{"id":493056,"date":"2026-08-19T20:22:16","date_gmt":"2026-08-19T20:22:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/493056\/"},"modified":"2026-08-19T20:22:16","modified_gmt":"2026-08-19T20:22:16","slug":"uma-celula-imunitaria-pouco-comum-pode-ajudar-a-explicar-por-que-algumas-pessoas-superam-os-110-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/493056\/","title":{"rendered":"Uma c\u00e9lula imunit\u00e1ria pouco comum pode ajudar a explicar por que algumas pessoas superam os 110 anos"},"content":{"rendered":"<p>                O sistema imunit\u00e1rio dos supercenten\u00e1rios guarda uma pista sobre a longevidade<\/p>\n<p>Os supercenten\u00e1rios vivem at\u00e9 aos 110 anos ou mais e a forma como o conseguem tem despertado o interesse da ci\u00eancia. Agora, um grupo de investigadores descobriu um tipo pouco comum de c\u00e9lula imunit\u00e1ria que se multiplica nestas pessoas e que poder\u00e1 ajudar a proteg\u00ea-las contra o cancro e outras amea\u00e7as relacionadas com o envelhecimento.<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s da investiga\u00e7\u00e3o, publicada na revista Cell Reports, est\u00e3o cientistas da Universidade de Osaka, no Jap\u00e3o, que procuram explicar por que algumas pessoas chegam a idades muito avan\u00e7adas sem sofrer de doen\u00e7as graves.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0s suas conclus\u00f5es, a equipa liderada por Kosuke Hashimoto analisou amostras de sangue de 28 adultos japoneses divididos em tr\u00eas grupos et\u00e1rios: dos 70 aos 99 anos, dos 100 aos 109 anos e com 110 anos ou mais.<\/p>\n<p>Destes, 20 eram mulheres e oito eram homens. As 10 pessoas supercenten\u00e1rias que participaram no estudo eram mulheres, o que reflete o facto de os homens supercenten\u00e1rios serem extremamente raros, explica Hashimoto \u00e0 EFE.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas T do sistema imunit\u00e1rio s\u00e3o tradicionalmente divididas em dois grupos: as auxiliares, que coordenam as respostas imunit\u00e1rias, e as &#8220;assassinas&#8221;, que destroem c\u00e9lulas infetadas ou cancerosas.<\/p>\n<p>Os supercenten\u00e1rios acumulam um tipo h\u00edbrido pouco comum conhecido como linf\u00f3citos T CD4 citot\u00f3xicos. S\u00e3o raros e t\u00eam capacidade tanto para reconhecer amea\u00e7as como para destruir c\u00e9lulas perigosas.<\/p>\n<p>O novo estudo constatou que estas c\u00e9lulas continuam a ser pouco frequentes durante a maior parte da vida, mas multiplicam-se de forma &#8220;espetacular&#8221; por volta dos 100 anos.<\/p>\n<p>Assim, v\u00e3o aumentando com a idade, com percentagens m\u00e9dias de 4%, 9,6% e 17,6%, respetivamente, nos grupos et\u00e1rios analisados no estudo, especifica a revista.<\/p>\n<p>&#8220;Analis\u00e1mos uma popula\u00e7\u00e3o celular pouco comum que \u00e9 abundante nos supercenten\u00e1rios e encontr\u00e1mos ind\u00edcios de remodela\u00e7\u00e3o imunit\u00e1ria numa idade extremamente avan\u00e7ada&#8221;, afirma Hashimoto. &#8220;Em vez de mostrarem sinais de exaust\u00e3o, mant\u00eam-se muito ativas e podem ajudar o organismo a lidar com amea\u00e7as persistentes que aumentam com a idade.&#8221;<\/p>\n<p>Muitas destas c\u00e9lulas tinham-se multiplicado at\u00e9 formar grandes popula\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas id\u00eanticas \u2013 atrav\u00e9s de um processo chamado expans\u00e3o clonal \u2013, o que sugere que tinham encontrado repetidamente os mesmos alvos ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Surpreendentemente, acrescentam os autores numa nota da Universidade de Osaka, os sensores moleculares destas c\u00e9lulas coincidiam em grande medida com os encontrados nas c\u00e9lulas imunit\u00e1rias de doentes com cancro, apesar de os supercenten\u00e1rios n\u00e3o terem antecedentes da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;A semelhan\u00e7a entre estas sequ\u00eancias de recetores e as encontradas nas c\u00e9lulas T dos tumores sugere que estas c\u00e9lulas podem ajudar a reconhecer os tumores antes de serem clinicamente detet\u00e1veis&#8221;, aponta Hashimoto.<\/p>\n<p>Formalmente, a equipa n\u00e3o conseguiu analisar as diferen\u00e7as entre os sexos na amostra de 28 pessoas. No entanto, um estudo anterior, de 2019, incluiu homens supercenten\u00e1rios e tamb\u00e9m registou um aumento dos linf\u00f3citos T CD4 citot\u00f3xicos nestes indiv\u00edduos, recorda Hashimoto.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 muito por compreender<\/p>\n<p>Uma das principais quest\u00f5es \u00e9 saber onde se encontram estas c\u00e9lulas imunit\u00e1rias pouco comuns no organismo e o que realmente reconhecem nesse local. Essa ser\u00e1 uma das quest\u00f5es que a equipa de Osaka vai estudar agora.<\/p>\n<p>Os investigadores alertam que o estudo n\u00e3o demonstra que os linf\u00f3citos T citot\u00f3xicos provoquem diretamente a longevidade.<\/p>\n<p>No entanto, afirmam que os resultados oferecem uma das imagens mais claras at\u00e9 \u00e0 data sobre a forma como o sistema imunit\u00e1rio se adapta nas pessoas que atingem uma esperan\u00e7a de vida excecional. O trabalho permite compreender melhor o envelhecimento saud\u00e1vel e poder\u00e1 contribuir para a prote\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as nos supercenten\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O sistema imunit\u00e1rio dos supercenten\u00e1rios guarda uma pista sobre a longevidade Os supercenten\u00e1rios vivem at\u00e9 aos 110 anos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":493057,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[609,836,611,27,1207,78810,78811,607,608,333,832,604,135,610,476,1490,23320,301,830,116,603,570,4589,831,833,62,834,13,835,602,52,32,33,117,21637,29,78812],"class_list":["post-493056","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-cancro","tag-celulas-imunitarias","tag-celulas-t-cd4-citotoxicas","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-envelhecimento","tag-envelhecimento-saudavel","tag-governo","tag-guerra","tag-health","tag-justica","tag-live","tag-longevidade","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-supercentenarios","tag-ultimas","tag-viver-mais-de-110-anos"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=493056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493056\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/493057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=493056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=493056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=493056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}