{"id":496248,"date":"2026-08-22T09:56:17","date_gmt":"2026-08-22T09:56:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/496248\/"},"modified":"2026-08-22T09:56:17","modified_gmt":"2026-08-22T09:56:17","slug":"china-fara-missao-em-busca-de-agua-no-polo-sul-da-lua-22-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/496248\/","title":{"rendered":"China far\u00e1 miss\u00e3o em busca de \u00e1gua no polo sul da Lua &#8211; 22\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/china\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">China<\/a> se prepara para lan\u00e7ar sua miss\u00e3o lunar rob\u00f3tica mais ousada e potencialmente impactante, na primeira busca direta por \u00e1gua na superf\u00edcie do sat\u00e9lite natural. A aventura da Chang&#8217;e-7 deve come\u00e7ar no fim da noite deste domingo (23), com uma janela de lan\u00e7amento que se abre \u00e0s 21h (de Bras\u00edlia).<\/p>\n<p>A miss\u00e3o ser\u00e1 impulsionada ao espa\u00e7o por um foguete Longa Marcha 5, partindo do Centro de Lan\u00e7amento de Sat\u00e9lites de Wenchang, na ilha Hainan, e colocada diretamente em uma inje\u00e7\u00e3o translunar, com inser\u00e7\u00e3o orbital na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/lua\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lua<\/a> em cinco dias. Depois disso, o conjunto pode operar por meses em \u00f3rbita antes da realiza\u00e7\u00e3o do pouso, que ainda n\u00e3o tem data exata para ocorrer.<\/p>\n<p>A escalada de complexidade das miss\u00f5es chinesas impressiona. Chang&#8217;e-1 e 2 (2007 e 2010) foram apenas orbitadores. A Chang&#8217;e-3 (2013) realizou a primeira alunissagem rob\u00f3tica chinesa (tornando o pa\u00eds o terceiro a realizar a fa\u00e7anha, depois de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/russia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">R\u00fassia<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a>) e contou com o rover Yutu.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o seguinte, Chang&#8217;e-4 (2019), realizaria um feito in\u00e9dito, o primeiro pouso da hist\u00f3ria no<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/06\/por-que-da-terra-conseguimos-ver-sempre-so-um-lado-da-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> hemisf\u00e9rio afastado da Lua, que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel diretamente a partir da Terra<\/a>. A Chang&#8217;e-5 (2020) realizou um retorno automatizado de amostras, o primeiro desde a sovi\u00e9tica Luna-24, em 1974, al\u00e9m da primeira acoplagem orbital lunar rob\u00f3tica \u2013antes disso, s\u00f3 as <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/02\/missoes-a-lua-impulsionaram-ciencia-e-computacao-no-seculo-20.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">miss\u00f5es tripuladas Apollo<\/a> haviam feito algo similar.<\/p>\n<p>Mais um feito in\u00e9dito viria em 2024, com a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/06\/china-e-primeiro-pais-do-mundo-a-ter-amostras-do-lado-oculto-da-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Chang&#8217;e-6, que colheu as primeiras amostras do hemisf\u00e9rio afastado<\/a> e as trouxe \u00e0 Terra para estudos. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 a Chang&#8217;e-7, a primeira miss\u00e3o chinesa destinada ao polo sul lunar.<\/p>\n<p>O GRANDE PR\u00caMIO<\/p>\n<p>Existe um motivo pelo qual os novos programas lunares est\u00e3o t\u00e3o interessados no polo sul. Detec\u00e7\u00f5es remotas por orbitadores sugerem que, no fundo de crateras onde a luz nunca bate, h\u00e1 sinais da presen\u00e7a de \u00e1gua. Esse seria um recurso essencial n\u00e3o s\u00f3 para o desenvolvimento de futuras bases lunares como tamb\u00e9m para usar a Lua como plataforma para lan\u00e7amentos a outros destinos no Sistema Solar \u2013\u00e1gua pode servir para consumo direto por humanos, pode gerar oxig\u00eanio para respira\u00e7\u00e3o e pode gerar hidrog\u00eanio, um poderoso combust\u00edvel de foguetes.<\/p>\n<p>Ocorre que ningu\u00e9m sabe que em que forma est\u00e1 essa \u00e1gua, se em mol\u00e9culas avulsas impregnadas no solo, se em gr\u00e3os de gelo, se em blocos maiores, se h\u00e1 mais no subsolo. Tampouco se sabe qu\u00e3o f\u00e1cil seria explorar esses recursos. Isso porque nenhuma sonda foi \u00e0 superf\u00edcie e observou diretamente a presen\u00e7a da \u00e1gua \u2013at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>A Chang&#8217;e-7 \u00e9 uma miss\u00e3o qu\u00e1drupla: ela \u00e9 composta de um orbitador, um pousador, um rover e \u2013a novidade\u2013 um pequeno saltador. O plano \u00e9 descer nos arredores da cratera Shackleton. Para que se tenha uma ideia de qu\u00e3o perto isso est\u00e1 do polo sul lunar, \u00e9 uma cratera com 21 km de di\u00e2metro e sua borda toca o pr\u00f3prio polo. Seu interior est\u00e1 perpetuamente sob sombra e seu contorno tem ilumina\u00e7\u00e3o quase perp\u00e9tua. Observa\u00e7\u00f5es feitas da \u00f3rbita indicam que o fundo da cratera pode ter \u00e1gua.<\/p>\n<p>O pousador da Chang&#8217;e-7 tentar\u00e1 realizar um pouso de precis\u00e3o numa elipse com tamanho menor que cem metros pr\u00f3ximo \u00e0 borda da cratera. A ideia \u00e9, ao mesmo tempo, estar numa regi\u00e3o com disponibilidade quase cont\u00ednua de luz solar (a miss\u00e3o opera com pain\u00e9is solares) e obter acesso a regi\u00f5es permanentemente obscurecidas. Esse ser\u00e1 o trabalho do saltador.<\/p>\n<p>O SALTADOR<\/p>\n<p>\u00c9 essencialmente uma pequena sonda-foguete, j\u00e1 que essa \u00e9 a \u00fanica forma de voar na Lua. N\u00e3o h\u00e1 atmosfera, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel decolar com um helic\u00f3ptero ou trafegar como um avi\u00e3o. O \u00fanico jeito \u00e9 usar propuls\u00e3o de foguete e saltar de um lugar a outro.<\/p>\n<p>O da Chang&#8217;e-7 tentar\u00e1 entrar no fundo de uma cratera escura e ent\u00e3o usar\u00e1 um instrumento chamado Luwa (acr\u00f4nimo em ingl\u00eas para Analisador de Mol\u00e9culas de \u00c1gua do Solo Lunar), um espectr\u00f4metro baseado em laser, que vai buscar gelo na superf\u00edcie e estimar a chance de haver \u00e1gua em seu interior.<\/p>\n<p>A coisa fica ainda mais interessante em seguida, quando uma perfuratriz retira uma amostra de solo de at\u00e9 um metro de profundidade e a coloca em uma c\u00e2mara de aquecimento mantida a uma temperatura inferior a -20 graus Celsius. Ap\u00f3s a deposi\u00e7\u00e3o da amostra e o fechamento do dispositivo, ele ir\u00e1 aquec\u00ea-la at\u00e9 mais de 200 graus Celsius \u2013literalmente cozinhar a amostra para ver se \u00e1gua e outros compostos vol\u00e1teis evaporam. Esse material evaporado ent\u00e3o passa por espectr\u00f4metros de massa e de laser, quantificando a quantidade de \u00e1gua e que tipos (is\u00f3topos) de hidrog\u00eanio ela tem, que ajudar\u00e1 a entender de onde ela veio e como foi parar l\u00e1 (vento solar? cometas?).<\/p>\n<p>Isso sem falar em toda a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ciencia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ci\u00eancia<\/a> que ser\u00e1 produzida pelo orbitador, pelo pousador e pelo rover. O orbitador ter\u00e1 uma c\u00e2mera de alta resolu\u00e7\u00e3o que poder\u00e1, de uma altitude de 100 km, visualizar objetos com menos de meio metro. A 15 km (\u00f3rbita que pode ser adotada para a fase final da miss\u00e3o), poderia ver objetos de oito cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m contar\u00e1 com um mini-SAR (radar de abertura sint\u00e9tica) com resolu\u00e7\u00e3o melhor que 30 cm, v\u00e1rios espectr\u00f4metros, um magnet\u00f4metro e experimentos de pa\u00edses parceiros (um imageador desenvolvido em parceria pelas ag\u00eancias espaciais do Egito e do Bahreim, um espectr\u00f4metro feito na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/suica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Su\u00ed\u00e7a<\/a> e um monitor de clima espacial da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/tailandia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Tail\u00e2ndia<\/a>).<\/p>\n<p>O pousador tamb\u00e9m est\u00e1 bem equipado, com c\u00e2meras, sensores, sism\u00f3grafo, o tradicional retrorrefletor (desenvolvido pela It\u00e1lia), uma sonda de poeira lunar e campos el\u00e9tricos (da R\u00fassia) e um telesc\u00f3pio astron\u00f4mico.<\/p>\n<p>O rover conta com c\u00e2mera panor\u00e2mica, magnet\u00f4metro, um radar penetrante, um espectr\u00f4metro Raman e um medidor de compostos vol\u00e1teis.<\/p>\n<p>O IN\u00cdCIO DO FUTURO<\/p>\n<p>A Chang&#8217;e-7 e sua sucessora imediata, Chang&#8217;e-8 (focada em utiliza\u00e7\u00e3o de recursos locais e marcada para 2028-2029), s\u00e3o as primeiras a operar no contexto da pretendida <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/08\/china-planeja-enviar-caes-robos-para-construcao-e-operacao-de-base-na-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Esta\u00e7\u00e3o Internacional de Pesquisa Lunar<\/a> (ILRS, na sigla em ingl\u00eas) que os chineses esperam estabelecer no polo sul lunar.<\/p>\n<p>O complexo ser\u00e1 desenvolvido ao longo da d\u00e9cada de 2030, inicialmente apenas por miss\u00f5es rob\u00f3ticas. Os chineses tamb\u00e9m planejam incorporar voos tripulados ao projeto, mas de in\u00edcio as alunissagens com taikonautas devem se concentrar em regi\u00f5es equatoriais, mais acess\u00edveis e seguras para as miss\u00f5es. A China espera que a primeira delas ocorra antes de 2030.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/06\/nasa-conseguira-levar-astronautas-ao-solo-da-lua-ate-2028.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Os Estados Unidos desejam chegar primeiro, em 2028,<\/a> e tamb\u00e9m<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/05\/nasa-anuncia-primeiras-missoes-rovers-e-drones-para-base-na-lua.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> pretendem estabelecer uma base no polo sul lunar<\/a>. O administrador Jared Isaacman j\u00e1 mencionou precursoras rob\u00f3ticas que poderiam &#8220;delimitar&#8221; a regi\u00e3o da futura base americana. Nesse contexto, n\u00e3o seria chocante se a China usasse a Chang&#8217;e-7 para fazer uma &#8220;delimita\u00e7\u00e3o&#8221; pr\u00f3pria da regi\u00e3o da cobi\u00e7ada cratera Shackleton para sua esta\u00e7\u00e3o de pesquisa. V\u00e3o a\u00ed as aspas porque n\u00e3o h\u00e1 acordo entre as duas pot\u00eancias sobre quem pode fazer o qu\u00ea, onde e como na Lua.<\/p>\n<p>O Tratado do Espa\u00e7o, de 1967, assinado no \u00e2mbito da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/onu\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ONU<\/a> e do qual tanto EUA como China s\u00e3o signat\u00e1rios, apenas estabelece que pa\u00edses n\u00e3o podem declarar posse de corpos celestes, no todo ou em parte. Mas vamos combinar que hoje em dia o multilateralismo n\u00e3o est\u00e1 exatamente prestigiado, e h\u00e1 um v\u00e1cuo enorme no direito internacional sobre o que significa exatamente fazer o que o tratado autoriza \u2013explorar recursos celestes &#8220;em benef\u00edcio de toda a humanidade&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A China se prepara para lan\u00e7ar sua miss\u00e3o lunar rob\u00f3tica mais ousada e potencialmente impactante, na primeira busca&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":496249,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[1467,367,358,109,107,108,235,236,56029,2179,1149,910,32,33,105,103,104,2560,106,110],"class_list":["post-496248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-agua","tag-asia","tag-china","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-estados-unidos","tag-folha","tag-jared-isaacman","tag-lua","tag-nasa","tag-onu","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-sistema-solar","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117138567149193001","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/496248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=496248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/496248\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/496249"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=496248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=496248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=496248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}