{"id":497375,"date":"2026-08-23T11:15:24","date_gmt":"2026-08-23T11:15:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/497375\/"},"modified":"2026-08-23T11:15:24","modified_gmt":"2026-08-23T11:15:24","slug":"menos-conhecidas-hepatites-d-e-e-tambem-circulam-no-brasil-e-preocupam-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/497375\/","title":{"rendered":"Menos conhecidas, hepatites D e E tamb\u00e9m circulam no Brasil e preocupam"},"content":{"rendered":"<p>Quando se fala em hepatite viral, os tipos A, B e C costumam ser os mais lembrados, mas eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos capazes de causar a infec\u00e7\u00e3o no f\u00edgado. As hepatites D e E tamb\u00e9m circulam no Brasil e podem provocar complica\u00e7\u00f5es graves, embora ainda sejam pouco investigadas e diagnosticadas.<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o de 200 estudos liderada por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita reuniu dados de mais de 14,5 milh\u00f5es de pessoas para tra\u00e7ar um panorama das hepatites virais no pa\u00eds. <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0353840\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Publicada na revista <\/a><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0353840\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">PLOS One<\/a> em julho, a an\u00e1lise faz parte do projeto \u201cCaracteriza\u00e7\u00e3o de Hepatites Virais em Popula\u00e7\u00f5es Vulnerabilizadas\u201d, desenvolvido pelo Einstein no \u00e2mbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (Proadi-SUS), para contribuir com a meta de elimina\u00e7\u00e3o das hepatites virais no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A pesquisa considerou trabalhos realizados entre 2013 e 2024 e mostra que a frequ\u00eancia das hepatites D e E pode ser expressiva em determinados grupos e localidades.<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p>Em alguns estudos, a preval\u00eancia da hepatite D, tamb\u00e9m conhecida como Delta, ultrapassou 20% na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. J\u00e1 a hepatite E apresentou \u00edndices de at\u00e9 59% em levantamentos realizados no Sul. Mais do que apontar diferen\u00e7as entre regi\u00f5es, os dados revelam que essas duas formas da doen\u00e7a podem estar passando despercebidas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cA pesquisa nos alerta para a presen\u00e7a dessas sorologias incomuns que podem n\u00e3o estar sendo diagnosticadas corretamente por n\u00e3o estarem no radar de nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica\u201d, avalia o patologista Jo\u00e3o Renato Rebello Pinho, coordenador do estudo. \u201cApenas se nos atentarmos para a presen\u00e7a tamb\u00e9m dessas formas de hepatite menos conhecidas \u00e9 que vamos conseguir de fato eliminar essas infec\u00e7\u00f5es virais aqui do Brasil.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Cinco v\u00edrus, diferentes formas de infec\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Embora todas sejam chamadas de hepatites virais, as infec\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o iguais. Os v\u00edrus A, B, C, D e E apresentam diferentes formas de transmiss\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o. As hepatites A e E est\u00e3o principalmente relacionadas \u00e0 ingest\u00e3o de \u00e1gua ou alimentos contaminados. J\u00e1 os tipos B, C e D est\u00e3o associados principalmente ao contato sexual, com sangue e outros fluidos corporais, embora existam diferen\u00e7as importantes entre elas.<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p>A hepatite D tem uma particularidade: ela depende do v\u00edrus da hepatite B para infectar o organismo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Por isso, a vacina\u00e7\u00e3o contra a hepatite B tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de prevenir a hepatite D. \u00c9 justamente essa rela\u00e7\u00e3o que ajuda a explicar por que ela aparece com maior frequ\u00eancia em algumas \u00e1reas onde o v\u00edrus B \u00e9 mais comum. Os dados reunidos na revis\u00e3o mostram que a hepatite D foi predominantemente identificada na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, com preval\u00eancia de at\u00e9 23,9% nos estudos analisados.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o pode ser especialmente grave. Como ocorre em pessoas que t\u00eam o v\u00edrus da hepatite B, a associa\u00e7\u00e3o entre os dois v\u00edrus pode aumentar o risco de danos ao f\u00edgado. \u201cO v\u00edrus D utiliza o v\u00edrus B, mesmo que esse esteja aparentemente controlado, e reativa a doen\u00e7a, por isso a correla\u00e7\u00e3o entre eles\u201d, explica Pinho. A transmiss\u00e3o dos v\u00edrus B e D est\u00e1 relacionada ao contato com sangue e fluidos corporais, incluindo rela\u00e7\u00f5es sexuais sem preservativo.<\/p>\n<p>No Brasil, os estudos indicam predomin\u00e2ncia do gen\u00f3tipo 3 do v\u00edrus D na Amaz\u00f4nia, variante associada a quadros mais graves.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p><strong>\u201c\u00c9 uma doen\u00e7a de tratamento complexo e conta com poucas ferramentas de diagn\u00f3stico e manejo. N\u00e3o temos, por exemplo, um teste r\u00e1pido para hepatite Delta\u201d, observa o patologista. \u201cAl\u00e9m disso, ela \u00e9 mais frequente no Brasil em popula\u00e7\u00f5es pobres e mais isoladas, como ribeirinhos e ind\u00edgenas, gerando uma s\u00e9rie de entraves para o acesso \u00e0 sa\u00fade, que dificultam o progn\u00f3stico desses pacientes.\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O n\u00famero reduzido de estudos tamb\u00e9m deixa perguntas em aberto sobre a doen\u00e7a. Apenas 16 trabalhos sobre hepatite D foram inclu\u00eddos na revis\u00e3o. Como a doen\u00e7a \u00e9 pouco estudada, n\u00e3o est\u00e1 claro o motivo de ela n\u00e3o se espalhar pelo Brasil, como ocorreu com o gen\u00f3tipo 1, que se difundiu nos pa\u00edses europeus do Mediterr\u00e2neo a partir do continente africano.<\/p>\n<p>\u201cUma das hip\u00f3teses que temos \u00e9 que, como o gen\u00f3tipo 3 leva a infec\u00e7\u00f5es mais graves, os atingidos viajam menos e possuem menos contato com outras popula\u00e7\u00f5es, mas faltam estudos que permitam nos aprofundarmos no tema\u201d, analisa o pesquisador do Einstein.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Hepatite E ainda passa despercebida<\/strong><\/p>\n<p>A hepatite E apresenta caracter\u00edsticas diferentes. O v\u00edrus pode ser transmitido pela ingest\u00e3o de \u00e1gua e alimentos contaminados e tamb\u00e9m est\u00e1 presente em animais, especialmente em su\u00ednos. No Brasil, o gen\u00f3tipo 3 \u00e9 predominante.<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p>Diferentemente de outras variantes do v\u00edrus E, associadas a grandes surtos em algumas partes do mundo, essa tende a apresentar um comportamento menos agressivo. Ainda assim, a infec\u00e7\u00e3o pode causar les\u00f5es graves no f\u00edgado e, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, levar \u00e0 necessidade de transplante.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Estudos realizados em animais identificaram a presen\u00e7a do v\u00edrus da hepatite E em porcos de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds. Por isso, a infec\u00e7\u00e3o humana \u00e9 mais frequente entre pessoas que vivem ou trabalham pr\u00f3ximas a animais infectados. Na revis\u00e3o, a preval\u00eancia da hepatite E na popula\u00e7\u00e3o geral variou de 0,9% a 59,4%, com os principais \u00edndices registrados em estudos realizados no Sul, regi\u00e3o com importante atividade de cria\u00e7\u00e3o de su\u00ednos. \u201cOs estudos feitos em animais brasileiros detectaram porcos com hepatite E em todas as regi\u00f5es do Brasil\u201d, observa Jo\u00e3o Renato Pinho.<\/p>\n<p>Segundo o patologista, n\u00e3o se sabe exatamente quantas pessoas t\u00eam hepatite E, j\u00e1 que se testa pouco. \u201cO que os levantamentos indicam \u00e9 que pessoas negativas para os demais v\u00edrus da hepatite podem ter, na verdade, essa forma da doen\u00e7a\u201d, relata. A hepatite E foi inclu\u00edda em apenas 30 dos 200 estudos analisados, outro indicador da falta de dados sobre sua ocorr\u00eancia no territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico \u00e9 um dos desafios<\/strong><\/p>\n<p>A escassez de estudos sobre as hepatites D e E dificulta entender n\u00e3o apenas quantas pessoas est\u00e3o infectadas, mas tamb\u00e9m como os v\u00edrus circulam e quais grupos est\u00e3o mais expostos.<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\">\n<p>O problema \u00e9 relevante porque uma pessoa pode apresentar uma infec\u00e7\u00e3o sem sintomas durante parte de sua evolu\u00e7\u00e3o. Sem investiga\u00e7\u00e3o adequada, casos podem permanecer sem diagn\u00f3stico e, consequentemente, sem acompanhamento e tratamento.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A revis\u00e3o tamb\u00e9m evidencia uma limita\u00e7\u00e3o importante: a distribui\u00e7\u00e3o observada das hepatites D e E pode refletir a circula\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus, mas apenas onde existem mais pesquisas e em popula\u00e7\u00f5es foram avaliadas. Para os pesquisadores, ampliar a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a capacidade de diagn\u00f3stico \u00e9 fundamental para compreender melhor a presen\u00e7a dessas infec\u00e7\u00f5es no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil acumula importantes avan\u00e7os no enfrentamento das hepatites virais, especialmente por meio da amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, ao diagn\u00f3stico e ao tratamento. Mas \u00e9 preciso fortalecer a vacina\u00e7\u00e3o sempre e aumentar nossa base de dados para a sa\u00fade p\u00fablica coordenar esfor\u00e7os e cumprir seu objetivo de eliminar a hepatite da lista de problemas de sa\u00fade p\u00fablica at\u00e9 2030, como \u00e9 a meta da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade\u201d, conclui o m\u00e9dico do Einstein.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Einstein<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando se fala em hepatite viral, os tipos A, B e C costumam ser os mais lembrados, mas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":497376,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[726,45320,2643,116,73503,73504,32,42440,33,33369,117],"class_list":["post-497375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-brasil","tag-einstein","tag-estudos","tag-health","tag-hepatite-d","tag-hepatite-e","tag-portugal","tag-prevalencia","tag-pt","tag-revisao","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117144539985493508","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=497375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/497375\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/497376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=497375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=497375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=497375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}