{"id":48939,"date":"2025-08-28T17:30:30","date_gmt":"2025-08-28T17:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/48939\/"},"modified":"2025-08-28T17:30:30","modified_gmt":"2025-08-28T17:30:30","slug":"revascularizacao-completa-guiada-por-qfr-no-iamcsst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/48939\/","title":{"rendered":"Revasculariza\u00e7\u00e3o completa guiada por QFR no IAMCSST\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>O Quantitative Flow Ratio (QFR) \u00e9 uma ferramenta diagn\u00f3stica utilizada na cardiologia intervencionista para avaliar a gravidade das <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/cardiologia\/esc-2024-as-mudancas-na-diretriz-europeia-de-sindromes-coronarianas-cronicas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">estenoses coronarianas<\/a>. Trata-se de <b>um m\u00e9todo n\u00e3o invasivo<\/b> que utiliza imagens angiogr\u00e1ficas para calcular a queda de press\u00e3o ao longo de uma les\u00e3o e estimar a reserva de fluxo fracionada, sem necessidade de fio-guia com sensor de press\u00e3o ou agente hiper\u00eamico.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0O uso do QFR pode reduzir o n\u00famero de stents implantados, j\u00e1 que permite que os hemodinamicistas planejem a interven\u00e7\u00e3o de forma mais eficaz, sabendo quais les\u00f5es s\u00e3o fisiologicamente significativas e requerem tratamento.\u00a0<\/p>\n<p>O estudo FAVOR III Europe sugeriu que o m\u00e9todo atual de QFR pode oferecer um valor diagn\u00f3stico cl\u00ednico que se posiciona entre a angiografia e a reserva de fluxo fracionada (FFR). M\u00e9todos tradicionais de avalia\u00e7\u00e3o, como a reserva de fluxo fracionada, exigem a introdu\u00e7\u00e3o de um fio com sensor de press\u00e3o e a administra\u00e7\u00e3o de agentes hiper\u00eamicos, o que prolonga o tempo de fluoroscopia. O QFR pode fornecer informa\u00e7\u00f5es diagn\u00f3sticas semelhantes sem esses passos.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Foi publicado recentemente um estudo experimental prospectivo para avaliar a efic\u00e1cia e as limita\u00e7\u00f5es do QFR durante as angiografias prim\u00e1ria e em est\u00e1gio posterior em pacientes que j\u00e1 haviam sido submetidos \u00e0 ICP da art\u00e9ria culpada por infarto com supradesnivelamento do segmento ST, mas que ainda apresentavam estenoses angiograficamente significativas nas art\u00e9rias n\u00e3o culpadas.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><b>M\u00e9todos<\/b><\/p>\n<p>Este foi um <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.12659\/MSM.948085\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">estudo experimental prospectivo randomizado de centro \u00fanico<\/a>, conduzido no Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Litu\u00e2nia (de julho de 2020 a junho de 2021).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Foram inclu\u00eddos pacientes com IAMCSST que foram submetidos \u00e0 ICP da les\u00e3o culpada e que apresentavam uma ou mais estenoses residuais n\u00e3o culpadas (50\u201375%. Foram exclu\u00eddos os pacientes nos quais a recanaliza\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e o implante de stent na art\u00e9ria culpada n\u00e3o foram bem-sucedidos e aqueles em que se optou pela cirurgia de revasculariza\u00e7\u00e3o do mioc\u00e1rdico. Al\u00e9m disso, pacientes com comorbidades graves com progn\u00f3stico desfavor\u00e1vel, que pudessem influenciar a sobrevida em 1 ano, foram exclu\u00eddos, assim como pacientes com instabilidade circulat\u00f3ria, choque cardiog\u00eanico e edema pulmonar.\u00a0<\/p>\n<p><b>Randomiza\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Ap\u00f3s a inclus\u00e3o no estudo, 124 pacientes foram randomizados em 1 de 2 grupos: (1) ICP guiada por QFR e (2) ICP guiada apenas por estimativa visual.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Na ICP guiada apenas por estimativa visual, as les\u00f5es foram avaliadas pelo hemodinamicista que realizou o procedimento \u00edndice, e as angiografias foram adicionalmente discutidas em reuni\u00f5es entre cardiologistas intervencionistas. As ICPs em les\u00f5es coronarianas n\u00e3o culpadas guiadas por angiografia foram realizadas como procedimentos em est\u00e1gio posterior, pelo menos 3 meses ap\u00f3s a ICP inicial.\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">No grupo submetido \u00e0 ICP guiada por QFR, as an\u00e1lises do QFR foram realizadas utilizando o software certificado QAngio-XA 3D, vers\u00e3o 2.0 (Medis Medical Imaging Systems, Leiden, Pa\u00edses Baixos), a partir das angiografias coronarianas. Neste estudo, as estenoses foram consideradas hemodinamicamente significativas quando o QFR era inferior a 0,8. Todas as an\u00e1lises de QFR foram realizadas offline, duas vezes, por um observador experiente e internacionalmente certificado em QFR, e os resultados foram obtidos por m\u00e9dia. As estenoses residuais hemodinamicamente significativas, de acordo com o QFR, foram tratadas em procedimento em est\u00e1gio posterior, realizado pelo menos 3 meses ap\u00f3s a ICP inicial.\u00a0<\/p>\n<p><b>Resultados<\/b><\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Ao comparar a dura\u00e7\u00e3o do procedimento, n\u00e3o foram encontradas diferen\u00e7as significativas (ambos com m\u00e9dia de 40 minutos).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">J\u00e1 a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da fluoroscopia no grupo angiografia foi de 10,88\u00b11,24 minutos, enquanto no grupo QFR foi de 6,59\u00b10,42 minutos. A probabilidade de a dura\u00e7\u00e3o da fluoroscopia exceder 10,4 minutos no grupo angiografia foi, em m\u00e9dia, 6,3 vezes maior do que no grupo QFR.\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Diferen\u00e7as estatisticamente significativas foram observadas na quantidade de contraste utilizada durante o procedimento entre os grupos angiografia. A m\u00e9dia de contraste utilizada no grupo angiografia foi de 148,23 mL enquanto no grupo QFR a m\u00e9dia foi de 116mL. \u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Al\u00e9m disso, houve diferen\u00e7a estatisticamente significativa no n\u00famero de stents implantados. No grupo angiografia, foi implantada uma m\u00e9dia de 2,26 stents. No grupo QFR, a m\u00e9dia foi de 1,69 stents. No grupo QFR, 50,0% dos pacientes utilizaram apenas 1 stent na ICP de les\u00f5es n\u00e3o culpadas, em compara\u00e7\u00e3o com 25,8% no grupo guiado por angiografia. O uso de cinco stents foi significativamente mais frequente no grupo angiografia em compara\u00e7\u00e3o ao grupo QFR: 6,5% contra 0%, respectivamente (P\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Na an\u00e1lise da frequ\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es periprocedimento durante a ICP entre os grupos angiografia e QFR, n\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as significativas, com taxas de 3,2% e 1,6%, respectivamente (P&gt;0,05). Tamb\u00e9m n\u00e3o foram encontradas diferen\u00e7as significativas na dura\u00e7\u00e3o do tempo de interna\u00e7\u00e3o hospitalar entre os dois grupos.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1079\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Revascularizacao_completa.jpg\" class=\"attachment-full size-full wp-post-image\" alt=\"Revasculariza\u00e7\u00e3o completa guiada por QFR no IAMCSST\u00a0\"  \/><\/p>\n<p><b>Discuss\u00e3o<\/b>\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">O QFR \u00e9 um m\u00e9todo diagn\u00f3stico utilizado no campo da cardiologia intervencionista para estimar, em tempo real, a reserva fracionada de fluxo derivada da angiografia, analisando a raz\u00e3o entre a press\u00e3o coronariana distal a uma estenose e a press\u00e3o a\u00f3rtica em condi\u00e7\u00f5es de hiperemia mioc\u00e1rdica m\u00e1xima. Neste estudo experimental, prospectivo, randomizado e unic\u00eantrico, a ICP guiada por QFR melhorou a efic\u00e1cia da revasculariza\u00e7\u00e3o ao reduzir o tempo de fluoroscopia, diminuir o volume de contraste e reduzir tanto o n\u00famero quanto o comprimento m\u00e9dio dos stents implantados em pacientes com IAMCSST que j\u00e1 haviam sido submetidos \u00e0 recanaliza\u00e7\u00e3o bem-sucedida e ao implante de stent no vaso culpado.\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/cardiologia\/adiar-a-revascularizacao-coronariana-por-razao-de-fluxo-quantitativa-ou-ffr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Adiar a revasculariza\u00e7\u00e3o coronariana por raz\u00e3o de fluxo quantitativa ou FFR\u00a0<\/a><\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Historicamente, a revasculariza\u00e7\u00e3o baseada na avalia\u00e7\u00e3o visual frequentemente superestimava a gravidade da estenose, levando a um tratamento excessivo e a desfechos sub\u00f3timos em longo prazo. No entanto, evitar o tratamento excessivo continua sendo uma quest\u00e3o relevante, devido aos custos associados, \u00e0s poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es e ao enfoque em abordagens minimamente invasivas. Para lidar com isso, a avalia\u00e7\u00e3o funcional de estenoses intermedi\u00e1rias por meio de medi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o durante a angiografia coron\u00e1ria invasiva tem sido recomendada nas diretrizes de revasculariza\u00e7\u00e3o desde 2005. Apesar dos dados robustos, o uso de medi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o na pr\u00e1tica cl\u00ednica rotineira ainda \u00e9 limitado, com ado\u00e7\u00e3o estimada em apenas 10% dos casos. As raz\u00f5es incluem reembolso inconsistente, a necessidade de instrumenta\u00e7\u00e3o intracoron\u00e1ria com fios de maior dificuldade de manipula\u00e7\u00e3o e os riscos associados a complica\u00e7\u00f5es. No caso da reserva fracionada de fluxo derivada de fio de press\u00e3o, h\u00e1 ainda a exig\u00eancia de indu\u00e7\u00e3o de hiperemia, o que aumenta o desconforto do paciente, o tempo e os custos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">O QFR \u00e9 uma tecnologia excelente que permite a avalia\u00e7\u00e3o da signific\u00e2ncia hemodin\u00e2mica da estenose coronariana, eliminando os inconvenientes associados aos fios de press\u00e3o e aos agentes farmacol\u00f3gicos. Al\u00e9m disso, possui recomenda\u00e7\u00e3o classe 1B para avalia\u00e7\u00e3o de estenoses intermedi\u00e1rias nas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2024. Contudo, a maioria dos estudos anteriores que demonstraram os benef\u00edcios do QFR tratava de pacientes com doen\u00e7a coronariana cr\u00f4nica.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><b>Limita\u00e7\u00f5es<\/b>\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Em primeiro lugar, este foi um estudo de centro \u00fanico, o que pode limitar a generaliza\u00e7\u00e3o dos resultados. Em segundo lugar, o tamanho relativamente pequeno da amostra do estudo pode reduzir o poder estat\u00edstico. Em terceiro lugar, a precis\u00e3o e a consist\u00eancia das medi\u00e7\u00f5es do QFR dependem da t\u00e9cnica e da qualidade da imagem angiogr\u00e1fica, que atualmente exige duas proje\u00e7\u00f5es para cada vaso. Por fim, pode ter havido vi\u00e9s procedimental, uma vez que os operadores de ICP estavam cientes das aloca\u00e7\u00f5es dos grupos.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\"><strong>Saiba mais:<\/strong> <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/cardiologia\/routine-spironolactone-in-acute-myocardial-infarction\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Existe benef\u00edcio do uso sistem\u00e1tico da espironolactona em pacientes p\u00f3s IAM?<\/a><\/p>\n<p><b>Conclus\u00f5es<\/b>\u00a0<\/p>\n<p class=\"content-paywall\">Neste estudo randomizado, prospectivo, experimental e de centro \u00fanico, pacientes com IAMCSST se beneficiaram do uso de ICP guiada por QFR na les\u00e3o n\u00e3o culpada, resultando em menor tempo de fluoroscopia, menor volume de contraste e menor n\u00famero e comprimento m\u00e9dio de stents implantados. Esses achados destacam o potencial do QFR para melhorar a efici\u00eancia do procedimento e reduzir o implante desnecess\u00e1rio de stents na pr\u00e1tica cl\u00ednica, sem comprometer os desfechos dos pacientes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Quantitative Flow Ratio (QFR) \u00e9 uma ferramenta diagn\u00f3stica utilizada na cardiologia intervencionista para avaliar a gravidade das&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":48940,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-48939","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48939","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48939"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48939\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}