{"id":496530,"date":"2026-08-22T15:41:18","date_gmt":"2026-08-22T15:41:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/496530\/"},"modified":"2026-08-22T15:41:18","modified_gmt":"2026-08-22T15:41:18","slug":"nova-estimativa-estica-o-limite-da-vida-humana-ate-aos-194-anos-mas-ha-um-grande-senao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/496530\/","title":{"rendered":"Nova estimativa estica o limite da vida humana at\u00e9 aos 194 anos. Mas h\u00e1 um grande sen\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">MIT Press<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-761049\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3-17-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Detalhe da capa de \u201cMorbid: Debunking modern longevity science\u201d, de Saul Newman<\/p>\n<p><strong>Os biogeront\u00f3logos est\u00e3o a explorar o limite m\u00e1ximo da vida humana. Um estudo recente coloca-o perto dos dois s\u00e9culos, mas o colunista Graham Lawton encontra raz\u00f5es para ser c\u00e9tico.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, <strong>Graham Lawton<\/strong>, colunista da <a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2585285-how-long-could-we-possibly-live-a-new-estimate-is-mind-boggling\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">New Scientist<\/a>, escreveu uma hist\u00f3ria memor\u00e1vel e bastante pol\u00e9mica sobre <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/mulher-mais-velha-sempre-falsificado-234393\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jeanne Calment<\/a>, que era ent\u00e3o, e continua a ser, a detentora oficial do recorde mundial de longevidade.<\/p>\n<p>Nasceu em 1875 e morreu em 1997, aos 122 anos e 164 dias. Pelo menos, essa \u00e9 a vers\u00e3o oficial dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Segundo alguns c\u00e9ticos, a mulher que morreu como Jeanne Calment era, na verdade, <strong>a sua filha Yvonne<\/strong>, que teria assumido fraudulentamente a identidade da m\u00e3e quando Jeanne morreu, em 1934.<\/p>\n<p>Yvonne era 23 anos mais nova. Ainda assim, uma bela idade, mas n\u00e3o suficiente para bater o recorde.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o continua por resolver e, por enquanto, Calment mant\u00e9m-se como um dos dados mais importantes da <strong>biogerontologia<\/strong>. Quando perguntamos \u201cquanto tempo pode viver uma pessoa?\u201d, a resposta \u00e9 \u201cpelo menos 122 anos e 164 dias\u201d, supondo que Jeanne Calment tenha realmente vivido tanto tempo.<\/p>\n<p>A possibilidade de algu\u00e9m viver mais tem intrigado os cientistas h\u00e1 muito. \u00c9 uma quest\u00e3o importante na biogerontologia porque, se quisermos prolongar a vida, precisamos de saber qual \u00e9 o objetivo. Mas \u00e9 surpreendentemente dif\u00edcil responder.<\/p>\n<p>Calment \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o: mais ningu\u00e9m chegou aos 120 anos, o que \u00e9 uma das raz\u00f5es para as suspeitas.<\/p>\n<p>A segunda pessoa que mais viveu foi <strong>Kane Tanaka<\/strong>, que <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/pessoa-mais-velha-do-mundo-celebrou-119o-aniversario-454483\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">chegou aos 119 anos<\/a> e 107 dias, e a pessoa mais velha do mundo atualmente, a brit\u00e2nica <strong>Ethel Caterham<\/strong>, celebrou precisamente esta sexta-feira, 21 de agosto, os seus 117 anos. \u00c0 parte alguns dissidentes, por\u00e9m, todos concordam que existe um limite natural.<\/p>\n<p>Mas onde fica esse limite?<\/p>\n<p>H\u00e1 duas formas principais de tentar responder \u00e0 quest\u00e3o. Uma \u00e9 estudar dados demogr\u00e1ficos de supercenten\u00e1rios cuja idade foi confirmada.<\/p>\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature19793\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">an\u00e1lise<\/a> muito citada chegou a uma estimativa de cerca de 115 anos, embora n\u00e3o tenha exclu\u00eddo a possibilidade de algu\u00e9m viver at\u00e9 aos 125. Outro estudo <a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2366876-how-long-can-humans-live-we-may-not-have-hit-the-limit-yet\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">concluiu<\/a> que o recorde de Calment dever\u00e1 provavelmente ser batido num futuro relativamente pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Outra abordagem passa por modelos computacionais. Um desses modelos analisou varia\u00e7\u00f5es de curto prazo na contagem de gl\u00f3bulos vermelhos e brancos em adultos com 85 anos ou mais. Os investigadores converteram esses dados numa medida da capacidade de resist\u00eancia a doen\u00e7as terminais relacionadas com a idade.<\/p>\n<p>A certa altura, essa capacidade desaparece por completo, marcando um ponto sem retorno. Os investigadores conclu\u00edram que esse momento varia de pessoa para pessoa, mas surge geralmente por volta dos 120 anos. Mesmo nos indiv\u00edduos mais resistentes, por\u00e9m, existe um limite m\u00e1ximo absoluto de 150 anos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma <strong>grande diferen\u00e7a entre 125 e 150,<\/strong> e j\u00e1 l\u00e1 iremos. Mas h\u00e1 algo que estes estudos n\u00e3o t\u00eam em conta: os futuros avan\u00e7os da medicina, diz Lawton.<\/p>\n<p>Segundo diz o biogeront\u00f3logo<strong> Richard Faragher<\/strong>, da University of Brighton, no Reino Unido, num artigo no <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/is-there-a-natural-limit-to-how-long-humans-can-live-66460\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a>, na d\u00e9cada de 1920 os cientistas acreditavam que era imposs\u00edvel viver para l\u00e1 dos 105 anos.<\/p>\n<p>Ao longo do s\u00e9culo seguinte, por\u00e9m, os avan\u00e7os da medicina foram acrescentando anos \u00e0 esperan\u00e7a de vida. Juntamente com uma melhor alimenta\u00e7\u00e3o e saneamento, ajudaram tamb\u00e9m a empurrar o recorde de longevidade para cima.<\/p>\n<p>O que acontece se essa tend\u00eancia continuar?<\/p>\n<p>Para tentar descobrir, uma equipa do Skolkovo Institute of Science and Technology e do Artificial Intelligence Research Institute, ambos em Moscovo, na R\u00fassia, fez uma <strong>experi\u00eancia mental<\/strong>.<\/p>\n<p>Imaginemos, propuseram os investigadores, que conseguimos curar todas as causas do envelhecimento que, em teoria, podem ser tratadas.<\/p>\n<p>A \u00fanica que n\u00e3o conseguir\u00edamos corrigir seriam os danos no ADN das nossas c\u00e9lulas, que se acumulam inexoravelmente \u00e0 medida que envelhecemos. Nesse cen\u00e1rio, o limite m\u00e1ximo da vida humana dispara para os 194 anos, concluiu um <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41514-026-00421-6\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> recentemente publicado na Nature.<\/p>\n<p>Lawton arrisca-se a dizer que isso n\u00e3o vai acontecer durante a sua vida, e que vale tamb\u00e9m a pena lembrar que as causas do envelhecimento ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente compreendidas. Mesmo assim, a estimativa sugere que h\u00e1 bastante margem para melhorar.<\/p>\n<p>Mas voltemos ao mundo real. Porque variam tanto as estimativas para a idade m\u00e1xima?<\/p>\n<p>Entra novamente Jeanne Calment.<\/p>\n<p>Quando estava a preparar a sua hist\u00f3ria, Lawton falou com um investigador da longevidade chamado <strong>Saul Newman<\/strong>, ent\u00e3o na Australian National University, em Camberra.<\/p>\n<p>Newman tinha acabado de publicar um <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/30571676\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> que mostrava que um pequeno n\u00famero de<strong> erros ou registos fraudulentos<\/strong> em documentos de papel, como certid\u00f5es de nascimento, pode distorcer significativamente os dados sobre longevidade.<\/p>\n<p>O investigador australiano confessou a Lawton que suspeita que a alegada fraude de identidade dos Calment era apenas a ponta do icebergue.<\/p>\n<p>Newman, agora na University of Oxford, acaba de publicar um <a href=\"https:\/\/mitpress.mit.edu\/9780262052719\/morbid\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">livro<\/a>, intitulado Morbid:\u00a0Debunking modern longevity science, que revela a dimens\u00e3o chocante desses erros e fraudes.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, por exemplo, descobriu-se que cerca de<strong> 70% dos centen\u00e1rios<\/strong> alegadamente vivos j\u00e1 tinham morrido. Continuavam vivos no papel para que os familiares pudessem continuar a receber as suas pens\u00f5es. No Jap\u00e3o foram encontrados n\u00edveis ainda mais elevados de fraude nas pens\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, as pessoas tamb\u00e9m inflacionaram a idade por muitas outras raz\u00f5es: para entrar no servi\u00e7o militar, ou escapar-lhe, para casar ou para conseguir emprego. Os <strong>erros administrativos<\/strong> tamb\u00e9m s\u00e3o frequentes, sobretudo nos registos feitos na \u00e9poca em que nasceram os atuais centen\u00e1rios e supercenten\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esses erros acabam inevitavelmente por entrar nas estimativas do limite m\u00e1ximo da longevidade humana. Se os dados demogr\u00e1ficos usados \u00e0 partida est\u00e3o cheios de idades inflacionadas, \u00e9 prov\u00e1vel que os resultados tamb\u00e9m estejam inflacionados.<\/p>\n<p>Entra lixo, sai lixo.<\/p>\n<p>As pessoas inclu\u00eddas em estudos de modela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m t\u00eam uma idade atribu\u00edda, que pode muito bem estar errada. Quando a revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-026-01728-w\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Nature<\/a> perguntou a Newman em que ponto deixava isto o debate sobre a dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da vida humana, respondeu: \u201cnuma confus\u00e3o absoluta\u201d.<\/p>\n<p>Quando investigava a hist\u00f3ria de Calment, Lawton encontrou tamb\u00e9m um <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1155\/2010\/423087\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> de 2011 que concluiu que, em todo o mundo, n\u00e3o era poss\u00edvel verificar 98% das alega\u00e7\u00f5es de pessoas que teriam vivido mais de 115 anos.<\/p>\n<p>O mesmo estudo concluiu ainda que, nos pa\u00edses com registos de nascimento rigorosos que remontam a mais de 150 anos, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica pessoa que se tenha provado ter vivido para l\u00e1 dos 115.<\/p>\n<p>Essa, acredita Lawton, \u00e9 a melhor estimativa que temos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"MIT Press Detalhe da capa de \u201cMorbid: Debunking modern longevity science\u201d, de Saul Newman Os biogeront\u00f3logos est\u00e3o a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":496531,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[4614,27,28,269,15,16,2217,14,25,26,4589,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-496530","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-biologia","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-capa","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-genetica","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-longevidade","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117139924244009420","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/496530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=496530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/496530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/496531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=496530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=496530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=496530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}