{"id":49944,"date":"2025-08-29T11:04:04","date_gmt":"2025-08-29T11:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/49944\/"},"modified":"2025-08-29T11:04:04","modified_gmt":"2025-08-29T11:04:04","slug":"em-ibiza-o-turismo-empurra-trabalhadores-do-sector-para-barracas-e-autocaravanas-sobreturismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/49944\/","title":{"rendered":"Em Ibiza, o turismo \u201cempurra\u201d trabalhadores do sector para barracas e autocaravanas | Sobreturismo"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEsta ilha \u00e9 o para\u00edso, \u00e9 o lugar mais bonito que j\u00e1 vi na minha vida\u201d, diz \u00e0 Reuters Jeronimo Diana, canalizador de origem argentina, de 50 anos, que trabalha em Ibiza, a ilha espanhola conhecida como a \u201cilha da festa\u201d. \u201cMas h\u00e1 um lado sombrio\u201d, adverte. \u201cEu tenho um contrato de trabalho sem termo, ganho 1800 euros por m\u00eas, mas n\u00e3o ganho o suficiente para pagar a renda de uma casa.\u201d<\/p>\n<p>A conversa entre Jeronimo e a ag\u00eancia Reuters decorre num aldeamento improvisado onde cerca de 200 pessoas, quase todas trabalhadoras do sector do turismo, vivem no interior de barracas, tendas de campismo, carros, caravanas ou autocaravanas. \u201cCan Rovi 2\u201d, o nome pelo qual o \u201cbairro\u201d era conhecido na ilha, foi desmantelado pelas autoridades em Julho, obrigando os residentes a procurar novas solu\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o. H\u00e1, de acordo com as autoridades, cerca de mil pessoas a viver nestas condi\u00e7\u00f5es, em Ibiza \u2013 uma realidade distante e, ao mesmo tempo, t\u00e3o pr\u00f3xima dos mais de 4 milh\u00f5es de turistas que visitam a ilha anualmente.<\/p>\n<p>Em Ibiza, h\u00e1 festa todos os dias. Milhares de pessoas, vindas de pa\u00edses como Inglaterra (quase um milh\u00e3o de ingleses estiveram em Ibiza em 2024), It\u00e1lia, Alemanha, Pa\u00edses Baixos, Fran\u00e7a, aproveitam o bom tempo, as praias, as piscinas dos hot\u00e9is, as viagens de barco ao largo da ilha. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 festa todas as noites, toda a noite \u2013 e esses mesmos turistas aproveitam para dan\u00e7ar ao ritmo da m\u00fasica latina ou house, entre os feixes de laser nas discotecas ao ar livre, consumindo \u00e1lcool ou drogas at\u00e9 ao amanhecer.<\/p>\n<p>\u00c9 sobretudo durante o turno da noite que a t\u00e9cnica de emerg\u00eancia m\u00e9dica Maria Jose Tejero, de 24 anos, \u201cse sente como babysitter\u201d de turistas, contou \u00e0 Reuters, que captou imagens em que a jovem presta apoio a um turista com intoxica\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica. \u201cAs pessoas v\u00eam para c\u00e1, bebem, tomam drogas e pensam que a vida \u00e9 s\u00f3 uma festa, quando a vida tamb\u00e9m pode chegar ao fim.\u201d Tejero vive num pequeno apartamento que se v\u00ea for\u00e7ada a partilhar com mais duas pessoas, uma vez que o valor da renda \u00e9 o dobro do seu sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um pequeno apartamento de 50 metros quadrados, em Ibiza, custava, em m\u00e9dia, em 2024, de acordo com a plataforma Idealista, cerca de 1900 euros; o sal\u00e1rio m\u00ednimo, em Espanha, \u00e9 de 1381 euros mensais. A discrep\u00e2ncia entre os dois valores for\u00e7a muitos dos residentes de Ibiza a viver em casas partilhadas, a mudar-se para fora da ilha, ou, em \u00faltimo caso, a viver em tendas ou caravanas em assentamentos ilegais. Ibiza tem assistido, nos \u00faltimos anos, ao \u00eaxodo de profissionais de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o conseguem fazer face \u00e0s suas despesas; muitos funcion\u00e1rios p\u00fablicos preferem viver em Menorca ou Mallorca e, diariamente, deslocarem-se para o trabalho entre ilhas.<\/p>\n<p>Durante o dia, Lia Romero \u00e9 enfermeira; de noite, dan\u00e7a numa discoteca, Amnesia. A jovem de 28 anos, natural das ilhas Can\u00e1rias, Espanha, garante que, mesmo com dois empregos, o que ganha n\u00e3o \u00e9 suficiente para arrendar um apartamento sozinha, para comer num restaurante ou para sair \u00e0 noite. \u201cEm Ibiza, \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de pose e de exibi\u00e7\u00e3o de riqueza\u201d, disse. \u201cAqui n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para as pessoas comuns.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para pessoas como Jonathan Ariza, mec\u00e2nico e trabalhador da constru\u00e7\u00e3o civil de origem colombiana, que vive numa caravana, perto do principal hospital da ilha; para pessoas como Alejandra, de 31 anos, que trabalha num hotel vive com o filho de tr\u00eas anos, David, num abrigo da Caritas depois de ter sido for\u00e7ada a abandonar a tenda onde ambos viviam. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o tamb\u00e9m para pessoas como Saray Benito, de 32 anos, que em 12 anos mudou mais de 20 vezes de casa. Mas ent\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para quem?<\/p>\n<p>O problema da habita\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ser exclusivo de Ibiza. Espanha recebeu, em 2024, 94 milh\u00f5es de turistas \u2013 o segundo na tabela de pa\u00edses mais visitados do mundo, ultrapassado apenas pela Fran\u00e7a, que suplantou os 100 milh\u00f5es de visitantes \u2013 e essa aflu\u00eancia tem um custo elevado para os espanh\u00f3is, que se t\u00eam manifestado, repetidamente e por todo o pa\u00eds, contra o sobreturismo e os seus efeitos, exigindo aos governos, central e regionais, a implementa\u00e7\u00e3o de medidas no sentido do controlo do pre\u00e7o das rendas, da imposi\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es no licenciamento ao alojamento local e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 entrada de turistas no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cEsta ilha \u00e9 o para\u00edso, \u00e9 o lugar mais bonito que j\u00e1 vi na minha vida\u201d, diz \u00e0&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":49945,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-49944","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49944\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49945"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}