{"id":498272,"date":"2026-08-24T02:56:58","date_gmt":"2026-08-24T02:56:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/498272\/"},"modified":"2026-08-24T02:56:58","modified_gmt":"2026-08-24T02:56:58","slug":"vivem-mais-de-110-anos-e-as-suas-defesas-escondem-algo-extraordinario-a-descoberta-que-surpreende-os-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/498272\/","title":{"rendered":"Vivem mais de 110 anos e as suas defesas escondem algo extraordin\u00e1rio: a descoberta que surpreende os cientistas"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/viven-mas-de-110-anos-y-sus-defensas-esconden-algo-extraordinario-el-hallazgo-que-sorprende-a-los-ci.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"As pessoas com 110 anos t\u00eam mais c\u00e9lulas imunit\u00e1rias capazes de destruir c\u00e9lulas e podem oferecer novas pistas sobre a longevidade e o cancro.\" title=\"Personas de 110 a\u00f1os tienen m\u00e1s c\u00e9lulas inmunitarias capaces de destruir c\u00e9lulas y podr\u00edan ofrecer nuevas pistas sobre longevidad y c\u00e1ncer.\" data-image=\"76toy0egqsdi\"\/>As pessoas com 110 anos t\u00eam mais c\u00e9lulas imunit\u00e1rias capazes de destruir c\u00e9lulas e podem oferecer novas pistas sobre a longevidade e o cancro.   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1787540217_79_christian-garavaglia.jpg\" alt=\"Christian Garavaglia\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/christian-garavaglia\/\" title=\"Christian Garavaglia\" data-mrf-recirculation=\"pre_article_author\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Christian Garavaglia<\/a> Meteored Argentina       23\/08\/2026 16:03   6 min    <\/p>\n<p><strong>Chegar aos 110 anos \u00e9 uma raridade<\/strong>. Mas faz\u00ea-lo mantendo uma boa sa\u00fade durante grande parte da vida \u00e9 ainda mais excecional. Agora, uma investiga\u00e7\u00e3o publicada na Cell Reports traz uma nova pista sobre um dos poss\u00edveis segredos biol\u00f3gicos dos chamados supercenten\u00e1rios:<strong> um tipo raro de c\u00e9lula imunit\u00e1ria que poder\u00e1 ter um papel importante na luta contra o cancro<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Os investigadores descobriram que as pessoas com 110 anos ou mais apresentam quantidades particularmente elevadas de linf\u00f3citos T citot\u00f3xicos CD4 (CD4 CTL), c\u00e9lulas capazes de destruir outras c\u00e9lulas.<\/strong><br \/><strong>Embora ainda n\u00e3o se saiba exatamente qual \u00e9 a sua fun\u00e7\u00e3o nos supercenten\u00e1rios, h\u00e1 ind\u00edcios de que algumas delas podem atacar c\u00e9lulas tumorais.<\/strong><\/p>\n<p>Esta possibilidade revela-se especialmente interessante porque quem atinge idades extremas <strong>parece resistir melhor a algumas das doen\u00e7as associadas ao envelhecimento<\/strong>, entre as quais as doen\u00e7as cardiovasculares, a dem\u00eancia e o cancro.<\/p>\n<p>&#8220;Grande parte da investiga\u00e7\u00e3o sobre o envelhecimento imunit\u00e1rio tem-se centrado na deteriora\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Kosuke Hashimoto, bi\u00f3logo da Universidade de Osaka e um dos autores do estudo. No entanto, os novos resultados sugerem que <strong>mesmo em idades extremas, o sistema imunit\u00e1rio poder\u00e1 conservar uma certa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o seletiva<\/strong>.<\/p>\n<p>Uma defesa que aumenta ap\u00f3s os 100 anos<\/p>\n<p>Os CTL CD4 representam normalmente menos de 5% de todos os linf\u00f3citos T do organismo e, em compara\u00e7\u00e3o com outros tipos de c\u00e9lulas imunit\u00e1rias, t\u00eam sido muito menos estudados. A sua presen\u00e7a aumenta durante algumas infe\u00e7\u00f5es virais e<strong> existem cada vez mais evid\u00eancias de que tamb\u00e9m podem destruir c\u00e9lulas cancerosas<\/strong>, incluindo as de alguns tumores pulmonares e melanomas.<\/p>\n<p>Para compreender <strong>quando \u00e9 que esta expans\u00e3o come\u00e7a a ocorrer<\/strong>, a equipa analisou amostras de 28 pessoas de diferentes idades. Oito tinham entre 70 e 90 anos, dez eram centen\u00e1rios \u2014 entre 100 e 109 anos \u2014 e outros dez eram supercenten\u00e1rios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1787540218_519_viven-mas-de-110-anos-y-sus-defensas-esconden-algo-extraordinario-el-hallazgo-que-sorprende-a-los-ci.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Mesmo em idades avan\u00e7adas, o sistema imunit\u00e1rio poder\u00e1 conservar alguma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o seletiva\" title=\"Incluso a edades extremas el sistema inmunitario podr\u00eda conservar cierta capacidad de adaptaci\u00f3n selectiva\" data-image=\"dnzwkhy3g97j\"\/>Mesmo em idades avan\u00e7adas, o sistema imunit\u00e1rio poder\u00e1 conservar alguma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o seletiva<\/p>\n<p>O contraste foi not\u00e1vel. Nas pessoas mais jovens, os CTL CD4 representavam cerca de 4% dos linf\u00f3citos T. Nos centen\u00e1rios, essa propor\u00e7\u00e3o subia para aproximadamente 10%, enquanto <strong>entre aqueles que tinham ultrapassado os 110 anos chegava a cerca de 18%<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O fen\u00f3meno parece, portanto, ter in\u00edcio por volta dos 100 anos e tornar-se ainda mais acentuado em idades extremamente avan\u00e7adas.<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os investigadores observaram que muitas destas c\u00e9lulas eram praticamente c\u00f3pias umas das outras. Cada linf\u00f3cito T possui um recetor espec\u00edfico que lhe permite reconhecer determinados antig\u00e9nios. Quando encontra um que identifica como uma amea\u00e7a, <strong>pode multiplicar-se e gerar um conjunto de c\u00e9lulas id\u00eanticas<\/strong>.<\/p>\n<p>Em alguns centen\u00e1rios, uma \u00fanica linha celular representava mais de metade de todos os CD4 CTL analisados. Isto sugere que <strong>o sistema imunit\u00e1rio poder\u00e1 estar a reagir de forma intensa e sustentada<\/strong> perante algum est\u00edmulo espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Uma barreira natural contra os tumores?<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que surge a parte mais intrigante da descoberta. Ao compararem os recetores destas c\u00e9lulas com bases de dados existentes, os investigadores encontraram cerca de 30 sequ\u00eancias semelhantes \u00e0s observadas em pessoas com cancro.<strong> As correspond\u00eancias foram especialmente frequentes em doentes com cancro do pulm\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Nenhum dos participantes do estudo, no entanto, tinha tido cancro ao longo da vida.<\/p>\n<p>Uma possibilidade \u00e9 que estas c\u00e9lulas tenham proliferado como uma resposta adaptativa \u00e0s altera\u00e7\u00f5es inerentes ao envelhecimento. As c\u00e9lulas tumorais surgem com maior frequ\u00eancia em idades avan\u00e7adas, pelo que <strong>os CD4 CTL poderiam constituir uma esp\u00e9cie de barreira que dificulta o seu crescimento<\/strong>.<\/p>\n<p><a class=\"imagen \" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/noticias\/ciencia\/zonas-azuis-os-cinco-locais-do-planeta-onde-vivem-as-pessoas-mais-saudaveis-e-com-maior-longevidade-saude.html\" title=\"&#039;Zonas Azuis&#039;: os cinco locais do planeta onde vivem as pessoas mais saud\u00e1veis e com maior longevidade\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy img-body non-editable\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/zonas-azules-los-cinco-lugares-del-planeta-donde-viven-las-personas-mas-sanas-y-longevas-16946336577.jpeg\"  width=\"320\" height=\"225\"\/><\/a><\/p>\n<p><strong>Mas os cientistas mostram-se cautelosos<\/strong>. A descoberta demonstra que determinadas popula\u00e7\u00f5es celulares se expandem perante um est\u00edmulo imunit\u00e1rio espec\u00edfico, mas n\u00e3o permite afirmar que esse est\u00edmulo seja necessariamente um tumor. Tamb\u00e9m ainda n\u00e3o se sabe quais os tecidos que estas c\u00e9lulas atingem nem o que fazem exatamente l\u00e1.<\/p>\n<p>Por isso, seria prematuro afirmar que s\u00e3o respons\u00e1veis por proteger os supercenten\u00e1rios contra o cancro. <strong>A hip\u00f3tese \u00e9 biologicamente poss\u00edvel e muito interessante, mas ainda necessita de uma prova fundamental<\/strong>: identificar os antig\u00e9nios que ativam estas c\u00e9lulas e demonstrar diretamente que s\u00e3o capazes de destruir tumores.<\/p>\n<p><strong>A equipa de Hashimoto j\u00e1 est\u00e1 a trabalhar nesse sentido<\/strong>. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 analisar a informa\u00e7\u00e3o obtida a partir de c\u00e9lulas individuais e compar\u00e1-la com amostras de diferentes tecidos. Talvez a\u00ed surja a pe\u00e7a que falta para compreender como \u00e9 que alguns sistemas imunit\u00e1rios conseguem manter-se surpreendentemente ativos quando o resto do organismo j\u00e1 ultrapassou largamente o s\u00e9culo de vida.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia da not\u00edcia<\/p>\n<p class=\"article-reference__body\">Hashimoto, K. et al.. (2026). <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell-reports\/fulltext\/S2211-1247(26)00806-5?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS2211124726008065%3Fshowall%3Dtrue\" target=\"_blank\" data-mrf-recirculation=\"end_article_citation\" rel=\"nofollow noopener\">CD4 CTLs in supercentenarians: Signs of adaptive expansion in healthy aging<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As pessoas com 110 anos t\u00eam mais c\u00e9lulas imunit\u00e1rias capazes de destruir c\u00e9lulas e podem oferecer novas pistas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":498273,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1207,116,3385,4589,32,33,117],"class_list":["post-498272","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-cancro","tag-health","tag-idosos","tag-longevidade","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117148245095085882","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=498272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498272\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/498273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=498272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=498272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=498272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}