{"id":495977,"date":"2026-08-22T01:49:12","date_gmt":"2026-08-22T01:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/495977\/"},"modified":"2026-08-22T01:49:12","modified_gmt":"2026-08-22T01:49:12","slug":"andre-zimerman-quer-saber-como-esta-seu-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/495977\/","title":{"rendered":"Andr\u00e9 Zimerman quer saber como est\u00e1 seu cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>                            Seu navegador n\u00e3o suporta o elemento de \u00e1udio.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto estou aqui atendendo a um paciente por\u00a0vez, o Drauzio [Varella] est\u00e1 l\u00e1 melhorando a vida de um milh\u00e3o de pessoas em cada fala dele.\u201d A opini\u00e3o \u00e9 de <strong>Andr\u00e9 Zimerman<\/strong>, 33 anos, cardiologista nascido e criado em Porto Alegre, primeiro de tr\u00eas filhos de uma fam\u00edlia em que ser m\u00e9dico \u00e9 algo\u00a0quase heredit\u00e1rio. O av\u00f4, pediatra, psiquiatra e psicanalista. O pai, eletrofisiologista. Um tio neurocirurgi\u00e3o, uma tia psiquiatra.\u00a0<\/p>\n<p>Zimerman se formou em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2016, com um ano de interc\u00e2mbio na Universidade de Columbia, em Nova York, pelo programa Ci\u00eancia sem Fronteiras. Fez resid\u00eancia em medicina interna e em cardiologia no Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre, doutorado na pr\u00f3pria UFRGS e, entre 2022 e 2024, cursou o p\u00f3s-doutorado que mudou a escala do seu trabalho: uma bolsa oferecida pela Funda\u00e7\u00e3o Lemann no TIMI Study Group, o grupo de ensaios cl\u00ednicos do Brigham and Women\u2019s Hospital, ligado \u00e0 Harvard Medical School, que desenha estudos com milhares de pacientes em dezenas de pa\u00edses ao mesmo tempo. Hoje, ele \u00e9 professor do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em cardiologia da UFRGS, professor da Faculdade de Medicina Moinhos de Vento e chefe da MOVE, a organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa acad\u00eamica do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.<\/p>\n<p>O que trouxe Zimerman ao Trip FM \u00e9 uma droga chamada olezarsen. Ela pertence a uma fam\u00edlia nova de medicamentos que n\u00e3o age sobre a prote\u00edna pronta, e sim sobre o recado que manda produzi-la, o RNA mensageiro. No caso, o recado que fabrica uma prote\u00edna ligada aos triglicer\u00eddeos. O resultado \u00e9 uma queda de cerca de 60% nos n\u00edveis desse indicador, contra os 20% ou 30% que os rem\u00e9dios dispon\u00edveis conseguem entregar. Em maio de 2026, no congresso da Sociedade Europeia de Aterosclerose, em Atenas, Zimerman apresentou em nome do TIMI a an\u00e1lise que olhou especificamente para os pacientes com triglicer\u00eddeos acima de 880 mg\/dL, a faixa em que o risco de pancreatite deixa de ser te\u00f3rico. Nesse grupo, a droga reduziu em 85% os epis\u00f3dios de pancreatite aguda. Em 24 de junho de 2026 o FDA, a ag\u00eancia reguladora norte-americana, aprovou o olezarsen para hipertrigliceridemia grave. \u00c9 o primeiro e por enquanto \u00fanico rem\u00e9dio do mundo cuja bula atesta, com todas as letras, a capacidade efetiva de reduzir o risco de pancreatite aguda.<\/p>\n<p>Nada disso, como se ver\u00e1, impede que a entrevista desemboque em temas pol\u00eamicos como os \u201c brindes\u201d da ind\u00fastria farmac\u00eautica, energ\u00e9ticos com vodka e planilhas do sono. A seguir, os melhores momentos da entrevista do cardiologista ga\u00facho ao Trip FM.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Trip FM: Voc\u00ea trabalha num campo que deveria interessar a todo mundo que est\u00e1 vivo. Basta ter um cora\u00e7\u00e3o. Antes de chegar na ci\u00eancia, quero come\u00e7ar pela sua origem. Me fale sobre a sua chegada ao planeta.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Vim ao mundo em 1992, o primeiro de tr\u00eas filhos. Minha fam\u00edlia \u00e9 uma fam\u00edlia de m\u00e9dicos. Meu av\u00f4 \u00e9 m\u00e9dico, meu pai, alguns tios, ent\u00e3o naturalmente me direcionei para esse lado. A fam\u00edlia da minha m\u00e3e tem uma veia mais criativa, minha m\u00e3e \u00e9 arquiteta, tem alguns m\u00fasicos na fam\u00edlia. Foi uma jun\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e arte.<\/p>\n<p>Quando eu completei um ano, meu pai foi fazer um p\u00f3s-doutorado nos Estados Unidos. Vivi l\u00e1 at\u00e9 os meus tr\u00eas, com meu pai trabalhando num hospital acad\u00eamico de excel\u00eancia na Carolina do Norte, e isso acabou moldando a nossa fam\u00edlia de certa forma, nessa conviv\u00eancia entre a cultura ga\u00facha e a americana. Depois voltamos e nunca mais sa\u00ed daqui. Estudei em Porto Alegre, jogava bola, tocava m\u00fasica, ia ver jogo do Gr\u00eamio numa \u00e9poca melhor do que a de hoje em dia.<\/p>\n<p>Aos 17 fiz vestibular e entrei na faculdade de medicina. Dentro da faculdade acabei me direcionando para o lado da pesquisa. Fui um dos escolhidos para o projeto Ci\u00eancia sem Fronteiras e passei um ano na Universidade de Columbia, em Nova York. Voltei para a Federal com uma vis\u00e3o completamente diferente. A\u00ed veio resid\u00eancia de medicina interna, resid\u00eancia de cardiologia, doutorado, o p\u00f3s-doutorado fora, sempre com foco em preven\u00e7\u00e3o cardiovascular e pesquisa cl\u00ednica.\u00a0<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/revistatrip.uol.com.br\/trip-fm\/martine-grael-ter-uma-mulher-no-leme-ainda-mexe-com-o-ego-de-muita-gente\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Martine Grael: \u201cTer uma mulher no leme ainda mexe com o ego de muita gente\u201d<\/a><\/p>\n<p><strong>Trip FM: Aparentemente voc\u00eas encontraram um caminho eficaz para baixar o triglic\u00e9rides, que \u00e9 algo bastante dif\u00edcil. Muita gente chega a fazer dieta de monge e nem assim consegue baixar. O que \u00e9 ter triglic\u00e9rides muito alto, que impacto isso traz para o organismo e que caminho voc\u00eas encontraram?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> O triglicer\u00eddeo \u00e9 uma gordura que circula no sangue e costuma ser um marcador de doen\u00e7a metab\u00f3lica. Sedentarismo, sobrepeso, diabetes, esse costuma ser o perfil de quem tende a ter triglicer\u00eddeo elevado. Em casos extremos pode ser gen\u00e9tico e chegar a n\u00edveis alt\u00edssimos, mas n\u00e3o \u00e9 o mais habitual. O triglicer\u00eddeo alto se associa a dois problemas. O primeiro \u00e9 doen\u00e7a cardiovascular, infarto, AVC, mais chance de \u00f3bito. O segundo \u00e9 pancreatite. E aqui n\u00e3o estamos falando do triglicer\u00eddeo moderadamente elevado, na faixa de 200 ou 300. Estamos falando de 800, 1.000, 2.000. Esses s\u00e3o os n\u00edveis que causam pancreatite.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 que n\u00e3o tem muita coisa que abaixe bem o triglicer\u00eddeo. Para quem \u00e9 sedent\u00e1rio e est\u00e1 com sobrepeso, mudan\u00e7a de h\u00e1bito vai baixar alguma coisa, na faixa de 10% a 20%. As medica\u00e7\u00f5es aprovadas hoje, como os fibratos e as estatinas, baixam mais ou menos 30%. N\u00e3o t\u00ednhamos nada que reduzisse de forma substancial.<\/p>\n<p>Essa pesquisa foi feita com uma droga chamada olezarsen, que baixa o triglicer\u00eddeo na faixa dos 60%. Muito mais do que aquilo que a\u00a0 gente tem dispon\u00edvel. E \u00e9 uma hist\u00f3ria bem bacana. Come\u00e7ou l\u00e1 atr\u00e1s, com a descoberta de pessoas que tinham muta\u00e7\u00f5es nessa via. Viu-se que essas pessoas tinham triglicer\u00eddeos l\u00e1 embaixo, menos doen\u00e7a cardiovascular e menos pancreatite. A\u00ed veio o pensamento: ser\u00e1 que n\u00e3o consigo criar uma medica\u00e7\u00e3o que simule essa muta\u00e7\u00e3o que aquela pessoa espec\u00edfica teve naturalmente?<\/p>\n<p><strong>Trip FM: E a\u00ed entra essa hist\u00f3ria do RNA mensageiro. O que \u00e9 isso exatamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Imagina que eu queira que voc\u00ea fa\u00e7a um bolo para mim. Eu escrevo a receita, mando um mensageiro, ele te entrega o papel, voc\u00ea l\u00ea e produz o bolo. O nosso corpo faz exatamente a mesma coisa. Se ele quer produzir uma prote\u00edna, algu\u00e9m pega a receita, entrega ao mensageiro, ele entrega e a prote\u00edna \u00e9 produzida. Em outras palavras, o DNA tem a receita, o RNA mensageiro \u00e9 o mensageiro que a entrega no lugar certo, e no fim sai a prote\u00edna.<\/p>\n<p>O que a gente est\u00e1 fazendo agora s\u00e3o tratamentos que atuam exatamente nesse mensageiro. S\u00e3o super espec\u00edficos, agem ali e impedem que a prote\u00edna seja formada. Atuam num n\u00edvel muito mais precoce, logo que aquilo saiu do n\u00facleo da c\u00e9lula.<\/p>\n<p>A nova era de tratamentos da cardiologia est\u00e1 sendo assim, mais potente, mais direcionada e, por isso mesmo, menos frequente. Aplica\u00e7\u00e3o uma vez por m\u00eas, a cada dois meses, tr\u00eas, seis, ou at\u00e9 uma vez por ano. N\u00e3o precisa mais tomar comprimido todo santo dia. No nosso caso, a partir do estudo daquela muta\u00e7\u00e3o que baixava o triglicer\u00eddeo, se desenvolveu uma droga que ataca o mensageiro daquela prote\u00edna.<\/p>\n<p><strong>Trip FM: Vi que essa pesquisa foi liderada por voc\u00ea. Como se deu esse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Isso fez parte de um programa maior, que n\u00e3o foi liderado por mim. Foi durante o meu p\u00f3s-doutorado em Harvard, eles estavam desenvolvendo esse programa, e dentro dele havia uma s\u00e9rie de estudos. Tinha estudo em pessoas com s\u00edndrome gen\u00e9tica, com n\u00edveis de\u00a0 triglicer\u00eddeos de 2.000 ou 3.000. Tinha programa com triglicer\u00eddeo mais baixo, para ver se a medica\u00e7\u00e3o reduzia a placa coron\u00e1ria. E tinha um programa voltado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de pancreatite.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise que liderei fez parte deste \u00faltimo, dentro de um universo de milhares de pacientes testados. Ela olhou para as pessoas com triglic\u00e9rides acima de 880, que \u00e9 o n\u00edvel que traz risco de pancreatite, para avaliar o quanto a droga reduziria os n\u00edveis e o risco.<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o existe nenhuma medica\u00e7\u00e3o aprovada para essa popula\u00e7\u00e3o com o objetivo de reduzir o risco de pancreatite. Temos rem\u00e9dios que reduzem o triglicer\u00eddeo na faixa de 20% e 30%, e nenhum que tenha comprovadamente reduzido a pancreatite. Esse programa foi o primeiro a mostrar que baixar triglicer\u00eddeos de fato diminui a chance de ter pancreatite. Nos pacientes de risco mais alto, com n\u00edveis acima de 880 e um epis\u00f3dio pr\u00e9vio de pancreatite, bastaria tratar quatro pessoas por um ano para evitar um caso. \u00c9 um benef\u00edcio muito grande. Com base nessas an\u00e1lises, a medica\u00e7\u00e3o foi aprovada pelo FDA americano, e a gente espera que nos pr\u00f3ximos meses ou anos ela chegue ao Brasil.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/revistatrip.uol.com.br\/tpm\/e-se-eu-te-disser-que-autenticidade-pode-sim-ser-ensinada\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">E se eu te disser que autenticidade pode sim ser ensinada?<\/a><\/p>\n<p><strong>Trip FM: D\u00e1 pra fazer alguma proje\u00e7\u00e3o mais objetiva sobre a disponibilidade desse rem\u00e9dio chegar nas farm\u00e1cias brasileiras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Ainda n\u00e3o se sabe. Nos Estados Unidos j\u00e1 est\u00e1 aprovado. Na Europa, o rem\u00e9dio j\u00e1 existe para a s\u00edndrome gen\u00e9tica, e o pedido de amplia\u00e7\u00e3o para os casos de triglicer\u00eddeo muito alto est\u00e1 em an\u00e1lise. A partir da\u00ed come\u00e7a a se pensar em vir para o Brasil, e a\u00ed entra toda a estrat\u00e9gia da pr\u00f3pria empresa. O antecessor dessa droga se chama volanesorsen e j\u00e1 existe no Brasil, aprovado pela Anvisa em 2021, mas s\u00f3 para as pessoas com uma s\u00edndrome gen\u00e9tica rara chamada quilomicronemia familiar. S\u00e3o pacientes com triglic\u00e9rides alt\u00edssimas e muita pancreatite, e para elas j\u00e1 existe essa op\u00e7\u00e3o hoje. Para a popula\u00e7\u00e3o muito mais numerosa, que n\u00e3o tem 3.000 de triglicer\u00eddeo e sim 600, 800 ou 900, a expectativa \u00e9 que em alguns meses ou anos a gente tenha o olezarsen.<\/p>\n<p><strong>Trip FM: A pergunta que todo mundo se faz quando aparece uma coisa com esse potencial s\u00e3o os tais efeitos colaterais. A pesquisa j\u00e1 detectou alguma coisa nesse sentido ou isso ainda demanda muito tempo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Interessante a pergunta, porque esse programa inclui milhares de pessoas. Em conversa com as ag\u00eancias regulat\u00f3rias, entendeu-se que seria preciso um n\u00famero muito grande de participantes para olhar n\u00e3o s\u00f3 a efic\u00e1cia como tamb\u00e9m a seguran\u00e7a. Alguns dos estudos foram conduzidos especificamente com esse objetivo, e h\u00e1 estudos ainda em andamento. Pelo que vimos nos dados publicados, a medica\u00e7\u00e3o \u00e9 bem segura. Todos esses rem\u00e9dios baseados em RNA tendem a ser muito seguros porque ficam pouqu\u00edssimo tempo no organismo.\u00a0<\/p>\n<p>O que a gente costuma ver \u00e9 rea\u00e7\u00e3o local, um pouco de vermelhid\u00e3o no lugar da inje\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes um sintoma gripal na hora da aplica\u00e7\u00e3o. O nosso estudo previa aplica\u00e7\u00e3o mensal. J\u00e1 a inclisirana, aprovada no Brasil para reduzir colesterol, \u00e9 aplicada a cada seis meses depois das duas primeiras doses. E a droga sai do organismo em um ou dois dias. S\u00e3o medica\u00e7\u00f5es que est\u00e3o mudando a forma de tratamento. Hoje ainda vivemos sob a l\u00f3gica de tomar comprimidos todos os dias, mas \u00e9 bem poss\u00edvel que nos pr\u00f3ximos anos isso vire outra coisa: a pessoa vai \u00e0 farm\u00e1cia no dia do anivers\u00e1rio, toma quatro inje\u00e7\u00f5es e volta no ano seguinte.<\/p>\n<p><strong>Trip FM: Vou mudar de campo, mas continuo na sua especialidade. Uma coisa sobre a qual se fala pouco: os energ\u00e9ticos. Um tipo de bebida com marketing poderos\u00edssimo, principalmente a marca l\u00edder, quase sempre associada a esportes radicais. Uma pessoa que conhe\u00e7o , um executivo, vida super regrada, que quase morreu depois de tomar dois copos de energ\u00e9tico com vodka durante uma festa de casamento. O que se sabe sobre os efeitos menos divulgados, principalmente das combina\u00e7\u00f5es de energ\u00e9ticos com \u00e1lcool?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> J\u00e1 come\u00e7o com um aviso de que n\u00e3o \u00e9 bem a minha \u00e1rea de expertise, ent\u00e3o n\u00e3o vou conseguir aprofundar. Mas o que a gente sabe \u00e9 que qualquer coisa em excesso faz mal, e com energ\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 diferente. O energ\u00e9tico tem cafe\u00edna e taurina em quantidade alta e, em excesso, pode causar arritmia e problemas card\u00edacos. Me lembro bem de um paciente que atendi ainda na \u00e9poca da faculdade, uma pessoa jovem que tomava uma quantidade cavalar de energ\u00e9tico todos os dias por conta dos estudos e da academia, e acabou desenvolvendo um problema grave no cora\u00e7\u00e3o. Em dose moderada, dificilmente vamos ver esse tipo de coisa. Agora, conforme a dose aumenta, n\u00e3o \u00e9 in\u00f3cuo. Sobre a combina\u00e7\u00e3o com \u00e1lcool, se existe efeito sin\u00e9rgico, n\u00e3o vou saber te dizer. Dependendo das bebidas, uma pode potencializar o efeito mal\u00e9fico da outra. De todo modo, para qualquer bebida, energ\u00e9tica ou alco\u00f3lica, a gente sabe que n\u00e3o existe dose segura. Aquela hist\u00f3ria de que um pouco de vinho faz bem caiu por terra.\u00a0<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/revistatrip.uol.com.br\/trip\/carros-antigos-dizem-muito-sobre-quem-somos\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Carros antigos dizem muito sobre quem somos<\/a><\/p>\n<p><strong>Trip FM: Voc\u00ea citou a inclisirana, uma droga para baixar colesterol. Isso me leva \u00e0 estatina, que h\u00e1 muito \u00e9 assunto de f\u00f3runs de internet, de conversas de bar e at\u00e9 de almo\u00e7os de fam\u00edlia. Ao mesmo tempo em que \u00e9 uma droga com efeito potente, ela gera muita pol\u00eamica. Fala-se por exemplo dos interesses\u00a0 da ind\u00fastria farmac\u00eautica em rela\u00e7\u00e3o a ela, que \u00e9 uma das drogas mais vendidas do mundo. Por outro lado, j\u00e1 ouvi de um cardiologista , um decano colega seu, que, se dependesse dele, colocar\u00edamos estatina \u201cna caixa d\u2019\u00e1gua da cidade\u201d, por conta dos poderes \u201cpreventivos\u201d da droga. Qual a sua opini\u00e3o sobre a estatina ?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Tem a quest\u00e3o do LDL e tem a quest\u00e3o da estatina. Vamos falar um pouco de cada. Na minha leitura, a controv\u00e9rsia \u00e9 muito maior do que deveria ser. Estatina \u00e9 uma droga que, primariamente, serve para diminuir o LDL no sangue. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, ela aumenta os receptores de LDL. Aumentando o receptor, ela tira mais LDL da circula\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que a estatina faz. E o que \u00e9 o LDL? \u00c9 uma part\u00edcula que carrega colesterol e que pode, de forma desavisada, entrar na parede dos nossos vasos. Quase como um adesivo ou um glitter, ele vai se grudando ali e formando uma placa. Quanto mais LDL circulando, maior a chance de isso acontecer. Ao longo de anos e d\u00e9cadas, a placa vai crescendo at\u00e9 causar uma obstru\u00e7\u00e3o, um infarto ou um AVC. A premissa \u00e9 simples. Se eu tenho menos LDL circulando, tenho menos placa e menos chance de infarto e AVC.\u00a0<\/p>\n<p>Isso importa por dois motivos. Primeiro, porque infarto e AVC s\u00e3o o que mais mata no Brasil e no mundo. Segundo, porque o LDL fisiol\u00f3gico, aquele que se encontra em outros mam\u00edferos e em popula\u00e7\u00f5es isoladas de ca\u00e7adores e coletores, fica em torno de 50 a 70. O nosso fica em torno de 100 ou mais. N\u00f3s j\u00e1 vivemos com um n\u00edvel de colesterol bem acima do que seria natural, e n\u00e3o \u00e9 por acaso que a maior causa de morte no mundo s\u00e3o placas levando a infarto e AVC.<\/p>\n<p>Com isso, criou-se um mercado enorme para qualquer droga que baixasse o LDL, porque \u00e9 algo que afeta grande parte das pessoas. A primeira grande classe a surgir foi a das estatinas. Por um lado, foi muito positivo para pessoas de alto risco. A estatina diminui a incid\u00eancia de infarto e AVC, diminui a chance de morrer. Por outro lado, nos anos 1990 e 2000 houve um boom enorme, com muita ind\u00fastria farmac\u00eautica em cima, e isso criou uma controv\u00e9rsia desproporcional.<\/p>\n<p>O que sabemos \u00e9 que, em pessoas com LDL alto e com risco, a estatina reduz infarto, AVC e \u00f3bito. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a estatina. Outros rem\u00e9dios que baixam o LDL fazem a mesma coisa. A estatina \u00e9 a mais visada por ser a mais usada e a primeira que apareceu.<\/p>\n<p>Ela tem efeitos colaterais, como qualquer rem\u00e9dio. Pode aumentar um pouquinho o a\u00e7\u00facar no sangue, ent\u00e3o quem j\u00e1 est\u00e1 no limiar do diabetes pode evoluir para o quadro. Pode dar dor muscular num percentual pequeno de pessoas. Pode aumentar um pouco as enzimas do f\u00edgado. No fim das contas, para quem tem risco e tem LDL alto, o benef\u00edcio \u00e9 t\u00e3o maior do que o risco que isso nem chega a ser uma discuss\u00e3o em c\u00edrculos especializados.<\/p>\n<p>E olha, muito dessa ideia de \u201cind\u00fastria da estatina\u201d vem de outra \u00e9poca e se arrastou at\u00e9 agora. Estatina hoje \u00e9 rem\u00e9dio gen\u00e9rico, custa centavos por dia. A ind\u00fastria farmac\u00eautica tem outros focos muito mais priorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Hoje temos v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es para baixar o LDL: estatina, ezetimiba, \u00e1cido bempedoico, evolocumabe, inclisirana. No fim das contas, o nosso foco nunca foi prescrever estatina, o nosso foco \u00e9 baixar o LDL. Para quem tem resist\u00eancia ou de fato tem efeito colateral, existem tantas outras op\u00e7\u00f5es que a gente normalmente consegue controlar o risco independentemente da estatina.<\/p>\n<p><strong>Trip FM: Anos atr\u00e1s entrevistamos uma jornalista, a Ana Michelle Soares, que tinha um c\u00e2ncer terminal aos 30 e poucos anos e resolveu relatar seus \u00faltimos anos de vida. Ela tinha uma gratid\u00e3o gigantesca por alguns m\u00e9dicos e enfermeiros, e uma queixa s\u00e9ria em rela\u00e7\u00e3o a outros. Em resumo, ela falava de uma soberba na categoria m\u00e9dica, de insensibilidade, de falta de respeito e de cuidado em todos os sentidos,\u00a0 gente que imagina caminhar dois metros acima do resto da\u00a0 humanidade. Como isso bate para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Tem v\u00e1rias camadas aqui. A primeira \u00e9 que existem coisas que a faculdade n\u00e3o ensina. Ela te ensina muito sobre a parte t\u00e9cnica e pouco sobre o humano. Essa parte humana vem de ber\u00e7o, de cria\u00e7\u00e3o, de exemplo, de modelo, da percep\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pessoa. A segunda camada s\u00e3o as press\u00f5es em cima do m\u00e9dico. Uma coisa \u00e9 o m\u00e9dico de consult\u00f3rio. Outra coisa \u00e9 quem est\u00e1 numa emerg\u00eancia com algu\u00e9m chamando com urg\u00eancia, casos graves\u00a0 que precisam ser atendidos a cada 10 minutos.<\/p>\n<p>A terceira \u00e9 que, para quem lida com casos graves, de emerg\u00eancia ou com pacientes terminais, existe uma carga emocional forte, principalmente do lado do paciente. E ser maltratado por um m\u00e9dico \u00e9 diferente de ser maltratado por um atendente de loja, porque o assunto \u00e9 muito mais sens\u00edvel.\u00a0<\/p>\n<p>Como voc\u00ea deve ter percebido, eu gosto de gente. Tenho um modelo de pr\u00e1tica no consult\u00f3rio em que fico duas horas conversando com meus pacientes. Levo um calhama\u00e7o de folhas de papel, escrevo, desenho, explico tudo, nem olho para o computador, porque \u00e9 assim que gosto de atender. A gente sabe que pequenas atitudes, sentar do lado da pessoa, olhar no olho, conversar, mesmo que por 30 segundos, j\u00e1 fazem uma diferen\u00e7a enorme.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/revistatrip.uol.com.br\/trip\/o-golpista-mais-eloquente-do-whatsapp\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">O golpista mais eloquente do WhatsApp<\/a><\/p>\n<p><strong>Trip FM: E a quest\u00e3o da influ\u00eancia, do m\u00e9dico que vira produtor de conte\u00fado? D\u00e1 para o m\u00e9dico exercer a profiss\u00e3o com dignidade virando um superstar? J\u00e1 conversei sobre isso com o Dr\u00e1uzio Varella, que mesmo sendo refer\u00eancia para todos n\u00f3s, \u00e0s vezes ainda\u00a0 \u00e9 criticado por produzir\u00a0 conte\u00fado em grandes ve\u00edculos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Vou te dizer que d\u00e1, sim. O Drauzio \u00e9 um \u00f3timo exemplo. Ele coloca informa\u00e7\u00e3o de alt\u00edssima qualidade na rede e no mundo e nem por isso \u00e9 um m\u00e9dico pior. Enquanto eu estou aqui atendendo um paciente de cada vez, ele est\u00e1 l\u00e1 melhorando a vida de um milh\u00e3o de pessoas em cada mensagem, \u00e0s vezes com um v\u00eddeo que a gente pode achar simples e que provavelmente tem um impacto na sa\u00fade do Brasil infinitamente maior do que a consulta que fa\u00e7o. Dito isso, \u00e9 sempre mais f\u00e1cil criar controv\u00e9rsia, porque na rede social eu preciso de engajamento. \u00c9 mais f\u00e1cil conseguir isso com not\u00edcia sensacionalista, \u00e9 muito mais f\u00e1cil se eu flertar com fake news. Esse \u00e9 um desafio grande para quem quer fazer divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica s\u00e9ria. Na ci\u00eancia, a resposta \u00e9 com frequ\u00eancia \u201cn\u00e3o sei\u201d, \u201cpreciso de mais estudos\u201d. Isso n\u00e3o gera engajamento. O que gera \u00e9 dizer \u201cest\u00e3o querendo te matar\u201d, \u201cveja o que est\u00e3o escondendo de voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p><strong>Trip FM: Outro tema importante que gera discuss\u00e3o. Vou me permitir chamar, entre aspas, de uma esp\u00e9cie de corrup\u00e7\u00e3o velada dos profissionais de medicina pela ind\u00fastria farmac\u00eautica. Em forma de congressos, viagens de luxo, patroc\u00ednios de eventos, brindes de alto valor. N\u00e3o estou demonizando a ind\u00fastria, porque sem ela provavelmente estar\u00edamos quase\u00a0 todos mortos ou doentes. Mas me parece importante falar sobre\u00a0 essa ind\u00fastria paralela \u00e0 farmac\u00eautica,\u00a0 da viagem, do simp\u00f3sio, do brinde. Estou exagerando?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> Isso tem um grande fundo de verdade. Foi uma conversa forte anos atr\u00e1s. H\u00e1 10 anos ou mais, era mais comum. A quest\u00e3o das viagens e dos brindes era, para algumas pessoas, uma rela\u00e7\u00e3o muito mais comercial do que acad\u00eamica. Hoje muita coisa mudou, gra\u00e7as \u00e0 quest\u00e3o de compliance. As ind\u00fastrias nem conseguem mais fazer esse tipo de coisa. Mesmo que o m\u00e9dico quisesse, a ind\u00fastria n\u00e3o consegue mais. Coisas que aconteciam l\u00e1 atr\u00e1s, como mandar passagem para o m\u00e9dico e para a fam\u00edlia, hoje est\u00e3o absolutamente fora de cogita\u00e7\u00e3o. A ponto de, com frequ\u00eancia, n\u00e3o se permitir fazer congresso em cidade tur\u00edstica justamente por causa disso. Algumas cidades que costumavam receber congressos est\u00e3o sofrendo porque a ind\u00fastria diz que n\u00e3o vai patrocinar nada ali, para n\u00e3o confundir ci\u00eancia com turismo. O p\u00eandulo foi para o outro lado, e acho isso favor\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Trip FM: Estamos numa onda forte de longevidade. Dentro desse campo que \u00e0s vezes confunde hype com ci\u00eancia,\u00a0 existem academias, cl\u00ednicas, drogas e tamb\u00e9m os instrumentos de medi\u00e7\u00e3o,\u00a0 an\u00e9is e rel\u00f3gios que se prop\u00f5e a registrar e \u201ccontrolar\u201d in\u00fameros indicadores de sa\u00fade. As pessoas est\u00e3o fazendo planilha para meditar, cruzando o treino no pedal com a noite de sono. Como voc\u00ea enxerga essa tend\u00eancia que pode virar obsess\u00e3o pelo registro e controle?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> A longevidade \u00e9 a base de toda a minha profiss\u00e3o. Quando digo para voc\u00ea dormir sete horas, n\u00e3o estou falando de rel\u00f3gio nem de dispositivo. Estou dizendo que quero te ajudar a viver mais e melhor. Hoje existe um foco em coisas super espec\u00edficas, algumas que funcionam e outras que n\u00e3o. O problema \u00e9 que com frequ\u00eancia as pessoas pulam para o avan\u00e7ado e esquecem da base. E a base \u00e9 exerc\u00edcio f\u00edsico, dieta adequada, controle de peso, controle de colesterol, controle de press\u00e3o arterial, n\u00e3o fumar e ter um sono adequado. A longevidade s\u00e3o essas sete ou oito coisas b\u00e1sicas. N\u00e3o adianta comprar um dispositivo avan\u00e7ado e tomar uma medica\u00e7\u00e3o se essas coisas n\u00e3o estiverem em dia.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, se a pessoa quer fazer planilha para ter um condicionamento melhor, vai ajudar a estimular, est\u00e1 \u00f3timo. Como bom pesquisador, sou viciado em tabela, n\u00e3o tenho nada contra. O meu receio \u00e9 quando entra em terreno de rem\u00e9dio experimental para longevidade, de soro fluorescente, coisas que saem do campo da ci\u00eancia e viram um neg\u00f3cio de terapias que nunca comprovaram mudar nada.\u00a0<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:\u00a0<a href=\"https:\/\/revistatrip.uol.com.br\/tpm\/decreto-12976-prazo-ataques-mulheres\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nude vazado, deepfake, ass\u00e9dio virtual: agora tem prazo pra sair do ar<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Trip FM: Em 2004 a Trip lan\u00e7ou uma esp\u00e9cie de ide\u00e1rio, dez ou doze pontos que a gente achava importantes e pouco tratados pela m\u00eddia. Um deles era o sono. Riram da gente na \u00e9poca. Hoje pega bem falar que se interessa por sono e a aten\u00e7\u00e3o geral se voltou para o assunto. Mas esse tema \u00e9 algo mais complexo do que o n\u00famero de horas dormidas, tem a quest\u00e3o do ritmo circadiano individual, a idade e outros aspectos de cada pessoa. O que a pesquisa de ponta realmente sabe? Quem dorme seis horas e acorda bem est\u00e1 pior ou melhor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Zimerman:<\/strong> O sono sempre foi negligenciado, apesar de a gente passar um ter\u00e7o da vida dormindo. Isso mudou muito na medicina. A ponto de a American Heart Association, que sempre trouxe sete pontos fundamentais para uma vida saud\u00e1vel, os Life\u2019s Simple 7, ter mudado a lista em 2022 para Life\u2019s Essential 8, incluindo o sono. Ter um sono bom \u00e9 um dos pilares da sa\u00fade f\u00edsica e cardiovascular. Os estudos apontam algo em torno de sete a nove horas como ideal para adultos. Acontece que, na nossa vida ocidental, a m\u00e9dia fica bem abaixo disso. A gente dorme cinco ou seis horas durante a semana e dorme mal. Dormir mal deixa a gente desconcentrado ao longo do dia, pode aumentar a press\u00e3o arterial, a resposta adren\u00e9rgica, a frequ\u00eancia card\u00edaca. Tem repercuss\u00e3o m\u00faltipla em como vamos funcionar. A Trip foi vision\u00e1ria ao incluir o sono ali. Inclusive o Nobel de Medicina de 2017 foi para as descobertas sobre o ritmo circadiano, que \u00e9 o rel\u00f3gio que governa o sono.<\/p>\n<p><strong>Trip FM\u00a0<\/strong>\u00e9 o talk show criado pela Trip. Nele, desde 1984, Paulo Lima j\u00e1 recebeu mais de mil personalidades, em entrevistas descontra\u00eddas e reveladoras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Seu navegador n\u00e3o suporta o elemento de \u00e1udio. \u201cEnquanto estou aqui atendendo a um paciente por\u00a0vez, o Drauzio&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":495978,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[109,3570,116,32,33,117],"class_list":["post-495977","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-ciencia","tag-corpo","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117136652148408684","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/495977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=495977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/495977\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/495978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=495977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=495977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=495977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}