{"id":489196,"date":"2026-08-16T18:47:14","date_gmt":"2026-08-16T18:47:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/489196\/"},"modified":"2026-08-16T18:47:14","modified_gmt":"2026-08-16T18:47:14","slug":"mineral-reforca-hipotese-sobre-origem-da-cratera-em-sp-16-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/489196\/","title":{"rendered":"Mineral refor\u00e7a hip\u00f3tese sobre origem da cratera em SP &#8211; 16\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/andancas-na-metropole\/2026\/01\/cratera-de-colonia-pode-virar-geoparque-mundial-da-unesco.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cratera de Col\u00f4nia<\/a>, na zona sul paulistana, de fato resulta do<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2021\/12\/pesquisa-confirma-que-objeto-extraterrestre-gerou-cratera-na-zona-sul-de-sp.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> impacto de um corpo celeste<\/a> h\u00e1 milh\u00f5es de anos. A conclus\u00e3o \u00e9 de um artigo publicado em abril deste ano na revista <a href=\"https:\/\/journals.nasspublishing.com\/index.php\/eps\/article\/view\/3117\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Earth and Planetary Science<\/a>.<\/p>\n<p>O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/usp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">USP<\/a> (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sao-paulo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">S\u00e3o Paulo<\/a>) e do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Log\u00edstica de S\u00e3o Paulo (Semil).<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/saopaulo\/2015\/01\/1570933-bairro-em-sp-cresce-dentro-de-cratera-de-milhoes-de-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">cratera de Col\u00f4nia<\/a> tem aproximadamente 3,6 quil\u00f4metros de di\u00e2metro e est\u00e1 localizada no distrito de Parelheiros, a cerca de 40 km do centro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese da forma\u00e7\u00e3o por um <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2021\/12\/pesquisa-confirma-que-objeto-extraterrestre-gerou-cratera-na-zona-sul-de-sp.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">impacto j\u00e1 \u00e9 conhecida<\/a> a partir de pesquisas anteriores do ge\u00f3logo Victor Vel\u00e1zquez Fernandez, professor da USP, e sua equipe.<\/p>\n<p>O novo estudo, do qual o docente tamb\u00e9m faz parte, analisou as deforma\u00e7\u00f5es de um mineral presente em amostras extra\u00eddas em diferentes profundidades da cratera chamado zirc\u00e3o.<\/p>\n<p>Marcas microsc\u00f3picas preservadas no interior desse mineral s\u00f3 poderiam ter sido formadas por condi\u00e7\u00f5es extremas de press\u00e3o e temperatura, dizem os autores. Os novos dados sugerem que a origem por impacto continua sendo a \u00fanica interpreta\u00e7\u00e3o compat\u00edvel para a cratera.<\/p>\n<p>O zirc\u00e3o \u00e9 um mineral composto de silicato de zirc\u00f4nio que, como acontece com outros cristais, tem uma estrutura que n\u00e3o responde da mesma maneira em todas as dire\u00e7\u00f5es, afirma a ge\u00f3loga Aleth\u00e9a Sallun, pesquisadora do IPA e coautora do estudo.<\/p>\n<p>Utilizando an\u00e1lise microsc\u00f3pica, os autores observaram cicatrizes internas e outras deforma\u00e7\u00f5es causadas na rocha pelo choque em um conjunto de gr\u00e3os de zirc\u00e3o coletados.<\/p>\n<p>&#8220;As fei\u00e7\u00f5es observadas t\u00eam caracter\u00edsticas geom\u00e9tricas compat\u00edveis com uma deforma\u00e7\u00e3o por choque&#8221;, diz ela. &#8220;Olhos n\u00e3o treinados podem confundir marcas de impacto com fraturas de estresse tect\u00f4nico comum ou zoneamento de crescimento magm\u00e1tico.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com os autores, a deforma\u00e7\u00e3o em seis gr\u00e3os de zirc\u00e3o de at\u00e9 50 \u00b5m de di\u00e2metro (aproximadamente 0,05 mil\u00edmetro) examinados de um total de 40 amostrados indica que houve uma propaga\u00e7\u00e3o de ondas de choque durante o impacto possivelmente de um meteorito.<\/p>\n<p>Entre as deforma\u00e7\u00f5es observadas est\u00e3o a recristaliza\u00e7\u00e3o, desorienta\u00e7\u00e3o cristalogr\u00e1fica, perturba\u00e7\u00e3o das zonas de crescimento, fei\u00e7\u00f5es planares de deforma\u00e7\u00e3o (chamadas de PDFs) e texturas granulares. Segundo os cientistas, as hip\u00f3teses de que tais choques foram gerados por uma atividade tect\u00f4nica intensa ou metamorfismo, que pode ocorrer ap\u00f3s um evento de press\u00e3o elevada interna na rocha, n\u00e3o s\u00e3o corroboradas pelos dados apresentados.<\/p>\n<p>&#8220;As marcas mostram que os cristais foram submetidos a condi\u00e7\u00f5es extremamente intensas e que s\u00f3 podem estar associadas a um impacto, mas esse estudo n\u00e3o permite calcular diretamente a press\u00e3o m\u00e1xima do impacto, nem o tamanho ou a velocidade do objeto que atingiu Col\u00f4nia&#8221;, afirma Sallun.<\/p>\n<p>Em especial, as estruturas planares de deforma\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma das evid\u00eancias incontest\u00e1veis de como o choque do impacto produziu as deforma\u00e7\u00f5es ali encontradas, e n\u00e3o uma atividade tect\u00f4nica ou metamorfismo, pois elas excedem em muito o tipo de deforma\u00e7\u00e3o produzida por um evento end\u00f3geno de press\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a onda de choque atravessou essas rochas, a press\u00e3o extrema deformou a estrutura interna dos cristais, deixando marcas microsc\u00f3picas que hoje podemos observar&#8221;, relata a pesquisadora.<\/p>\n<p>Um ponto importante a se entender \u00e9 que o zirc\u00e3o j\u00e1 era um mineral presente nas rochas de onde hoje \u00e9 a regi\u00e3o antes do impacto, ou seja, a sua origem no local n\u00e3o \u00e9 extraterrestre. No entanto, n\u00e3o havia sido identificada, em nenhum outro local onde h\u00e1 o registro de um impacto por meteorito no Brasil, a presen\u00e7a de gr\u00e3os de zirc\u00e3o.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, o achado se soma \u00e0s demais evid\u00eancias j\u00e1 observadas. &#8220;A exist\u00eancia da cratera de impacto j\u00e1 contava como outras evid\u00eancias; o que os zirc\u00f5es acrescentam \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u2018registro interno\u2019 de como os minerais foram deformados durante o impacto&#8221;, diz Sallun.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos passos do estudo, segundo a pesquisadora, incluem combinar esse tipo de an\u00e1lise microsc\u00f3pica com outras t\u00e9cnicas, como a data\u00e7\u00e3o. &#8220;A data\u00e7\u00e3o dos zirc\u00f5es pode ajudar a investigar a idade do impacto, dependendo de como o evento alterou o sistema isot\u00f3pico desses minerais. Combinando essas informa\u00e7\u00f5es com outras evid\u00eancias da cratera, poderemos ter uma ideia mais clara de como e quando ocorreu o impacto.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A cratera de Col\u00f4nia, na zona sul paulistana, de fato resulta do impacto de um corpo celeste h\u00e1&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":489197,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[5080,1150,109,107,108,21879,236,3396,78186,3536,32,33,654,3802,105,103,104,106,110,3062,3064],"class_list":["post-489196","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-artigo-cientifico","tag-asteroide","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-cratera","tag-folha","tag-meteoro","tag-parelheiros","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-sao-paulo","tag-sao-paulo-estado","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-universidade","tag-usp"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117106681370086338","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/489196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=489196"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/489196\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/489197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=489196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=489196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=489196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}