{"id":492752,"date":"2026-08-19T16:00:26","date_gmt":"2026-08-19T16:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/492752\/"},"modified":"2026-08-19T16:00:26","modified_gmt":"2026-08-19T16:00:26","slug":"reservas-muito-baixas-de-gas-antecipam-inverno-dificil-na-europa-o-problema-e-o-curto-prazo-e-ai-a-situacao-podera-ser-seria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/492752\/","title":{"rendered":"Reservas muito baixas de g\u00e1s antecipam inverno dif\u00edcil na Europa. &#8220;O problema \u00e9 o curto prazo e a\u00ed a situa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser s\u00e9ria&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>                A um m\u00eas do fim do ver\u00e3o, a m\u00e9dia europeia de reservas de g\u00e1s natural n\u00e3o chega a 60% e h\u00e1 Estados-membros muito abaixo do limite m\u00ednimo de 80% definido pela Comiss\u00e3o Europeia, como \u00e9 o caso da Alemanha, o maior consumidor de g\u00e1s do continente, que est\u00e1 abaixo dos 50%. Sem fim \u00e0 vista para a guerra no Ir\u00e3o, e mesmo com as reestrutura\u00e7\u00f5es do setor energ\u00e9tico em curso desde a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia em 2022, ind\u00fastria e consumidores poder\u00e3o sentir o impacto nos pre\u00e7os j\u00e1 a partir de outubro<\/p>\n<p>O alerta, h\u00e1 menos de um m\u00eas, veio do maior fornecedor de g\u00e1s natural da Europa. A 22 de julho, o CEO da Equinor, Anders Opedal, <a href=\"https:\/\/www.globalbankingandfinance.com\/europe-unlikely-reach-80-gas-storage-target-equinor-ceo\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">disse \u00e0 Reuters<\/a> que o continente poder\u00e1 n\u00e3o conseguir encher os seus reservat\u00f3rios de g\u00e1s at\u00e9 80% da capacidade antes da chegada do inverno \u2013 com os volumes de g\u00e1s armazenado significativamente abaixo da m\u00e9dia de cinco anos e no segundo valor mais baixo dos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>Com a guerra no Ir\u00e3o ainda sem fim \u00e0 vista e o Estreito de Ormuz fechado, a Comiss\u00e3o Europeia flexibilizou as regras relativas ao armazenamento de g\u00e1s, permitindo que os Estados-membros atinjam pelo menos 80% da capacidade at\u00e9 ao in\u00edcio de novembro, em condi\u00e7\u00f5es de mercado dif\u00edceis, dez pontos percentuais abaixo do anterior limite m\u00ednimo de 90%. Mas, neste momento, tudo indica que o grosso dos pa\u00edses n\u00e3o vai chegar nem perto desses 80%.<\/p>\n<p>\u00c0 CNN, o economista Ricardo Marques, da consultora Informa\u00e7\u00f5es de Mercados Financeiros (IMF), confirma que as reservas de g\u00e1s natural \u201cest\u00e3o muito abaixo\u201d de anos anteriores, com uma m\u00e9dia europeia de 59,3% e situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas como a da Alemanha, o maior consumidor do continente, com as reservas a 47%, e da B\u00e9lgica, a 41%. \u201cE o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 esse \u2013 \u00e9 que a dificuldade de chegar aos tais 80 a 90% \u00e9 muito maior do que no ano passado, porque temos o Catar, respons\u00e1vel por cerca de 20% da produ\u00e7\u00e3o mundial de g\u00e1s natural liquefeito (GNL), basicamente parado\u201d, adianta o especialista em energia e mat\u00e9rias primas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 verdade que a Europa tem menos g\u00e1s armazenado do que o habitual nesta altura do ano [mas] tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a Europa est\u00e1 a consumir menos cerca de 20% de g\u00e1s do que h\u00e1 apenas alguns anos, gra\u00e7as principalmente \u00e0s energias renov\u00e1veis, pelo que n\u00e3o precisa de tanto g\u00e1s armazenado como antes\u201d, sublinha Chris Aylett, investigador do Centro de Ambiente e Sociedade da Chatham House.<\/p>\n<p>Ainda assim, Aylett assume que, \u201cse este inverno for suficientemente frio e os tanques de armazenamento permanecerem relativamente pouco cheios, a Europa poder\u00e1 ser obrigada a pagar um pr\u00e9mio de emerg\u00eancia para atrair cargas de GNL \u2013 um custo que acabar\u00e1 por ser suportado pelos contribuintes, atrav\u00e9s de subs\u00eddios, e pelos consumidores de energia, atrav\u00e9s das faturas\u201d.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a579024d34e511da0b2d84e.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;O g\u00e1s do Golfo, sob a forma de GNL, foi muito mais afetado do que o petr\u00f3leo [pela guerra do Ir\u00e3o], e \u00e9 prov\u00e1vel que os danos se prolonguem por mais tempo, porque ao contr\u00e1rio do petr\u00f3leo, a maior parte do GNL do Golfo n\u00e3o tem outra via de comercializa\u00e7\u00e3o sen\u00e3o atrav\u00e9s do Estreito&#8221;, explica Chris Aylett. (Amirhosein Khorgooi\/ISNA\/AP) <\/p>\n<p>V\u00e1rios fatores explicam a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica das reservas de g\u00e1s natural na Europa, quando falta cerca de um m\u00eas para a chegada do outono. Em primeiro lugar h\u00e1 a geopol\u00edtica mundial, em particular a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Ir\u00e3o no final de fevereiro, que n\u00e3o s\u00f3 afetou as capacidades de produ\u00e7\u00e3o, armazenamento e escoamento de g\u00e1s do Catar, como tem mantido o Estreito de Ormuz fechado h\u00e1 quase meio ano.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO g\u00e1s do Golfo, sob a forma de GNL, foi muito mais afetado do que o petr\u00f3leo por esta crise, e \u00e9 prov\u00e1vel que os danos se prolonguem por mais tempo, porque, ao contr\u00e1rio do petr\u00f3leo, a maior parte do GNL do Golfo n\u00e3o tem outra via de comercializa\u00e7\u00e3o sen\u00e3o atrav\u00e9s do Estreito\u201d, explica Chris Aylett. Antes da guerra, \u201co Catar tinha grandes planos de expans\u00e3o e estava prestes a tornar-se o segundo maior exportador mundial de GNL, mas isso agora est\u00e1 posto em causa, devido \u00e0 incerteza cont\u00ednua quanto ao destino do Estreito, aos <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/why-the-damage-to-qatars-gas-infrastructure-could-push-costs-higher-for-years-to-come-278943\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">danos causados \u00e0s infraestruturas essenciais<\/a> pelos m\u00edsseis iranianos e \u00e0s enormes perdas de receitas que a <a href=\"https:\/\/www.cnbc.com\/2026\/03\/19\/iran-attack-qatar-lng-capacity.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">QatarEnergy est\u00e1 a sofrer<\/a>\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Depois, e \u201c\u00e0 medida que o abastecimento de g\u00e1s da Europa se baseia cada vez mais no GNL em vez dos oleodutos, os consumidores europeus ficam expostos \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do mercado global de GNL\u201d, acrescenta o especialista. \u201cA potencial perda da produ\u00e7\u00e3o atual e futura do Catar representa um grande golpe para o abastecimento global de GNL, que n\u00e3o ser\u00e1 rapidamente substitu\u00eddo, mesmo com outros pa\u00edses, como o Canad\u00e1, a entrar no mercado.\u201d<\/p>\n<p>A juntar a isto est\u00e1 o ver\u00e3o particularmente quente que atingiu a Europa este ano, com sucessivas ondas de calor a impactarem diretamente a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de eletricidade e, por conseguinte, a capacidade de encher os reservat\u00f3rios de g\u00e1s at\u00e9 ao inverno. \u201cApesar do problema do Catar desde que a guerra come\u00e7ou, os pre\u00e7os do g\u00e1s e da eletricidade em mar\u00e7o e abril n\u00e3o sofreram muito, porque \u00e9 uma altura em que o consumo \u00e9 menor, n\u00e3o est\u00e1 frio nem calor, e como choveu muito as barragens produziram muita eletricidade\u201d, esclarece Ricardo Marques. Mas com a chegada do ver\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o complicou-se e \u201co impacto foi e continua a ser sentido pela ind\u00fastria e indiretamente pelos consumidores\u201d, aponta.<\/p>\n<p>\u201cCom a vaga de calor, aumentou o consumo de energia para ar condicionado e houve <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/06\/27\/climate\/europe-heat-wave-nuclear-trains-infrastructure.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">condicionamentos na produ\u00e7\u00e3o nuclear<\/a> nalguns pa\u00edses, porque os rios est\u00e3o demasiado quentes ou os leitos demasiado baixos, e tudo isso obriga a um consumo superior de g\u00e1s para produ\u00e7\u00e3o de eletricidade \u2013 se n\u00e3o fosse preciso tanto, esse g\u00e1s iria para as reservas para o inverno. Tamb\u00e9m na componente de consumo, tudo isto gira \u00e0 volta da meteorologia e se h\u00e1 ou n\u00e3o fen\u00f3menos extremos.\u201d E isso tamb\u00e9m se aplica ao inverno que nos espera, e se ser\u00e1 rigoroso ou mais ameno.<\/p>\n<p>\u201cOs nossos sistemas essenciais, como os da energia e da alimenta\u00e7\u00e3o, foram concebidos para um clima est\u00e1vel\u201d, sublinha Chris Aylett, mas, \u201cdevido \u00e0 nossa queima cont\u00ednua de combust\u00edveis f\u00f3sseis, j\u00e1 deix\u00e1mos essa era para tr\u00e1s e, \u00e0 medida que os fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos se tornam a norma, a pol\u00edtica energ\u00e9tica deve ser orientada para a resili\u00eancia dos sistemas\u201d, defende o investigador da Chatham House.<\/p>\n<p>Muitos aspetos desta nova era s\u00e3o \u201cbastante previs\u00edveis\u201d, adianta Aylett. \u201cAs temperaturas elevadas v\u00e3o implicar uma menor produ\u00e7\u00e3o a partir de algumas fontes, como a energia hidroel\u00e9trica e a nuclear; uma maior produ\u00e7\u00e3o a partir de outras fontes, como a energia solar; e uma maior procura por ar condicionado. E as temperaturas mais baixas ir\u00e3o sempre aumentar a procura de aquecimento, quer se utilize g\u00e1s quer eletricidade. Estes n\u00e3o s\u00e3o problemas insuper\u00e1veis, mas exigem que enfrentemos a nova realidade que cri\u00e1mos, em vez de esperarmos em v\u00e3o que as nossas infraestruturas antigas de alguma forma se safem.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7ecde5d34ed0733ba7fcd0.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   As ondas de calor deste ver\u00e3o levaram a um maior consumo de eletricidade para ar condicionado na Europa, o que tamb\u00e9m est\u00e1 a dificultar o armazenamento de g\u00e1s natural para o inverno. (Andrew Medichini\/AP) <\/p>\n<p>Mais procura, menos incentivos \u00e0s operadoras <\/p>\n<p>Quando o CEO da Equinor alertou para os reduzidos stocks europeus de g\u00e1s e o risco de n\u00e3o se atingirem os 80% de reservas at\u00e9 ao outono, a empresa tinha acabado de registar o seu maior lucro trimestral desde o in\u00edcio de 2023 e j\u00e1 havia <a href=\"https:\/\/www.politico.eu\/article\/germany-gas-reserve-low-europe-winter-energy\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">press\u00f5es sobre Berlim<\/a> para fazer o impens\u00e1vel \u2013 intervir diretamente junto das gigantes energ\u00e9ticas estatais para comprarem g\u00e1s a qualquer pre\u00e7o, abandonando anos de doutrina do mercado livre na pol\u00edtica energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Face \u00e0 dimens\u00e3o da Alemanha, h\u00e1 receios de que a escassez de g\u00e1s no pa\u00eds durante o pr\u00f3ximo inverno venha a ter um efeito de cont\u00e1gio nos pa\u00edses vizinhos, fazendo subir os pre\u00e7os em todo o bloco caso n\u00e3o consiga restabelecer as suas reservas. Mas por agora a chancelaria de Friedrich Merz n\u00e3o parece preocupada com os riscos de uma maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os de mercado em compara\u00e7\u00e3o com invernos anteriores.<\/p>\n<p>A Europa consome mais g\u00e1s do que aquele que encontra dentro das suas fronteiras, com os <a href=\"https:\/\/www.energyinst.org\/statistical-review\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">dados mais recentes<\/a> a mostrarem que \u00e9 respons\u00e1vel por 11,7% do consumo total mundial, quando produz apenas 4,8% e det\u00e9m apenas 1,7% das reservas comprovadas. Isto significa que o grosso dos pa\u00edses do continente depende fortemente do mercado para encher os reservat\u00f3rios de g\u00e1s.<\/p>\n<p>Numa situa\u00e7\u00e3o normal, \u201cos operadores compram a pre\u00e7os baixos no ver\u00e3o, armazenam o g\u00e1s e vendem-no quando os pre\u00e7os est\u00e3o mais elevados no inverno\u201d, explica Aylett. \u201cO problema este ano \u00e9 que a diferen\u00e7a entre os pre\u00e7os de ver\u00e3o e os pre\u00e7os \u2018a prazo\u2019 de inverno n\u00e3o tem sido suficiente para incentivar os operadores a encher os reservat\u00f3rios de g\u00e1s de acordo com as metas da UE.\u201d<\/p>\n<p>Com a capacidade de produ\u00e7\u00e3o mundial de GNL a aumentar, diz Ricardo Marques, da IMF, \u201cos pre\u00e7os que est\u00e3o a ser praticados no g\u00e1s natural para 2027 est\u00e3o quase a metade do que se est\u00e3o a negociar em 2026\u201d, tamb\u00e9m pela expectativa de que a guerra no Ir\u00e3o acabe at\u00e9 l\u00e1 \u2013 \u201ca partir do momento em que o Catar regressar ao mercado, vamos estar numa situa\u00e7\u00e3o de excesso de produ\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6a7ecfe6d34e511da0b3345a.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Pa\u00edses como o Canad\u00e1 (na foto) est\u00e3o a investir muito no GNL, mas isto n\u00e3o substituir\u00e1 rapidamente &#8220;a potencial perda da produ\u00e7\u00e3o atual e futura do Catar&#8221;, que para Chris Aylett &#8220;representa um grande golpe para o abastecimento global&#8221;. (DR) <\/p>\n<p>\u201cApesar de o Catar estar praticamente parado desde mar\u00e7o, a produ\u00e7\u00e3o global de GNL em junho foi praticamente igual \u00e0 de junho do ano passado, o que significa que houve um aumento grande da capacidade mundial de produ\u00e7\u00e3o. Agora, at\u00e9 ao inverno, \u00e9 preciso ver se o Catar vai voltar a estar no mercado ou n\u00e3o\u201d, sublinha o especialista.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAcreditava-se que nesta altura j\u00e1 estivesse, mas n\u00e3o est\u00e1, o Estreito de Ormuz continua fechado e vai demorar muito tempo para o Catar regressar aos n\u00edveis pr\u00e9-guerra\u201d mesmo que a passagem mar\u00edtima seja reaberta entretanto, acrescenta. \u201cA guerra afetou em 17% a capacidade de produ\u00e7\u00e3o dos cataris, o que significa que, noutras circunst\u00e2ncias, conseguiriam fornecer pelo menos 80% \u00e0 Europa em compara\u00e7\u00e3o com fevereiro [antes da guerra] e agora nem chega a 10%.\u201d<\/p>\n<p>Os efeitos da guerra de Donald Trump no Ir\u00e3o n\u00e3o se limitam a isto. Com o Estreito de Ormuz fechado, \u201ce apesar de o g\u00e1s do Catar estar a ir essencialmente para a \u00c1sia nesta altura, a \u00c1sia tamb\u00e9m est\u00e1 a ir buscar g\u00e1s aos mercados onde a Europa compra, como os Estados Unidos, e isso tamb\u00e9m tem impacto na Europa\u201d, explica Ricardo Marques, sobretudo depois de, nos \u00faltimos anos, a UE ter substitu\u00eddo os seus acordos de fornecimento a longo prazo com a R\u00fassia por compras a curto prazo de GNL comercializado a n\u00edvel mundial. A administra\u00e7\u00e3o Trump tem estado a apostar em for\u00e7a neste combust\u00edvel f\u00f3ssil, mas as infraestruturas necess\u00e1rias para o processo de transformar o g\u00e1s em GNL n\u00e3o est\u00e3o a acompanhar as novas din\u00e2micas de oferta e demanda.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs EUA est\u00e3o com capacidade excedent\u00e1ria na produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, mas o problema \u00e9 que, para o g\u00e1s ser liquefeito, \u00e9 preciso construir f\u00e1bricas que o transformem de gasoso para l\u00edquido para depois transportar em navios\u201d, lembra o analista da IMF, que tra\u00e7a um paralelismo com a R\u00fassia \u2013 \u201cest\u00e1 a enfrentar a mesma situa\u00e7\u00e3o com tudo o que n\u00e3o envia por gasodutos porque, ao contr\u00e1rio do petr\u00f3leo, que \u00e9 s\u00f3 despejar em petroleiros, no caso do g\u00e1s tem de haver investimento e levam-se anos para se constru\u00edrem essas infraestruturas\u201d.<\/p>\n<p>Tudo isto est\u00e1 a traduzir-se em \u201cdin\u00e2micas de grande import\u00e2ncia geopol\u00edtica\u201d, destaca Chris Aylett. \u201cEm termos muito simples, os choques de 2022 e 2026 est\u00e3o a incentivar os importadores de combust\u00edveis f\u00f3sseis a reduzir a sua depend\u00eancia e os exportadores de combust\u00edveis f\u00f3sseis a tirar partido da volatilidade e da escassez \u2013 no primeiro grupo, temos grande parte da \u00c1sia e a Europa a adquirir pain\u00e9is solares, baterias e ve\u00edculos el\u00e9tricos chineses; no segundo, temos pa\u00edses do continente americano a aumentar as suas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e GNL, seguindo as pisadas dos EUA.\u201d<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 sempre a tend\u00eancia de ver como \u00e9 que as coisas est\u00e3o na nossa casa, mas temos de ver o que se passa a n\u00edvel global, porque tem sempre impacto aqui \u2013 e se tivermos uma regi\u00e3o a consumir muito mais, isso tamb\u00e9m tem impacto aqui\u201d, acrescenta Ricardo Marques, que d\u00e1 como o exemplo o caso do petr\u00f3leo russo ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. \u201cUm dos maiores problemas \u00e9 a R\u00fassia n\u00e3o poder exportar para a Europa e, com o Brasil e a Turquia sem poderem comprar \u00e0 R\u00fassia, v\u00e3o comprar onde a Europa est\u00e1 a comprar \u2013 e os pre\u00e7os sobem.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/683f0b58d34e3f0bae9ef5a3.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   \u201cA constru\u00e7\u00e3o de um sistema energ\u00e9tico baseado nas energias renov\u00e1veis e na eletrifica\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, a \u00fanica boa op\u00e7\u00e3o&#8221; da UE no atual contexto mundial, defende investigador da Chatham House. (Matthias Schrader\/AP) <\/p>\n<p>&#8220;\u00danica boa op\u00e7\u00e3o&#8221; envolve muito dinheiro &#8211; e muito tempo <\/p>\n<p>Confrontado com os baixos n\u00edveis de g\u00e1s armazenado, o Grupo de Trabalho da Uni\u00e3o da Energia, uma coliga\u00e7\u00e3o de pa\u00edses europeus e membros da Comiss\u00e3o Europeia que coordenam as pol\u00edticas energ\u00e9ticas do bloco, veio garantir recentemente que o continente n\u00e3o corre o risco de ficar sem g\u00e1s e que os pre\u00e7os do g\u00e1s natural est\u00e3o \u201csignificativamente mais baixos\u201d do que os n\u00edveis de 2022, quando come\u00e7ou a guerra na Ucr\u00e2nia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 qualquer preocupa\u00e7\u00e3o imediata quanto \u00e0 seguran\u00e7a do abastecimento para o inverno\u201d, garantiu a task force.<\/p>\n<p>\u201cEstamos sempre a falar de pre\u00e7os muito mais baixos do que em 2022 \u2013 hoje o pre\u00e7o do g\u00e1s no mercado europeu est\u00e1 nos 59, quando em 2022 estava nos 150\u201d, confirma Ricardo Marques. A situa\u00e7\u00e3o atual \u201cn\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel com o que se registou em 2022 e esse cen\u00e1rio n\u00e3o se coloca, exatamente porque, desde ent\u00e3o, j\u00e1 se reduziu bastante a depend\u00eancia europeia do g\u00e1s e h\u00e1 muito mais capacidade mundial de produ\u00e7\u00e3o \u2013 a quest\u00e3o \u00e9 que, este ano, cheg\u00e1mos a estar nos 30 e agora estamos quase no dobro, \u00e9 essa a diferen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>O impacto pode ser global, mas as respostas s\u00e3o quase sempre for\u00e7osamente nacionais \u2013 e, no caso europeu, muitas vezes comunit\u00e1rias. H\u00e1 um m\u00eas, no embalo da reestrutura\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em curso no bloco desde o in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, a Comiss\u00e3o Europeia apresentou o seu antecipado <a href=\"https:\/\/energy.ec.europa.eu\/topics\/eus-energy-system\/electrification_en\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Plano de A\u00e7\u00e3o para a Eletrifica\u00e7\u00e3o<\/a>, com uma meta de eletrifica\u00e7\u00e3o de 46% at\u00e9 2040, no \u00e2mbito do pacote Uni\u00e3o da Energia p\u00f3s-2030.<\/p>\n<p>O objetivo fulcral \u00e9 reduzir a fatura de importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis da UE em 260 mil\u00a0 milh\u00f5es de euros por ano ao longo dos pr\u00f3ximos 14 anos, mantendo forte aposta em energias renov\u00e1veis \u2013 que, <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/en\/web\/products-eurostat-news\/w\/ddn-20260723-1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">segundo o Eurostat<\/a>, representaram quase 50% do consumo bruto de eletricidade do bloco em 2025, em compara\u00e7\u00e3o com os 15,9% registados no ano anterior \u2013 para, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u201ctornar a Europa o primeiro continente movido a energia el\u00e9trica\u201d.<\/p>\n<p>Para Chris Aylett, \u201ca estrat\u00e9gia da UE \u00e9 a correta\u201d e o \u00fanico caminho a seguir. \u201cA constru\u00e7\u00e3o de um sistema energ\u00e9tico baseado nas energias renov\u00e1veis e na eletrifica\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, a sua <a href=\"https:\/\/www.chathamhouse.org\/2026\/01\/why-renewables-and-electrification-hold-keys-eu-energy-security\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u00fanica boa op\u00e7\u00e3o<\/a>, mas isso exigir\u00e1 investimento cont\u00ednuo, em particular na rede el\u00e9trica\u201d, diz. E a\u00ed surge um primeiro grande desafio. \u201cSem interven\u00e7\u00e3o, os custos ir\u00e3o recair sobre os consumidores e as empresas, que j\u00e1 enfrentam dificuldades financeiras\u201d, avisa o investigador. \u201cA UE precisa de recorrer mais ao seu balan\u00e7o financeiro, por exemplo, atrav\u00e9s de empr\u00e9stimos conjuntos, para suportar os custos e os riscos associados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas europeias essenciais.\u201d<\/p>\n<p>Questionado sobre o plano de eletrifica\u00e7\u00e3o, Ricardo Marques diz que \u201cpode ou n\u00e3o ser suficiente\u201d, mas que, \u201cem termos de seguran\u00e7a energ\u00e9tica, \u00e9 para a\u00ed que temos de caminhar\u201d, acima de tudo face \u00e0 \u201cdepend\u00eancia de uma situa\u00e7\u00e3o internacional que, como j\u00e1 se viu v\u00e1rias vezes nos \u00faltimos anos, pode levar a disrup\u00e7\u00f5es s\u00e9rias de um momento para o outro\u201d. Mas em cima dos custos deste plano e de como ser\u00e3o financiados est\u00e1 o tempo necess\u00e1rio para que as infraestruturas estejam totalmente operacionais e \u00e0 escala certa, numa altura em que o tempo escasseia.<\/p>\n<p>\u201cIsto s\u00e3o tudo situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se resolvem de um dia para o outro, s\u00e3o processos que levam muito tempo\u201d, ressalta o especialista em energia e mat\u00e9rias primas. \u201cO problema agora \u00e9 mesmo o curto prazo e a\u00ed a situa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser s\u00e9ria, sobretudo se o inverno for muito rigoroso. Vamos entrar no inverno com stocks baixos e n\u00e3o estou a ver como podem sequer ir aos 80% at\u00e9 outubro e isto vai impactar os pre\u00e7os quer do g\u00e1s, quer da eletricidade \u2013 v\u00e3o ficar mais altos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A um m\u00eas do fim do ver\u00e3o, a m\u00e9dia europeia de reservas de g\u00e1s natural n\u00e3o chega a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":492753,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[609,836,611,27,88,254,607,608,786,333,832,604,135,610,476,89,3118,90,413,51278,33136,42755,301,830,5453,603,570,831,833,62,834,13,835,602,52,32,33,839,1977,29],"class_list":["post-492752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-business","tag-catar","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-combustiveis-fosseis","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-economy","tag-eletricidade","tag-empresas","tag-eua","tag-fatura","tag-gas-natural","tag-gnl","tag-governo","tag-guerra","tag-irao","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-russia","tag-ue","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/492752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=492752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/492752\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/492753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=492752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=492752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=492752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}