{"id":494076,"date":"2026-08-20T16:06:16","date_gmt":"2026-08-20T16:06:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/494076\/"},"modified":"2026-08-20T16:06:16","modified_gmt":"2026-08-20T16:06:16","slug":"trump-aproxima-se-da-coreia-do-norte-as-pessoas-estao-alarmadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/494076\/","title":{"rendered":"Trump aproxima-se da Coreia do Norte. &#8220;As pessoas est\u00e3o alarmadas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Kevin Lim \/ The Straits Times \/ EPA<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-205745 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/bfff4d1a100cb71e30decd1770a5fa49-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">O l\u00edder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o Presidente do EUA, Donald Trump, em Singapura, 2018.<\/p>\n<p><strong>O Presidente dos EUA anunciou redu\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios militares com a Coreia do Sul, apesar da crescente beliger\u00e2ncia do regime de Kim Jong-un.<\/strong><\/p>\n<p>A decis\u00e3o do Presidente dos Estados Unidos, <strong>Donald Trump<\/strong>, de limitar a participa\u00e7\u00e3o norte-americana nos exerc\u00edcios militares conjuntos com a Coreia do Sul gerou preocupa\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e os especialistas, que receiam um agravamento da situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a no Nordeste Asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Os exerc\u00edcios, denominados Ulchi Freedom Shield (Escudo da Liberdade Ulchi), come\u00e7aram esta segunda-feira e v\u00e3o prolongar-se durante 11 dias. No domingo, Trump tinha anunciado nas redes sociais que ordenara ao Pent\u00e1gono uma redu\u00e7\u00e3o \u201csubstancial\u201d do envolvimento dos EUA nos exerc\u00edcios, por consider\u00e1-los \u201cdispendiosos\u201d.<\/p>\n<p>Norte tem sido \u201crespeitador\u201d<\/p>\n<p>Segundo Trump, a participa\u00e7\u00e3o norte-americana enviaria \u00e0 Coreia do Norte um \u201csinal totalmente inadequado e hostil\u201d. O Presidente norte-americano argumenta que o regime de <strong>Kim Jong-un<\/strong> tem sido \u201cn\u00e3o amea\u00e7ador e respeitador\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao seu Governo.<\/p>\n<p>Este racioc\u00ednio parece ignorar a recente s\u00e9rie de testes de m\u00edsseis realizados pela Coreia do Norte, bem como a amea\u00e7a de aumentar o seu n\u00edvel de dissuas\u00e3o nuclear em resposta \u00e0s manobras, que a imprensa estatal classificou como um \u201censaio para uma guerra de invas\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Trump tamb\u00e9m sugeriu que a sua decis\u00e3o foi influenciada, em parte, pela recusa do Governo sul-coreano em ajudar no processo de \u201cdesnucleariza\u00e7\u00e3o\u201d do Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, o l\u00edder norte-americano voltou a dizer, aos jornalistas, na Casa Branca, que decidiu limitar o alcance e a dimens\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o norte-americana nos exerc\u00edcios. Segundo o Presidente dos EUA, o l\u00edder norte-coreano respondeu positivamente \u00e0 sua proposta de retomar o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios anuais ocorre numa altura em que Kim Jong-un se sente fortalecido por uma alian\u00e7a cada vez mais estreita com a R\u00fassia. Ao mesmo tempo, Pyongyang tem vindo a desmantelar importantes pilares das rela\u00e7\u00f5es intercoreanas.\u00a0 Nos \u00faltimos anos, o regime abandonou oficialmente o objetivo hist\u00f3rico de reunificar a Pen\u00ednsula Coreana e alterou a Constitui\u00e7\u00e3o para designar a Coreia do Sul como o seu principal inimigo.<\/p>\n<p>Para Leif-Eric Easley, professor de Estudos Internacionais da Universidade Feminina Ewha, em Seul, reduzir os exerc\u00edcios militares com o argumento de cortar despesas n\u00e3o faz sentido. \u201cA poupan\u00e7a obtida \u00e9 marginal, enquanto os benef\u00edcios diplom\u00e1ticos para as rela\u00e7\u00f5es com a Coreia do Norte s\u00e3o duvidosos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ainda segundo o acad\u00e9mico, Kim n\u00e3o demonstrou \u201cqualquer interesse\u201d nas propostas de Washington e Seul para discutir uma eventual elimina\u00e7\u00e3o do arsenal nuclear norte-coreano.<\/p>\n<p>\u201cAs recentes publica\u00e7\u00f5es de Trump sobre Kim Jong-un sugerem disponibilidade para retomar o di\u00e1logo, mas a Coreia do Norte est\u00e1 ocupada a lucrar com a guerra da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia, enquanto moderniza as suas pr\u00f3prias For\u00e7as Armadas\u201d, observa.<\/p>\n<p>Easley considera que a redu\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios conjuntos de defesa pode prejudicar a coordena\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a entre os EUA e a Coreia do Sul e revelar-se contraproducente, uma vez que atrasaria o refor\u00e7o das capacidades defensivas sul-coreanas e poderia ainda incentivar conflitos na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Alian\u00e7as dos EUA na \u00c1sia postas \u00e0 prova<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o na Coreia do Sul foi evidente nas capas dos jornais. O Chosun Ilbo, por exemplo, destacou a import\u00e2ncia dos exerc\u00edcios conjuntos para proteger o pa\u00eds de um vizinho agressivo e imprevis\u00edvel, alertando que Trump estaria a colocar em risco os fundamentos da alian\u00e7a bilateral.<\/p>\n<p>David Silbey, professor de Hist\u00f3ria Militar e Pol\u00edtica de Defesa da Universidade Cornell, observou que a decis\u00e3o surge numa altura em que as For\u00e7as Armadas norte-americanas est\u00e3o sobrecarregadas. A Marinha dos EUA j\u00e1 estar\u00e1 a redirecionar recursos do Pac\u00edfico para o M\u00e9dio Oriente devido \u00e0 guerra contra o Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA redu\u00e7\u00e3o do compromisso com os exerc\u00edcios na Coreia do Sul provavelmente reflete uma redu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 seria inevit\u00e1vel\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Silbey acrescenta que a oferta de negocia\u00e7\u00f5es a Kim Jong-un refor\u00e7a a perce\u00e7\u00e3o de um abandono gradual dos aliados norte-americanos na regi\u00e3o, algo que est\u00e1 a ser acompanhado atentamente por Taiwan, Jap\u00e3o e Filipinas.<\/p>\n<p>A <strong>China<\/strong> tamb\u00e9m acompanha os acontecimentos de perto, embora na posi\u00e7\u00e3o de advers\u00e1ria estrat\u00e9gica dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Segundo a Associated Press, Trump tomou a decis\u00e3o sem consultar previamente o Governo sul-coreano, e ainda n\u00e3o \u00e9 claro que partes espec\u00edficas dos exerc\u00edcios ser\u00e3o reduzidas.<\/p>\n<p>Ainda assim, o gabinete do Presidente sul-coreano Lee Jae Myung declarou que continuar\u00e1 a cooperar estreitamente com Washington para manter uma s\u00f3lida postura conjunta de defesa. Durante uma reuni\u00e3o ministerial na ter\u00e7a-feira, Lee elogiou a alian\u00e7a com os Estados Unidos e defendeu o refor\u00e7o das capacidades militares sul-coreanas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que refor\u00e7armos as nossas pr\u00f3prias capacidades, tamb\u00e9m crescer\u00e3o o nosso valor e a nossa import\u00e2ncia enquanto aliados\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Vit\u00f3ria para Kim Jong-un?<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a decis\u00e3o de Trump foi criticada por aliados e opositores, que consideram que a alian\u00e7a com Seul sai enfraquecida e que os advers\u00e1rios dos EUA s\u00e3o beneficiados.<\/p>\n<p>\u201cKim Jong-un conquistou uma vit\u00f3ria propagand\u00edstica, enquanto a Coreia do Sul, um dos nossos aliados mais fortes, foi castigada sem qualquer motivo para al\u00e9m do ego de Trump\u201d, criticou o senador democrata Jack Reed, o membro democrata mais graduado do Comit\u00e9 das For\u00e7as Armadas do Senado.<\/p>\n<p>J\u00e1 o senador republicano Thom Tillis observou que a redu\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios poder\u00e1 inclusivamente beneficiar a R\u00fassia, ao permitir que a Coreia do Norte desloque mais tropas para apoiar a guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Kim Sang-woo, antigo pol\u00edtico de esquerda e atual membro da Funda\u00e7\u00e3o para a Paz Kim Dae-jung, diz que a decis\u00e3o de Trump de favorecer Pyongyang em detrimento de Seul deixou muitos sul-coreanos preocupados.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o alarmadas\u201d, afirma. \u201cTrump j\u00e1 tinha amea\u00e7ado retirar tropas norte-americanas durante o seu primeiro mandato, caso a Coreia do Sul n\u00e3o aumentasse a sua contribui\u00e7\u00e3o financeira para as manter no pa\u00eds. Tamb\u00e9m imp\u00f4s tarifas enormes \u00e0s nossas exporta\u00e7\u00f5es para os EUA e agora aproxima-se de Pyongyang de uma forma que mostra que quer estabelecer uma nova rela\u00e7\u00e3o e assinar um tratado de paz que encerraria formalmente a Guerra da Coreia.\u201d<\/p>\n<p>Poucas hip\u00f3teses de mudan\u00e7a em Pyongyang<\/p>\n<p>Apesar das preocupa\u00e7\u00f5es, Kim Sang-woo acredita que Trump continua a contar com o apoio do Presidente sul-coreano <strong>Lee Jae Myung<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o creio que o Governo de Lee esteja preocupado ou desiludido com este plano. A sua pol\u00edtica sempre foi tentar restabelecer rela\u00e7\u00f5es amistosas com o Norte, mesmo que o Norte n\u00e3o tenha demonstrado qualquer inten\u00e7\u00e3o de corresponder.\u201d<\/p>\n<p>Na segunda-feira, o gabinete de Lee divulgou uma nota em que se mostrava otimista em rela\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel di\u00e1logo significativo entre Trump e Kim Jong-un, na expectativa de promover a paz regional.<\/p>\n<p>No entanto, Kim Sang-woo afirma que n\u00e3o h\u00e1 sinais de que Pyongyang esteja disposta a abandonar a sua postura hostil em rela\u00e7\u00e3o aos EUA ou \u00e0 Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Recorda que, durante as negocia\u00e7\u00f5es entre Trump e Kim no Vietname, em 2019, a Coreia do Norte se encontrava numa posi\u00e7\u00e3o muito mais fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. \u201cKim forjou uma alian\u00e7a s\u00f3lida com a R\u00fassia, que lhe est\u00e1 a proporcionar tecnologia militar, abastecimento energ\u00e9tico e apoio econ\u00f3mico. Entretanto, a China tamb\u00e9m estende a m\u00e3o a Pyongyang, porque n\u00e3o quer perder influ\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNeste momento, Kim est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o muito confort\u00e1vel. Poder-se-ia at\u00e9 argumentar que j\u00e1 n\u00e3o precisa dos Estados Unidos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Ainda assim, afirma que, para a maioria dos sul-coreanos, a quest\u00e3o \u00e9 muito mais fundamental: \u201cSimplesmente n\u00e3o confiamos na Coreia do Norte.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Kevin Lim \/ The Straits Times \/ EPA O l\u00edder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":494077,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,3459,3092,2537,637,92,413,15,16,4006,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,17087,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-494076","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-coreia-do-norte","tag-coreia-do-sul","tag-defesa","tag-diplomacia","tag-donald-trump","tag-eua","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-geopolitica","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-pentagono","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117128698087824527","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=494076"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494076\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/494077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=494076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=494076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=494076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}