{"id":498040,"date":"2026-08-23T22:05:16","date_gmt":"2026-08-23T22:05:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/498040\/"},"modified":"2026-08-23T22:05:16","modified_gmt":"2026-08-23T22:05:16","slug":"menos-acucar-pode-reduzir-ate-69-o-risco-de-alguns-cancros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/498040\/","title":{"rendered":"Menos a\u00e7\u00facar pode reduzir at\u00e9 69% o risco de alguns cancros"},"content":{"rendered":"<p>O a\u00e7\u00facar que consumimos ainda antes de nascermos e durante os primeiros anos de vida poder\u00e1 deixar marcas no organismo durante d\u00e9cadas. Um novo estudo sugere que limitar o consumo de a\u00e7\u00facar nos primeiros 1.000 dias de vida est\u00e1 associado a um risco significativamente menor de v\u00e1rios tipos de cancro e at\u00e9 a um envelhecimento biol\u00f3gico mais lento.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro00.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro00-720x405.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1136924\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Menos a\u00e7\u00facar nos primeiros anos de vida<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, publicada na revista cient\u00edfica <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1073\/pnas.2610287123\" rel=\"nofollow noopener\">Proceedings of the National Academy of Sciences<\/a> (PNAS), <strong>analisou dados de 64.761 pessoas<\/strong> e aproveitou uma situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dif\u00edcil de reproduzir atualmente: o racionamento de a\u00e7\u00facar no Reino Unido depois da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>O Reino Unido criou, sem querer, uma experi\u00eancia com mais de 70 anos<\/p>\n<p>Durante e ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, v\u00e1rios alimentos estiveram sujeitos a racionamento no Reino Unido. O a\u00e7\u00facar foi um deles.<\/p>\n<p>O racionamento terminou abruptamente em setembro de 1953 e o consumo m\u00e9dio de a\u00e7\u00facar praticamente duplicou pouco depois. Isto <strong>criou dois grupos particularmente interessantes para os investigadores<\/strong>: crian\u00e7as que passaram os primeiros meses ou anos de vida sujeitas \u00e0s restri\u00e7\u00f5es e outras, nascidas pouco depois, que cresceram j\u00e1 sem essas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Chen Zhu, da China Agricultural University, e Weilong Zhang, da <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/391\/bmj-2024-083890\" rel=\"nofollow noopener\">Universidade de Cambridge<\/a>, analisaram participantes do UK Biobank <strong>nascidos entre 1951 e 1956<\/strong>.<\/p>\n<p>O per\u00edodo considerado especialmente importante s\u00e3o os chamados primeiros 1.000 dias, que come\u00e7am na conce\u00e7\u00e3o e terminam aproximadamente quando a crian\u00e7a completa dois anos.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro01.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro01-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1136922\"  \/><\/a><\/p>\n<p>At\u00e9 69% menos risco de cancro do f\u00edgado<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o particularmente expressivos. As pessoas que estiveram sujeitas ao racionamento de a\u00e7\u00facar durante os primeiros 1.000 dias apresentaram, d\u00e9cadas mais tarde, uma incid\u00eancia inferior de v\u00e1rios tipos de cancro.<\/p>\n<p><strong>Os investigadores encontraram redu\u00e7\u00f5es de aproximadamente<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li>69% no cancro do f\u00edgado e vias biliares intra-hep\u00e1ticas<\/li>\n<li>52% no cancro da pr\u00f3stata<\/li>\n<li>41% no cancro do pulm\u00e3o<\/li>\n<li>40% no cancro do reto<\/li>\n<li>36% no cancro da mama<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m disso, quanto maior tinha sido o per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o ao racionamento durante esta fase inicial da vida, maior tendia a ser a redu\u00e7\u00e3o observada no risco, sugerindo uma rela\u00e7\u00e3o dependente da dura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outro resultado surpreendente: envelhecimento mais lento<\/p>\n<p>Os investigadores analisaram tamb\u00e9m os tel\u00f3meros, estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomas que ajudam a proteger o material gen\u00e9tico e que tendem a ficar mais curtas com o envelhecimento celular.<\/p>\n<p>As pessoas que tinham vivido os primeiros anos sob racionamento apresentavam tel\u00f3meros leucocit\u00e1rios ligeiramente mais longos.<\/p>\n<p>Segundo os c\u00e1lculos dos investigadores, esta diferen\u00e7a corresponde a cerca de <strong>2,2 anos a menos de envelhecimento biol\u00f3gico<\/strong>. Foram igualmente encontrados n\u00edveis inferiores de granzima B, uma prote\u00edna associada \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica do sistema imunit\u00e1rio.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro02-scaled.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro02-720x405.webp\" alt=\"Infografia que explica as consequ\u00eancias de menos a\u00e7\u00facar nos primeiros anos de vida\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter wp-image-1136923 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p>O a\u00e7\u00facar nos primeiros anos poder\u00e1 tamb\u00e9m &#8220;educar&#8221; o paladar<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma descoberta particularmente interessante.\u00a0Cerca de cinco d\u00e9cadas depois do fim do racionamento, as <strong>pessoas que tinham sido expostas a menos a\u00e7\u00facar nos primeiros anos continuavam, em m\u00e9dia, a consumir menos a\u00e7\u00facar<\/strong>, ingeriam menores quantidades de alimentos e apresentavam dietas mais diversificadas e saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os investigadores apontam, por isso, para <strong>dois poss\u00edveis mecanismos<\/strong>.\u00a0Um ser\u00e1 biol\u00f3gico: a alimenta\u00e7\u00e3o numa fase em que \u00f3rg\u00e3os, metabolismo e sistema imunit\u00e1rio est\u00e3o em r\u00e1pido desenvolvimento poder\u00e1 influenciar a sa\u00fade futura.<\/p>\n<p>O segundo ser\u00e1 comportamental. A <strong>exposi\u00e7\u00e3o a sabores muito doces durante os primeiros anos poder\u00e1 ajudar a definir<\/strong> as prefer\u00eancias alimentares que permanecem durante grande parte da vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o racionamento brit\u00e2nico revela estes efeitos<\/p>\n<p>O mais interessante \u00e9 que estes resultados n\u00e3o aparecem isoladamente.<\/p>\n<p>Um estudo anterior, publicado na Science em 2024 e baseado no mesmo &#8220;experimento natural&#8221;, concluiu que a exposi\u00e7\u00e3o ao racionamento de a\u00e7\u00facar nos primeiros 1.000 dias estava associada a uma redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente <strong>35% no risco de diabetes tipo 2<\/strong> e de <strong>20% no risco de hipertens\u00e3o<\/strong>. O aparecimento destas doen\u00e7as tamb\u00e9m foi atrasado cerca de quatro e dois anos, respetivamente.<\/p>\n<p>Investiga\u00e7\u00f5es posteriores encontraram igualmente associa\u00e7\u00f5es com menor risco cardiovascular.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro03.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/acucar_cancro03-720x405.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1136925\"  \/><\/a><\/p>\n<p>A\u00e7\u00facar n\u00e3o significa automaticamente cancro<\/p>\n<p>H\u00e1, contudo, uma distin\u00e7\u00e3o importante. Estes resultados n\u00e3o significam que consumir a\u00e7\u00facar provoque diretamente cancro nem que eliminar completamente o a\u00e7\u00facar da alimenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as impe\u00e7a o aparecimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O estudo aproveita uma experi\u00eancia natural hist\u00f3rica extremamente rara e consegue comparar popula\u00e7\u00f5es semelhantes separadas pelo fim abrupto do racionamento. Ainda assim, n\u00e3o se trata de um ensaio cl\u00ednico aleatorizado acompanhado durante 70 anos.<\/p>\n<p>O que os dados refor\u00e7am \u00e9 a import\u00e2ncia que a alimenta\u00e7\u00e3o durante a gravidez e nos primeiros dois anos de vida poder\u00e1 ter na sa\u00fade muitas d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>Curiosamente, crian\u00e7as com menos de dois anos nem sequer se recordar\u00e3o do que comeram nesta fase. Mas, segundo estes resultados, o<strong> organismo e at\u00e9 as prefer\u00eancias alimentares poder\u00e3o guardar essa mem\u00f3ria durante toda a vida<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O a\u00e7\u00facar que consumimos ainda antes de nascermos e durante os primeiros anos de vida poder\u00e1 deixar marcas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":498041,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[10172,1207,116,32,33,117],"class_list":["post-498040","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-acucar","tag-cancro","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117147096606179935","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=498040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498040\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/498041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=498040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=498040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=498040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}