9 extremamente cr\u00edtico e, francamente, sexista na forma como fala. Ao mesmo tempo, parece n\u00e3o ter relacionamentos. Ent\u00e3o, \u00e9 quase como se pud\u00e9ssemos pensar: \u2018Bem, o que isso est\u00e1 trazendo (de benef\u00edcios na vida dele) no longo prazo?\u2019 Exceto pelo fato de que, claramente, est\u00e1 permitindo 15 minutos de fama. Voc\u00ea tem aten\u00e7\u00e3o, mas isso est\u00e1 realmente trazendo amor, conex\u00e3o? Porque, no fundo, \u00e9 isso que todos n\u00f3s desejamos: amor, aceita\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o. Muitos desses influenciadores est\u00e3o lutando contra os seus pr\u00f3prios dem\u00f4nios. Andrew Tate, pelo que foi acusado <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/internacional\/influenciadores-misoginos-andrew-e-tristian-tate-sao-presos-nos-eua\/?srsltid=AfmBOoogGVGaKkknzRZuTFlGnUk5mLGGYLKJz6Hp4Nn6uRlkgqixc6eK\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">(ele e o irm\u00e3o, Tristan, enfrentam acusa\u00e7\u00f5es de estupro, tr\u00e1fico humano e explora\u00e7\u00e3o sexual)<\/a>, obviamente n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que eu gostaria que fosse um modelo de comportamento para o meu filho. Mas essas s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o propagando esse tipo de conselho.<\/p>\n<p>Qual a origem e como explicar pr\u00e1ticas como bonesmashing (martelar os ossos da mand\u00edbula para ressalt\u00e1-la) e mewing (exerc\u00edcios para aumentar a defini\u00e7\u00e3o facial), al\u00e9m da busca pelos chamados \u201colhos de ca\u00e7ador\u201d (hunter eyes)?<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">O tema comum \u00e9 a ideia de tentar acentuar ou exagerar o que \u00e9 culturalmente visto como tra\u00e7o masculino: mand\u00edbula marcada, m\u00fasculos grandes, p\u00eanis grande, tronco largo e cabelo farto. Todas essas coisas. Algumas pr\u00e1ticas eu, honestamente, nem sei de onde as pessoas tiram. Parte disso tem a ver com influenciadores. \u00c0s vezes, quem tem a ideia mais maluca ou absurda acaba atraindo mais aten\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Anos atr\u00e1s, tive um paciente que batia com um martelo na mand\u00edbula para esculpi-la. O consenso diagn\u00f3stico era de que ele sofria de transtorno dism\u00f3rfico corporal, mas de uma forma quase psic\u00f3tica. Atualmente, quando algo se torna mais comum, nem sempre \u00e9 esse o caso. H\u00e1 coisas que meus pacientes fazem e eu penso: \u2018Isso nem sequer produz, anatomicamente, o efeito que eles acham que est\u00e1 produzindo\u2019. Hoje em dia, h\u00e1 uma infinidade de produtos dispon\u00edveis e as pessoas conseguem encomend\u00e1-los facilmente. J\u00e1 trabalhei com meninos de 11 ou 12 anos que usam esteroides anabolizantes e se envolvem em pr\u00e1ticas que lhes causam danos. <\/p>\n<p>Os grupos virtuais em redes como Discord, WhatsApp e Telegram t\u00eam vocabul\u00e1rio espec\u00edfico. A press\u00e3o est\u00e9tica dos anos 2000 evoluiu para a comunidade de looksmaxxing que existe hoje? Qual \u00e9 a conex\u00e3o?<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Quando voc\u00ea v\u00ea esse tipo de vocabul\u00e1rio dentro de comunidades, geralmente \u00e9 uma tentativa de criar um sentimento de pertencimento. E isso tamb\u00e9m pode funcionar de formas positivas, nem sempre \u00e9 negativo por si s\u00f3. Pessoas em um time de atletismo, por exemplo, podem ter certas palavras-c\u00f3digo. Isso cria um senso de comunidade de modo que as pessoas que est\u00e3o de fora simplesmente n\u00e3o entendem, porque agora eles t\u00eam sua pr\u00f3pria linguagem. \u00c9 quase como uma minicultura, e toda cultura tem sua pr\u00f3pria l\u00edngua, pr\u00e1ticas e jeito de fazer as coisas. Quando voc\u00ea tem esses mundos online, fica mais dif\u00edcil de entrar. <\/p>\n<p class=\"ads-placeholder-label\">CONTiNUA AP\u00d3S PUBLICIDADE<\/p>\n<p>N\u00e3o estou atualizado sobre todos eles, mas tive de aprender um pouco desse vocabul\u00e1rio. E isso n\u00e3o \u00e9 por acaso. Faz parte daquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00f3s sabemos do que estamos falando\u201d, o que \u00e0s vezes \u00e9 muito parecido com as culturas de fisiculturismo, onde existem certas palavras sobre esteroides e afins. Se algu\u00e9m n\u00e3o conhece de verdade, n\u00e3o faz parte da comunidade. \u00c9 normal todo mundo querer se sentir parte de alguma comunidade. Penso que os pacientes com quem trabalho gravitam em torno disso porque est\u00e3o realmente buscando conex\u00e3o. E eu digo a eles que n\u00e3o h\u00e1 nada de errado com esse valor. O valor da conex\u00e3o \u00e9 humano. No entanto, o caminho pelo qual voc\u00ea est\u00e1 tentando chegar l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 realmente o que vai propiciar o que voc\u00ea precisa. <\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<p>H\u00e1 uma pr\u00e1tica espec\u00edfica em que integrantes desses grupos virtuais postam uma selfie e pedem para os demais darem uma nota a eles. Essas avalia\u00e7\u00f5es podem causar danos psicol\u00f3gicos?<\/p>\n<p>Isso \u00e9 terr\u00edvel. \u00c9 terr\u00edvel porque, para come\u00e7ar, o simples fato de postar algo e basicamente colocar o poder nas m\u00e3os de outra pessoa para dizer se voc\u00ea tem valor vai muito al\u00e9m de um \u2018estou bonito aqui?\u2019. A mensagem por tr\u00e1s disso \u00e9: \u2018Eu sou uma pessoa de valor?\u2019. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Tenho pacientes que j\u00e1 postaram nesses f\u00f3runs e eu li o que as pessoas dizem. Alguns coment\u00e1rios s\u00e3o simplesmente brutais. Alguns s\u00e3o de pessoas bem-intencionadas, mas que dizem coisas como: \u2018Ah, ficou legal. Mas voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir um encontro com essa mand\u00edbula. Ent\u00e3o, eu recomendaria um implante de queixo\u2019. Isso para um jovem de 17 anos. \u00c9 como se as pessoas que buscam isso n\u00e3o estivessem apenas perguntando, em um n\u00edvel mais profundo, \u2018Como eu estou?\u2019. O que elas est\u00e3o realmente perguntando \u00e9 o quanto s\u00e3o dignas de valor. Essa \u00e9 a parte realmente triste, porque h\u00e1 muitas pessoas que lutam com a autoestima geral e elas supercompensam tentando achar que uma apar\u00eancia perfeita vai compensar isso. E n\u00e3o vai.<\/p>\n<p>Voc\u00ea atende pacientes bem jovens. Como eles e os pais podem lidar com isso? Existe uma sa\u00edda para esse problema?<\/p>\n<p>Para os pais, acho que o primeiro passo, e o mais importante, \u00e9 perguntar aos filhos quem eles est\u00e3o seguindo e dar uma olhada no conte\u00fado desses influenciadores. Antes de criticar ou dizer \u2018meu Deus, isso \u00e9 horr\u00edvel, por que voc\u00ea est\u00e1 ouvindo isso?\u2019, o ideal \u00e9 se aproximar e pedir que o filho explique por que aquela pessoa chama a aten\u00e7\u00e3o dele. Porque a realidade \u00e9 que, se eles se sentem conectados ou ouvem aquela mensagem, eles sentem que fazem parte de uma comunidade. Se voc\u00ea simplesmente detonar tudo isso, eles v\u00e3o pensar que voc\u00ea est\u00e1 detonando eles tamb\u00e9m. <\/p>\n<p>Se o seu filho segue o Andrew Tate, por exemplo, a \u00faltima coisa que voc\u00ea quer fazer \u00e9 perguntar: \u2018Me conta o que voc\u00ea gosta no Andrew Tate\u2019. Mas \u00e9 importante entender qual \u00e9 o atrativo. S\u00f3 porque seu filho adolescente segue o Andrew Tate n\u00e3o significa que ele concorde com tudo o que ele diz. Ao mesmo tempo, o importante \u00e9 descobrir onde est\u00e1 o interesse e se esse mesmo interesse pode ser suprido de uma forma mais saud\u00e1vel. Porque, mesmo que ele n\u00e3o defenda toda aquela filosofia, quando voc\u00ea ouve a mesma coisa repetidamente, \u00e9 muito f\u00e1cil que aquilo acabe se normalizando. E depois, claro, h\u00e1 a necessidade de limitar o uso das redes sociais.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 poss\u00edvel quebrar esse ciclo? <\/strong><\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">Com os jovens que eu atendo, funciona da mesma forma. Eu pergunto: \u2018Quais valores voc\u00ea est\u00e1 realmente buscando e como encontr\u00e1-los?\u2019. Mas o que eu percebo que mais ajuda os jovens, curiosamente, \u00e9 quando eles sentem que est\u00e3o sendo manipulados de alguma forma. N\u00e3o pelos cr\u00edticos, ou seja, n\u00e3o sendo manipulados por pessoas como eu, que dizem \u2018ah, n\u00e3o ou\u00e7a isso\u2019. Mas quando eles percebem que algu\u00e9m como o Clavicular diz coisas absurdas s\u00f3 para chamar a aten\u00e7\u00e3o, ganhar curtidas e faturar muito dinheiro com isso, e que eles fazem parte dessa engrenagem. A\u00ed os jovens caem na real. Eles percebem que algumas dessas pessoas talvez n\u00e3o acreditem nem na metade do que dizem ou que simplesmente n\u00e3o se importam com os outros. Isso traz uma perspectiva diferente, que \u00e9 algo como: \u2018T\u00e1, o que eu estou seguindo de verdade?\u2019. <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\">N\u00e3o tem nada de errado em querer ter uma boa apar\u00eancia. Mas \u00e9 preciso ter equil\u00edbrio e n\u00e3o fazer nada que seja prejudicial. A \u00fanica certeza que temos \u00e9 que a nossa apar\u00eancia vai mudar. Todos n\u00f3s estaremos diferentes daqui a 20 anos. N\u00e3o significa que estaremos feios, mas estaremos diferentes. J\u00e1 o nosso senso de humor, nossa intelig\u00eancia e a forma como nos relacionamos com as pessoas permanecem praticamente os mesmos ao longo da vida. Ent\u00e3o, se focarmos nossa energia nessas coisas, teremos mais controle e mais certeza sobre o futuro. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o podemos comer bem, nos exercitar e nos sentir bem com o nosso corpo, mas isso \u00e9 apenas uma parte de um conjunto maior.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\"> <strong>Reportagem: Jhulia Caballero, Sarah Cardoso, Nathalia Tetzner, Maria Raquel Brito e Rodrigo Matana<\/strong><\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\"><strong>Expediente<\/strong><\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\"><strong>4\u00ba Curso Estad\u00e3o de Jornalismo de Sa\u00fade<\/strong> <\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 fVfMho theme-default  theme-pulsa\"><strong>Rep\u00f3rteres:<\/strong> Adan Neto, Beatriz Garcia, Bruno Felix, Enrico Souto, Fabr\u00edcia Braga, Francielly Barbosa, Gabriella Braz, Gilberto Barbosa, Giovana Abrantes, Giovanna Massaro, Jhulia Caballero, Jo\u00e3o Marcello Santos, L\u00f3ren Souza, Lucas Allabi, Maria Raquel Brito, Nathalia Tetzner, Paloma Xavier, Rodrigo Matana, Sarah Cardoso Nogueira e Vit\u00f3ria Floro <strong>|<\/strong> <strong>Coordena\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o:<\/strong> Carla Miranda e \u00cdtalo R\u00f4many <strong>| Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> Eliane Damaceno e Victor Hugo Mendes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foto: Harvard Catalyst\/Harvard University Roberto Olivardia Professor na Faculdade de Medicina de Harvard e coautor do livro &#8216;O&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":489131,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1088,26465,5480,4021,7758,78166,5484,11389,78167,78168,7669,78169,14149,78170,78171,1371,4030,4031,78172,4192,116,389,183,1101,11404,186,1107,78173,4197,9620,62941,7368,4037,4038,78174,60240,78175,1112,1113,20375,78176,32,78177,4041,78178,33,117,2686,4048,4049,20729,62945,4053,26556,5514,51996],"class_list":["post-489130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-activity","tag-adolescence","tag-appearance","tag-arm","tag-athletic","tag-biceps","tag-body","tag-boy","tag-bulging","tag-checking","tag-child","tag-defect","tag-disorder","tag-dysmorphia","tag-dysmorphic","tag-exercise","tag-fit","tag-fitness","tag-flaw","tag-hand","tag-health","tag-healthy","tag-home","tag-human","tag-kid","tag-lifestyle","tag-male","tag-masculinity","tag-men","tag-mental-health","tag-mirror","tag-muscle","tag-muscles","tag-muscular","tag-muscularity","tag-obsession","tag-obsessive","tag-people","tag-person","tag-physical","tag-physique","tag-portugal","tag-pose","tag-power","tag-preoccupation","tag-pt","tag-saude","tag-sport","tag-strength","tag-strong","tag-teen","tag-teenager","tag-workout","tag-worry","tag-young","tag-youth"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/489130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=489130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/489130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/489131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=489130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=489130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=489130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}