{"id":494729,"date":"2026-08-21T02:57:49","date_gmt":"2026-08-21T02:57:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/494729\/"},"modified":"2026-08-21T02:57:49","modified_gmt":"2026-08-21T02:57:49","slug":"estrela-mais-rapida-ja-registrada-orbita-buraco-negro-20-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/494729\/","title":{"rendered":"Estrela mais r\u00e1pida j\u00e1 registrada orbita buraco negro &#8211; 20\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas detectaram a estrela mais r\u00e1pida j\u00e1 conhecida, segundo estudo publicado na \u00faltima quarta (19) na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10894-w\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista Nature<\/a>. Ela gira em torno do buraco negro supermassivo Sagit\u00e1rio A*, na Via L\u00e1ctea, e pode ser a chave para que se possa medir, pela primeira vez, a rota\u00e7\u00e3o dele.<\/p>\n<p>Batizada de S301, a estrela tem mais massa que o Sol e tamb\u00e9m \u00e9 bem mais brilhante que ele. Sua velocidade, enquanto orbita Sagit\u00e1rio A* \u2014tamb\u00e9m chamado apenas de Sgr A*\u2014, \u00e9 estimada em at\u00e9 90 milh\u00f5es de quil\u00f4metros por hora. Isto \u00e9, 100 mil vezes mais r\u00e1pido que um avi\u00e3o de carreira ou 8% da velocidade da luz.<\/p>\n<p>Nenhuma outra estrela, em nossa gal\u00e1xia ou fora dela, jamais foi registrada a essa velocidade.<\/p>\n<p>A estrela percorre uma trajet\u00f3ria altamente el\u00edptica ao redor de Sgr A* e leva 8,7 anos para completar uma \u00f3rbita. Em sua maior aproxima\u00e7\u00e3o do buraco negro, ela fica a uma dist\u00e2ncia orbital m\u00e9dia que equivale a 11,5 vezes a dist\u00e2ncia da Terra at\u00e9 o Sol.<\/p>\n<p>Buracos negros s\u00e3o objetos extraordinariamente densos, com uma gravidade t\u00e3o intensa que nem mesmo a luz consegue escapar deles. O Sgr A* tem cerca de 4 milh\u00f5es de vezes a massa do Sol e est\u00e1 localizado a 26 mil anos-luz da Terra \u2014um ano-luz \u00e9 a dist\u00e2ncia que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilh\u00f5es de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Embora o Sgr A* esteja em estado de quiesc\u00eancia, sua atra\u00e7\u00e3o gravitacional \u00e9 consider\u00e1vel, o que significa que poderia engolir estrelas ou outros materiais que se aproximassem demais dele. J\u00e1 S301 deve continuar a salvo, segundo os pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;A orienta\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita mudar\u00e1, mas a estrela n\u00e3o corre o risco de ser engolida&#8221;, disse o astrof\u00edsico Stefan Gillessen, do Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre, na Alemanha, um dos autores da nova pesquisa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se conhece nenhuma outra estrela que orbite t\u00e3o perto de Sgr A* quanto S301.<\/p>\n<p>Gillessen afirmou que, ao que tudo indica, S301 originalmente fazia parte de um sistema de bin\u00e1rio e estava gravitacionalmente ligada a uma estrela companheira. Mas, em algum momento, enquanto viajavam pelo espa\u00e7o, as duas se aproximaram demais do buraco negro, e a intera\u00e7\u00e3o gravitacional entre os tr\u00eas corpos que se seguiu causou estragos.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das estrelas \u00e9 arremessada para fora do centro da Via L\u00e1ctea em alta velocidade, chegando at\u00e9 mesmo a deixar a gal\u00e1xia. A outra fica presa para sempre em uma \u00f3rbita pr\u00f3xima ao buraco negro. Essa \u00e9 S301&#8221;, explicou o astrof\u00edsico.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram S301 por meio do Interfer\u00f4metro do Very Large Telescope (VLTI), do Observat\u00f3rio Europeu do Sul, no Chile.<\/p>\n<p>O VLTI combina a luz de quatro telesc\u00f3pios de oito metros para criar um telesc\u00f3pio virtual, cuja resolu\u00e7\u00e3o espacial \u00e9 15 vezes superior \u00e0 de um \u00fanico telesc\u00f3pio de oito metros.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia cont\u00ednua que Sgr A* exerce sobre S301 durante sua \u00f3rbita pode permitir que os cientistas compreendam melhor o buraco negro, inclusive, possivelmente, medindo sua rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 o momento, sabemos muito pouco sobre a rota\u00e7\u00e3o de Sgr A*&#8221;, afirmou Felix Mang, coautor do estudo e doutorando no Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre.<\/p>\n<p>Acredita-se que os buracos negros girem a tal ponto que distorcem o pr\u00f3prio tecido do espa\u00e7o-tempo ao seu redor. No entanto, confirmar essa rota\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil porque eles n\u00e3o emitem nem refletem luz.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 podemos observar sua rota\u00e7\u00e3o por meio dos efeitos que ela exerce sobre o espa\u00e7o ao redor&#8221;, disse Gillessen.<\/p>\n<p>Os pesquisadores afirmaram que o movimento de S301 continua sujeito \u00e0 influ\u00eancia de Sgr A*.<\/p>\n<p>&#8220;Durante sua \u00f3rbita, a estrela se aproxima tanto de Sgr A* que chega, de fato, a sentir a rota\u00e7\u00e3o do buraco negro*&#8221;, afirmou o astrof\u00edsico.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de uma oscila\u00e7\u00e3o, como um movimento de vaiv\u00e9m, mas sim de a estrela ser desviada para uma \u00f3rbita ligeiramente diferente cada vez que passa pelo buraco negro&#8221;, acrescentou o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;Isso significa que, se observarmos essa mudan\u00e7a na \u00f3rbita por mais uma d\u00e9cada, deveremos ser capazes de determinar diretamente a rota\u00e7\u00e3o do buraco negro. At\u00e9 hoje, nunca se conseguiu fazer uma medi\u00e7\u00e3o desse tipo.&#8221;<\/p>\n<p>Os astr\u00f4nomos devem continuar observando S301, que far\u00e1 sua pr\u00f3xima passagem pelo ponto mais pr\u00f3ximo do buraco negro em 2031.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cientistas detectaram a estrela mais r\u00e1pida j\u00e1 conhecida, segundo estudo publicado na \u00faltima quarta (19) na revista Nature.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":494730,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[443,20628,109,107,108,236,3536,32,33,105,103,104,2560,106,110,3062],"class_list":["post-494729","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-astronomia","tag-buraco-negro","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-folha","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-sistema-solar","tag-technology","tag-tecnologia","tag-universidade"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117131257177162404","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=494729"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/494729\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/494730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=494729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=494729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=494729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}