{"id":497367,"date":"2026-08-23T11:02:23","date_gmt":"2026-08-23T11:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/497367\/"},"modified":"2026-08-23T11:02:23","modified_gmt":"2026-08-23T11:02:23","slug":"explicador-fragatas-papao-dos-submarinos-e-explicacoes-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/497367\/","title":{"rendered":"Explicador. Fragatas, pap\u00e3o dos submarinos e explica\u00e7\u00f5es \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA mat\u00e9ria em causa \u00e9 exclusivamente de <strong>natureza comercial<\/strong> entre a NTG e a Fincantieri. Por raz\u00f5es de confidencialidade e atendendo \u00e0 natureza juridicamente sens\u00edvel do assunto, n\u00e3o comentar\u00e1 contratos, condi\u00e7\u00f5es remunerat\u00f3rias ou valores avan\u00e7ados por terceiros. A NTG continuar\u00e1 a defender os seus leg\u00edtimos interesses pelas vias adequadas, mantendo uma postura de respeito institucional perante o Governo portugu\u00eas, a Marinha Portuguesa e todas as entidades envolvidas\u201d, termina a empresa.<\/p>\n<p>Para o Governo, este comunicado encerra o assunto. Por isso mesmo, logo a seguir, o Minist\u00e9rio da Defesa fez quest\u00e3o de emitir a sua pr\u00f3pria nota, citando a NTG para defender que esta <strong>\u201cconfirmou\u201d<\/strong>, pelo menos, os pontos principais que o Governo vinha defendendo: que n\u00e3o integrou formalmente a negocia\u00e7\u00e3o (e, por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o foi afastada dela) e que n\u00e3o est\u00e1 a pedir nenhum pagamento ao Estado.<\/p>\n<p>\u201cComo afirmado permanentemente pelo Minist\u00e9rio da Defesa Nacional, no que respeita a este investimento, os contactos e negocia\u00e7\u00f5es <strong>s\u00f3 acontecem a n\u00edvel dos Estados<\/strong> de Portugal e It\u00e1lia e apenas ao n\u00edvel das Direc\u00e7\u00f5es-gerais de armamento dos dois pa\u00edses, sem interven\u00e7\u00e3o da tutela pol\u00edtica\u201d, l\u00ea-se no comunicado.<\/p>\n<p>O 24 Horas reagia ao comunicado sublinhando que fica provado que a NTG e a Fincantieri t\u00eam pelo menos uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho e que a empresa portuguesa trabalhou durante anos na promo\u00e7\u00e3o das fragatas italianas, e que ajudou a criar a \u201coportunidade comercial\u201d \u2014 mas n\u00e3o negociou em concreto este contrato.<\/p>\n<p>O Governo e a Marinha d\u00e3o v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es para esse pre\u00e7o mais elevado. Na TVI, o Chefe do Estado Maior da Armada esteve, em primeiro lugar, a explicar as caracter\u00edsticas dos navios: \u201cEstes navios s\u00e3o tipologia de fragata e s\u00e3o navios de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o em termos de conceito e desenvolvimento, mas que t\u00eam por base uma classe j\u00e1 existente, o que traz desde logo e \u00e0 partida uma maturidade acrescida neste projeto. Visam primeiro que tudo desenvolver opera\u00e7\u00f5es navais na \u00e1rea da <strong>luta antisubmarina,<\/strong> que resulta do nosso papel no quadro da NATO e da geografia em que operamos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o militar, \u00e9 particularmente importante ter em conta que, sendo o ciclo de vida destes navios de aproximadamente 30 anos, esta \u00e9 a primeira vez que se lan\u00e7a um programa em que a <strong>\u201cprimeira manuten\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong> dos tr\u00eas navios (feita aos cinco anos) e equipamentos sobressalentes j\u00e1 est\u00e3o inclu\u00eddos \u2014 um \u201csalto significativo\u201d para os processos anteriores, sublinhou, lembrando ainda o custo da revitaliza\u00e7\u00e3o do Arsenal do Alfeite.<\/p>\n<p>\u201cToda essa avalia\u00e7\u00e3o foi feita tecnicamente por requisitos operacionais e uma abordagem multicrit\u00e9rio exclusivamente pela Marinha, sem qualquer interfer\u00eancia da tutela pol\u00edtica. Os contratos est\u00e3o numa fase de <strong>negocia\u00e7\u00e3o<\/strong>. O que foi assinado entre Estados, e decorre das regras do SAFE, \u00e9 um acordo entre Estados que funciona como acordo framework para todo este neg\u00f3cio. Depois n\u00e3o vai haver relacionamento da Marinha com nenhuma empresa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Governo divulgou um esclarecimento em que defende que os valores para as fragatas portuguesas e italianas deve considerar \u201cas <strong>diferen\u00e7as de configura\u00e7\u00e3o<\/strong>, capacidades, equipamentos e condi\u00e7\u00f5es de fornecimento\u201d. \u201cAs fragatas destinadas a Portugal respondem a requisitos operacionais espec\u00edficos, definidos em fun\u00e7\u00e3o das miss\u00f5es nacionais e dos compromissos assumidos no \u00e2mbito da NATO e da UE\u201d, pelo que se trata de \u201csolu\u00e7\u00f5es com configura\u00e7\u00f5es distintas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o Governo, Portugal n\u00e3o tem neste momento <strong>estruturas<\/strong> para receber e operar estas fragatas, ao contr\u00e1rio de It\u00e1lia. \u201cIt\u00e1lia opera atualmente 10 fragatas FREMM, dispondo de estruturas, sistemas e capacidades de forma\u00e7\u00e3o, sustenta\u00e7\u00e3o e apoio associadas \u00e0 opera\u00e7\u00e3o desta classe de navios. Para Portugal, que adquire esta capacidade pela primeira vez, o fornecimento inclui componentes de <strong>capacita\u00e7\u00e3o<\/strong> e sustenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das fragatas. Estes elementos n\u00e3o est\u00e3o necessariamente refletidos no valor divulgado para a aquisi\u00e7\u00e3o italiana\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO valor de aquisi\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde exclusivamente ao custo de constru\u00e7\u00e3o dos navios. Uma compara\u00e7\u00e3o rigorosa exige <strong>comparar <\/strong>solu\u00e7\u00f5es equivalentes, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es e horizonte temporal\u201d, exige o Governo.<\/p>\n<p>Depois, o fator infla\u00e7\u00e3o que Ventura veio colocar em causa: como as fragatas s\u00f3 t\u00eam entrega prevista para 2029 e 2030, diz o Governo, o contrato \u201cser\u00e1 celebrado a pre\u00e7o fixo, sendo necess\u00e1rio considerar, na forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o, a <strong>evolu\u00e7\u00e3o previs\u00edvel dos custos<\/strong> at\u00e9 \u00e0 entrega dos navios. A compara\u00e7\u00e3o de valores apurados em momentos temporais distintos deve, por isso, ser feita com o devido enquadramento\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Defesa classifica o modelo de governa\u00e7\u00e3o deste investimento, no \u00e2mbito do SAFE, como o \u201cmais eficaz sistema de <strong>fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> dos investimentos na Defesa, com redund\u00e2ncias, na hist\u00f3ria da Democracia em Portugal\u201d. J\u00e1 a Transpar\u00eancia Internacional Portugal n\u00e3o est\u00e1 satisfeita, tendo vindo dizer,<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/08\/14\/transparencia-internacional-portugal-da-nota-negativa-ao-modelo-de-governacao-do-safe\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> citada pelo Eco<\/a>, que o modelo \u00e9 \u201cclaramente <strong>insuficiente<\/strong> para garantir o escrut\u00ednio e a avalia\u00e7\u00e3o do Instrumento SAFE\u201d, transformando o escrut\u00ednio \u201cnum mero controlo ex post\u201d. Tamb\u00e9m chumbou a Comiss\u00e3o de Acompanhamento dos Investimentos na Defesa (CAID), que considerou n\u00e3o ter independ\u00eancia para avaliar estes neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O modelo prev\u00ea uma miss\u00e3o de acompanhamento e uma <strong>comiss\u00e3o de auditoria<\/strong> composta, segundo se l\u00ea numa resposta do Governo ao mesmo jornal, pelo Inspector-geral de Finan\u00e7as, que preside; pelo Inspector-geral da Defesa Nacional, por uma \u201cpersonalidade de reconhecido m\u00e9rito nas \u00e1reas de Auditoria e Controlo, cooptada pelos membros precedentes\u201d, estando consagrado o \u201cdireito do PGR e do Tribunal de Contas participarem em todas as reuni\u00f5es da CAD-SAFE, solicitando documentos e informa\u00e7\u00f5es, que obrigatoriamente t\u00eam de ser prestados\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e0 CAID cabe \u201cacompanhar estes investimentos [SAFE], sendo presidida por uma personalidade independente de reconhecido m\u00e9rito designada pelo Conselho de Ministros, sob proposta do Ministro da Defesa Nacional, e um representante de cada uma das seguintes \u00e1reas governativas: Defesa Nacional, Neg\u00f3cios Estrangeiros, Finan\u00e7as e Economia e Coes\u00e3o Territorial\u201d, al\u00e9m de representantes do PSD, PS e Chega.<\/p>\n<p>O SAFE \u00e9 um <a href=\"https:\/\/defence-industry-space.ec.europa.eu\/eu-defence-industry\/safe-security-action-europe_en\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mecanismo financeiro e regulat\u00f3rio<\/a> criado para acelerar investimentos e produ\u00e7\u00e3o na defesa europeia, tendo como pano de fundo a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e a necessidade de a Europa <strong>ganhar autonomia<\/strong> e capacidade de prontid\u00e3o militar pr\u00f3pria. Por isso, a ideia passa por a UE apoiar os Estados-membros que precisam de realizar grandes gastos em Defesa, fazendo empr\u00e9stimos de longo prazo (at\u00e9 45 anos) e com um adiantamento de 15% para acelerar as compras e investimentos.<\/p>\n<p>O SAFE estabelece que as empresas construtoras n\u00e3o podem ser controladas por pa\u00edses terceiros e que no m\u00ednimo<strong> 65%<\/strong> dos componentes do produto final devem ser origin\u00e1rios da UE ou da Ucr\u00e2nia. O programa foi aprovado em maio do ano passado e vir\u00e1 disponibilizar at\u00e9 150 mil milh\u00f5es de euros em empr\u00e9stimos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA mat\u00e9ria em causa \u00e9 exclusivamente de natureza comercial entre a NTG e a Fincantieri. 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