{"id":494222,"date":"2026-08-20T18:12:24","date_gmt":"2026-08-20T18:12:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/494222\/"},"modified":"2026-08-20T18:12:24","modified_gmt":"2026-08-20T18:12:24","slug":"como-um-hotel-lotado-pode-levar-a-um-novo-julgamento-da-famosa-assassina-dos-cogumelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/494222\/","title":{"rendered":"Como um hotel lotado pode levar a um novo julgamento da famosa assassina dos cogumelos"},"content":{"rendered":"<p>                Erin Patterson cozinhou uma refei\u00e7\u00e3o que resultou na morte de tr\u00eas pessoas e foi condenada por isso. Agora vai come\u00e7ar tudo outra vez<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Um dos casos de homic\u00eddio mais famosos da Austr\u00e1lia voltou a tribunal, onde um poss\u00edvel novo julgamento, ou uma pena de pris\u00e3o ainda mais longa, aguarda a cozinheira amadora que usou cogumelos t\u00f3xicos para matar tr\u00eas convidados para o almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Erin Patterson foi condenada no ano passado por ter adicionado deliberadamente cogumelos da esp\u00e9cie Amanita phalloides a um prato de bife Wellington para assassinar os av\u00f3s dos seus filhos e a mulher do pastor local. Foi ainda considerada culpada de tentativa de homic\u00eddio por quase ter matado o pastor com a mesma refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O seu julgamento, que durou 10 semanas, decorreu numa pequena cidade rural de Victoria, que foi inundada por equipas de comunica\u00e7\u00e3o social e curiosos que faziam fila durante horas todos os dias para conseguir um lugar na galeria p\u00fablica.<\/p>\n<p>O intenso interesse no caso \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais os seus advogados est\u00e3o a pressionar para um novo julgamento \u2013 a cidade estava t\u00e3o cheia que, a dada altura, os jurados partilharam um hotel com a equipa de acusa\u00e7\u00e3o e um informador.<\/p>\n<p>Esta semana, durante a mesma audi\u00eancia de recurso, os procuradores planeiam apresentar um argumento separado de que a sua pena de 33 anos de pris\u00e3o, sem direito a liberdade condicional, n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>Patterson n\u00e3o esteve presente no tribunal para acompanhar o processo, mas ouviu os argumentos atrav\u00e9s de uma videoconfer\u00eancia a partir de uma pris\u00e3o de seguran\u00e7a m\u00e1xima.<\/p>\n<p>O que aconteceu <\/p>\n<p>Patterson convidou os pais do ex-marido e dois amigos idosos destes para almo\u00e7ar em julho de 2024. Poucas horas ap\u00f3s a refei\u00e7\u00e3o, come\u00e7aram a sentir dores de est\u00f4mago e, em poucos dias, tr\u00eas dos quatro estavam mortos.<\/p>\n<p>O caso gerou manchetes internacionais, podcasts, livros e document\u00e1rios.<\/p>\n<p>Patterson foi acusada de procurar deliberadamente os cogumelos mais t\u00f3xicos do mundo, os chap\u00e9u da morte, depois de possivelmente ter visto a sua localiza\u00e7\u00e3o publicada no iNaturalist, um site civil de ci\u00eancia. Depois comprou um desidratador para secar os cogumelos antes de os utilizar na refei\u00e7\u00e3o fatal.<\/p>\n<p>Patterson foi acusada de fingir comer a mesma por\u00e7\u00e3o e de simular estar doente numa elaborada farsa para sugerir que tamb\u00e9m tinha sido envenenada. A acusa\u00e7\u00e3o alegou que a mulher preparou uma por\u00e7\u00e3o separada da refei\u00e7\u00e3o e serviu apenas as por\u00e7\u00f5es envenenadas aos seus convidados.<\/p>\n<p>O motivo n\u00e3o foi um ponto central do julgamento, mas as provas apresentadas pela acusa\u00e7\u00e3o sugeriram que a rela\u00e7\u00e3o com os sogros se tinha deteriorado.<\/p>\n<p>Patterson manteve a sua inoc\u00eancia, alegando que n\u00e3o sabia que os cogumelos que adicionou \u00e0 refei\u00e7\u00e3o eram t\u00f3xicos e que n\u00e3o tinha motivos para matar os seus convidados.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que os advogados querem um novo julgamento? <\/p>\n<p>Os advogados de Patterson t\u00eam sete pontos de recurso \u2013 a come\u00e7ar pela forma como os membros do j\u00fari foram mantidos em isolamento, o que, segundo eles, foi \u201ccatastr\u00f3fico\u201d para o caso.<\/p>\n<p>Referem-se \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de um pequeno hotel na cidade de Morwell, onde decorreu o julgamento. Embora n\u00e3o haja provas de que os h\u00f3spedes tenham interagido, os advogados afirmam que a possibilidade de intera\u00e7\u00f5es \u201cn\u00e3o pode ser descartada\u201d.<\/p>\n<p>Um dos ju\u00edzes salientou que os membros do j\u00fari estavam separados dos outros h\u00f3spedes, comiam e dormiam num piso diferente do hotel \u2013 mas os advogados de Patterson afirmam que o facto de estarem no mesmo edif\u00edcio \u201ccomprometeu fatalmente a integridade dos vereditos\u201d \u2013 apontando para a necessidade n\u00e3o s\u00f3 de que a justi\u00e7a seja feita, mas tamb\u00e9m de que ela \u201cseja vista a ser feita\u201d.<\/p>\n<p>Os outros seis pontos incluem a forma como Patterson foi interrogada durante v\u00e1rios dias, o que os seus advogados consideraram \u201cinjusto e opressivo\u201d. Os seus advogados alegam que algumas provas apresentadas eram irrelevantes e prejudicaram o caso.<\/p>\n<p>A defesa entende que o testemunho sobre o site iNaturalist era irrelevante, porque n\u00e3o havia provas de que ela tivesse visto as publica\u00e7\u00f5es que expunham a localiza\u00e7\u00e3o dos chap\u00e9us da morte. E afirma ainda que o uso das suas publica\u00e7\u00f5es no Facebook sobre os sogros foi injusto, porque foram usadas para sugerir que ela tinha um motivo.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"A assassina condenada Erin Patterson, \u00e0 direita, chega ao Supremo Tribunal de Victoria para a leitura da senten\u00e7a em Melbourne, Austr\u00e1lia, na segunda-feira, 8 de setembro de 2025 (Jason South\/The Age, Pool Photo via AP)\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1787249544_584_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   A assassina condenada Erin Patterson, \u00e0 direita, chega ao Supremo Tribunal de Victoria para a leitura da senten\u00e7a em Melbourne, Austr\u00e1lia, na segunda-feira, 8 de setembro de 2025 (Jason South\/The Age, Pool Photo via AP) <\/p>\n<p>Por que raz\u00e3o os procuradores est\u00e3o a recorrer? <\/p>\n<p>Patterson foi condenada a tr\u00eas penas de pris\u00e3o perp\u00e9tua por tr\u00eas homic\u00eddios e a 25 anos de pris\u00e3o pela tentativa de homic\u00eddio da \u00fanica sobrevivente.<\/p>\n<p>O juiz Christopher Beale ordenou que cumprisse um per\u00edodo m\u00ednimo de 33 anos de pris\u00e3o sem direito a liberdade condicional, alegando ter tido em conta a notoriedade de Patterson e a probabilidade de esta passar muitos anos em regime de solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>No entanto, os procuradores argumentam que a justi\u00e7a apenas presumiu que Patterson seria mantida em regime de solit\u00e1ria e que, por isso, deveria ser presa sem possibilidade de liberdade condicional.<\/p>\n<p>Se o tribunal de recurso concordar, Patterson ser\u00e1 apenas a segunda mulher a receber uma pena de pris\u00e3o perp\u00e9tua na Austr\u00e1lia, depois de Katherine Knight, que assassinou o seu companheiro e cozinhou partes do seu corpo.<\/p>\n<p>O tribunal de recurso ir\u00e1 provavelmente divulgar a sua decis\u00e3o numa data ainda a anunciar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Erin Patterson cozinhou uma refei\u00e7\u00e3o que resultou na morte de tr\u00eas pessoas e foi condenada por isso. 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