{"id":491053,"date":"2026-08-18T10:23:13","date_gmt":"2026-08-18T10:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/491053\/"},"modified":"2026-08-18T10:23:13","modified_gmt":"2026-08-18T10:23:13","slug":"uranio-portugal-tem-mais-uma-riqueza-no-subsolo-que-recusa-avaliar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/491053\/","title":{"rendered":"Ur\u00e2nio: Portugal tem mais uma riqueza no subsolo que recusa avaliar"},"content":{"rendered":"<p>        Tal como no l\u00edtio, petr\u00f3leo e g\u00e1s, o pa\u00eds conta com ur\u00e2nio no seu subsolo, mas rejeita avaliar o seu potencial. E conta com um historial: 60 minas produziram ao longo de 90 anos. Pre\u00e7o do ur\u00e2nio disparou com uso do nuclear para alimentar a IA.    <\/p>\n<p>Portugal tem mais uma potencial riqueza no seu subsolo que recusa avaliar. Depois do petr\u00f3leo, g\u00e1s e l\u00edtio, o pa\u00eds rejeita avaliar o potencial do ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>O ur\u00e2nio existe no subsolo nacional, mas \u00e9 preciso fazer mais avalia\u00e7\u00f5es para perceber o seu potencial. Mas h\u00e1 um historial: durante 90 anos o pa\u00eds produziu r\u00e1dio e ur\u00e2nio, com 60 minas em atividade, tendo terminado com o encerramento da mina da Urgeiri\u00e7a, distrito de Viseu, em 2001.<\/p>\n<p>\u201cPortugal tem potencial de ur\u00e2nio, ali\u00e1s, \u00e9 talvez o \u00fanico potencial mineiro que se encontra relativamente conhecido\u201d, disse ao Jornal Econ\u00f3mico M\u00e1rio Guedes, ex-diretor da Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Energia e Geologia (DGEG). \u201c N\u00e3o \u00e9 nada de muito especial, mas tem potencial para gerar alguns projetos mineiros\u201d, aponta.<\/p>\n<p>O especialista em minas destaca o projeto de Nisa, distrito de Portalegre, onde \u201ch\u00e1 muito trabalho de prospec\u00e7\u00e3o realizado at\u00e9 2000\u201d. E tamb\u00e9m na Horta da Vilari\u00e7a, distrito de Bragan\u00e7a, onde h\u00e1 uma \u201cocorr\u00eancia mineral que faria todo o sentido ser alvo de mais prospe\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe em 2000 o projeto de Nisa era rent\u00e1vel, basta imaginar agora. Mas \u00e9 um projeto pequeno que duraria cerca de 15 anos e com um impacte ambiental positivo. Uma vez que atualmente o ur\u00e2nio encontra-se \u00e0 superf\u00edcie que corre risco de afetar as zonas mais pr\u00f3ximas\u201d, segundo o antigo l\u00edder da DGEG.<\/p>\n<p>\u201cMas nunca haver\u00e1 um projeto de extra\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio em Portugal. A opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 fortemente contra. O pa\u00eds perdeu a ambi\u00e7\u00e3o de ser rico\u201d, considera M\u00e1rio Guedes.<\/p>\n<p>A mina da Urgeiri\u00e7a foi a \u00faltima a fechar, tendo abastecido o laborat\u00f3rio da cientista franco-polaca Marie Sklodowska-Curie, vencedora do pr\u00e9mio Nobel duas vezes e a primeira mulher a receber a honra. Esta mina tamb\u00e9m forneceu o Reino Unido e os Estados Unidos da Am\u00e9rica depois da Segunda Guerra Mundial quando o mundo entrava na corrida \u00e0s armas nucleares.<\/p>\n<p>Para que serve o ur\u00e2nio? A maioria do ur\u00e2nio extra\u00eddo em todo o mundo \u00e9 usado para produzir eletricidade, com uma pequena parte usada para is\u00f3topos m\u00e9dicos e para a propuls\u00e3o naval. Mas para produzir eletricidade \u00e9 preciso enriquecer o ur\u00e2nio para torn\u00e1-lo num combust\u00edvel e poucos pa\u00edses no mundo fazem-no, com a R\u00fassia a ser respons\u00e1vel por 40% de enriquecimento, seguida da China com 17%, Fran\u00e7a com 12% e EUA com 11%.<\/p>\n<p>J\u00e1 o ge\u00f3logo Rui Pena dos Reis destaca a Urgeiri\u00e7a e Nisa. \u201cNisa \u00e9 um jazigo de ur\u00e2nio muito interessante. Embora tenha algumas problemas, como o facto de ser bastante superficial. Estes dois jazigos s\u00e3o muito interessantes\u201d, segundo o especialista que destaca a necessidade de explorar ur\u00e2nio para alimentar a energia nuclear, que considera que ser\u00e1 crucial no futuro.<\/p>\n<p>\u201cA minha vis\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o vamos conseguir passar sem usar o recurso \u00e0 energia nuclear, quer direta, quer indireta. O nosso mundo atual \u00e9 de tal maneira \u00e1vido de energia que jamais conseguiremos abastec\u00ea-lo de energia se n\u00e3o recorrermos a fontes fi\u00e1veis, permanentes, cont\u00ednuas, como \u00e9 o caso da energia nuclear e outras\u201d, defendeu Rui Pena dos Reis.<\/p>\n<p>Portugal produziu 3.700 toneladas de ur\u00e2nio ao longo de nove d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o. Atualmente, conta com recursos na casa das 6.400 toneladas de ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>Os maiores produtores mundiais s\u00e3o o Cazaquist\u00e3o (23,2 mil toneladas por ano), Canad\u00e1 (14,3 mil), Nam\u00edbia (7,3 mil), Austr\u00e1lia (4,5 mil) e Uzbequist\u00e3o (4 mil), segundo a World Nuclear Association.<\/p>\n<p>Em termos de recursos, a Austr\u00e1lia lidera com 28% do total a n\u00edvel mundial (1,6 milh\u00f5es de toneladas, seguida do Cazaquist\u00e3o com 14% (814 mil toneladas), do Canad\u00e1 com 10% (582 mil). Entre 8% e 1%, est\u00e3o Nam\u00edbia, R\u00fassia, N\u00edger, \u00c1frica do Sul, China, Brasil, Mong\u00f3lia, Ucr\u00e2nia, Botswana e EUA.<\/p>\n<p>Por sua vez, o executivo de Lu\u00eds Montenegro n\u00e3o tem planos para apostar neste setor.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o est\u00e1 em curso qualquer iniciativa por parte do Governo para avaliar o potencial mineiro nacional em ur\u00e2nio, nem para promover a reabertura de antigas explora\u00e7\u00f5es deste min\u00e9rio\u201d, respondeu o minist\u00e9rio do Ambiente e da Energia ao JE.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio quadro-legal em vigor, aprovado em 2022, coloca entraves \u00e0 prospe\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>Para o especialista em minas Jo\u00e3o Vermelho Neves, quem estiver interessado em avaliar o potencial de ur\u00e2nio em qualquer \u00e1rea em Portugal n\u00e3o consegue sequer sair da casa de partida. \u201cSe aparecer algu\u00e9m a querer fazer uma explora\u00e7\u00e3o, \u00e9 chumbado \u00e0 partida. Neste momento, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que possa vir pedir para fazer uma prospe\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio sem que isso passe por um gabinete ministerial para avaliar essa diretiva\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m em Portugal pode seriamente dizer se temos ou n\u00e3o temos recursos de ur\u00e2nio. A verdade \u00e9 que ningu\u00e9m sabe. Esse trabalho foi interrompido. Sabemos que temos, mas n\u00e3o sabemos quanto. Como n\u00e3o sabemos quanto, nem onde, n\u00e3o podemos dizer se \u00e9 economicamente vi\u00e1vel. N\u00e3o podemos falar em reservas, n\u00e3o podemos falar em explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos falar em produ\u00e7\u00e3o\u201d, segundo o ge\u00f3logo.<br \/>Portugal, por ter ur\u00e2nio, chegou a planear desenvolver centrais nucleares a partir da d\u00e9cada de 60, mas com a descoberta de petr\u00f3leo em Angola, o pa\u00eds decidiu mudar o seu foco, desistindo das centrais nucleares para apostar no petr\u00f3leo angolano, recorda Jo\u00e3o Vermelho Neves.<\/p>\n<p>Para a associa\u00e7\u00e3o Ambiente nas Zonas Uran\u00edferas (AZU), o regresso da explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio seria um \u201cdesastre para o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi um desastre econ\u00f3mico, social, ambiental e humano. J\u00e1 foram gastos mais de 100 milh\u00f5es de euros na recupera\u00e7\u00e3o ambiental e n\u00e3o est\u00e1 totalmente recuperada. Ficam sempre muitas situa\u00e7\u00f5es por resolver. Deixou marcas na paisagem, no meio h\u00eddrico, problemas de sa\u00fade\u201d, disse ao JE Ant\u00f3nio Minhoto, presidente da AZU.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA) j\u00e1 veio defender a necessidade de diversificar fontes de fornecimento, pois a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 altamente concentrada em quatro pa\u00edses, com s\u00f3 o Cazaquist\u00e3o a produzir mais de 40% do ur\u00e2nio produzido a n\u00edvel mundial. Tamb\u00e9m o enriquecimento est\u00e1 concentrado em quatro pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os futuros de ur\u00e2nio nos EUA j\u00e1 valorizaram mais de 20% para 86 d\u00f3lares a libra este ano com o surgimento do interesse em centrais nucleares para dar resposta \u00e0 febre da Intelig\u00eancia Artificial (IA). V\u00e1rias gigantes tecnol\u00f3gicas j\u00e1 assinaram acordos para usar energia nuclear para alimentar os seus centros de dados, incluindo a Amazon, Meta ou Microsoft.<\/p>\n<p>O mercado mundial de ur\u00e2nio enfrenta uma escassez: 3,1 mil milh\u00f5es de libras em falta face ao necess\u00e1rio at\u00e9 ao final de 2045, segundo contas da mineira canadiana Cameco. A contribuir para este cen\u00e1rio est\u00e1 a falta de investimento na \u00faltima d\u00e9cada, o que leva a um aumento da \u201cincerteza sobre de onde o ur\u00e2nio vai vir para satisfazer o aumento da procura\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tal como no l\u00edtio, petr\u00f3leo e g\u00e1s, o pa\u00eds conta com ur\u00e2nio no seu subsolo, mas rejeita avaliar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":491054,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,89,90,6155,32,33,30337,31402,55021],"class_list":["post-491053","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-economy","tag-empresas","tag-minas","tag-portugal","tag-pt","tag-riqueza","tag-subsolo","tag-uranio"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117116024013012707","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/491053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=491053"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/491053\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/491054"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=491053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=491053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=491053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}