{"id":493402,"date":"2026-08-20T02:35:15","date_gmt":"2026-08-20T02:35:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/493402\/"},"modified":"2026-08-20T02:35:15","modified_gmt":"2026-08-20T02:35:15","slug":"hepatites-d-e-e-tambem-circulam-no-brasil-e-preocupam-19-08-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/493402\/","title":{"rendered":"Hepatites D e E tamb\u00e9m circulam no Brasil e preocupam &#8211; 19\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Quando se fala em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/07\/casos-de-hepatite-a-disparam-em-sp-e-ja-superam-em-174-o-total-de-2025.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">hepatite<\/a> viral, os tipos A, B e C costumam ser os mais lembrados, mas eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos capazes de causar a infec\u00e7\u00e3o no f\u00edgado. As hepatites D e E tamb\u00e9m circulam no Brasil e podem provocar complica\u00e7\u00f5es graves, embora ainda sejam pouco investigadas e diagnosticadas.<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o de 200 estudos liderada por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita reuniu dados de 14,5 milh\u00f5es de pessoas para tra\u00e7ar um panorama das hepatites virais no pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0353840\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Publicada na revista PLOS One<\/a> em julho, a pesquisa considerou trabalhos realizados entre 2013 e 2024 e mostra que a frequ\u00eancia das hepatites D e E pode ser expressiva em determinados grupos e localidades.<\/p>\n<p>Em alguns estudos, a preval\u00eancia da hepatite D, tamb\u00e9m conhecida como Delta, ultrapassou 20% na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/amazonia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">regi\u00e3o amaz\u00f4nica<\/a>. J\u00e1 a hepatite E apresentou \u00edndices de at\u00e9 59% em levantamentos realizados no Sul.<\/p>\n<p>&#8220;A pesquisa nos alerta para a presen\u00e7a dessas sorologias incomuns que podem n\u00e3o estar sendo diagnosticadas corretamente por n\u00e3o estarem no radar de nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica&#8221;, avalia o patologista Jo\u00e3o Renato Rebello Pinho, coordenador do estudo.<\/p>\n<p>Cinco v\u00edrus, diferentes formas de infec\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Embora todas sejam chamadas de hepatites virais, as infec\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o iguais. Os v\u00edrus A, B, C, D e E apresentam diferentes formas de transmiss\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o. As hepatites A e E est\u00e3o principalmente relacionadas \u00e0 ingest\u00e3o de \u00e1gua ou alimentos contaminados. J\u00e1 os tipos B, C e D est\u00e3o associados principalmente ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2024\/01\/o-que-sao-as-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-e-como-se-proteger-delas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">contato sexual<\/a>, com sangue e outros fluidos corporais, embora existam diferen\u00e7as importantes entre elas.<\/p>\n<p>A hepatite D tem uma particularidade: ela depende do v\u00edrus da hepatite B para infectar o organismo. Por isso, a vacina\u00e7\u00e3o contra a hepatite B tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de prevenir a hepatite D. \u00c9 justamente essa rela\u00e7\u00e3o que ajuda a explicar por que ela aparece com maior frequ\u00eancia em algumas \u00e1reas onde o v\u00edrus B \u00e9 mais comum.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o pode ser especialmente grave. Como ocorre em pessoas que t\u00eam o v\u00edrus da hepatite B, a associa\u00e7\u00e3o entre os dois v\u00edrus pode aumentar o risco de danos ao <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/08\/o-que-significa-gordura-no-figado-e-como-identificar.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">f\u00edgado<\/a>. &#8220;O v\u00edrus D utiliza o v\u00edrus B, mesmo que esse esteja aparentemente controlado, e reativa a doen\u00e7a, por isso a correla\u00e7\u00e3o entre eles&#8221;, explica Pinho. A transmiss\u00e3o dos v\u00edrus B e D est\u00e1 relacionada ao contato com sangue e fluidos corporais, incluindo rela\u00e7\u00f5es sexuais sem <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/02\/com-queda-no-uso-de-camisinhas-governo-federal-e-marcas-tentam-ampliar-adesao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">preservativo<\/a>.<\/p>\n<p>No Brasil, os estudos indicam predomin\u00e2ncia do gen\u00f3tipo 3 do v\u00edrus D na Amaz\u00f4nia, variante associada a quadros mais graves. &#8220;\u00c9 uma doen\u00e7a de tratamento complexo e conta com poucas ferramentas de diagn\u00f3stico e manejo. N\u00e3o temos, por exemplo, um teste r\u00e1pido para hepatite Delta&#8221;, observa o patologista. &#8220;Al\u00e9m disso, ela \u00e9 mais frequente no Brasil em popula\u00e7\u00f5es pobres e mais isoladas, como ribeirinhos e ind\u00edgenas, gerando uma s\u00e9rie de entraves para o acesso \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sa\u00fade<\/a>, que dificultam o progn\u00f3stico desses pacientes.&#8221;<\/p>\n<p>Apenas 16 trabalhos sobre hepatite D foram inclu\u00eddos na revis\u00e3o. Como a doen\u00e7a \u00e9 pouco estudada, n\u00e3o est\u00e1 claro o motivo de ela n\u00e3o se espalhar pelo Brasil, como ocorreu com o gen\u00f3tipo 1, que se difundiu nos pa\u00edses europeus do Mediterr\u00e2neo a partir do continente africano. &#8220;Uma das hip\u00f3teses que temos \u00e9 que, como o gen\u00f3tipo 3 leva a infec\u00e7\u00f5es mais graves, os atingidos viajam menos e possuem menos contato com outras popula\u00e7\u00f5es&#8221;, analisa o pesquisador do Einstein.<\/p>\n<p>Hepatite E ainda passa despercebida<\/p>\n<p>A hepatite E apresenta caracter\u00edsticas diferentes. O v\u00edrus pode ser transmitido pela ingest\u00e3o de \u00e1gua e alimentos contaminados e tamb\u00e9m est\u00e1 presente em animais, especialmente em su\u00ednos. No Brasil, o gen\u00f3tipo 3 \u00e9 predominante. Diferentemente de outras variantes do v\u00edrus E, associadas a grandes surtos em algumas partes do mundo, essa tende a apresentar um comportamento menos agressivo. Ainda assim, a infec\u00e7\u00e3o pode causar les\u00f5es graves no f\u00edgado e, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, levar \u00e0 necessidade de transplante.<\/p>\n<p>Estudos realizados em animais identificaram a presen\u00e7a do v\u00edrus da hepatite E em porcos de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. Por isso, a infec\u00e7\u00e3o humana \u00e9 mais frequente entre pessoas que vivem ou trabalham pr\u00f3ximas a animais infectados. Na revis\u00e3o, a preval\u00eancia da hepatite E na popula\u00e7\u00e3o geral variou de 0,9% a 59,4%, com os principais \u00edndices registrados em estudos realizados no Sul, regi\u00e3o com importante atividade de cria\u00e7\u00e3o de su\u00ednos. &#8220;Os estudos feitos em animais brasileiros detectaram porcos com hepatite E em todas as regi\u00f5es do Brasil&#8221;, observa Jo\u00e3o Renato Pinho.<\/p>\n<p>Segundo o patologista, n\u00e3o se sabe exatamente quantas pessoas t\u00eam hepatite E, j\u00e1 que se testa pouco. &#8220;O que os levantamentos indicam \u00e9 que pessoas negativas para os demais v\u00edrus da hepatite podem ter, na verdade, essa forma da doen\u00e7a&#8221;, relata. A hepatite E foi inclu\u00edda em apenas 30 dos 200 estudos analisados, outro indicador da falta de dados sobre sua ocorr\u00eancia no territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Diagn\u00f3stico \u00e9 um dos desafios<\/p>\n<p>A escassez de estudos sobre as hepatites D e E dificulta entender n\u00e3o apenas quantas pessoas est\u00e3o infectadas, mas tamb\u00e9m como os v\u00edrus circulam e quais grupos est\u00e3o mais expostos. O problema \u00e9 relevante porque uma pessoa pode apresentar uma infec\u00e7\u00e3o sem sintomas durante parte de sua evolu\u00e7\u00e3o. Sem investiga\u00e7\u00e3o adequada, casos podem permanecer sem diagn\u00f3stico e, consequentemente, sem acompanhamento e tratamento.<\/p>\n<p>A revis\u00e3o tamb\u00e9m evidencia uma limita\u00e7\u00e3o importante: a distribui\u00e7\u00e3o observada das hepatites D e E pode refletir a circula\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus, mas apenas onde existem mais pesquisas e em popula\u00e7\u00f5es foram avaliadas.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil acumula importantes avan\u00e7os no enfrentamento das hepatites virais, especialmente por meio da amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/vacinacao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">vacina\u00e7\u00e3o<\/a>, ao diagn\u00f3stico e ao tratamento. Mas \u00e9 preciso fortalecer a vacina\u00e7\u00e3o sempre e aumentar nossa base de dados para a sa\u00fade p\u00fablica coordenar esfor\u00e7os e cumprir seu objetivo de eliminar a hepatite da lista de problemas de sa\u00fade p\u00fablica at\u00e9 2030, como \u00e9 a meta da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/oms\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a>&#8220;, conclui o m\u00e9dico do Einstein.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando se fala em hepatite viral, os tipos A, B e C costumam ser os mais lembrados, mas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":493403,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[6245,236,116,3445,1208,32,33,117,216,1893],"class_list":["post-493402","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-agencia-einstein","tag-folha","tag-health","tag-hepatite","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-sexo","tag-virus"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117125508370435490","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=493402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493402\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/493403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=493402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=493402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=493402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}