{"id":4973,"date":"2025-07-28T07:41:12","date_gmt":"2025-07-28T07:41:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4973\/"},"modified":"2025-07-28T07:41:12","modified_gmt":"2025-07-28T07:41:12","slug":"a-ansiedade-e-uma-das-queixas-mais-comuns-nas-consultas-com-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4973\/","title":{"rendered":"A ansiedade \u00e9 uma das queixas mais comuns nas consultas com crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Vera de Melo \u00e9 psic\u00f3loga cl\u00ednica mas podemos v\u00ea-la com frequ\u00eancia na TVI, onde comenta na rubrica &#8216;Cr\u00f3nica Criminal&#8217; que faz parte do programa das manh\u00e3s do canal, &#8216;Dois \u00e0s 10&#8217;.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m no papel de escritora que encontra uma forma de comunicar os temas que, para si, s\u00e3o fundamentais para uma vida mais plena: a felicidade que encontramos nas coisas simples.<\/p>\n<p>No fim do ano passado lan\u00e7ou o livro &#8216;Ser Feliz \u00e9 uma escolha&#8217; e, meses depois, est\u00e1 de volta \u00e0 escrita (agora para os mais pequenos). Vera escreveu &#8216;Tu nasceste para Ser Feliz&#8217;, onde ensina estrat\u00e9gias para as crian\u00e7as crescerem mais confiantes.\u00a0<\/p>\n<p>Fal\u00e1mos com a psic\u00f3loga, que nos explicou o objectivo deste novo trabalho.\u00a0<\/p>\n<p>Um livro pode ser um abra\u00e7o, uma resposta, uma m\u00e3o dada<\/p>\n<p>Por que \u00e9 que desta vez decidiu escrever um livro direcionado para crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Desde sempre senti que o meu prop\u00f3sito \u00e9 cuidar de cora\u00e7\u00f5es. Ao longo destes 20 anos de carreira, fui-me cruzando com muitas hist\u00f3rias de dor, de supera\u00e7\u00e3o, de perda, de amor. E uma coisa ficou muito clara: o adulto de amanh\u00e3 come\u00e7a a ser moldado na inf\u00e2ncia. Quando comecei a escrever para os mais pequenos, fi-lo porque acredito profundamente que temos a responsabilidade de ensinar desde cedo aquilo que muitos de n\u00f3s s\u00f3 aprendemos quando j\u00e1 estamos magoados.<\/p>\n<p>Escrever para crian\u00e7as \u00e9 semear. E eu acredito no poder das sementes. Um livro pode ser um abra\u00e7o, uma resposta, uma m\u00e3o dada. Quero que este livro seja isso. Um lugar seguro para os mi\u00fados, mas tamb\u00e9m um espelho para os adultos que os rodeiam. Escrev\u00ea-lo foi como voltar \u00e0 minha crian\u00e7a interior e dar-lhe tudo o que ela precisava de ouvir.<\/p>\n<p>A felicidade est\u00e1 nos detalhes. Est\u00e1 no cheiro do bolo da av\u00f3, no abra\u00e7o apertado depois de um dia dif\u00edcil, no riso partilhado com um amigo. Crescemos a acreditar que ser feliz \u00e9 chegar a algum lugar, conquistar algo grandioso, mas n\u00e3o \u00e9<\/p>\n<p>Como psic\u00f3loga, sente que as crian\u00e7as de hoje precisam de mais ferramentas para lidar com o mundo atual?<\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. As crian\u00e7as de hoje vivem num mundo altamente acelerado, exigente, comparativo e, muitas vezes, barulhento demais. T\u00eam acesso a tudo, mas falta-lhes tempo para sentir. S\u00e3o estimuladas, mas pouco escutadas. Por isso, mais do que nunca, precisam de ferramentas emocionais. Precisam de saber que o valor delas n\u00e3o est\u00e1 no n\u00famero de seguidores, nem nas notas, nem na apar\u00eancia. Precisam de saber parar. Respirar. Pedir ajuda. Precisam de linguagem emocional. E \u00e9 isso que quero levar com este livro: uma b\u00fassola emocional, numa altura em que tantos mi\u00fados se sentem perdidos.<\/p>\n<p>A ansiedade \u00e9 uma das queixas mais comuns nas consultas com crian\u00e7as<\/p>\n<p>\u00c9 importante ensinar os mais pequenos que ser feliz n\u00e3o est\u00e1 em conquistar algo maior mas sim em dar valor \u00e0s coisas pequenas? Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>A felicidade est\u00e1 nos detalhes. Est\u00e1 no cheiro do bolo da av\u00f3, no abra\u00e7o apertado depois de um dia dif\u00edcil, no riso partilhado com um amigo. Crescemos a acreditar que ser feliz \u00e9 chegar a algum lugar, conquistar algo grandioso, mas n\u00e3o \u00e9. A felicidade n\u00e3o \u00e9 uma meta, \u00e9 um caminho. E se as crian\u00e7as aprenderem isso desde cedo, v\u00e3o viver com mais leveza. N\u00e3o estar\u00e3o constantemente \u00e0 espera do &#8216;depois&#8217;, v\u00e3o viver o agora com mais presen\u00e7a. E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a verdadeira magia.<\/p>\n<p>Uma crian\u00e7a que aprende a reconhecer o que sente, que aprende a dar nome \u00e0 tristeza, ao medo, \u00e0 zanga, \u00e9 uma crian\u00e7a que est\u00e1 mais preparada para viver<\/p>\n<p>Quest\u00f5es como a ansiedade, que aborda no livro, t\u00eam crescido nos \u00faltimos tempos entre os mais novos?<\/p>\n<p>Infelizmente, sim. A ansiedade \u00e9 uma das queixas mais comuns nas consultas com crian\u00e7as. E muitas vezes, os pais ficam surpreendidos: &#8216;Mas ela s\u00f3 tem sete anos&#8230;&#8217;. Esquecemo-nos que a ansiedade n\u00e3o escolhe idade. E que, muitas vezes, as crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam palavras para expressar o que sentem. Choram mais, dormem pior, ficam irritadas, fazem birras, mas por tr\u00e1s disso h\u00e1 medo, inseguran\u00e7a, excesso de est\u00edmulos. \u00c9 urgente ouvir estas crian\u00e7as. \u00c9 urgente ensinar que n\u00e3o faz mal sentir ansiedade, que n\u00e3o s\u00e3o fracas por isso, que h\u00e1 formas de lidar.<\/p>\n<p>Os av\u00f3s s\u00e3o, muitas vezes, o colo sem pressa. S\u00e3o aqueles que escutam sem julgamento<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/naom_6837195395518.jpg\" border=\"0\" alt=\"Vera de Melo dedica livro a \"\/><\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Vera de Melo recorda, nesta obra, que &#8216;Tu Nasceste Para Ser Feliz&#8217;.<\/p>\n<p> Not\u00edcias ao Minuto | 18:00 &#8211; 28\/05\/2025 <\/p>\n<p>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de, desde cedo, ensinar a gerir as emo\u00e7\u00f5es aos mais pequenos, para que se tornem adultos confiantes e felizes?<\/p>\n<p>\u00c9 tudo. A gest\u00e3o emocional \u00e9 o alicerce do bem-estar. Uma crian\u00e7a que aprende a reconhecer o que sente, que aprende a dar nome \u00e0 tristeza, ao medo, \u00e0 zanga, \u00e9 uma crian\u00e7a que est\u00e1 mais preparada para viver. Que se torna um adulto que n\u00e3o reprime, que n\u00e3o explode, que sabe comunicar. Educar emocionalmente \u00e9 preparar para a vida. E quando o fazemos com amor, com exemplos, com hist\u00f3rias, estamos a dar ferramentas para que cres\u00e7am mais seguros, mais emp\u00e1ticos, mais humanos.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/naom_68791761192f3.jpg\" border=\"0\" alt=\"Not\u00edcias ao Minuto\" width=\"398\" height=\"592\"\/> <br \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a9 Presen\u00e7a \u00a0<\/p>\n<p>No seu livro usa as personagens dos av\u00f3s como pessoas s\u00e1bias, que t\u00eam muito para ensinar e que s\u00e3o os mais atentos aos problemas das crian\u00e7as. Porqu\u00ea essa escolha?<\/p>\n<p>Porque os av\u00f3s s\u00e3o, muitas vezes, o colo sem pressa. S\u00e3o aqueles que escutam sem julgamento, que contam hist\u00f3rias com tempo, que ensinam pelo exemplo. H\u00e1 uma sabedoria silenciosa nos av\u00f3s. Um olhar mais atento. E quis homenagear isso. Acredito que os av\u00f3s s\u00e3o muitas vezes os primeiros reguladores emocionais das crian\u00e7as, mesmo sem saberem. S\u00e3o eles que est\u00e3o l\u00e1 para apanhar os peda\u00e7os quando o mundo magoa. E quis eternizar esse papel, dar-lhes palco, lembrar-nos de que, na correria dos dias, ainda s\u00e3o eles que nos ensinam a parar.<\/p>\n<p>Qual a import\u00e2ncia e diferen\u00e7a do papel dos av\u00f3s e dos pais na vida e desenvolvimento das crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Os pais educam. Os av\u00f3s embalam. Os pais definem limites. Os av\u00f3s ado\u00e7am os dias. Ambos s\u00e3o essenciais, com fun\u00e7\u00f5es diferentes mas complementares. Enquanto os pais, muitas vezes, vivem a press\u00e3o de educar, de acertar, os av\u00f3s trazem outra leveza, outra calma, outro tempo. E essa conjuga\u00e7\u00e3o pode ser muito poderosa: a estrutura dos pais com a ternura dos av\u00f3s. Quando uma crian\u00e7a cresce com essa rede de apoio, firmeza e carinho, cresce mais segura e com ra\u00edzes mais fortes.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de saber viver todo o tipo de emo\u00e7\u00f5es, as boas e as m\u00e1s, \u00e9 tamb\u00e9m abordado no livro. \u00c9 fundamental viver a tristeza, a frustra\u00e7\u00e3o, para uma mente\/vida mais equilibrada?<\/p>\n<p>Sim. A tristeza n\u00e3o \u00e9 inimiga, e n\u00e3o h\u00e1 emo\u00e7\u00f5es boas e m\u00e1s. A frustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fraqueza. S\u00e3o partes da vida. E esconder isso das crian\u00e7as \u00e9 ensin\u00e1-las a rejeitar o que \u00e9 natural. No livro, tento mostrar que tudo o que sentimos tem um prop\u00f3sito. Que podemos chorar, que podemos n\u00e3o conseguir \u00e0 primeira, que n\u00e3o h\u00e1 problema nenhum em errar. Isso n\u00e3o nos diminui, pelo contr\u00e1rio: faz-nos crescer. Emo\u00e7\u00f5es mal vividas tornam-se feridas. Emo\u00e7\u00f5es bem acolhidas tornam-se sabedoria.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/naom_6879175e9f424.jpg\" border=\"0\" alt=\"Not\u00edcias ao Minuto\" width=\"390\" height=\"580\"\/>\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Livro editado em 2024\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a9 Presen\u00e7a \u00a0<\/p>\n<p>O livro foca-se tamb\u00e9m na amizade. Fomentar isso nas crian\u00e7as \u00e9 muito importante para o equil\u00edbrio da pr\u00f3pria crian\u00e7a?<\/p>\n<p>Absolutamente. A amizade \u00e9 um dos pilares da inf\u00e2ncia. Ter com quem rir, com quem brincar, com quem partilhar segredos e medos, \u00e9 um tesouro. E \u00e9 desde cedo que se aprende o valor de uma amizade saud\u00e1vel: o respeito, a empatia, o saber ouvir, o saber pedir desculpa. As rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o o espelho da nossa sa\u00fade emocional. Ensinar isso \u00e0s crian\u00e7as \u00e9 ajud\u00e1-las a escolher bem quem as rodeia, a afastar o que lhes faz mal, e a valorizar quem as faz crescer.<\/p>\n<p>Quais considera serem os principais desafios\/problemas que as crian\u00e7as enfrentam hoje em dia?<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o constante. O excesso de est\u00edmulos. A solid\u00e3o emocional. A aus\u00eancia de tempo de qualidade com os pais. A press\u00e3o para serem perfeitas. As crian\u00e7as est\u00e3o a ser sobrecarregadas com tudo aquilo que os adultos ainda n\u00e3o aprenderam a gerir. S\u00e3o pequenos a viver vidas grandes demais. E por isso, cada vez mais, chegam at\u00e9 n\u00f3s cansadas, inseguras, tristes, a pedir ajuda em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Os ecr\u00e3s n\u00e3o s\u00e3o o vil\u00e3o. O problema \u00e9 o uso excessivo. As crian\u00e7as est\u00e3o a crescer sem t\u00e9dio, sem frustra\u00e7\u00e3o, sem espa\u00e7o para imaginar<\/p>\n<p>O que \u00e9 que nos impede de sermos mais felizes?<\/p>\n<p>A pressa. A compara\u00e7\u00e3o. A culpa. A mania de que temos de ser sempre fortes. A ideia de que temos de estar sempre bem. Somos mais felizes quando nos permitimos ser humanos. Quando aceitamos que sentir \u00e9 normal. Quando deixamos cair a armadura. A felicidade n\u00e3o est\u00e1 em ter mais. Est\u00e1 em ser mais. Ser mais presentes, mais verdadeiros, mais conectados connosco e com os outros.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os principais problemas das crian\u00e7as que a Vera recebe em consulta?<\/p>\n<p>Recebo muitas crian\u00e7as com ansiedade, baixa autoestima, dificuldades de socializa\u00e7\u00e3o, problemas de sono, lutos mal resolvidos, quest\u00f5es familiares, medos. Cada crian\u00e7a \u00e9 um mundo. Mas em todas vejo o mesmo: uma vontade enorme de ser ouvida. De ser vista. De ser compreendida. As crian\u00e7as n\u00e3o precisam de grandes solu\u00e7\u00f5es. Precisam de presen\u00e7a, de aten\u00e7\u00e3o, de algu\u00e9m que lhes diga &#8216;Estou aqui. E estou contigo&#8217;.<\/p>\n<p>\u00c9 complicado falar com os pais? Como \u00e9 que aceitam os problemas dos filhos?<\/p>\n<p>\u00c0s vezes \u00e9 dif\u00edcil. H\u00e1 pais que sentem culpa, outros que negam, outros que simplesmente n\u00e3o sabem como lidar. Mas a maioria quer ajudar, s\u00f3 n\u00e3o sabe como. O meu trabalho tamb\u00e9m \u00e9 esse: descomplicar. Mostrar que n\u00e3o h\u00e1 pais perfeitos, mas h\u00e1 pais presentes. E que pedir ajuda n\u00e3o \u00e9 sinal de falha, \u00e9 um ato de amor. Quando os pais percebem isso, tudo come\u00e7a a mudar.<\/p>\n<p>Est\u00e1 a ser muito discutida a quest\u00e3o do excesso de ecr\u00e3s em crian\u00e7as e adolescentes. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre o assunto?<\/p>\n<p>Os ecr\u00e3s n\u00e3o s\u00e3o o vil\u00e3o. O problema \u00e9 o uso excessivo, sem crit\u00e9rio, sem limites. As crian\u00e7as est\u00e3o a crescer sem t\u00e9dio, sem frustra\u00e7\u00e3o, sem espa\u00e7o para imaginar e isso preocupa-me. Precisam de brincar com outras crian\u00e7as, de cair e levantar, de se sujar, de construir castelos com almofadas. Precisam de tempo real, de pessoas reais. Um ecr\u00e3 pode entreter, mas nunca substitui o contacto humano. \u00c9 preciso equilibrar.<\/p>\n<p>Ser psic\u00f3loga \u00e9 quase ser bombeira emocional. \u00c9 chegar antes que a casa arda por dentro<\/p>\n<p>A Vera \u00e9 psic\u00f3loga, escritora, comentadora e tem ainda mais projetos, como podcasts. Ser multifacetada torna-a mais feliz?<\/p>\n<p>Sim, porque tudo o que fa\u00e7o tem o mesmo fio condutor: tocar vidas. N\u00e3o importa se \u00e9 numa consulta, num livro, num programa, num podcast, o que me realiza \u00e9 sentir que fa\u00e7o a diferen\u00e7a. Que deixo um bocadinho de esperan\u00e7a em quem me ouve. Gosto de criar. Gosto de comunicar. Gosto de transformar. Ser multifacetada n\u00e3o me dispersa, alinha-me com o que sou.<\/p>\n<p>Que projetos ambiciona para o futuro? Quer escrever mais livros?<\/p>\n<p>Quero escrever mais. E viver mais, \u00a0porque uma coisa alimenta a outra. Cada livro que nasce \u00e9 um peda\u00e7o de mim que se oferece ao mundo. E h\u00e1 muito mais que quero dizer. Escrever para os pequenos \u00e9 plantar sementes. Escrever para os grandes \u00e9 lembrar que ainda podem florescer. Tenho um universo inteiro c\u00e1 dentro \u00e0 espera de sair: personagens que n\u00e3o me deixam dormir, frases que me visitam no duche, ideias que me arrebatam no meio do tr\u00e2nsito.\u00a0E a minha criatividade e esperan\u00e7a num amanh\u00e3 melhor n\u00e3o me deixam parar, em 2025 ainda haver\u00e1 novidades.<\/p>\n<p>Na rua h\u00e1 quem me abrace, quem chore, quem me conte a dor de um filho, de um amor que partiu. E \u00e9 nesses momentos que percebo: isto ultrapassa o ecr\u00e3, isto \u00e9 alma com almaComo \u00e9 que \u00e9 ser psic\u00f3loga em 2025? \u00c9 diferente de quando come\u00e7ou?<\/p>\n<p>\u00c9. O mundo mudou, as dores mudaram, as pessoas mudaram. Mas a ess\u00eancia continua a mesma: escutar. Estar presente. Dar sentido \u00e0 dor. A psicologia hoje exige mais agilidade, mais ferramentas, mais foco. Os temas s\u00e3o mais complexos, mais r\u00e1pidos, mais intensos. As redes sociais, a compara\u00e7\u00e3o constante, a ansiedade de desempenho, tudo isto alterou o cen\u00e1rio emocional. O tempo acelerou, os sintomas gritam mais alto, mas a dor \u00e9 a mesma de sempre: a de n\u00e3o ser visto, escutado, compreendido.<\/p>\n<p>Hoje, ser psic\u00f3loga \u00e9 quase ser bombeira emocional. \u00c9 chegar antes que a casa arda por dentro.\u00a0As pessoas n\u00e3o t\u00eam tempo para sentir, mas tamb\u00e9m n\u00e3o aguentam n\u00e3o o fazer. Vivem numa urg\u00eancia estranha: querem curar-se depressa, sem parar, sem olhar, sem esfor\u00e7o ou dor.\u00a0Mas o meu papel \u00e9 outro.\u00a0Sou aquela que convida ao abrandamento, a viver o aqui e o agora, o momento presente.\u00a0Mas o que continua inabal\u00e1vel \u00e9 a necessidade de descomplicar, isso mantenho desde 2004.<\/p>\n<p>Como se lida com casos t\u00e3o pesados como os que comenta na &#8216;Cr\u00f3nica Criminal&#8217;?<\/p>\n<p>Com sil\u00eancio por dentro e responsabilidade por fora. Com humanidade, cuidado e respeito. Quando estou ali, a falar sobre esses casos, lembro-me sempre de que n\u00e3o estou apenas a comentar crimes, estou a falar de pessoas. Fam\u00edlias. Pais. Filhos. Vidas partidas. Eu n\u00e3o comento crimes. Eu tento compreender as origens. Tocar nas feridas. Fazer com que quem ouve perceba que h\u00e1 sempre mais do que o \u00f3bvio.<\/p>\n<p>Tento trazer sempre uma leitura emocional, que ajude quem est\u00e1 de fora a perceber o que est\u00e1 por tr\u00e1s da trag\u00e9dia: o sil\u00eancio, a solid\u00e3o, o trauma, o grito que nunca foi ouvido. E, acima de tudo, tento nunca perder a empatia. Porque por mais tempo que passe, por mais hist\u00f3rias que ou\u00e7a, nunca me quero habituar \u00e0 dor. Nunca quero deixar de sentir. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o sentir. E ainda bem.<\/p>\n<p>Lido com hist\u00f3rias de dor crua, de viol\u00eancia que corta. Tento ser a ponte entre o que choca e o que d\u00f3i. E preservar o bom senso, vendo para al\u00e9m do \u00f3bvio, do popular, porque s\u00f3 assim conseguimos transformar a viol\u00eancia em reflex\u00e3o. E, quem sabe, em preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que lida com a abordagem das pessoas na rua? Acredito que seja muito reconhecida pois tem um lugar de destaque num programa de muita audi\u00eancia.<\/p>\n<p>Com verdade. As pessoas v\u00eam ter comigo como quem reencontra uma amiga que ainda n\u00e3o conhecem pessoalmente. E eu entendo isso. Porque o que mostro \u00e9 real. H\u00e1 quem me abrace. Quem chore. Quem me conte a dor de um filho, de um amor que partiu, de uma inf\u00e2ncia esquecida.<\/p>\n<p>E \u00e9 nesses momentos que percebo: isto ultrapassa o ecr\u00e3. Isto \u00e9 alma com alma. N\u00e3o me incomoda. Pelo contr\u00e1rio, comove-me. Lembra-me de que a minha voz n\u00e3o est\u00e1 sozinha. Que aquilo que digo encontra eco.\u00a0E por mais que o dia esteja cheio, eu paro. Porque sei que, \u00e0s vezes, basta um olhar, um abra\u00e7o, uma palavra certa, para mudar o dia de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que \u00e9 trabalhar com profissionais como a Cristina [Ferreira] e o Cl\u00e1udio [Ramos] ?<\/p>\n<p>\u00c9\u2026 normal.\u00a0Como trabalhar com qualquer pessoa. Porque, com o tempo, com a conviv\u00eancia \u00e9 isso que se tornam: pessoas. Sem palco, sem maquilhagem, sem aplausos.\u00a0Com eles aprendi que o que se v\u00ea na televis\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um bocadinho do que s\u00e3o. E o resto\u2026 o resto \u00e9 humanidade.\u00a0\u00c9 bom trabalhar com eles. Mas o melhor mesmo \u00e9 sentir que, num mundo onde tudo parece fachada, ainda h\u00e1 pessoas que s\u00e3o s\u00f3 isso: pessoas.\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/naom_68791db87dfc2.jpg\" border=\"0\" alt=\"Not\u00edcias ao Minuto\" width=\"416\" height=\"520\"\/>\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Vera de Melo e Cristina Ferreira\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a9 Instagram &#8211; Vera de Melo \u00a0<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/lifestyle\/2822885\/as-ferias-tem-um-impacto-direto-na-saude-e-na-produtividade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">&#8220;As f\u00e9rias t\u00eam um impacto direto na sa\u00fade e na produtividade&#8221;<\/a><\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/fama\/2823605\/cristina-ferreira-furiosa-com-criticas-ao-vestido-da-viuva-de-diogo-jota\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Cristina Ferreira furiosa com cr\u00edticas ao vestido da vi\u00fava de Diogo Jota<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vera de Melo \u00e9 psic\u00f3loga cl\u00ednica mas podemos v\u00ea-la com frequ\u00eancia na TVI, onde comenta na rubrica &#8216;Cr\u00f3nica&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4974,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-4973","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4973\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}