{"id":491087,"date":"2026-08-18T11:06:21","date_gmt":"2026-08-18T11:06:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/491087\/"},"modified":"2026-08-18T11:06:21","modified_gmt":"2026-08-18T11:06:21","slug":"china-desafia-airbus-e-boeing-c919-estreia-a-rota-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/491087\/","title":{"rendered":"China desafia Airbus e Boeing: C919 estreia a rota internacional"},"content":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, falar de avi\u00f5es comerciais de m\u00e9dio curso significou praticamente escolher entre Airbus e Boeing. A China quer mudar este cen\u00e1rio e acaba de dar um passo importante: o COMAC C919 realizou a sua primeira liga\u00e7\u00e3o comercial internacional regular, ligando Pequim \u00e0 capital da Mong\u00f3lia.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china00.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china00-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1135955\"  \/><\/a><\/p>\n<p>O avi\u00e3o desenvolvido pela chinesa COMAC pretende concorrer diretamente com dois dos modelos mais importantes da avia\u00e7\u00e3o comercial mundial, o Airbus A320neo e o Boeing 737 MAX.<\/p>\n<p>C919 j\u00e1 transporta passageiros para fora da China<\/p>\n<p>A 12 de agosto, um <strong>C919 da Air China partiu do Aeroporto Internacional de Pequim Capital com destino a Ulaanbaatar<\/strong>, na Mong\u00f3lia.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o representa a primeira rota internacional regular do C919 entre a China e outro pa\u00eds desde que o avi\u00e3o entrou ao <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/tag\/comac\/\" rel=\"nofollow noopener\">servi\u00e7o comercial, em 2023<\/a>. A <strong>Air China utiliza os voos CA723 e CA724<\/strong> nesta opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china01.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china01-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1135956\"  \/><\/a><\/p>\n<p>O voo CA723 parte de Pequim \u00e0s 15:00 e chega a Ulaanbaatar \u00e0s 17:15. No sentido inverso, o CA724 parte \u00e0s 18:30, chegando \u00e0 capital chinesa \u00e0s 20:35. A dist\u00e2ncia \u00e9 de aproximadamente 1150 quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia deste passo est\u00e1 sobretudo no facto de n\u00e3o se tratar de um voo de demonstra\u00e7\u00e3o ou de uma presen\u00e7a num sal\u00e3o aeron\u00e1utico. Estamos perante uma utiliza\u00e7\u00e3o comercial regular do avi\u00e3o fora da China.<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, uma nuance importante. O C919 j\u00e1 operava fora da China continental. Desde janeiro de 2025 que a China Eastern Airlines utiliza o avi\u00e3o entre Xangai e Hong Kong, tendo posteriormente a Air China feito o mesmo entre Pequim e Hong Kong.<\/p>\n<p>A Mong\u00f3lia \u00e9, portanto, o <strong>primeiro pa\u00eds estrangeiro servido<\/strong> regularmente pelo modelo.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china05.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china05-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1135961\"  \/><\/a><br \/>\nChina quer atacar o mercado do Airbus A320neo e Boeing 737 MAX<\/p>\n<p>O C919 \u00e9 provavelmente o projeto mais ambicioso da ind\u00fastria aeron\u00e1utica comercial chinesa.<\/p>\n<p>Trata-se de um avi\u00e3o de corredor \u00fanico destinado principalmente a liga\u00e7\u00f5es de curto e m\u00e9dio curso, precisamente o gigantesco <strong>mercado dominado pelas fam\u00edlias Airbus A320 e Boeing 737<\/strong>.<\/p>\n<p>Na configura\u00e7\u00e3o utilizada pela <strong>Air China nesta rota, o C919 disp\u00f5e de 158 lugares<\/strong>, oito em classe executiva e 150 em econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente neste segmento que se encontra uma parte muito significativa da procura mundial por novos avi\u00f5es. Milhares de liga\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, europeias, asi\u00e1ticas e norte-americanas s\u00e3o realizadas diariamente com aeronaves desta categoria.<\/p>\n<p>A <strong>COMAC n\u00e3o pretende, portanto, construir apenas um avi\u00e3o destinado ao mercado chin\u00eas<\/strong>. A ambi\u00e7\u00e3o passa por transformar-se, a prazo, num terceiro grande fabricante mundial.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china06.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china06-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1135962\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Mas competir com Airbus e Boeing ser\u00e1 muito mais dif\u00edcil<\/p>\n<p>Voar para a Mong\u00f3lia \u00e9 uma coisa. Conseguir vender C919 em grande escala fora da China ser\u00e1 um desafio bastante maior.<\/p>\n<p>O <strong>avi\u00e3o ainda n\u00e3o possui certifica\u00e7\u00e3o das autoridades aeron\u00e1uticas dos Estados Unidos ou da Uni\u00e3o Europeia<\/strong>. Sem essas aprova\u00e7\u00f5es, o acesso aos principais mercados internacionais permanece limitado.<\/p>\n<p>A COMAC precisa igualmente de <strong>construir uma rede internacional de manuten\u00e7\u00e3o<\/strong>, pe\u00e7as, forma\u00e7\u00e3o de pilotos e assist\u00eancia t\u00e9cnica compar\u00e1vel \u00e0s estruturas que Airbus e Boeing desenvolveram ao longo de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Para uma companhia a\u00e9rea, <strong>comprar um avi\u00e3o n\u00e3o significa apenas adquirir a aeronave<\/strong>. \u00c9 necess\u00e1rio garantir manuten\u00e7\u00e3o, pe\u00e7as sobresselentes, simuladores, forma\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china02.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1135957\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china02-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"size-medium wp-image-1135957\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1135957\" class=\"wp-caption-text\">O motor do C919 \u00e9 produzido pela GE e Safran<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O C919 ainda depende bastante de tecnologia ocidental<\/p>\n<p>Existe ainda outra quest\u00e3o importante. Apesar de ser apresentado como o grande avi\u00e3o comercial desenvolvido pela China, v\u00e1rios dos seus sistemas fundamentais continuam a ter origem estrangeira.<\/p>\n<p>O exemplo mais evidente s\u00e3o os <strong>motores LEAP-1C, produzidos pela CFM International<\/strong>, uma joint venture entre a norte-americana GE Aerospace e a francesa Safran.<\/p>\n<p>V\u00e1rios sistemas eletr\u00f3nicos e aeron\u00e1uticos s\u00e3o igualmente fornecidos por empresas ocidentais. Esta depend\u00eancia representa uma vulnerabilidade para Pequim, sobretudo num contexto de crescentes tens\u00f5es comerciais e tecnol\u00f3gicas entre a China e os Estados Unidos.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia chinesa passa, por isso, n\u00e3o apenas por aumentar a produ\u00e7\u00e3o do C919, mas tamb\u00e9m por substituir progressivamente componentes estrangeiros por alternativas desenvolvidas internamente.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china04.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/comac_china04-720x405.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1135960\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Airbus e Boeing ganharam finalmente um terceiro concorrente?<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 cedo para colocar a COMAC ao n\u00edvel de Airbus e Boeing, que t\u00eam milhares de avi\u00f5es em opera\u00e7\u00e3o, vastas carteiras de encomendas e redes de assist\u00eancia constru\u00eddas ao longo de d\u00e9cadas, enquanto a <strong>produ\u00e7\u00e3o do C919 permanece muito aqu\u00e9m da escala dos concorrentes<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda assim, a China tem uma vantagem clara, <strong>\u00e9 um dos maiores mercados de avia\u00e7\u00e3o comercial do mundo<\/strong>, o que permite \u00e0 COMAC aumentar a produ\u00e7\u00e3o, ganhar experi\u00eancia e melhorar o avi\u00e3o antes mesmo de conquistar clientes ocidentais.<\/p>\n<p>A primeira rota internacional regular do C919, <strong>uma liga\u00e7\u00e3o de cerca de duas horas entre Pequim e Ulaanbaatar<\/strong>, pode parecer modesta, mas marca um momento simb\u00f3lico: pela primeira vez, o avi\u00e3o que desafia o duop\u00f3lio Airbus-Boeing transporta passageiros entre a China e outro pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante d\u00e9cadas, falar de avi\u00f5es comerciais de m\u00e9dio curso significou praticamente escolher entre Airbus e Boeing. 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