{"id":497663,"date":"2026-08-23T16:08:17","date_gmt":"2026-08-23T16:08:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/497663\/"},"modified":"2026-08-23T16:08:17","modified_gmt":"2026-08-23T16:08:17","slug":"roman-novo-telescopio-da-nasa-e-satelite-espiao-cosmico-23-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/497663\/","title":{"rendered":"Roman, novo telesc\u00f3pio da Nasa, \u00e9 sat\u00e9lite-espi\u00e3o c\u00f3smico &#8211; 23\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Ao final deste m\u00eas, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/nasa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nasa<\/a> deve lan\u00e7ar um sat\u00e9lite-espi\u00e3o para explorar o Universo. N\u00e3o se trata de hip\u00e9rbole. O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/04\/nasa-revela-novo-telescopio-espacial-roman-que-criara-um-atlas-do-universo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Telesc\u00f3pio Espacial Nancy Grace Roman<\/a> de fato conta com um espelho prim\u00e1rio que foi originalmente desenvolvido pelo departamento de espionagem do Pent\u00e1gono, o NRO (Escrit\u00f3rio Nacional de Reconhecimento), para uso em sat\u00e9lites de monitoramento terrestre. Depois que o \u00f3rg\u00e3o cancelou esse programa avan\u00e7ado de sat\u00e9lites-espi\u00f5es, em raz\u00e3o de atrasos e estouros or\u00e7ament\u00e1rios, decidiu doar, em 2012, os dois telesc\u00f3pios espaciais gestados pelo projeto \u00e0 Nasa. Um deles hoje est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do Roman.<\/p>\n<p>A curiosa informa\u00e7\u00e3o ajuda a entender por que o mais novo telesc\u00f3pio espacial da ag\u00eancia espacial americana \u00e9 como \u00e9, o que tem de t\u00e3o especial e o que pode fazer dele o mais produtivo sat\u00e9lite astron\u00f4mico j\u00e1 lan\u00e7ado ao espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O espelho prim\u00e1rio tem dimens\u00f5es familiares: 2,4 metros de di\u00e2metro, o mesmo do vener\u00e1vel <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2026\/03\/telescopio-espacial-hubble-capta-momento-de-explosao-de-cometa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Telesc\u00f3pio Espacial Hubble<\/a>, lan\u00e7ado em 1990 e at\u00e9 hoje a grande vedete da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/astronomia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">astronomia<\/a> na Nasa, eclipsado apenas recentemente pelo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/telescopio-james-webb\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Telesc\u00f3pio Espacial James Webb<\/a>, com seu espelho segmentado de 6,5 metros e sua vis\u00e3o dedicada ao infravermelho.<\/p>\n<p>O que o NRO queria com um espelho desse tamanho? Em ess\u00eancia, ter um Hubble que pudesse apontar para o ch\u00e3o. S\u00f3 que \u00e9 muito diferente captar uma imagem da pr\u00f3pria Terra e do espa\u00e7o profundo. Al\u00e9m das diferen\u00e7as dr\u00e1sticas de luminosidade e de velocidade relativa, ao observar o espa\u00e7o normalmente se deseja ver objetos que, pela dist\u00e2ncia colossal, aparecem em tamanho extremamente pequeno.<\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/12\/poluicao-luminosa-gerada-por-satelites-ameaca-imagens-de-telescopios-como-o-hubble.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Hubble<\/a>, a ideia era se concentrar em objetos desse tipo, de forma que as c\u00e2meras capazes de captar as imagens tinham visadas relativamente pequenas. Na pr\u00e1tica, apenas uma por\u00e7\u00e3o pequena da luz (e dos objetos) captada pelo espelho prim\u00e1ria era efetivamente registrada.<\/p>\n<p>No Roman, a ambi\u00e7\u00e3o se tornou explorar de forma mais completa a capacidade do espelho (algo que j\u00e1 fazia sentido como sat\u00e9lite-espi\u00e3o, em que voc\u00ea quer capturar n\u00e3o s\u00f3 o alvo central, mas tamb\u00e9m o entorno dele, com a melhor resolu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel).<\/p>\n<p>Resultado: enquanto a c\u00e2mera WFC3, do Hubble, no infravermelho pr\u00f3ximo, conseguia captar no m\u00e1ximo um campo com 130 segundos de arco de lado (0,036 grau), a WFI instalada no Roman conseguir\u00e1 registrar 2.700 x 1.380 segundos de arco \u2013uma \u00e1rea cerca de 140 vezes maior (0,75 grau na horizontal).<\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es para a astronomia s\u00e3o extraordin\u00e1rias. A cada ano de opera\u00e7\u00e3o, o Roman deve cobrir dez vezes mais \u00e1reas do c\u00e9u que o Hubble cobriu em 30 anos de trabalho. \u00c9 isso mesmo, um ano de trabalho do Roman entregar\u00e1, com qualidade padr\u00e3o Hubble, o equivalente a tr\u00eas d\u00e9cadas do predecessor famoso.<\/p>\n<p>DE UMA ROMAN PARA OUTRO<\/p>\n<p>Isso certamente impressionaria Nancy Grace Roman (1925-2018), astr\u00f4noma que se tornou a primeira chefe de astronomia da Nasa nos anos 1960 e 1970 e que acabou conhecida como a &#8220;m\u00e3e do Hubble&#8221;, por ter estimulado e supervisionado a concep\u00e7\u00e3o do projeto que acabaria se tornando o telesc\u00f3pio espacial mais produtivo de toda a hist\u00f3ria (at\u00e9 agora).<\/p>\n<p>Parece justo que o equipamento seguinte a ter espelho prim\u00e1rio similar ao do Hubble ganhasse o nome de Roman \u2013o que foi oficializado em maio de 2020, durante a primeira gest\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/donald-trump\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Donald Trump<\/a>, depois de o presidente tentar cancel\u00e1-lo por dois anos seguidos, algo que foi recha\u00e7ado pelo Congresso e que voltaria a acontecer na segunda gest\u00e3o, com o mesmo resultado final, em 2025.<\/p>\n<p>Em sua fase de concep\u00e7\u00e3o, ele tinha um nome menos deferente e mais t\u00e9cnico, que descrevia exatamente a miss\u00e3o: Wfirst, acr\u00f4nimo em ingl\u00eas para Telesc\u00f3pio de Varredura de Infravermelho de Campo Amplo.<\/p>\n<p>INSTRUMENTA\u00c7\u00c3O \u00c9 A CHAVE<\/p>\n<p>Embora o espelho tenha sido heran\u00e7a do NRO, coube \u00e0 Nasa desenvolver os instrumentos do telesc\u00f3pio, que s\u00e3o a parte mais complexa e importante. O espelho, \u00e9 verdade, ganhou em tecnologia (o que o fez reduzir em massa, a um quarto do que tinha o do Hubble). Mas, no fim das contas, ele \u00e9 s\u00f3 uma superf\u00edcie curvada capaz de refletir luz. Para transformar uma bacia de luz em ci\u00eancia, a chave s\u00e3o os instrumentos acoplados a ela.<\/p>\n<p>O Roman conta com apenas dois, mas s\u00e3o incr\u00edveis. O primeiro \u00e9 o j\u00e1 mencionado WFI (Instrumento de Campo Amplo), que opera com 18 detectores de luz vis\u00edvel e infravermelha e pode fazer tanto imagens, como uma c\u00e2mera, como registrar o espectro de objetos, como um espectr\u00f3grafo. O segundo \u00e9 o CGI (Instrumento Coron\u00f3grafo), um dispositivo avan\u00e7ado capaz de suprimir a luz de estrelas.<\/p>\n<p>O leitor mais arguto j\u00e1 deve ter imaginado a vantagem de bloquear, em vez de captar, a luz estelar. Estrelas s\u00e3o muito (milh\u00f5es a bilh\u00f5es) de vezes mais brilhantes que planetas que giram ao seu redor, de forma que o \u00fanico modo de observ\u00e1-los seria artificialmente &#8220;apagar&#8221; a estrela \u2013e \u00e9 isso que faz o coron\u00f3grafo. A equipe do Roman espera com isso poder fazer imagens diretas de planetas gigantes em torno de estrelas pr\u00f3ximas e abrir caminho para, eventualmente, detectar da mesma maneira mundos rochosos, como a Terra.<\/p>\n<p>Tudo isso a um pre\u00e7o de US$ 4,3 bilh\u00f5es, incluindo a opera\u00e7\u00e3o durante sua miss\u00e3o prim\u00e1ria (cinco anos). Espera-se que o Roman possa durar mais que isso \u2013pelo menos dez anos.<\/p>\n<p>Ele deve ser lan\u00e7ado em uma \u00f3rbita ao redor de um ponto lagrangiano a cerca de 1,5 milh\u00e3o de km da Terra, onde a luminosidade do planeta n\u00e3o ser\u00e1 um problema (mesma regi\u00e3o onde est\u00e3o instalados o Webb e outras miss\u00f5es cient\u00edficas). Os pontos lagrangianos (s\u00e3o cinco) s\u00e3o locais em que a gravidade de dois corpos celestes (no caso <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sol\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sol<\/a> e Terra) se combinam parar criar uma esp\u00e9cie de estacionamento natural para naves.<\/p>\n<p>O QUE ELE VAI FAZER<\/p>\n<p>O Roman \u00e9 um telesc\u00f3pio de uso geral, ou seja, ele vai estudar todos os tipos de fen\u00f4menos astron\u00f4micos, com observa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde o Sistema Solar at\u00e9 as profundezas do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Seu grande diferencial \u00e9 o campo ultra amplo, que vai permitir observar muita coisa de uma vez s\u00f3, com excelente resolu\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 tipo olhar a \u00e1rvore e a floresta toda de uma s\u00f3 vez&#8221;, resume o astr\u00f4nomo Cassio Barbosa, n\u00e3o envolvido com o projeto.<\/p>\n<p>Em termos de como seu tempo ser\u00e1 alocado, o processo ser\u00e1 similar ao que j\u00e1 \u00e9 adotado para o Hubble e para o Webb: grupos de astr\u00f4nomos do mundo todo apresentam propostas de pesquisa, um comit\u00ea avalia e concede ou n\u00e3o o tempo.<\/p>\n<p>O primeiro ciclo de observa\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e1 definido e cobre praticamente todas as \u00e1reas da astronomia, com maior \u00eanfase no estudo de gal\u00e1xias (24 programas, de um total de 118), f\u00edsica estelar (20) e exoplanetas, incluindo sua forma\u00e7\u00e3o (20). Em seguida v\u00eam popula\u00e7\u00f5es estelares (18), estrutura de larga escala do Universo (14) e gal\u00e1xias ativas e buracos negros supermassivos (13). Na rabeira v\u00eam meio intergal\u00e1ctico (4), meio interestelar (3) e Sistema Solar (2).<\/p>\n<p>Al\u00e9m das observa\u00e7\u00f5es por objetos espec\u00edficos como essas, o Roman tamb\u00e9m far\u00e1 tr\u00eas projetos de varredura (observa\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de regi\u00f5es do c\u00e9u). Um deles vai explorar uma grande \u00e1rea do c\u00e9u para produzir um mapa tridimensional do Universo; outro, mais focado, vai observar eventos din\u00e2micos extragal\u00e1cticos; e um terceiro, igualmente focado, vai apontar na dire\u00e7\u00e3o do centro da Via L\u00e1ctea, na expectativa de flagrar microlentes gravitacionais \u2013fen\u00f4menos que produzem uma mudan\u00e7a tempor\u00e1ria no brilho de objetos quando outros transitam \u00e0 frente deles.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos m\u00e9todos para descobrir exoplanetas, e o Roman espera descobri-los \u00e0s pencas, produzindo uma estimativa mais completa da variedade de mundos que existem l\u00e1 fora, preenchendo lacunas deixadas pelos m\u00e9todos mais tradicionais, que envolvem tr\u00e2nsito planet\u00e1rio (normalmente limitada a \u00f3rbitas mais curtas) e medi\u00e7\u00e3o da velocidade radial (que favorece a detec\u00e7\u00e3o de planetas com mais massa).<\/p>\n<p>&#8220;Com a quantidade de dados brutal que vai gerar, o Roman pode rapidamente se tornar o telesc\u00f3pio mais produtivo do mundo&#8221;, diz Barbosa. N\u00e3o por acaso, o projeto era visto como prioridade m\u00e1xima para astronomia do comit\u00ea do Conselho Decenal de Pesquisa Nacional dos <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a> em 2010.<\/p>\n<p>Atualmente, contando telesc\u00f3pios em solo e no espa\u00e7o, o James Webb \u00e9 o mais produtivo do mundo \u2013ou seja, o que gera mais artigos cient\u00edficos em um ano com suas observa\u00e7\u00f5es. Antes dele, por d\u00e9cadas a posi\u00e7\u00e3o pertenceu ao Hubble.<\/p>\n<p>A Nasa espera lan\u00e7ar o Roman ao espa\u00e7o no pr\u00f3ximo dia 30, embarcado em um foguete Falcon Heavy, da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/spacex\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">SpaceX<\/a>. O voo foi contratado por US$ 255 milh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao final deste m\u00eas, a Nasa deve lan\u00e7ar um sat\u00e9lite-espi\u00e3o para explorar o Universo. 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