{"id":495679,"date":"2026-08-21T20:27:28","date_gmt":"2026-08-21T20:27:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/495679\/"},"modified":"2026-08-21T20:27:28","modified_gmt":"2026-08-21T20:27:28","slug":"livro-de-lena-dunham-passa-girls-e-adam-driver-a-limpo-21-08-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/495679\/","title":{"rendered":"Livro de Lena Dunham passa &#8216;Girls&#8217; e Adam Driver a limpo &#8211; 21\/08\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Para Lena Dunham, ser famosa e ficar doente s\u00e3o experi\u00eancias indissoci\u00e1veis. A diretora da s\u00e9rie &#8220;Girls&#8221;, al\u00e9m disso, aponta outra semelhan\u00e7a: s\u00e3o coisas imposs\u00edveis de explicar para os outros. S\u00f3 quem sente na pele sabe dizer como \u00e9.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2026\/04\/lena-dunham-relata-explosoes-e-agressividade-de-adam-driver-no-set-de-girls.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Doente de Fama&#8221;, seu segundo livro de mem\u00f3rias<\/a>, ela conta como o sucesso profissional levou ao decl\u00ednio da sua sa\u00fade f\u00edsica e mental. Aos 40 anos, a escritora americana \u2014que tem a palavra &#8220;doente&#8221; tatuada na nuca\u2014 diz ter feito as pazes com o pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n<p>A obra revisita o per\u00edodo de &#8220;Girls&#8221;, programa que Dunham criou quando tinha 23 anos, com detalhes extensivos de seus prontu\u00e1rios m\u00e9dicos. Se, por um lado, ela festejava o cheque de 60 mil d\u00f3lares pelo piloto, por outro, vivia epis\u00f3dios de dissocia\u00e7\u00e3o que se tornaram comuns ainda na primeira temporada.<\/p>\n<p>Dunham pesa a m\u00e3o nas descri\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as. Escreve com min\u00facia sobre seu transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e sobre o quadro de endometriose que levou \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de seu \u00fatero e ov\u00e1rios.<\/p>\n<p>Enquanto &#8220;Girls&#8221; estava no ar, cada sinal de fragilidade era silenciado com rem\u00e9dios. Tudo culminou na interna\u00e7\u00e3o em uma cl\u00ednica de reabilita\u00e7\u00e3o \u2014o medo de fracassar sempre falava mais alto que as conquistas, como vencer o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/globo-de-ouro\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Globo de Ouro<\/a> ou manter bons n\u00fameros de audi\u00eancia.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia nesse assunto ofusca todos os outros aspectos da sua vida. Nem contar sobre uma transa na UTI torna a longa experi\u00eancia hospitalar menos entediante.<\/p>\n<p>Nos oito anos em que a autora elaborou &#8220;Doente de Fama&#8221;, tamb\u00e9m dirigiu as <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/series\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">s\u00e9ries<\/a> &#8220;Industry&#8221; e <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/cinema-e-series\/2025\/07\/lena-dunham-troca-hiperrealismo-de-girls-por-olhar-mais-tolerante-com-o-amor-em-too-much.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">&#8220;Too Much&#8221;<\/a> e o filme &#8220;Catarina, a Menina Chamada Passarinha&#8221;, mas nenhum dos projetos merece mais do que uma linha no livro.<\/p>\n<p>Para quem esqueceu, ela faz quest\u00e3o de lembrar que, no in\u00edcio da carreira, orbitava a mesma cena do diretor Ti West, da cineasta Greta Gerwig e dos irm\u00e3os Benny e Josh Safdie, cujas trajet\u00f3rias demoraram mais tempo para deslanchar.<\/p>\n<p>O embri\u00e3o de &#8220;Girls&#8221; era levar o estilo do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cinema\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cinema<\/a> independente americano \u00e0 televis\u00e3o, em um enredo inspirado em &#8220;Sex and The City&#8221; \u2014s\u00f3 que antes de as protagonistas se tornarem glamurosas. Dunham sabia que outras mulheres se reconheceriam no seu estilo ultrassincero.<\/p>\n<p>O arco da sua ascens\u00e3o e decad\u00eancia acompanha o clima cultural dos Estados Unidos. &#8220;Eu acreditava que a cura para um desprezo t\u00e3o disseminado n\u00e3o era mostrar menos de mim, mas mais, como se revelar at\u00e9 as entranhas pudesse produzir algum tipo de compreens\u00e3o renovada.&#8221;<\/p>\n<p>Conseguia desagradar tanto a esquerda quanto a direita. O irm\u00e3o trans a chamava de sua &#8220;centrista favorita&#8221;. Em um dos momentos depressivos, seu pai disse: &#8220;Voc\u00ea tem s\u00f3 28 anos e j\u00e1 foi chamada de racista, puta gorda, patricinha ignorante e molestadora de crian\u00e7as. O que mais resta? Nada&#8221;.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios de humilha\u00e7\u00e3o, trauma e abuso s\u00e3o o terreno f\u00e9rtil para a sua arte. Mas como podemos culpar Dunham, se o sofrimento feminino vende livros?<\/p>\n<p>Em entrevista ao jornal The New York Times, a autora diz n\u00e3o querer vingan\u00e7a com &#8220;Doente de Fama&#8221;, mas \u00e9 dif\u00edcil acreditar.<\/p>\n<p>Um de seus alvos \u00e9 Jenni Konner, sua mentora e co-roteirista da s\u00e9rie. Konner pressionou Dunham a insistir com a HBO para que os sal\u00e1rios das duas fossem iguais, usando o feminismo como desculpa \u2014mesmo que s\u00f3 a mais jovem estivesse \u00e0 frente e atr\u00e1s das c\u00e2meras.<\/p>\n<p>O ressentimento transparece com frequ\u00eancia nas p\u00e1ginas. Do parceiro de cena Adam Driver, ficaram as lembran\u00e7as dos gritos nos ensaios e do comportamento err\u00e1tico no set. J\u00e1 do ex-namorado Jack Antonoff, a m\u00e1goa pela aus\u00eancia nos hospitais e o gosto amargo das trai\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que fica evidente \u00e9 que a precocidade de Dunham como artista n\u00e3o acompanhou o ritmo da sua vida pessoal. Ela estava no comando no est\u00fadio, mas, emocionalmente, ainda era uma adolescente. &#8220;Queria ter tudo ao mesmo tempo, viver aquela vida grandiosa e ser amada por todo mundo. Sou uma pessoa que quer fazer os outros felizes.&#8221;<\/p>\n<p>A ingenuidade soa irritante, mas demonstra como errar faz parte do percurso. O que a idade trouxe foram cicatrizes, boas doses de realidade e menos tempo online. Ao contr\u00e1rio do que ela esperava, ficar rica e famosa n\u00e3o foi garantia de felicidade \u2014s\u00f3 a tornou mais distante do resto do mundo.<\/p>\n<p>Ao fazer check-in em hot\u00e9is, Dunham usava o nome de Rose O\u2019Neill, criadora das bonecas Kewpie. A ilustradora foi uma das primeiras mulheres milion\u00e1rias dos Estados Unidos, mas morreu na pobreza. Era um lembrete do que poderia acontecer com ela.<\/p>\n<p>    Tudo a Ler<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o com lan\u00e7amentos, cl\u00e1ssicos e curiosidades liter\u00e1rias<\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o cobrou seu pre\u00e7o, mas Dunham diz n\u00e3o se arrepender de nada. Em um mundo que espera que as mulheres ocupem menos espa\u00e7o e sejam modestas, \u00e9 reconfortante ver a roteirista t\u00e3o fiel a si mesma.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o est\u00e1 mergulhada em per\u00edodos sombrios, seu esp\u00edrito irreverente vem \u00e0 tona, aquele que conquistou uma legi\u00e3o de f\u00e3s. &#8220;\u00c9 como se eu tivesse nascido com a alma de infinitas gera\u00e7\u00f5es de mulheres provocadoras dentro de mim&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Uma das pessoas cativadas por sua personalidade exc\u00eantrica foi a escritora Nora Ephron, cujo mantra se tornou um guia para Dunham: &#8220;Se voc\u00ea viveu uma experi\u00eancia, pode recont\u00e1-la&#8221;.<\/p>\n<p>Em &#8220;Doente de Fama&#8221;, ela segue o conselho e d\u00e1 sua vers\u00e3o sobre os erros do passado. As mem\u00f3rias s\u00e3o muni\u00e7\u00e3o para mostrar quem Dunham se tornou, se recusando a ser definida pela vers\u00e3o ultrapassada de si. Assim, consegue pintar um retrato imperfeito de uma mulher millennial descobrindo como \u00e9 viver com os dois p\u00e9s no ch\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para Lena Dunham, ser famosa e ficar doente s\u00e3o experi\u00eancias indissoci\u00e1veis. 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