{"id":493682,"date":"2026-08-20T09:45:15","date_gmt":"2026-08-20T09:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/493682\/"},"modified":"2026-08-20T09:45:15","modified_gmt":"2026-08-20T09:45:15","slug":"pesquisadores-criam-vacina-inteligente-e-mais-segura-contra-chikungunya-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/493682\/","title":{"rendered":"Pesquisadores criam \u2018vacina inteligente\u2019 e mais segura contra chikungunya"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/usp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">USP<\/a><\/strong>) e colaboradores alem\u00e3es desenvolveram uma estrat\u00e9gia inovadora para a produ\u00e7\u00e3o de vacinas. Em <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41541-026-01478-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">artigo<\/a> publicado na revista npj Vaccines, o grupo apresenta a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cimunizante inteligente\u201d a partir de uma vers\u00e3o geneticamente modificada do v\u00edrus chikungunya. A grande vantagem dessa tecnologia \u00e9 que o pat\u00f3geno s\u00f3 consegue se replicar uma vez no organismo \u2013 o est\u00edmulo exato e seguro para treinar o sistema imune a gerar anticorpos, sem apresentar riscos de causar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos testes iniciais feitos em camundongos, uma \u00fanica dose da formula\u00e7\u00e3o foi capaz de proteger os roedores. Mais do que uma solu\u00e7\u00e3o promissora contra o chikungunya, os resultados abrem caminho para a consolida\u00e7\u00e3o de uma nova plataforma vacinal, cuja base tecnol\u00f3gica poder\u00e1 ser adaptada para o combate a outras doen\u00e7as no futuro.<\/p>\n<p>\u201cA ideia foi criar um v\u00edrus que entra na c\u00e9lula e ativa o sistema imune, mas \u00e9 fisicamente incapaz de se tornar infeccioso. Assim, o imunizado n\u00e3o apresenta sintomas nem corre o risco de desenvolver a doen\u00e7a. Isso \u00e9 importante, pois permite uma prote\u00e7\u00e3o robusta sem risco de efeitos colaterais, ampliando o uso tamb\u00e9m para pessoas imunossuprimidas e idosos\u201d, explica Danillo Lucas Alves Esposito, pesquisador da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/fcfrp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">FCFRP<\/a><\/strong>-USP) e primeiro autor do estudo.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-168497\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Vacina-Injecao-Ampola-MEDSA.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodu\u00e7\u00e3o sem autoriza\u00e7\u00e3o)\" width=\"850\" height=\"566\"  \/>Cr\u00e9dito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodu\u00e7\u00e3o sem autoriza\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o recebeu apoio da <strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/fapesp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">FAPESP<\/a> <\/strong>por meio de tr\u00eas projetos (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/175431\/estudo-de-particulas-imaturas-do-virus-chikungunya-avaliacao-de-infectividade-utilizacao-como-fer\/?q=17\/19137-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">17\/19137-7<\/a>, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/179141\/construcao-de-um-clone-infeccioso-para-o-virus-chikungunya-deficiente-para-o-sitio-de-clivagem-da-fu\/?q=18\/11939-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">18\/11939-0<\/a> e <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/118749\/modulacoes-no-imunometabolismo-polarizacao-e-migracao-de-linhagem-monocitica-humana-analisados-por-m\/?q=23\/09619-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">23\/09619-5<\/a>) e foi conduzida em parceria com uma equipe da Universidade de Bonn (Alemanha).<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gia in\u00e9dita<\/strong><\/p>\n<p>Tradicionalmente, as vacinas s\u00e3o produzidas para treinar o sistema imune a partir de v\u00edrus atenuados (enfraquecidos por meio de muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas) ou inativados (incapazes de se replicar). Mais recentemente, a ci\u00eancia desenvolveu tecnologias que dispensam o uso do pat\u00f3geno inteiro. Surgiram assim as vacinas de subunidades proteicas (feitas apenas com fragmentos isolados do v\u00edrus), as recombinantes (que utilizam prote\u00ednas virais produzidas artificialmente em laborat\u00f3rio), as conjugadas (que unem um peda\u00e7o do pat\u00f3geno a uma prote\u00edna mais forte para potencializar a resposta imune) e as de vetor viral (que usam um v\u00edrus inofensivo como \u201cve\u00edculo\u201d de entrega do ant\u00edgeno). H\u00e1 ainda as modernas vacinas de DNA e RNA, que fornecem as instru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas para que as pr\u00f3prias c\u00e9lulas do paciente fabriquem a prote\u00edna viral e gerem a defesa imunol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A nova plataforma proposta no estudo utiliza uma estrat\u00e9gia in\u00e9dita baseada na inocula\u00e7\u00e3o de v\u00edrus incapazes de completar a matura\u00e7\u00e3o dentro da c\u00e9lula do hospedeiro e de se tornarem infecciosos, apesar de garantir a prote\u00e7\u00e3o contra infec\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 importante, pois hoje temos uma vacina de v\u00edrus atenuado contra o chikungunya que, ap\u00f3s um per\u00edodo de suspens\u00e3o, em 2025, voltou a ser aprovada pelo FDA [ag\u00eancia norte-americana que regula medicamentos], por\u00e9m com restri\u00e7\u00f5es. Ela n\u00e3o \u00e9 indicada para pessoas muito jovens, idosos, imunocomprometidos ou que t\u00eam algumas comorbidades [doen\u00e7as associadas], pois pode gerar efeitos adversos\u201d, comenta o pesquisador.<\/p>\n<p>Ainda segundo Esposito, quase todo v\u00edrus passa por um processo de matura\u00e7\u00e3o fundamental para se tornar infeccioso. No caso dos pat\u00f3genos transmitidos por insetos (arbov\u00edrus) \u2013 como os causadores da febre chikungunya, da zika, da dengue e da febre amarela \u2013, essa matura\u00e7\u00e3o acontece no final do ciclo de replica\u00e7\u00e3o dentro da c\u00e9lula hospedeira.<\/p>\n<p>\u201cEspecificamente no caso do chikungunya, a matura\u00e7\u00e3o depende da remo\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna de superf\u00edcie [E3], que cobre a prote\u00edna respons\u00e1vel por permitir a entrada do v\u00edrus na c\u00e9lula [E2]. Quando a E3 n\u00e3o \u00e9 removida, a E2 n\u00e3o fica exposta e o v\u00edrus n\u00e3o consegue infectar\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>No ciclo natural do v\u00edrus chikungunya, quem tem a fun\u00e7\u00e3o de retirar a prote\u00edna E3 e permitir que a E2 atue como chave para invadir a pr\u00f3xima c\u00e9lula \u00e9 a furina, uma enzima do hospedeiro. Para impedir esse processo e conseguir desenvolver o imunizante com o v\u00edrus ainda imaturo, os cientistas utilizaram uma linhagem de c\u00e9lulas humanas que n\u00e3o possui a enzima furina.<\/p>\n<p><strong>Dicas para editar o genoma<\/strong><\/p>\n<p>Para gerar uma resposta imune eficiente, explica Esposito, o v\u00edrus da vacina precisa se replicar ao menos uma vez dentro das c\u00e9lulas. O desafio dos cientistas era permitir essa etapa inicial sem que o pat\u00f3geno continuasse se multiplicando. Para isso, eles modificaram o genoma viral, substituindo o local de a\u00e7\u00e3o da furina por uma sequ\u00eancia reconhecida pela enzima do v\u00edrus da corros\u00e3o do tabaco (TEV), que infecta exclusivamente plantas. Por ser uma enzima totalmente ausente em humanos e mosquitos, essa altera\u00e7\u00e3o garante que o pat\u00f3geno n\u00e3o consiga completar novos ciclos de infec\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o da vacina.<\/p>\n<p>\u201cAssim, o v\u00edrus \u00e9 \u2018ativado\u2019 artificialmente antes da vacina\u00e7\u00e3o. Mas, como essa enzima n\u00e3o est\u00e1 presente no organismo humano, o pat\u00f3geno n\u00e3o consegue realizar novas infec\u00e7\u00f5es\u201d, comenta o pesquisador.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa primeira replica\u00e7\u00e3o controlada, todos os v\u00edrus produzidos j\u00e1 nascem imaturos e incapazes de infectar outras c\u00e9lulas. \u201cEles funcionam apenas como ant\u00edgenos, servindo de modelo para o sistema imune\u201d, completa.<\/p>\n<p>Outro dado interessante do estudo foi que, al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o contra o chikungunya, os animais imunizados mostraram capacidade de neutralizar o v\u00edrus mayaro, sugerindo um potencial protetor mais amplo. \u201cComo v\u00e1rios arbov\u00edrus dependem da furina para se tornarem infecciosos, a plataforma pode ser adaptada para zika, febre amarela e at\u00e9 variantes do SARS-CoV\u20112 [o v\u00edrus da COVID-19], por exemplo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de buscar avan\u00e7ar com os testes cl\u00ednicos da vacina contra o chikungunya, o grupo pretende adaptar essa plataforma vacinal para outros arbov\u00edrus. (Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Fapesp)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e colaboradores alem\u00e3es desenvolveram uma estrat\u00e9gia inovadora para a produ\u00e7\u00e3o de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":493683,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[5725,21732,78935,116,32,33,117,78936,3064,1333],"class_list":["post-493682","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-chikungunya","tag-fapesp","tag-fcfrp","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-universidade-de-bonn","tag-usp","tag-vacina"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117127200098186651","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=493682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493682\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/493683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=493682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=493682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=493682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}