{"id":48929,"date":"2025-08-28T17:23:19","date_gmt":"2025-08-28T17:23:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/48929\/"},"modified":"2025-08-28T17:23:19","modified_gmt":"2025-08-28T17:23:19","slug":"livro-revela-edouard-louis-mais-distante-e-menos-colerico-28-08-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/48929\/","title":{"rendered":"Livro revela \u00c9douard Louis mais distante e menos col\u00e9rico &#8211; 28\/08\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Quem acompanha o ritmo e o tom com que s\u00e3o descritas as hist\u00f3rias familiares dentro da obra do autor franc\u00eas <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2024\/11\/por-que-elogiar-edouard-louis-e-desprezar-a-literatura-comercial.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">\u00c9douard Louis<\/a> pode estranhar um pouco &#8220;O Desabamento&#8221;, livro sobre o seu irm\u00e3o mais velho, morto aos 38 anos, vitimado pelo v\u00edcio no \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Ao narrar a hist\u00f3ria da m\u00e3e, em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/tatibernardi\/2023\/09\/edouard-louis-relembra-infancia-e-adolescencia-ao-lado-da-mae.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Lutas e Metamorfoses de uma Mulher&#8221;<\/a> e em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/tatibernardi\/2024\/09\/quantas-mulheres-mudariam-de-vida-se-tivessem-um-cheque-na-mao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Monique se Liberta&#8221;<\/a>, o autor n\u00e3o apenas esquadrinhou sociologicamente a vida de uma senhora sem estudo, que sofreu viol\u00eancias, se encheu de filhos e deu a eles o cuidado poss\u00edvel dentro de um cen\u00e1rio prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ele estava fascinado por aquela mulher, parecia sangrar no papel ao listar as m\u00e1goas advindas da conviv\u00eancia com ela e, ao mesmo tempo, expunha seu imenso ressentimento pela falta de oportunidades na trajet\u00f3ria intelectual, profissional e amorosa da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Ao escrever sobre o pai, em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/tatibernardi\/2023\/10\/um-pai-condenado-a-pobreza-pela-masculinidade.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Quem Matou Meu Pai&#8221;<\/a>, Louis escolhe o formato de uma carta aberta. A conversa dele era com o homem que lhe causava sensa\u00e7\u00f5es amb\u00edguas: a vontade desesperada de ser visto e aceito colada ao desejo de n\u00e3o encontrar aquele sujeito intrag\u00e1vel dentro de casa.<\/p>\n<p>A figura de \u00c9douard Louis causa a mesma como\u00e7\u00e3o dicot\u00f4mica que seus livros. Ao ver o autor chegar a uma mesa liter\u00e1ria, voc\u00ea pensa ser um fr\u00e1gil garoto quebrado. Ele \u00e9 t\u00edmido e parece demandar afei\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o ele come\u00e7a a falar e sua for\u00e7a arrebatadora vai tomando o ambiente. Tem f\u00f4lego de ator e deixa bem claro que, para al\u00e9m de um grande artista, \u00e9 um sobrevivente.<\/p>\n<p>Depois de todas essas experi\u00eancias, concluo a leitura do seu livro mais recente, &#8220;O Desabamento&#8221;, com o mesmo \u00eaxtase e absorvimento de sempre. \u00c9 mais um grande livro de \u00c9douard Louis, mas completamente diferente dos outros.<\/p>\n<p>Tento ent\u00e3o escolher qual dos focos dar para embasar a resenha. \u00c9 a obra mais impiedosa e g\u00e9lida do autor? \u00c9 um livro sobre o susto de perder o irm\u00e3o mais velho e n\u00e3o sentir nada? &#8220;Eu disse que achava rid\u00edculo gastar dinheiro com um morto, quando esse dinheiro poderia ser usado para ajudar uma pessoa viva.&#8221;<\/p>\n<p>    Tudo a Ler<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o com lan\u00e7amentos, cl\u00e1ssicos e curiosidades liter\u00e1rias<\/p>\n<p>\u00c9, de todos os livros, o que mais se aprofunda na disseca\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica que Louis faz da fam\u00edlia? &#8220;Quando comecei a pesquisa sobre ele, pensei que escrever a hist\u00f3ria do meu irm\u00e3o era escrever a hist\u00f3ria de um garoto com a vida inteiramente delimitada e definida pelos determinismos sociais: masculinidade, pobreza, delinqu\u00eancia, \u00e1lcool, morte prematura.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 um livro sobre os anseios megaloman\u00edacos e sempre frustrados de um jovem que foi se tornando cada vez mais <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2024\/01\/denuncias-de-misoginia-na-internet-cresceram-quase-30-vezes-em-cinco-anos-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">mis\u00f3gino<\/a>, preconceituoso e alcoolista \u2014e que, apenas como um fato sem import\u00e2ncia, vem a ser tamb\u00e9m irm\u00e3o do autor? \u00c9 a escrita como &#8220;uma prote\u00e7\u00e3o contra o esquecimento&#8221; \u2014incluindo os raros momentos de delicadeza e generosidade do irm\u00e3o?<\/p>\n<p>Penso em uma das frases mais bonitas que Louis j\u00e1 disse em uma de suas entrevistas. Ele conta que, ao final de um livro autobiogr\u00e1fico, se o escritor n\u00e3o tiver perdoado a pessoa ali exposta \u2014o protagonista do livro\u2014, n\u00e3o ter\u00e1 valido a pena perder aquele tempo.<\/p>\n<p>Sobre a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/homofobia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">homofobia <\/a>do irm\u00e3o, ele diz: &#8220;Meu irm\u00e3o era t\u00e3o despossu\u00eddo de tudo, de dinheiro, de seus sonhos, de felicidade, que esse discurso de \u00f3dio era, de certa forma, tudo o que tinha. Acho que por isso se agarrava a ele&#8221;.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre os irm\u00e3os era medida justamente pela dist\u00e2ncia entre eles: &#8220;Enquanto meu irm\u00e3o bebia, eu<br \/>&#13;<br \/>\nestudava filosofia, lia romances, escrevia, viajava&#8221;. Acredito que \u00c9douard Louis escreva tamb\u00e9m para se perdoar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quem acompanha o ritmo e o tom com que s\u00e3o descritas as hist\u00f3rias familiares dentro da obra do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":48930,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,14499,114,115,874,1907,236,208,864,237,170,32,33],"class_list":{"0":"post-48929","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-edouard-louis","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-escritor","13":"tag-escritores","14":"tag-folha","15":"tag-franca","16":"tag-literatura","17":"tag-livro","18":"tag-livros","19":"tag-portugal","20":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48929\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}