{"id":4906,"date":"2025-07-28T06:02:22","date_gmt":"2025-07-28T06:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4906\/"},"modified":"2025-07-28T06:02:22","modified_gmt":"2025-07-28T06:02:22","slug":"vera-iaconelli-conta-propria-analise-em-novo-livro-27-07-2025-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4906\/","title":{"rendered":"Vera Iaconelli conta pr\u00f3pria an\u00e1lise em novo livro &#8211; 27\/07\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/893965-acervo-folha-narra-historia-da-psicanalise-no-pais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">hist\u00f3ria da psican\u00e1lise<\/a> est\u00e1 cheia de casos cl\u00ednicos lend\u00e1rios. Como os de Dora, jovem assediada pelo marido da amante do pai, ou do homem que tinha o sonho recorrente em que era observado por lobos brancos \u2014acordava apavorado.<\/p>\n<p>Mais incomuns, contudo, s\u00e3o os relatos em que o pr\u00f3prio psicanalista \u00e9 o personagem e conta seu <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/vera-iaconelli\/2024\/12\/a-psicanalise-e-seus-predicados.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">processo de an\u00e1lise<\/a>. E \u00e9 justamente o que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/vera-iaconelli\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Vera Iaconelli<\/a> decidiu fazer em &#8220;An\u00e1lise&#8221; (ed. Zahar), seu novo livro.<\/p>\n<p>No ensaio, a autora evoca a hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia \u2014e sua posi\u00e7\u00e3o dentro desse arranjo\u2014, enquanto conta sua experi\u00eancia no div\u00e3 e constr\u00f3i uma casa nova para si (literalmente). O resultado \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre confrontar-se com a heran\u00e7a dos pais, implicar-se na pr\u00f3pria hist\u00f3ria e sustentar o pr\u00f3prio desejo diante do mundo, tendo a psican\u00e1lise como ferramenta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em agosto, Vera tamb\u00e9m estreia o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/podcasts\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">podcast<\/a> &#8220;Isso N\u00e3o \u00c9 uma Sess\u00e3o de An\u00e1lise&#8221;, em parceria com a Trov\u00e3o M\u00eddia, no qual tamb\u00e9m explora quest\u00f5es familiares. Mas, no programa, quem relata a pr\u00f3pria vida s\u00e3o os convidados \u2014figuras como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/paola-carosella\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Paola Carosella<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/gregorioduvivier\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Greg\u00f3rio Duvivier<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/fernanda-torres\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Fernanda Torres<\/a>, entre outras.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma ideia de que o psicanalista deveria se preservar da apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, diz Vera. &#8220;Acho question\u00e1vel, entendo que temos que nos preservar da apari\u00e7\u00e3o dentro do consult\u00f3rio. O analista n\u00e3o vai viver embaixo de uma pedra.&#8221;<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que atuar como intelectual p\u00fablica \u2014a autora escreve h\u00e1 oito anos uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/vera-iaconelli\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">coluna na <\/a><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/vera-iaconelli\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Folha<\/a>\u2014 seja uma a\u00e7\u00e3o sem um pre\u00e7o, claro.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode ficar 30 anos trabalhando para que as pessoas banquem o pr\u00f3prio desejo e n\u00e3o bancar o seu. Mas n\u00e3o \u00e9 algo sem ru\u00eddo de ver na cl\u00ednica que efeitos haver\u00e1 para os pacientes que resolverem me ler. Mas vai sempre se tratar da an\u00e1lise deles e n\u00e3o do meu livro.&#8221;<\/p>\n<p>No ensaio memorial\u00edstico, surge ent\u00e3o um relato de um pai violento (que mant\u00e9m outra fam\u00edlia), uma m\u00e3e oprimida, o despejo de uma casa, a morte precoce de dois irm\u00e3os, dois casamentos, a maternidade \u2014e a constru\u00e7\u00e3o de uma vida pr\u00f3pria com todo o passado pela frente.<\/p>\n<p>Vera convoca o leitor a refletir sobre o que se faz com a heran\u00e7a que se recebe. E faz uma defesa de que, para viver uma vida mais rica, \u00e9 preciso implicar-se na pr\u00f3pria hist\u00f3ria, em vez de ver a si mesmo como a figura passiva maltratada pelos acontecimentos. Ou seja, nada de coitadismo.<\/p>\n<p>&#8220;A an\u00e1lise s\u00f3 come\u00e7a quando voc\u00ea se inclui nas suas hist\u00f3rias. Mesmo que seja uma hist\u00f3ria de muita viol\u00eancia de fora, voc\u00ea s\u00f3 come\u00e7a quando diz: \u2018Tem algo meu a\u00ed\u2019. O que eu fiz ali que ainda n\u00e3o consegui dar conta?&#8221;<\/p>\n<p>A psicanalista diz que a lealdade da fam\u00edlia se baseia em uma ren\u00fancia do desejo de seus integrantes.<\/p>\n<p>&#8220;O desejo individual \u00e9 tolhido para que a fam\u00edlia continue reproduzindo seus valores, tanto mentais quanto materiais&#8221;, diz Vera. &#8220;A lealdade \u00e0 fam\u00edlia muitas vezes fere a lealdade a si mesmo, n\u00e9? Uma an\u00e1lise muito frequentemente \u00e9 esse embate entre quem o sujeito acha que deveria ser e quem ele de fato pode ser. E o medo de perder todos se bancar o desejo. Mas n\u00e3o h\u00e1 desejo sem pre\u00e7o, e \u00e0s vezes o pre\u00e7o \u00e9 a fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<p>No livro, a escritora conta um total de quatro an\u00e1lises, com profissionais diferentes; da primeira, que fracassa por culpa do despreparo do analista, at\u00e9 a \u00faltima, que coincide com a escrita do livro. Ou seja, Vera vai tratar de algo que se reveste de um vi\u00e9s quase m\u00edtico, tanto para psicanalistas quanto para pacientes: como \u00e9 viver o fim da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>    Tudo a Ler<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o com lan\u00e7amentos, cl\u00e1ssicos e curiosidades liter\u00e1rias<\/p>\n<p>Para um profissional do campo, isso pode levar a um tr\u00e2mite de levar o testemunho a uma institui\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica para ser avaliado \u2014no caso da autora, o F\u00f3rum do Campo Lacaniano\u2014 e, depois de aprovado, apresentar o relato para plateias de analistas. J\u00e1 para os pacientes no div\u00e3, a curiosidade \u00e9 a mais \u00f3bvia: o que h\u00e1 do lado de l\u00e1?<\/p>\n<p>Resposta: n\u00e3o \u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;No fim da an\u00e1lise tem tudo. As mesquinharias, o ressentimento\u2026 N\u00e3o perdemos nada do demasiado humano, de nossa pequenez. Mas voc\u00ea tem uma capacidade maior de olhar isso sem achar que vai ser destru\u00eddo, uma capacidade maior de se perdoar. Voc\u00ea \u00e9 legal, mas voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 uma merda. Voc\u00ea \u00e9 fofo, mas pode ser um escroto. Voc\u00ea \u00e9 generosa, mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m \u00e9 mesquinha. Tudo ao mesmo tempo agora&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A hist\u00f3ria da psican\u00e1lise est\u00e1 cheia de casos cl\u00ednicos lend\u00e1rios. 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