{"id":490817,"date":"2026-08-18T03:41:11","date_gmt":"2026-08-18T03:41:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/490817\/"},"modified":"2026-08-18T03:41:11","modified_gmt":"2026-08-18T03:41:11","slug":"molecula-vasodilatadora-pode-reduzir-dano-ao-coracao-apos-o-infarto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/490817\/","title":{"rendered":"Mol\u00e9cula vasodilatadora pode reduzir dano ao cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o infarto"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Cardiologia\n                            <\/p>\n<p>                            Mol\u00e9cula vasodilatadora pode reduzir dano ao cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o infarto<\/p>\n<p class=\"summary\">Pesquisa da Unicamp avaliou em ratos os efeitos da S-nitrosoglutationa. Resultados mostram que o composto preserva as c\u00e9lulas card\u00edacas durante a retomada da circula\u00e7\u00e3o, mas requer dosagem exata para n\u00e3o ser t\u00f3xico<\/p>\n<p>\n                                 Cardiologia\n                            <\/p>\n<p>                                                        Mol\u00e9cula vasodilatadora pode reduzir dano ao cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o infarto<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Pesquisa da Unicamp avaliou em ratos os efeitos da S-nitrosoglutationa. Resultados mostram que o composto preserva as c\u00e9lulas card\u00edacas durante a retomada da circula\u00e7\u00e3o, mas requer dosagem exata para n\u00e3o ser t\u00f3xico<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/58994.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(58994,'files\/post\/58994.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Composto atua no organismo liberando \u00f3xido n\u00edtrico (NO), g\u00e1s naturalmente produzido pelo corpo que tem a\u00e7\u00e3o vasodilatadora (imagem: Marcelo Ganzarolli de Oliveira)<\/p>\n<p><strong>Claudia Izique | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Uma mol\u00e9cula capaz de relaxar os vasos e restaurar o fluxo de sangue logo ap\u00f3s um infarto pode reduzir drasticamente as sequelas e o tamanho da les\u00e3o no m\u00fasculo do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que indica um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-45498-x\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">publicado<\/a> em mar\u00e7o na revista Scientific Reports.<\/p>\n<p>Em experimentos com roedores, o grupo testou a S-nitrosoglutationa (GSNO), que atua no organismo liberando \u00f3xido n\u00edtrico (NO) \u2013 um g\u00e1s naturalmente produzido pelo corpo e que tem a\u00e7\u00e3o vasodilatadora. Os achados, contudo, trazem um alerta importante para o desenvolvimento de futuros tratamentos: a efic\u00e1cia do composto depende de se administrar a dose exata, pois o excesso anula o efeito protetor e pode ser t\u00f3xico \u00e0s c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>\u201cColetivamente, essas descobertas demonstram um efeito cardioprotetor da GSNO dependente da dose, provavelmente mediado pela biodisponibilidade sustentada de \u00f3xido n\u00edtrico e pela melhora da vasodilata\u00e7\u00e3o coronariana\u201d, destacam os autores no artigo.<\/p>\n<p>O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto agudo do mioc\u00e1rdio por ano, segundo estat\u00edsticas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A taxa de sobreviv\u00eancia \u00e9 de 80% a 86%, mas h\u00e1 o risco de sequelas. At\u00e9 50% do tamanho final do infarto pode ser atribu\u00eddo ao dano causado pela les\u00e3o que ocorre quando o fluxo sangu\u00edneo \u00e9 restabelecido na \u00e1rea afetada, processo conhecido como isquemia e reperfus\u00e3o (I\/R) mioc\u00e1rdica.<\/p>\n<p>\u201cQuando h\u00e1 uma isquemia e o fluxo \u00e9 restabelecido, o cora\u00e7\u00e3o sofre um surto de estresse oxidativo e inflama\u00e7\u00e3o que agrava a morte do tecido card\u00edaco\u201d, explica <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/1864\/marcelo-ganzarolli-de-oliveira\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Marcelo Ganzarolli de Oliveira<\/a>, professor do Instituto de Qu\u00edmica (IQ) da Unicamp. Na pr\u00e1tica, isso significa que o retorno abrupto do sangue e do oxig\u00eanio \u00e0 \u00e1rea bloqueada desequilibra o metabolismo das c\u00e9lulas. Como resultado, ocorre uma superprodu\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas nocivas, como os radicais livres de oxig\u00eanio. Esse excesso \u2013 que caracteriza o estresse oxidativo \u2013 sobrecarrega as defesas naturais do \u00f3rg\u00e3o e acaba destruindo as estruturas celulares saud\u00e1veis, o que amplia de forma irrevers\u00edvel a les\u00e3o inicial do infarto.<\/p>\n<p>Por esse motivo, o grupo de pesquisa liderado por Oliveira busca alternativas para atenuar essas les\u00f5es p\u00f3s-infarto e tem obtido resultados promissores com o uso de biomateriais para carrear \u00f3xido n\u00edtrico no organismo. O trabalho conta com <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/95758\/biomateriais-absorviveis-e-topicos-para-a-liberacao-localizada-de-oxido-nitrico\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">apoio<\/a> da FAPESP e envolve a colabora\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/172296\/andrei-carvalho-sposito\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Andrei Carvalho Sposito<\/a>, professor da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM) da Unicamp, al\u00e9m de bolsistas de p\u00f3s-doutorado. Tamb\u00e9m participam pesquisadores das universidades de Twente e de Eindhoven, dos Pa\u00edses Baixos.<\/p>\n<p><strong>Direto no cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No estudo rec\u00e9m-publicado, os pesquisadores produziram a GSNO no laborat\u00f3rio e a aplicaram de forma cont\u00ednua em cora\u00e7\u00f5es de ratos que tiveram a circula\u00e7\u00e3o de sangue interrompida por 35 minutos, simulando um infarto. Os cientistas testaram o tratamento com duas dosagens diferentes da mol\u00e9cula: uma moderada \u2013 200 micromolar (\u00b5M) \u2013 e outra mais que o dobro da primeira \u2013 500 \u00b5M. Em seguida, avaliaram como o cora\u00e7\u00e3o reagiu, observando a facilidade com que o sangue voltou a circular (fluxo coronariano e resist\u00eancia vascular), a for\u00e7a e a sa\u00fade dos batimentos (par\u00e2metros hemodin\u00e2micos), o tamanho da les\u00e3o deixada pelo infarto, quantas c\u00e9lulas do tecido continuaram vivas (viabilidade celular) e a capacidade de os vasos sangu\u00edneos relaxarem e voltarem a se abrir (resposta vasodilatadora).<\/p>\n<p>O resultado foi que tanto o grupo que recebeu GSNO 200 \u00b5M como o que recebeu GSNO 500 \u00b5M tiveram o fluxo sangu\u00edneo aumentado e a resist\u00eancia vascular reduzida, demonstrando o efeito vasodilatador da GSNO. Mas apenas o grupo que recebeu a concentra\u00e7\u00e3o de 200 \u00b5M teve redu\u00e7\u00e3o significativa da \u00e1rea do infarto e melhora na recupera\u00e7\u00e3o funcional do ventr\u00edculo. \u201cA concentra\u00e7\u00e3o de 500 \u00b5M n\u00e3o conferiu prote\u00e7\u00e3o adicional e ainda apresentou risco de citotoxicidade\u201d, comenta Oliveira.<\/p>\n<p>J\u00e1 a GSNO em concentra\u00e7\u00e3o de 200 \u00b5M manteve a biodisponibilidade de \u00f3xido n\u00edtrico na \u00e1rea infartada, promoveu a vasodilata\u00e7\u00e3o e preservou a fun\u00e7\u00e3o das mitoc\u00f4ndrias \u2013 as organelas produtoras de energia para as c\u00e9lulas \u2013, reduzindo o estresse oxidativo durante a reperfus\u00e3o. Ou seja, o tratamento preservou a capacidade das art\u00e9rias coronarianas de se dilatarem logo ap\u00f3s o infarto, melhorando a oferta de oxig\u00eanio ao tecido fragilizado.<\/p>\n<p>Como explica Oliveira, a GSNO transfere \u00f3xido n\u00edtrico para prote\u00ednas cr\u00edticas da mitoc\u00f4ndria, limitando a produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies reativas de oxig\u00eanio. Com isso, o fornecimento de energia para as c\u00e9lulas do cora\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m est\u00e1vel. \u201cAo diminuir os n\u00edveis de apoptose [morte celular] e fibrose tecidual [substitui\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo saud\u00e1vel por tecido de cicatriz] na fase p\u00f3s-isqu\u00eamica [per\u00edodo que se segue ao infarto], a GSNO ajuda a evitar a hipertrofia [aumento anormal e prejudicial do cora\u00e7\u00e3o] e a perda de fun\u00e7\u00e3o sist\u00f3lica [capacidade de o \u00f3rg\u00e3o bombear o sangue] a longo prazo\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>O artigo conclui que a GSNO \u00e9 uma candidata promissora para atuar como um tratamento complementar ap\u00f3s o infarto. Com base nos benef\u00edcios do \u00f3xido n\u00edtrico, a mol\u00e9cula tem grande potencial para reduzir os danos no cora\u00e7\u00e3o causados pelo bloqueio e retorno repentino do fluxo de sangue, desde que as doses sejam rigorosamente ajustadas para evitar efeitos adversos.<\/p>\n<p><strong>Prova de conceito<\/strong><\/p>\n<p>Para Oliveira, o trabalho \u00e9 um primeiro passo importante para provar que a entrega direcionada do \u00f3xido n\u00edtrico consegue frear as les\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o infarto. \u00c9 o que os cientistas chamam de \u201cprova de conceito\u201d.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 incorporar a GSNO em hidrog\u00e9is a serem aplicados sobre o epic\u00e1rdio \u2013 a camada externa do cora\u00e7\u00e3o \u2013 durante procedimentos cir\u00fargicos. \u201cO gel tem a\u00e7\u00e3o local: libera o \u00f3xido n\u00edtrico e \u00e9 absorvido pelo organismo\u201d, conta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o em curso pesquisas para incorporar a GSNO em hidrog\u00e9is injet\u00e1veis e em stents \u2013 confeccionados por meio de impress\u00e3o 3D \u2013 utilizados em cirurgia de revasculariza\u00e7\u00e3o. \u201cA grande maioria dos stents dispon\u00edveis no mercado tem revestimentos polim\u00e9ricos para libera\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos. O que n\u00f3s estamos desenvolvendo s\u00e3o stents inteiramente polim\u00e9ricos, absorv\u00edveis e liberadores de \u00f3xido n\u00edtrico\u201d, diz.<\/p>\n<p>As novas etapas da investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/114277\/hidrogeis-e-proteses-vasculares-liberadores-de-oxido-nitrico-para-aplicacoes-cardiovasculares\/?q=2022\/14645-2\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">apoiadas<\/a> pela FAPESP.<\/p>\n<p>O artigo S-nitrosoglutathione preserves vasodilation and attenuates myocardial ischemia-reperfusion injury pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-45498-x\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">nature.com\/articles\/s41598-026-45498-x<\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cardiologia Mol\u00e9cula vasodilatadora pode reduzir dano ao cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o infarto Pesquisa da Unicamp avaliou em ratos os&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":490818,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[78464,78463,1618,8300,116,5676,31506,58915,32,19941,33,78462,117,3535,78461],"class_list":["post-490817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-celulas-cardiacas","tag-composto","tag-coracao","tag-dano","tag-health","tag-infarto","tag-modelo-animal","tag-molecula","tag-portugal","tag-preservacao","tag-pt","tag-s-nitrosoglutationa","tag-saude","tag-unicamp","tag-vasodilatacao"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117114443799034402","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/490817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=490817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/490817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/490818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=490817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=490817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=490817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}