{"id":498998,"date":"2026-08-24T18:17:15","date_gmt":"2026-08-24T18:17:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/498998\/"},"modified":"2026-08-24T18:17:15","modified_gmt":"2026-08-24T18:17:15","slug":"cientistas-recriam-chuva-de-diamantes-de-urano-e-netuno-meio-bit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/498998\/","title":{"rendered":"Cientistas recriam &#8220;chuva de diamantes&#8221; de Urano e Netuno \u2013 Meio Bit"},"content":{"rendered":"<p>Um dos fen\u00f4menos c\u00f3smicos mais estranhos j\u00e1 descritos \u00e9 o da &#8220;<strong>chuva de diamantes<\/strong>&#8220;: planetas com condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o extremas que mol\u00e9culas de carbono s\u00e3o for\u00e7adas a assumir a sua configura\u00e7\u00e3o mais compacta e resiliente poss\u00edvel. <strong>Urano<\/strong> e <strong>Netuno<\/strong> s\u00e3o os dois mais pr\u00f3ximos de provavelmente estarem nessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa ocorr\u00eancia foi considerada apenas te\u00f3rica at\u00e9 2017, quando cientistas <a href=\"https:\/\/www6.slac.stanford.edu\/news\/2017-08-21-scientists-create-diamond-rain-forms-interior-icy-giant-planets\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">conseguiram reproduzi-la em laborat\u00f3rio<\/a>. Agora um novo experimento conseguiu repetir o feito em condi\u00e7\u00f5es ainda mais insanas, e de uma forma que pode ajudar no desenvolvimento futuro da fus\u00e3o nuclear, que ainda n\u00e3o estamos nem perto de alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/files.meiobit.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/marilyn-monroe-gentlemen-prefer-blondes-musical-diamonds-are-a-girls-best-friend.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-468037\" class=\"size-medium wp-image-468037\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Marilyn Monroe em cena do musical &quot;Diamonds Are a Girl's Best Friend&quot;, do filme de 1953 &quot;Os Homens Preferem as Loiras&quot; (Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/20th Century Studios\/Disney)\" width=\"680\" height=\"383\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/marilyn-monroe-gentlemen-prefer-blondes-musical-diamonds-are-a-girls-best-friend-680x383.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-468037\" class=\"wp-caption-text\">Os n\u00facleos de Netuno e Urano s\u00e3o cheios de diamantes eternamente inalcan\u00e7\u00e1veis, mais ou menos assim (Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o\/20th Century Studios\/Disney)<\/p>\n<p>Fus\u00e3o nuclear movida a diamantes?<\/p>\n<p>Embora chamados de &#8220;gigantes de gelo&#8221;, Netuno e Urano n\u00e3o s\u00e3o gelados. O manto extremamente espesso \u00e9 um <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supercritical_fluid\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">fluido supercr\u00edtico<\/a> (FSC) composto por \u00e1gua, am\u00f4nia, metano e outros elementos vol\u00e1teis, mantido sob condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o t\u00e3o imensas que n\u00e3o h\u00e1 mais distin\u00e7\u00e3o entre os estados l\u00edquido e gasoso.<\/p>\n<p>Embora referidos como oceanos, esses mantos possuem caracter\u00edsticas tanto de l\u00edquidos quanto de gases, al\u00e9m de serem palco para coisas estranhas. Quanto mais fundo, mais press\u00e3o e mais calor, a ponto de nem mesmo as mol\u00e9culas de metano conseguirem manter suas liga\u00e7\u00f5es e serem despeda\u00e7adas.<\/p>\n<p>O carbono liberado \u00e9 ent\u00e3o exposto a uma press\u00e3o de centenas de gigapascals e temperaturas extremas, sendo assim for\u00e7ado a assumir a forma de seu al\u00f3tropo mais resistente, o diamante. Por ser mais pesado, esse mineral em escala microsc\u00f3pica acaba mergulhando ou &#8220;chovendo&#8221; em dire\u00e7\u00e3o aos n\u00facleos desses astros, que cientistas acreditam serem formados de silicatos, ferro e n\u00edquel, acumulando-se como uma casca.<\/p>\n<p>Sim, voc\u00ea imaginou certo, o Sol \u00e9 orbitado por dois potenciais diamantes de dimens\u00f5es planet\u00e1rias; a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, a Terra \u00e9 57 vezes menor que Urano e 63 vezes menor que Netuno. E n\u00e3o temos absolutamente NADA capaz de resistir \u00e0s for\u00e7as exercidas em ambos os planetas, por tempo suficiente para chegar e voltar das camadas mais profundas.<\/p>\n<p>O experimento de 2017, que usou o acelerador de part\u00edculas linear do SLAC em Menlo Park, Calif\u00f3rnia, conseguiu reproduzir condi\u00e7\u00f5es similares em uma escala muito pequena, usando um laser que exp\u00f4s uma pel\u00edcula de poliestireno a uma press\u00e3o de 150 GJ e temperatura de 6.000 K, mais quente que a superf\u00edcie do Sol; como resultado, os pesquisadores constataram a forma\u00e7\u00e3o de nanodiamantes, ap\u00f3s for\u00e7ar o material original a se partir em \u00e1tomos de hidrog\u00eanio e carbono.<\/p>\n<p>O que os cientistas do Laborat\u00f3rio Nacional Lawrence Livermore (LLNL) fizeram foi ir um pouco al\u00e9m, ao recriar as condi\u00e7\u00f5es das camadas profundas desses planetas, ainda mais extremas, e observar como esses nanodiamantes se comportam, especificamente se \u00e9 poss\u00edvel gerar mais energia do que a injetada, o que \u00e9 importante principalmente por conta do instituto envolvido:<\/p>\n<p>O LLNL, ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, anunciou em 2022 ter conseguido, pela primeira vez, realizar <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/4b6f0fab-66ef-4e33-adec-cfc345589dc7\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">um procedimento de fus\u00e3o nuclear com ganhos<\/a>, ou seja, a energia gerada foi maior que a gasta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/files.meiobit.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/icy-planet-diamond-rain.jpg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-468038\" class=\"size-medium wp-image-468038\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=\" http:=\"\" alt=\"Condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em gigantes de gelo (que n\u00e3o s\u00e3o gelados) propiciam a chuva de diamantes, e entender o fen\u00f4meno pode prover aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas (Cr\u00e9dito: Tobias W\u00fcstefeld\/European XFEL)\" width=\"680\" height=\"510\" data-lazy- data-lazy- data-lazy-src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/icy-planet-diamond-rain-680x510.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-468038\" class=\"wp-caption-text\">Condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em gigantes de gelo (que n\u00e3o s\u00e3o gelados) propiciam a chuva de diamantes, e entender o fen\u00f4meno pode prover aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas (Cr\u00e9dito: Tobias W\u00fcstefeld\/European XFEL)<\/p>\n<p>Fus\u00e3o nuclear \u00e9 o Santo Graal da F\u00edsica no que envolve a gera\u00e7\u00e3o de energia limpa, mas h\u00e1 d\u00e9cadas permanece dentro da equa\u00e7\u00e3o\u00a0YEAR(NOW())+20, ou seja, estar\u00e1 pronta sempre daqui a 20 anos, sempre a energia gerada era muito menor que a gasta, at\u00e9 o dia em que o LLNL anunciou &#8220;2 MJ entraram, 3 MJ sa\u00edram&#8221; (megajaules, n\u00e3o Reis do Pop).<\/p>\n<p>Os cientistas usam um m\u00e9todo chamado fus\u00e3o por confinamento inercial, que consiste no aquecimento e compress\u00e3o de um combust\u00edvel, geralmente usando lasers de alta intensidade para gerar altas condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o. Aqui, uma c\u00e1psula de diamante \u00e9 exposta a um laser mais quente que o Sol e com press\u00e3o tr\u00eas vezes maior que a do n\u00facleo da Terra, a fim de criar um fluido uniforme capaz de manter o momentum de fus\u00e3o; al\u00e9m disso, coisas como estrutura at\u00f4mica, temperatura, densidade e reflexividade \u00f3ptica ainda puderam ser medidas.<\/p>\n<p>O que foi observado foi uma corre\u00e7\u00e3o que levou mais de 20 anos para ocorrer: a temperatura m\u00ednima necess\u00e1ria para fundir diamante \u00e9 cerca de 20% menor do que anteriormente medida pelos pesquisadores, mas que bateu direitinho com modelos de f\u00edsicos te\u00f3ricos, significando que \u00e9 poss\u00edvel reduzir o consumo de energia e sustentar o processo, de acordo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41567-026-03413-1.epdf?sharing_token=d024ZVGdzJxPAkc26MxLbdRgN0jAjWel9jnR3ZoTv0O0HShnBxOS4w3MAwUcLZquUP2ydAn4fSgiu9ayjhB8zgVFz6UIkkeHeyCvgIvUTTuaQf_TY55BQiOlPhD7z3dbmGLcfBJPg1a6KZkYzKmbWwZyQU7zc3Rd-bZegNMOh9Q7WpKEzR1RYjHRp-SBrdoCBy-EQyFLqn9Rq8y-EzXxhCXR7ZtU2xclDmjWV9SYmI79ZPEdXk5qw85Je17G_zbrfdxJI30-q3tBMbyFdqRE6tfYRDnGAfzL1wx_wDXN9C3s30Iz3dIZlxmfJN2RtUQs51ZJmMMNxuwSlEHSWqBB88qcJwdXzJS1H4bPzdHRNf0%3D&amp;tracking_referrer=gizmodo.com\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">com o artigo<\/a> (cuidado, PDF), podendo chegar ao triplo de ganho energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Claro, ainda \u00e9 cedo para comemorar: a janela de observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o durou mais do que um bilion\u00e9simo de segundo e os cientistas sofreram para pegar os dados, pois o sinal de difra\u00e7\u00e3o de raios-X era muito fraco, mas s pesquisa n\u00e3o s\u00f3 servir\u00e1 para entender melhor como Urano e Netuno s\u00e3o, como \u00e9 um passo importante no desenvolvimento de energia por fus\u00e3o nuclear, embora ainda dever\u00e1 demorar muito para termos algo como o Mr. Fusion.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>MILLOT, M., COPPARI, F., LAZICKI, A. et al. Diamond melting in shock compression experiments at 1\u2009TPa pressures. <strong>Nature Physics (2026)<\/strong>, 19 p\u00e1ginas, 13 de agosto de 2026.<\/p>\n<p>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41567-026-03413-1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">10.1038\/s41567-026-03413-1<\/a><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.llnl.gov\/article\/54801\/melting-diamond-could-unlock-triple-fusion-gain-secrets-ice-giant-planets\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lawrence Livermore National Laboratory<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos fen\u00f4menos c\u00f3smicos mais estranhos j\u00e1 descritos \u00e9 o da &#8220;chuva de diamantes&#8220;: planetas com condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":498999,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,7195,121,43931,32092,32,33,105,103,104,106,110,12209],"class_list":["post-498998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-astronomia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-diamantes","tag-fisica","tag-fusao-nuclear","tag-netuno","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-urano"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117151861600122492","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=498998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/498998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/498999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=498998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=498998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=498998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}